Não Há Erro em Amar

9 Capítulo 8: Tempestade


Notas iniciais
Mais um capituloooooooooooooooooooo!!!!
Garotas, coisas lindas do meu pancreas, eu imploro, leiam, deixem reviews, estou de joelhos aki.
Please please please.
Boa leitura!
Beijokas!!

Capitulo 8: Tempestade

Narração de Simone

Havia uma semana que me “revezava” com Tom no hospital, na verdade, era meu filho “mais velho” que passava a maior parte do dia naquele corredor e entre um copo de café e um lanche olhava pelo vidro da UTI na esperança de detectar alguma melhora do irmão. Bill estava em coma e não tínhamos ideia de quanto tempo ele levaria para recobrar os sentidos.

Ver meu filho naquele estado acabava comigo, podia ficar apenas 30 minutos ao lado dele por dia, e depois tinha de abandoná-lo naquele quarto, sozinho. Os médicos diziam que logo o transfeririam para o quarto, só tinham de esperar os pontos das cirurgias cicatrizarem por completo.

Há exatamente uma semana Tom me ligou desesperado as 01h40min da tarde, perguntando se Bill estava bem, meu filho dizia afobado no telefone que tinha sentido uma dor muito forte por todo o corpo e logo depois um desespero. Naquela ligação Tom afirmou que algo de ruim havia acontecido ao irmão. Mas eu não acreditei, insisti em dizer que era apenas saudade, que Bill estava bem, enquanto do outro lado da linha ouvia Tom chorar, me implorava para achar Bill, mas eu não precisei o fazer, antes de desligar o telefone meu celular tocou. Era o numero de Bill. Disse a Tom que o ligaria mais tarde e atendi o celular, mas não foi a voz de meu filho que escutei.

_Alo? – atendi.

_Oi – a voz era afobada e receosa do outro lado, era a voz de uma mulher – o dono deste numero é o filho da senhora?

_Sim – respondi com medo de Tom estar certo e algo ruim ter acontecido com meu filho – quem esta falando?

_É Julieta – respondeu – senhora eu sinto muito, mas seu filho sofreu um acidente grave.

_COMO? – gritei desesperada – Não faça isso, me deixe falar com o meu filho...

_Não, – fui interrompida – ele realmente sofreu um acidente, eu sou paramédica, estou com ele dentro da ambulância, as pessoas que passavam por perto ligaram pra emergência, eu peguei o celular dele e li mamãe na agenda, por isso lhe liguei.

_Céus – nesse momento eu chorava – pra onde ele vai?

_ “Hamburgo Saúde Center”, a senhora pode se encaminhar para lá?

_Posso, posso sim.

Não me despedi da mulher que me deu à terrível noticia, gritei por Gordon e em 10minutos estávamos saindo para o hospital, não conseguia controlar minhas lagrimas, e meu coração se dividia em dores. A dor de encontrar Bill acidentado e a dor de dizer a Tom que o irmão havia sofrido um acidente.

Não demoramos chegar ao hospital, perguntei se Bill Kaulitz havia dado entrada, mas a recepcionista não soube me informar, disse que havia sido um acidente de carro e ela me mandou seguir para o terceiro andar, o andar das emergências.

No andar corri para a jovem atendente, disse que era um acidente de carro no centro, e que meu filho tinha o nome de Bill Kaulitz, e jovem me olhou com pena e entregou-me os documentos de meu garoto, alguns sujos de sangue. Esperneei de dor, eu tive certeza naquele instante que ele estava em péssimo estado, uma enfermeira me sedou e acordei horas mais tarde com Gordon e Jorg conversando.

_Nosso garoto vai ficar bem Jorg – meu marido consolava o pai de meus filhos que tinha os olhos vermelhos – fique calmo.

_Você sabe muito bem Gordon que o estado dele é grave – meu coração deu um salto – e se perdermos Bill também perdemos Tom.

Vi meu ex marido cair sentado no sofá e chorar, chorou alto, foi nesse instante que soube que apenas um fio segurava a vida de meu menino mais novo, pois Jorg era um homem duro, não choraria se não fosse algo realmente grave.

_Calma, precisamos de calma agora tudo bem? – Gordon tentava consolá-lo, mas ele mesmo chorava – Estão fazendo a transfusão agora, ele vai ficar bem.

_TRANSFUSÃO?! –me exaltei – COMO ASSIM TRANSFUSÃO?

_Você acordou minha querida? – meu esposo tentou sorrir, mas tudo o que conseguiu foi uma careta tristonha.

_Gordon, que transfusão? – insisti.

_Olha meu amor – ele era cauteloso – Bill perdeu muito sangue, vai precisar de um doador para que possam fazer a cirurgia.

_Cirurgia? – foi apenas um sussurro, será que as noticias ruins não acabariam nunca?

_Sim, ele fraturou alguns ossos. – concluiu – agora eu vou buscar algo para você tudo bem?

Eu Não tive tempo de impedi-lo, ele saiu logo do quarto e Jorg o seguiu, eu sentia que havia algo mais, mas também não pude pensar sobre o assunto, pois Clara adentrou o quarto e me sorriu palidamente.

_Oi sogrona, tudo bem com a senhora? – sua voz estava cansada e seu rosto revelava esgotamento.

_Não minha querida, esta tudo péssimo. – disse entre lagrimas, minha nora caminhou ate mim, e choramos abraçadas. Choramos por Bill, e choramos por Tom.

Depois de alguns minutos me recompus e perguntei algo que me intrigava:

_Onde está Tom?

Clara deixou algumas lágrimas caírem ao ouvir o nome do marido, enxugou-as rapidamente antes de responder.

_Na sala de cirurgia. – meu coração deu um salto – Os médicos vão operar Bill enquanto fazem à transfusão, eles não podem perder tempo.

Acalmei-me um pouco por saber que meu filho mais velho só estava naquela sala por ser o doador do irmão e continuei minhas perguntas.

_Chegaram quando querida?

_Faz pouco tempo, Tom chegou mais cedo, ontem as 22h00min horas acho, assim que a senhora desligou o telefone ele comprou a primeira passagem para Hamburgo, ele disse que tinha de vir. Bom, ele estava certo não é? – ela sorriu sarcástica – 10 minutos depois de o avião ter decolado Gordon ligou-me para avisar, pediu para que eu contasse ao Tom, pois seria duro dizer a ele por telefone. Ele se assustou quando eu falei que ele teria de fazê-lo, pois o enteado já estava a caminho de casa. Então eu voltei ao hotel, peguei os gêmeos, e esperei o próximo avião, os deixei com minha mãe e vim. Cheguei há 20 minutos.

_E quantas horas são agora meu bem?

_02h00min da manhã. – ela sorriu fraco.

Ao ouvir sua reposta levantei-me da cama e troquei-me, estava apagada há horas, minha obrigação era estar com meus filhos, decidida caminhei para próximo da sala de cirurgias e esperei. Momentos depois meu esposo e Jorg chegaram. Esperamos durante toda a madrugada sentados naquele terrível corredor branco, a manhã chegou e ainda não tínhamos noticias. Foram só as 13h00min horas da tarde que saíram daquela terrível sala empurrando Tom em uma maca, dizendo que ele teria de permanecer no hospital em observação por 24 horas em repouso, ate sua taxa sanguínea se normalizar. Mas eu sabia que ele ficaria muito mais.

Tom dormia tranquilamente, mas eu sabia que era efeito de sedativos, em seu estado normal ele nem ao menos cochilaria sabendo que o irmão estava daquele jeito. O enfermeiro que instalou Tom no quarto não nos deu nenhuma informação, pediu que esperássemos o cirurgião. Foram mais 40 minutos de espera ate que Dr. Paulo, após instalar Bill na UTI veio conversar conosco.

_Vocês são familiares? – perguntou com a voz cansada.

_Sim, somos, sou a mãe. – respondi afobada.

_Bom senhora Kaulitz – começou cauteloso – foi uma cirurgia demorada, toda a equipe se esforçou ao Maximo, — ia dizendo enquanto eu sentia meu coração apertar – mas a senhora sabe que foi um acidente terrível, foi um milagre seu filho ter sobrevivido. – eu engoli seco, não sabia que havia sido tão grave – Bill ficou completamente preso entre as ferragens do carro, fraturou a perna esquerda em três lugares, à direita em dois, ambas as fraturas foram expostas, — as lagrimas a essa altura desciam em abundancia pelo meu rosto – fraturou seis costelas, a clavícula e o braço direito...

_Só isso? – o interrompi grosseira e sarcástica, será que ele não percebia que toda aquela calma dele acabava comigo, meu filho estava entre a vida e a morte e ele ali, calmo, tranqüilo, como se meu menino fosse apenas mais um.

Dr. Paulo respirou fundo, olhou-me cheio de pena e continuou:

_Sra. Kaulitz eu sei que é doloroso, mas eu preciso lhe informar, — tomou ar e continuou — contudo, nós corrigimos todos estes ossos que quebraram, mas houve a coluna. – meu mundo desabou, e tudo o que fiz foi chorar e esperar que ele continuasse. – Bill fraturou a coluna na altura do umbigo, fizemos o nosso melhor para reverter à fratura, mas ainda assim é possível que seu filho fique paraplégico.

Não disse nada, apenas chorei. O que seria de meu menino sem sua tão querida independência? Bill não sabia depender dos outros para absolutamente nada, olhei para o cirurgião a minha frente, ainda havia mais o que dizer.

_Contudo, a fratura não ira levá-lo a paralisia irreversível, Bill pode sim, a custo de tratamentos e fisioterapia, voltar a andar. Mas temos esperança de que não seja necessário, acreditamos que ele voltara andar sem nenhum tratamento. Mas há outra coisa – sua voz abaixou 2 tons – infelizmente o Sr. Kaulitz entrou em coma.

Perdi os sentidos, não via mais nada, coma? O meu filho em coma...

_Mãe? – Tom me chamou despertando-me de minhas lembranças.

_Ah, oi filho! Eu “viajei” aqui.

Tom sorriu ao ver-me falando uma gíria, sentou-se ao meu lado, beijou-me a face e pediu:

_Vai pra casa, vai. Por favor, a senhora tem que descansar. – sorri da ironia, ele me mandava descansar enquanto possuía olheiras quase pretas abaixo dos olhos.

_Não, não rapazinho, se alguém tem que descansar aqui é você. Olhe só estas olheiras Tom, tem praticamente uma semana que você só tem cochilado aqui, nessas poltronas de corredor de hospital.

Ele tentou esboçar um sorriso antes de responder cansado:

_Mas a partir de amanhã eu vou dormir bem, em uma cama ao lado da do Bill, em um quarto de hospital – disse irônico – o Dr. Paulo me disse que amanhã ele vai para o quarto.

_Graças a Deus! – exclamei agradecendo ao Pai Celeste.

Tom sorriu e voltou a insistir:

_Anda mãe, já é tarde, vai para a casa descansar, amanhã a senhora volta.

_Não meu querido, você é quem tem que ir pra casa. – acariciei seu rosto – Se esqueceu de sua família foi?

_Não. – ele disse encostando a cabeça em meu ombro. Senti suas lagrimas molhando-me e logo em seguida escutei sua voz embargada devido ao choro. – Mas como eu posso ir para a casa e deixa a minha melhor parte para trás mãe? Eu não posso ficar longe de minha metade, não posso abandonar tudo aquilo que eu tenho de melhor, de mais importante em um quarto sozinho! Eu tenho que ficar, ate que eu esteja completo de novo.

Meu garoto abraçou-me e chorou. Eu estava à espera daquilo, desde que Tom pode sair da cama, após a transfusão, que ele estava ali naquele corredor, só saia rapidamente para ir ao banheiro ou se forçar a comer algo. Por todos aqueles dias carregou uma expressão triste, mas dura, não havia visto-o chorar nem uma só vez. Clara havia me dito que ele só chorara no dia que me ligara, depois disso nem uma lagrima cruzou sua face. Agarrado a mim como uma criança indefessa Tom se entregou ao pranto por quase uma hora, depois de muito chorar olhou-me com olhos vermelhos e inchados, e pediu:

_Por favor, mãe, vai pra casa, eu fico aqui e qualquer coisa te ligo.

Vencida pelo amor incondicional que havia entre meus filhos me retirei, mas sai dali com uma certeza, enquanto Tom segurasse firme, enquanto meu garoto mais velho se mantivesse vivo por ele e pelo irmão, Bill também viveria. Porque um não era nada sem o outro. Um não viveria e nem morreria sem o outro, meus filhos estavam juntos, estavam ligados pelo mais lindo amor fraternal, pois um era metade do outro.

Notas finais
E ai? o que acharam?? Ficou bom? mais ou menos? regular° pessimo?
Digam! digam! digam! :D