Notas iniciais
Olá meninas! Aqui está o 1º capítulo de NSAPM.
Atenção! O prólogo tratou do "presente"(Dezembro 2007) e os capítulos seguintes falarão do "passado" (Junho 2007 em diante).
Espero que gostem! Nos falamos mais lá em baixo.
Boa leitura! ;)
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Música tema de NSAPM: Same Mistake James Blunt
www.vagalume.com.br/james-blunt/same-mistake-traducao.html
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Créditos: Look da Bella montado pela Vanessa Rugue (TheRugue).

Em algum dia de Junho do ano de 2007...


Novamente, ele estava no Starbucks, que costumava ser o seu refúgio para escrever. Aquele ambiente era inspirador... Simplesmente não sabia explicar o fundamento — ou o motivo — daquilo, mas era aquele lugar que lhe trazia a paz e a inspiração necessárias para conseguir se desligar do resto do mundo e fazer o que ele mais amava na vida. Escrever. Seus outros colegas jornalistas o achavam esquisito, pois o considerado normal era se sentir à vontade — e ter mais concentração — em casa. Mas o que é normal?! Desde criança ele se encantava pelo incomum. Isso ficou mais evidente em seu sexto aniversário, quando ao invés de pedir um cachorrinho de presente aos pais, ele pediu um sapo... Algo completamente incomum para uma criança. Então para ele o normal era sem graça... Essa inquietude, curiosidade e paixão pelo “diferente”, eram traços tão marcantes em sua personalidade, que logo o transformou em um conceituado e respeitado jornalista investigativo. Na maioria do tempo trabalhando em conjunto com a polícia local, o que era uma grande honra e reconhecimento. Considerando sua pouca idade, o significado disso era ainda maior. Só alguém extremamente competente e – deve-se ressaltar — digno de confiança, trabalhava com a polícia de Nova York.

Edward olhava o monitor de seu notebook a exatamente quarenta e sete minutos, terrivelmente assustadores para ele... O documento do Word estava em branco. Nenhuma frase foi formulada. Nenhuma palavra escrita. Nada vinha em sua mente. Nada. Estaria entrando em uma espécie de “colapso criativo”? Ou era só desmotivação mesmo? Mas ele não se sentia desmotivado. Talvez enfadado. Estaria cansado ao ponto de não conseguir escrever nada? Isso era tão frustrante! Nunca havia acontecido antes, pois para ele, escrever se tornara tão natural quanto respirar ou dormir e acordar. E sendo assim, o Word em ainda branco parecia até indecente. Era como o silêncio constrangedor, que muitas vezes grita mais alto que as nossas próprias palavras...

- Só me faltava essa. – sibilou frustrado.

Bom, seja lá o que fosse, teria que acabar dentro das próximas 48 horas, pensou veementemente. Esse era o prazo que tinha para escrever uma ótima matéria e conseguir publicar já na próxima edição semanal do jornal “Nova York em foco”. A matéria do caso mais importante de sua vida até aquele momento...

Juntamente com a polícia de Nova York, Edward havia contribuído para erradicar uma rede de tráfico de moças, para o Oriente Médio. Elas eram aliciadas com a promessa de uma glamorosa e milionária carreira de modelo internacional, porém chegando lá, eram brutalmente estupradas e obrigadas a se prostituir. Ele tinha ansiado tanto por finalmente escrever essa matéria. Lembrou-se de todas as vezes que idealizou escrevê-la, das noites que passou em claro pensando nos vagabundos que comandavam o “esquema” e no que a polícia faria com eles, quando finalmente os pegassem. Lembrou-se também do motivo pelo qual decidiu investigar esse caso. Sua irmã, Alice Cullen. Não que Alice tenha sido ludibriada e tenha caído no nojento esquema do tráfico de mulheres... Mas isso havia acontecido com uma grande amiga dela. Jane Volturi.

A imagem da pequena Alice surgiu em sua mente, e ele novamente sentiu o coração apertado. Levou a mão ao seu peito. Ele nunca havia visto sua irmã tão angustiada e perdida. Sem sorrir. Seus grandes olhos verdes na ocasião estavam injetados e vermelhos de tanto chorar. Seu nariz, também vermelho, e o rosto molhado completavam a face desesperada dela...

– Edward, pelo amor de Deus irmão... Ajude a Jane! Você conhece pessoas importantes na polícia! Tem influência! Pode começar uma investigação! Eu... Você... A Jane não... – a pequena Alice se entregou a um choro intenso e contínuo, ritmado por altos soluços e palavras desconexas. Ela era puro desespero e sofrimento.

– Calma Alice! Vou ver o que consigo fazer! Mas antes você precisa se acalmar! – pediu desconfortável. Pensou em Jane e no quanto a moça deveria estar sofrendo nas mãos daqueles monstros, sozinha, lá no Oriente Médio. Aghr! Cerrou os dentes.

– Prometa Edward! Prometa que vai fazer o possível pra trazer minha amiga de volta! – Alice pediu olhando bem no fundo dos olhos do irmão.

– Siih! Eu prometo, Alice! — puxou o corpo trêmulo da irmã para mais perto, envolvendo-a em um abraço apertado.

Aquela importante promessa foi selada com um singelo abraço dos irmãos, cheio de afeto e regado às lágrimas da princesa. Sim, Alice poderia ser perfeitamente comparada com uma princesa das fábulas e livros infantis. Possuía beleza, pureza e honestidade. Era corajosa e sonhava em viver um grande e verdadeiro amor.

Ora, se Alice poderia ser considerada uma princesa das fábulas, Edward poderia ser considerado o Sherlock Holmes deste século. Assim como Holmes, ele não gostava que o interrompessem em suas reflexões. Demostrava alguns traços de sentimentalismo, mas preferia o lado racional de ser e pensar. Tinha também alguns hábitos peculiares e parecidos com os do famoso detetive criado por Conan Doyele, como a prática de boxe e esgrima. Era carismático, astuto e fez do método científico e da lógica dedutiva suas melhores armas no trabalho. Tinha a curiosa habilidade para desvendar casos aparentemente impossíveis de se resolver. E ele também tinha seu Dr. Watson. Esse era seu amigo e fiel escudeiro Jasper Whitlock, por quem sua irmã Alice mantinha um sincero e secreto amor. Eles se conheceram em uma badalada festa da universidade. A empatia foi tanta, que logo se tornaram grandes amigos.

Jasper cursava medicina, e pretendia se tornar um dos melhores médicos legista dos EUA. Tanto se dedicou, que foi contratado pela polícia de Nova York. Já Edward preferia a liberdade que o jornalismo investigativo lhe proporcionava. Gostava de trabalhar em casos desafiadores e de praxe só escolhia aqueles que lhe fascinavam. Os amigos seguiram carreiras distintas, é óbvio, mas o trabalho de ambos sempre se encontrava em algum ponto da vida, ou seja, sempre que vítimas examinadas por Jasper, eram os resultados de um crime investigado por Edward. A dupla tinha tanta sintonia e profissionalismo, que receberam prêmios e condecorações da polícia, por anos consecutivos. Até uma matéria intitulada “Elementar meu caro Jasper...”, exaltando o brilhante trabalho dos amigos, foi destaque em um dos maiores jornais de Nova York.

No dia em que Alice lhe contou sobre Jane, Edward prometeu a si mesmo que faria de tudo para ver sua irmã feliz e sorrindo novamente. Sendo assim, Edward realmente não faria só o possível para trazer Jane novamente... Ele tentaria o impossível também. Afinal, ele sempre foi assim... Ousado! Onde muitos enxergavam ansiedade e um pouco de orgulho, na verdade existia coragem. Nasceu então o caso “Volturi”. Foram quase seis meses de investigação complicadas e trabalho intenso. Quase seis meses em que Edward não dormiu. E que Alice não sorriu. Foi um tempo muito difícil para a família Cullen, de um modo geral.

A tristeza da pequena Alice afetava toda a família. Não era só a alegria dela que parecia se projetar de seu corpo e irradiar todo o ambiente. Sua tristeza também tinha esse poder. Esme, a matriarca, era a que mais sentia o peso da situação. Como uma boa e zelosa mãe, preocupava-se com a repentina depressão da filha caçula. E também com o risco que Edward era submetido nessa profissão e mais especificamente neste caso. Já Carlisle, o patriarca, apesar de não transparecer tanto, se preocupava a maneira dele. Não que fosse algo feito de propósito. Mas era porque ele foi um homem criado a moda antiga. Em sua concepção, ele deveria ser forte e não demonstrar preocupação. O pilar da família em todos os sentidos. Mas por causa da situação com os filhos, ele andava um tanto desatento no — bem sucedido — escritório de advocacia e já havia perdido alguns casos. Rosalie, a irmã adotada, não se preocupava nenhum pouco. Para ela tudo era uma questão de sorte e destino. Se aquilo aconteceu assim, era porque estava escrito em algum lugar do universo e ponto final. Era cética e se importava com coisas fúteis. Sonhava em ser uma atriz de sucesso e não pensava em nada, além dos meios que utilizaria para se tornar uma. Guardava consigo a magoa de um sentimento reprimido e nunca confessado... O amor platônico que ela sentia por Edward. E que nunca foi correspondido, afinal, ele apenas a enxergava como irmã.

Graças à dedicação de Edward, a competência da polícia de Nova York e a uma ajudinha do céu – na inteira concepção de Edward – quase tudo terminou como deveria. Quase. Jane voltou para a família. O esquema de tráfico de mulheres foi denunciado e desfeito. Os responsáveis foram presos, julgados e condenados. Todas as outras moças voltaram para suas famílias. Elas demorariam um pouco para se recuperarem do trauma psicológico, mas estariam perto de suas famílias e entes queridos, o que as ajudaria a superar. Alice voltou a sorrir. Esme parou de procurar psicólogos e tratamentos alternativos para curar a depressão da filha. Carlisle seguiu a vida tocando o escritório, buscando novos clientes e cuidando da família. E Rosalie... Bom, ela conheceu um famoso produtor de Hollywood chamado Emmett Hale, com quem agora matinha uma estreita e sincera relação, finalmente conseguindo esquecer o que sentia pelo irmão. O único ponto que não fechou nessa história foi a matéria de Edward. A essência de sua profissão. Aquilo que ele estudou anos e anos para fazer. E que agora ele estranhamente não conseguia desempenhar a contento...

- Droga! – reclamou, apertando os dedos nos olhos.

Irritado, terminou de tomar seu café — sempre muito quente e amargo — deixou algumas notas de dólar sobre a mesa e saiu do Starbucks, sem chamar muita atenção para si. Foi quando se deu conta que estava na rua e que uma garoa fina começava a cair, percebeu que não tinha certeza se queria ir para casa dos pais ou para o apartamento que dividia com Jasper em Manhattan... Enfim, estava sem rumo. Confuso.

Andando pelas ruas de Nova York, ele olhava atentamente as vitrines das lojas, se apegando a todos os detalhes que encontrava. Um livro. Uma cor. Uma frase escrita nos anúncios luminosos das lojas. E por que não uma bela moça? Desviou um pouco seu caminho e passou em frente à loja de flores para cumprimentar Victória. A simpática e conhecida vendedora ruiva, de olhos azuis e seios fartos, que praticamente o devorava com os olhos. Edward já tinha saído duas vezes com Victória, mas a relação com ela não passava disso. Sexo casual. Mesmo assim, ele sentiu-se vaidoso e apesar de não se achar bonito, seu ego inflou-se, falando mais alto. Era bom ser desejado, uma vez que sua aparência ultimamente não inspirava muito uma conquista. Nos últimos dias sua barba estava grande demais e o cabelo cor de bronze estava revolto, pairando por todos os lados da cabeça, visto que ele não o penteava há uns cinco dias. Mas foi tudo em vão. Nem aquela breve paquera lhe trouxe inspiração.

Até que ele passou em frente a uma velha loja de artigos musicais, na qual nunca teve o menor interesse de entrar. Não precisava comprar CD, uma vez que havia adquirido o hábito de baixar músicas da internet e armazenar em seu ipod. Mas no momento em que passou na frente da loja, e a porta foi aberta por um cliente — gordo, muito bem vestido e sorridente — que deixava o local, ouviu uma canção muito conhecida. Era Same Mistake do James Blunt. Lembrou-se que antigamente ouvir músicas costumava lhe acalmar e decidiu entrar na loja, com esperança de encontrar alguma música, em qualquer CD dali, lhe trouxesse a inspiração que precisava para finalizar a sua tão sonhada matéria — que agora mais lhe parecia um problema.

Abriu a porta tentando não fazer muito barulho e entrou na loja. Sem saber direito o que procurar, foi em direção aos CDs de Rock Roll. Bom, ele estava certo em partes. A decisão de entrar na loja, tomada por ele ao abrir daquela porta, lhe traria sim inspiração, mas não por causa de alguma música...

– Boa tarde, senhor. Em que posso ajudá-lo? – Chamou uma doce voz feminina logo atrás dele. A voz soava doce sem deixar de ser profissional.

Edward odiava aquilo. Completamente. O fato de entrar em uma loja e um vendedor vim direto lhe oferecer “ajuda”, o fazia sentir-se constrangido. Coagido a comprar. Por isso ele era adepto das compras online. Viva a revolução da internet! Respirou fundo, na intenção apenas de se acalmar um pouco. Sentiu um perfume doce e amadeirado. Divino. Provavelmente era o perfume que a moça atrás dele estava usando. Por um milésimo de segundo aquele cheiro maravilhoso confundiu seus sentidos. Ele fechou os olhos, como se isso o ajudasse a apreciar melhor o cheiro.

– Está tudo bem, senhor? – A falta de resposta dele estava deixando a vendedora preocupada e até com uma pontada de medo. Afinal, ele poderia não ser só um cliente. Poderia ser um assaltante! A moça encarou as costas de Edward milimetricamente, analisando suas roupas e constatando que – apesar do cabelo desalinhado — ele estava bem vestido. Logo, não deveria ser um assaltante. Ela desejava que não fosse! Enquanto isso, ele soltou um longo e alto suspiro... Fez um sinal positivo com a cabeça, ainda sem se virar e encará-la. Já estava irritado e sabia que se respondesse algo em voz alta, seria grosseiro.

– Ok, se precisar de algo, estarei no balcão... – a voz da moça agora pareceu um pouco mais baixa, e Edward verificou que podia ouvir o barulho de saltos ritmados, batendo no chão. Se afastando dele. Pois é, ele já estava sendo grosseiro. Uma onda de vergonha o inundou. A pobre vendedora estava fazendo apenas o seu trabalho. Além do mais, ela não tinha absolutamente nada haver com a porcaria da falta de criatividade dele.

Edward virou-se pra trás, para pelo menos agradecer a atenção e presteza dispensada pela moça, mas ela não estava mais atrás dele. A única coisa que anunciava sua passagem por ali, era o perfume que estava impregnado naquele local. Ele olhou rapidamente em volta, procurando-a. Até que a encontrou atrás de um balcão, bem onde ela disse que estaria. Apertou os olhos para ver se o que estava a sua frente era real...

A vendedora era especialmente linda.

Tinha uma pela translúcida, branca como neve e os lábios vermelhos como carmesim. Lisos cabelos pretos, muito, mais muito curtos mesmo, porém bonitos. Combinavam com ela. Vestia uma jaqueta de couro preta, cheia de zíper e uma camiseta azul marinho com a estampa da banda Aerosmith. Uma peônia. Essa era a flor que repousava ao lado da vendedora, dentro de um grande recipiente de água transparente, que adornava o balcão. Aquela flor era a única decoração do local e então a moça deveria gostar de peônias, concluiu ele. Edward se viu fascinado pela morena. Ficou repentinamente curioso com a expressão séria que ela matinha no rosto, enquanto desempacotava algumas caixas de CDs e fazia anotações em um notebook de tecnologia ultrapassada. Provavelmente estava catalogando a nova mercadoria. Mesmo sem entender de onde vinha aquela vontade, decidiu chegar um pouquinho mais perto dela, para conseguir sentir aquele perfume mais uma vez.

Com uma lentidão exagerada se aproximou do balcão... Não queria ser notado. Estava estudando cada traço e expressão na face dela. Gostou demais quando em seu rosto se formou um biquinho e ela levou o dedo indicador até ele, como se estivesse confusa. Edward não conteve um sorriso bobo. Quando já estava perto demais, inspirou o perfume dela mais uma vez e a sensação parecia muito melhor que antes. Seria deselegante perguntar qual perfume ela usava?

– Olá! – ele puxou assunto, mas sua voz saiu alta e rouca demais. Droga! Ela estava tão compenetrada em seu trabalho, que se assustou com a voz dele.

– Oh! – a moça levou a mão ao pescoço e depois ao coração, para se certificar se ele ainda estava batendo – Você me assustou! – disse levantando a cabeça para encará-lo.

Foi então que Edward ficou sem palavras...

Os olhos dela...

Ela tinha os olhos mais lindo que ele já vira. Estavam com uma carregada maquiagem preta, porém não foi aquilo que lhe chamou atenção. Seus olhos eram profundos, de um castanho chocolate intenso, que conseguiam ser ameaçadores, misteriosos, sofridos e ternamente doces ao mesmo tempo. Olhos que simplesmente conquistam. Que enfeitiçam. Que cativam. Doces olhos, lindos e amendoados... Ele ficou completamente absorto, admirando a única parte do corpo dela que destoava daquele visual gótico e avassalador...

– Ei! Psiu! Senhor! – ela estalava os dedos na frente da imensidão verde dos olhos dele, tentando trazê-lo do transe que pareceu entrar.

Edward sabia que precisava falar algo. Interagir com ela, para que não ficasse parecendo simplesmente um babaca.

– Edward. Me chamo Edward Cullen. Muito prazer senhora...? – questionou sorrindo e inclinando a mão para cumprimentá-la.

Ela por sua vez ficou alguns segundos encarando a mão dele suspensa no ar. Estava indecisa. Não sabia se devia cumprimentar aquele rapaz. Ele lhe parecia tão esquisito à primeira vista. Depois de alguns segundos discutindo internamente em silêncio, ela finalmente sustentou o olhar dele e apertou sua mão, de uma maneira delicada e tímida.

– Isabella Uley. E... o prazer é todo meu... eu acho.

Ele demorou um pouco mais do que o exigia a cordialidade, para soltar a mão de Isabella. Era tão macia e quente. Ela não reclamou.

Após o demorado aperto de mãos, foi ela quem continuou a conversa cordial.

– Então Sr. Cullen, o que procura por aqui? – questionou, voltando ao modo profissional novamente.

– Sr. Cullen? – ele franziu a sobrancelha grossa.

– Hum, prefere Edward? – disse inclinando um pouco a cabeça para o lado. Aquilo deixou Edward ainda mais encantado. Isabella utilizava demais as expressões corporais para complementar o que dizia.

– Sim, prefiro Edward! E você? Prefere Isabella ou Sra. Uley? – disse piscando pra ela. Flertando.

– Gosto de Isabella — Ela não retribuiu o flerte. Apenas devolveu a piscadela e voltou sua atenção para o notebook, a fim de continuar a catalogar a nova mercadoria, enquanto conversava com ele – Ok Edward, como posso ajudá-lo? – questionou, sendo profissional novamente.

– Na verdade, eu não sei bem – confessou ele, agora tímido e passando uma das mãos nos cabelos – Estou procurando alguma música que me inspire, entende? Preciso terminar de escrever uma matéria.

- Matéria? Então tenho em minha loja um jornalista? – supôs ela.

- Perfeitamente. – respondeu Edward com um sorriso orgulhoso no rosto. Ele amava sua profissão.

– Entendi. E você gosta de Rock, eu suponho. — ela ainda fitava a tela do notebook.

– É isso mesmo. Como sabe? – disse surpreso. Ainda mexendo nos cabelos bagunçados.

– Ora, você estava na sessão de CDs de Rock – respondeu Isabella como se aquilo fosse muito óbvio, enquanto apontava com a cabeça para o corredor da ala norte, onde Edward estava há pouco. O corredor dos CDs de Rock, é claro. Ele riu.

– Hum... Observadora você hein?!

– Errr... É só força do hábito, ou ossos do ofício. Entenda como quiser. – respondeu Isabella, dando de ombros, com a expressão um pouco mais relaxada, mas ainda sem sorrir.

– Ah claro! Como sou idiota. É óbvio que você repara em tudo que acontece na sua loja.

– Pode crer! – uma expressão diferente passou pelo rosto dela – Você disse Cullen?! Esse sobrenome não me é estranho...

Ah claro! Se ela costumava ler jornal, certamente já teria visto o nome de Edward assinando alguma matéria policial. Enquanto ele observava Isabella levar novamente o dedo indicador a boca — e constatar que gostava demais daquela mania dela -, respondeu.

– Você costuma ler jornal? É que sou jornalista investigativo e... – disse torcendo os lábios.

– Claro! “Elementar meu caro Jasper...” – Isabella estalou os dedos. Lembrou-se da matéria do jornal, que exaltava o trabalho de Edward e Jasper. Lembrou-se ainda de ter ficado impressionada com o talento dos amigos na época.

– Isso mesmo! – disse apontando para ele mesmo. – Jasper é meu amigo e colega de trabalho. – explicou.

– Nossa! Que honra você em minha loja! – disse ela sarcasticamente. Na realidade, ela não gostava muito de manter contato com pessoas públicas.

– Depois eu te dou um autógrafo. – ele a provocou.

Isabella bufou, revirou os olhos de forma teatral e levantou o dedo do meio para ele. Não estava brava. Apenas queria brincar com Edward. Deu certo. Ele caiu na gargalhada.

– O que foi? Se quiser, trocamos o autógrafo por uma foto... Você decide. – Ele terminou a frase cruzando os braços no peito musculoso.

– Ok Sr. Sherlock Holmes, e do que trata essa matéria? Por que não consegue escrevê-la? – Isabella perguntou fechando o notebook e olhando para Edward. Voltou toda sua atenção para ele. Queria ajudá-lo, mesmo sem entender por que.

– Jura que você quer saber? – Edward ficou espantado e estupidamente alegre ao mesmo tempo. Que ridiculo Edward! pensou.

– Se estou te perguntado... Parece que sim! – respondeu Isabella de uma maneira concisa, mas não mal educada. Ela apoiou os dois cotovelos no balcão e em seguida repousou o queixo nas mãos – Me conta. Gosto de ouvir histórias, de qualquer forma... — deu de ombros.

– Então ok. – ele fez uma pequena pausa, para organizar as ideias perdidas do Caso Volturi na cabeça — Há aproximadamente seis meses eu comecei a trabalhar em um caso digamos, complicado...

Edward, que agora estava com seu notebook ligado em cima do balcão da loja, acessando várias fotos e documentos escaneados. Se viu contando em detalhes o caso “Volturi” para a morena, que por sua vez prestava total atenção. Eles trocaram ideias e ela opinou em alguns pontos que ele poderia incluir na matéria. As ideias de Isabella eram tão boas, que desencadearam a inspiração de Edward. Acabaram por construir uma espécie de briefing do que seria relevante comentar e ressaltar do caso. Conversaram por cerca de cinquenta e cinco minutos, e nem ao menos perceberam a hora passar. Eram entrosados e pareciam "trabalhar" bem juntos. A coisa simplesmente fluía.

Até que a porta da loja foi ruidosamente aberta e um grupo de adolescentes agitados passou por ela, quebrando a concentração de ambos. Eles se olharam alguns poucos instantes.

– Hey Edward, vou ali atendê-los e já volto – disse Isabella apontando para o grupo eufórico que invadirá sua loja. Era o dever a chamando.

– Ok, vou esperar por aqui – disse, retirando sua mochila de um dos ombros e largando sua mochila em cima do balcão.

Intencionalmente, ele se virou para ver Isabella caminhar até o grupo e não pôde deixar de observar um pouco mais seu corpo. Agora conseguia ver melhor a roupa que ela vestia. Uma calça de couro colada e botas pretas de cano alto, completavam o look gótico. Ela era baixa e magra. Na medida certa. Perfeita. Hummm.

Isabella abordou os adolescentes da mesma maneira cordial e profissional que fez com Edward, a pouco mais de uma hora.

– Boa tarde, pessoal. Em que posso ajudá-los?

– Cara, adorei seu cabelo! – uma menina baixinha e cheia de piercings, elogiou os cabelos negros e curtos de Isabella...

– Ah! Obrigada! – respondeu enquanto passava as mãos nos cabelos. Corou. Ficava envergonhada todas as vezes que recebia um elogio – E ai, o que procuram?

– Guitarras baby! Queremos ver o preço das guitarras! – Outro rapaz alto e desengonçado falou um pouco mais alto. Parecia ser o líder daquele grupo.

- Guitarras então? – indagou ela.

- Sim. Estamos formando uma banda de rock. – respondeu o rapaz alto e os demais o encaravam com admiração. Ele era definitivamente o líder daquele aglomerado de adolescentes.

A morena gesticulou para o corredor sul da loja e conduziu o grupo – ainda muito agitado – na direção onde ficavam expostos os instrumentos. Eles lhe fizeram uma série de perguntas, na qual ela respondeu todas com muita rapidez e convicção, provando que entendia muito bem do assunto. Cada fato novo que Edward descobria sobre ela, lhe deixava mais fascinado. Ela era completamente incomum. Realmente era. E também muito interessante, disso ele não duvidava. Mas por que ela nunca sorria? Isso era algo que ele queria muito entender...

Aproximadamente vinte minutos depois, o grupo deixou a loja irradiando felicidade e levando uma guitarra JHS elétrica e semi-acústica, recém-adquirida. Edward não fazia a mínima idéia do que aquilo queria dizer, mas os adolescentes pareciam satisfeitos com o ótimo negócio que tinham fechado. Isabella os levou até a porta da loja e voltou para o balcão.

– Errr... Voltei.

– Bem vinda de volta vendedora talentosa! – ele encenou bater palmas.

– Ah que isso! Essa JHS estava com um ótimo preço! Nem é difícil vender uma nessas condições... — corou.

– Seria difícil sim! Pelo menos pra mim, que não faço a mínima ideia do que seja uma JHS! – Edward fez um beicinho fingido.

– É preciso ter um conhecimento mínimo de um produto, para poder vendê-lo. Acho que é assim que funciona em todas as profissões, não é?! — o desafiou.

– Pois é... Acho que funciona assim mesmo – ele reprimiu uma risada. Sabia que Isabella estava tentando desviar o assunto, que no momento era ela. Já havia percebido que a morena não gostava de ser o centro das atenções.

Nesse momento Isabella reparou que Edward já havia desligado seu notebook e sua mochila estava nas costas novamente. Pronto pra ir embora...

– Ok, chega de falar do meu vasto conhecimento em instrumentos e argumentos de vendas. Como vai sua matéria, jornalista? — apontou para a mochila. A palavra jornalista soou com certa admiração em seus lábios.

– Agora? Vai muito bem vendedora, obrigado pela sua ajuda! Foi ótimo ter te encontrado hoje. Você era a inspiração que eu estava procurando – disse contornando o balcão e caminhando em direção a Isabella, próximo da porta de saída.

– Ah! Sem essa cara! – revirou os olhos para ele.

– É sério! Eu discutiria um pouco mais com você, porém agora preciso ir e escrever logo essa matéria. Vai que a inspiração desaparece... de novo. — Edward parou em frente à Isabella, inspirou mais uma vez seu perfume doce e amadeirado. Não hesitou e depositou um demorado beijo em sua bochecha macia. Sentiu o local aquecendo gradativamente. Ela havia ficado com vergonha e catatônica – Mas eu dou um jeito de te mostrar como ficou a matéria... mesmo que ela não seja publicada — disse contra a pele do rosto dela. Afastou-se em seguida.

– S-se quiser po-pode enviar no e-mail da loja – ela gaguejou, enquanto tateava o bolso da jaqueta à procura de algo – Aqui está meu cartão. Quer dizer... o cartão da loja.

– Obrigado! E tchau! — disse guardando o cartão em um bolso da calça.

– Tchau!

Foi uma despedida contida. Eles trocaram um olhar sério e cauteloso. O contato muito próximo de Edward havia assustado Isabella, que não estava acostumada com aquele tipo de contato físico. Percebendo isso, ele decidiu que realmente era hora de ir embora, pois havia deixado ela completamente sem graça. Mas parou assim que chegou à porta. Aquilo estava errado. Não deveria ser uma despedida definitiva. Ele não queria que fosse...

– Vendedora? — girou os calcanhares para olhá-la.

– O que foi jornalista? – Ela se virou para encontrar os olhos dele. Insegura. Sentia-se exposta diante daquele olhar especulativo. Não gostava muito daquilo.

– Vou guardar o seu cartão. Quer dizer, o cartão da loja. – corrigiu, da mesma maneira que ela havia feito — Mas volto aqui pra te mostrar pessoalmente como ficou a matéria. Eu posso? – o pedido no final da frase pareceu ser dito com certa insegurança.

– Como quiser. Estou por aqui de segunda a sábado das 09:00 às 18:00 – ela respondeu simplesmente. Como se estivesse falando com um cliente qualquer, e não com um cara que a fazia sentir-se... estranha. Mas ele encarou como uma resposta afirmativa.

– Então me espera. — e aquilo soou como uma promessa aos ouvidos de ambos.

Edward saiu apressado para a chuva que ainda caia lá fora, fechando a porta atrás de si. Nem ao menos teve tempo de ver que Isabella passava levemente a mão na bochecha onde foi beijada por ele.

Música tema de NSAPM: Same Mistake – James Blunt


Notas finais
Notas da beta:
Oieee meninas!!! Tudo bem?!
Então... o que dizer do clima de suspense policial/investigativo e romance criado pela Juh, quando se é fã do gênero como eu, hã?! ADORO ahaha! E o encontro entre o Edward e a Bella? Totalmente inusitado, especial, intenso! Algo me diz que se a Bella esconde alguma coisa, estará em apuros muito breve, já que Edward me parece um verdadeiro desvendador de mistérios! Apesar de ela parecer querer se proteger o tempo todo, foi inegável a atração que surgiu entre os dois... e eu quis dar um beijo no Edward pelo beijo que ele deu na Bella na saída da loja, confesso rs! Agora é torcer para que a matéria fique pronta o mais rápido possível e que o jornalista vá pagar sua promessa para a vendedora, certo?! A estória está incrível... então bora comentar e recomendar muitão, okay?!
Beijos e até o próximo post!
Dani ;)
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Notas da autora:
Olá meninas! Booom dia! ;)
Espero que estejam todas bem!
Primeiramente gostaria de agradecer o carinho e a receptividade de vocês com NSAPM. Foram 28 reviews no prólogo! AAAwwwnnnn! Me deixaram muuuuito feliz!
E ai, gostaram do 1º capítulo? Ele ficou um pouco grande, pois que queria apresentar à vocês todas os Cullens, bem como Jasper, Emmentt e... Isabella! O que acharam dela? Porque acham que ela adotou um visual tão pesado? Deixem reviews com a opinião de vocês. Não me abandonem, please! rs
Queria agradecer a minha beta, pelo apoio de sempre.
E a Van por criar o look da Bella.
Fiquem com Deus e até o próximo post.
Bjsss,
Juh Cantalice