Notas iniciais
Oim amores! Mais um capítulo para vocês!
Quando eu elaborei a fic, sabia que essa parte seria a mais confusa, mas ela é super importante!
Vou tentar esclarecer algumas coisas, ok??
-Bom, a Alana morreu mesmo;
-A partir do capítulo anterior, a história se passa depois do episódio do trem;
-Lembram daquelas sensãções de déjà vu da Alana?? Então! Tentem se lembrar das falas enigmáticas da Margarida também!!
Bom, essas são algumas dicas! E, se mesmo depois de lerem esse capítulo continuarem muuito confusas, podem me falar, porque ai eu explico mais!
AAAAHHHHHHHH, chegamos aos 200 reviews!!!! Vocês são lindas, mesmo!!! Muuuuito obrigada por acompanharem a fic, mesmo, mesmo, mesmo, mesmo!! Sem vocês, eu não teria chegado até aqui! (eu sei, meio clichê) Mas é a pura verdade!! Vocês me motivam a querer escrever mais e mais! Só tenho a agradecer!! Então, mais uma vez, muuuuito obrigada!! :D :D
Espero que gostem do capítulo!!
Beijos!!^^

-O que é isso? – Alana perguntou, abaixando-se para pegar a pasta. Gabriel não respondeu, apenas tomou os papéis das mãos dela. Alana olhou fixamente para Gabriel, ele não tinha expressão nenhuma, continuava com o olhar frio de sempre, mas notou que ele não focava em seus olhos – Por que está com isso?

Nunca tinha visto aquela pasta na vida, mas sentia como se soubesse da existência dela, algo em seu íntimo gritava querendo saber o que estava escrito ali. Era como se estivesse há tempos tentando ter aqueles papéis nas mãos.

Gabriel tencionou o maxilar e engoliu em seco. Alana aproveitou um momento de distração dele para tentar pegar a pasta, mas ele foi mais rápido e levantou o braço. Como ainda estava um pouco desorientada por conta da bolada, o resultado foi acabar se desequilibrando, o que a fez se apoiar no peito de Gabriel, sendo possível sentir a respiração dele em seu rosto.

Ele a olhava seriamente, e por mais que estivesse envergonhada, Alana simplesmente não conseguia tirar os olhos daqueles orbes verdes tão brilhantes que, ao mesmo tempo, pareciam sem vida. Sua mente sabia que era melhor se afastar, mas ela não conseguia fazer aquilo.

-O que estão fazendo aqui? – ao ouvir a voz de Pedro, o que parecia impossível aconteceu em instantes. Ela se afastou rapidamente, tomando certa distância daquelas roupas pretas – Ainda não foi para a enfermaria?

-Enfermaria? – Gabriel arqueou uma sobrancelha. Quando o viu, Alana arregalou os olhos e piscou várias vezes, a pasta tinha desaparecido.

-É. Sem querer, eu chutei a bola na cabeça da Alana. – Pedro coçou a nuca, sem graça.

-Eu já disse, estou bem! – Alana tentou fazer com que ele se sentisse melhor. Gabriel a encarou por alguns instantes e, com apenas o dedo indicador, ele a empurrou. Ela quase perdeu o equilíbrio novamente e Pedro se desesperou para segurá-la.

-Melhor impossível. – Gabriel ironizou, o que a fez olhar feio para ele.

-Vamos, Alana. – Pedro a puxou pelo braço e os três foram para a enfermaria.

Assim que entraram, Karla, a enfermeira, uma mulher morena, de estatura mediana e olhos azuis, aproximou-se para saber o que tinha acontecido. Pedro explicou o ocorrido e, logo depois disso, Karla disse que os dois podiam ir embora, dizendo não haver necessidade de ficarem lá, mas Pedro negou até não poder mais.

-Está bem. – Karla bufou – Vem comigo, Alana.

Eles foram até uma parede onde tinha uma espécie de pêndulo. Karla pediu para que Alana ficasse encostada à parede, e quando estava quase começando a examinar, a porta da enfermaria foi aberta com força.

André, o professor do laboratório de física, e uma aluna do segundo ano, entraram. Ele tinha uma expressão de tédio, enquanto ela parecia desesperada.

-Karla, me ajuda! – ela pediu e André revirou os olhos.

-O que aconteceu? – a enfermeira perguntou um pouco preocupada.

-Nada demais. Só me cortei um pouco enquanto mexia com polias. – ele falou como se não fosse nada, mas uma quantidade razoável de sangue escorria por seu dedo. Assim que Karla viu o ferimento, soltou uma breve risada.

-Fica tranquila, Márcia, ele não vai morrer por causa disso! – Márcia ficou sem jeito – Você se importa de esperar um pouco, Alana? Vou só fazer um curativo aqui.

-Tudo bem. – sorriu.

Seu olhar cruzou com o do professor e por breves instantes aquilo fez com que seu coração desse uma leve descompassada. Ele a olhava sério e de uma maneira diferente, mas ainda assim estranhamente familiar.

-Alana? – seu contato visual acabou assim que ouviu Gabriel a chamar – Está bem?

-Claro.

-Pedro! – Márcia praticamente gritou e Pedro fez uma careta – Sabe há quanto tempo estou tentando falar com você?

-Com certeza não foi o bastante para você ter me esquecido. – ele murmurou e depois fingiu sorrir.

-Podemos conversar? – ela ignorou completamente a indireta.

-Agora? Estou aqui com a Alana, ela se machucou...

-Ah, mas ela não está sozinha. Tenho certeza que Gabriel vai ser uma ótima companhia para ela. Sem contar que logo Karla vem cuidar dela. – Pedro suspirou e revirou rapidamente os olhos.

-Tudo bem...

Os dois saíram da enfermaria e, antes de a porta ser fechada, Alana pôde ver Márcia tentando agarrar o braço de Pedro. Aproveitando o fato de Karla estar ocupada com André, Alana resolver perguntar.

-O que você fez com a pasta? – sua voz saiu quase como um sussurro. Como Gabriel não respondeu, Alana olhou para ele. Com um gesto mínimo, levantou um pouco a camiseta, mostrando a pasta e a pele clara de seu abdômen.

Com aquela visão, ela se perguntou como deveria ser o corpo de Gabriel por baixo daquelas roupas, e Alana teve um leve palpite de que gostaria de ver aquilo. Ao notar o pensamento que estava tendo, tentou focar novamente na pasta.

-E o que vai fazer com ela?

-Devolver. – respondeu como se fosse óbvio. Alana chegou a abrir a boca, pensando no que dizer para que ele não fizesse aquilo, mas antes mesmo de falar, Gabriel interviu – Alana... Não me diz que você quer ler o que está escrito aqui.

-E por que não?

-Para quê?! – ela perdeu as palavras.

-Curiosidade. – respondeu dando de ombros. Gabriel a encarou e, quando foi dizer algo, foram interrompidos por Márcia e Pedro.

-Pronto! – disse Karla – Seu professor vai sobreviver! – brincou e se aproximou de Alana.

-Está vendo? – André sorriu e bagunçou um pouco os cabelos da menina, que ficou envergonhada. Ao ver aquela cena, Alana se sentiu levemente incomodada e se perguntou por que raios tinha sentido aquilo – Obrigado, Karla.

-Disponha. – os dois saíram da sala e Karla se aproximou de Alana – Vamos lá.

Gabriel e Pedro sentaram em uma cama próxima de onde Alana estava. Karla passou as mãos pelo pescoço de Alana e fez alguns movimentos com ele. Alana tentou abafar os pequenos gemidos de dor que surgiam em sua garganta.

-Dói?

-Sim. – murmurou.

-Normal, é por conta da pancada. – ela fez mais alguns movimentos e depois parou – Agora, fecha os olhos e fica parada.

Alana não entendeu muito bem para que fazer aquilo, mas fechou os olhos. Seu corpo começou a se mover para os lados e foi difícil manter o equilíbrio, mesmo que se esforçasse para conseguir. Quando teve a impressão de que fosse cair, abriu os olhos e se segurou na parede.

Pôde ver Gabriel sorrindo e pouco e Pedro em um conflito, tentando decidir se ria dela ou continuava se preocupando. Revirou os olhos e olhou para Karla, que tinha os braços estendidos em torno do corpo de Alana, para segurá-la caso ela realmente caísse.

-Mantenha os olhos fechados, Alana. – ela voltou a fechá-los e, mais uma vez, teve a sensação de que fosse cair, mas conseguiu se apoiar nos braços da enfermeira – Tudo bem, já pode abri-los.

Assim que o fez, uma luz desconfortável apareceu próxima aos olhos dela, fazendo-a piscar um pouco.

-Siga a luz com o olhar. – Alana fez.

Karla desligou a lanterninha e se afastou um pouco.

-Está tudo bem... Nada demais. A cabeça está doendo muito?

-Só um pouco. – Alana respondeu, colocando a mão onde a bola tinha acertado.

-Bom. – os meninos se levantaram – É provável que dê um pouco de sono, mas você não vai poder dormir pelas próximas quatro horas, questão de segurança... Nem tomar remédios. – ela anotava algo em um caderninho, provavelmente aquilo ficaria registrado no seu histórico do colégio – Depois desse prazo, você pode tomar um medicamento e
dormir, e, se mesmo assim, a dor continuar, por favor, vai até um médico. – Alana sorriu.

-Pode deixar. Obrigada!

-Disponha. – Karla sorriu – E você, Pedro, mais cuidado.

-Confia em mim! – ele deu uma piscadela.

Os três voltaram direto para a sala de aula, já que o sinal havia tocado, e foram para seus lugares. Durante a troca de professores, Mila e Marcos foram perguntar para Alana como ela se sentia. Enquanto isso, Pedro parecia o pai dela, perguntando se estava tudo bem a cada cinco minutos, arrancando alguns sorrisos de deboche de Gabriel.

Ao final da aula, Pedro deixou bem claro que a acompanharia até sua casa e que não mudaria de ideia. Alana guardou seu material e saiu acompanhada pelos dois irmãos, agradecendo o fato de não ter que voltar sozinha.

Assim que saíram do colégio, sentiu seu celular vibrar, indicando uma nova mensagem. Seu coração acelerou com aquilo e, por mais que não quisesse, precisava ler o que estava escrito.

“Os dois, Alana? Não sabia que, além de enxerida, você é pervertida.”

Ela parou de andar e, automaticamente, olhou para a escola. Não tinha mais nenhum aluno ali, o que a fez olhar tudo a sua volta. Várias pessoas passavam por ali, mas nenhuma delas era estudante ou
conheciam Alana.

-Algum problema? – Gabriel perguntou, sério.

-Não... – ela voltou a andar e Pedro e Gabriel fizeram o mesmo.

-Tem certeza? É a cabeça? – foi a vez de Pedro perguntar.

-Tenho sim... Só estou com um pouco de sono. – o que não era mentira.

-Não esquece que você não pode dormir. – ele advertiu e ela riu com aquilo.

-Tá.

Em uma parte do caminho, Alana viu um sorriso surgir no rosto de Gabriel. Ela procurou por algo engraçado à sua volta, mas não encontrou nada. O sorriso dele aumentou.

-É culpa sua, mesmo. – ele soltou e Alana ficou confusa.

-Culpa minha o quê?

-O meu sorriso. – ela o olhou com ar de indagação, assim como Pedro – Me pergunto se sua total falta de equilíbrio foi por conta da bolada ou se você já é assim. – Pedro riu e Alana bufou.

-Pois saiba que eu tenho equilíbrio, está bem? – seu tom de voz era levemente irritado.

-Claro. – ele sorriu mais um pouco, mas assim que chegaram na frente da casa dela, Gabriel voltou a ficar sério. Alana não se surpreendia mais com aquilo, ele até podia sorrir, mas logo voltava ao semblante frio e indiferente de sempre. Aquele era o jeito dele.

-Vai ficar bem? – Pedro perguntou.

-Vou, não se preocupa.

-Está bem, mas se precisar de algo, é só ligar. – Alana sorriu.

-Obrigada.

Pedro a abraçou e deu um beijo estalado em sua bochecha, afastando-se logo em seguida. Alana ficou encarando Gabriel, sem saber direito o que fazer. Ele roçou levemente seus lábios no rosto dela, mas o aperto firme que deu em sua cintura a fez se arrepiar.

-Até amanhã. – falou, entrando na casa logo em seguida.

Assim que trancou a porta, subiu para o quarto, ansiosa para esticar o corpo na cama. Mas antes que pudesse fazer aquilo, viu aquela imagem horrenda da velha na janela, olhando-a.

Alana ficou irada com aquilo, sentia como se sua privacidade fosse desrespeitada o tempo todo por aquela mulher. Com passos duros, aproximou-se da janela, pronta para falar tudo o que queria, mas antes que pudesse fazer isso, Margarida falou.

-Tudo de novo. – seu semblante demonstrava cansaço e tristeza. Aquela frase desarmou completamente Alana, e a única coisa que ela conseguiu pronunciar, foi:

-De novo o quê? – Margarida suspirou.

-Isso. Essa história. – fez uma pausa – Alana, enquanto não acertar, isso não vai acabar.

Notas finais
E então, o que acharam?? Alguma sugestão??