Não Compre meu Amor
6 Piscina
Notas iniciais
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Um super obrigada pela querida cler8night pela recomendação LINDA! Obrigada, chuchu! ;*
“... E você já decidiu?” Shaka perguntou enquanto andavam pelo corredor do pequeno supermercado da cidade, comprando o necessário para ao menos a próxima semana. Por ser o mais velho do grupo, o loiro se sentia na obrigação de cuidar até da alimentação dos amigos.
“Ainda não...” Ikki falou, colocando as mãos atrás da cabeça, com um ar pensativo. “Estou pensando em trabalhar no próximo ano e pensar melhor no que quero pro futuro.” Confessou. Havia terminado o ensino médio e agora precisava decidir o que faria na faculdade. Nesse momento, chegou a entender por que Shaka nunca lhe dava uma chance, visto que o loiro estava praticamente se formando em Direito e já trabalhava na firma do pai, enquanto ele nem decidir qual seria seu futuro havia decido.
“Antes você pensava em jornalismo...” Shaka comentou, enquanto pegava alguns refrigerantes e sucos. Ikki soltou uma exclamação de desagrado, como se a ideia fosse muito estúpida.
“Isso foi antes.”
“Mas você escreve muito bem, e seria uma área em que poderia explorar esse talento.” Shaka virou-se para Ikki, observando-o como se em busca da profissão ideal para ele. Se conheciam desde muito cedo, afinal, eram primos, e Shaka ainda se lembrava de quando Ikki era uma criança enfezada, difícil, ousada e determinada. Na verdade, ele continuava igual, apenas crescera; só restavam dois centímetros para que ele igualasse sua altura, e o loiro tinha certeza que ele acabaria o ultrapassando cedo ou tarde.
Ikki, que sempre ficava bastante desconcertado com os olhares profundos do loiro, dotado daqueles olhos azuis penetrantes e incisivos, corou de leve e pigarreou, endireitando a coluna. Shaka acabou voltando a atenção para as compras, dando de ombros.
“Mas nem sempre o talento que nos é dado, é aquele que queremos seguir.”
“Você ainda não conhece todos os meus talentos...” Ikki comentou, tentando soar casual, mas é claro que Shaka conseguiu captar o tom ligeiramente malicioso em seu tom de voz.
“Não comece com seus flertes baratos.” Avisou, já mal-humorado. Ikki murchou, mas não desistiu, logo adquirindo um peculiar ar esquentado, que surgia sempre que não conseguia o que queria. Shaka não se surpreendeu. Afinal, não havia acabado de pensar que ele era determinado?
“Você nunca vai me dar uma chance? Só porque eu sou mais novo?” Ikki interpelou, colocando-se na frente do loiro, os olhos de ambos praticamente na mesma altura. Nesse momento, ao ver a expressão máscula e nada infantil do outro, Shaka arqueou as sobrancelhas, estranhando a fisgada que lhe atormentou as entranhas.
“Eu te conheço desde sempre, Ikki. Praticamente troquei suas fraldas. Nós dois juntos seria estranho, ainda mais que, até uns meses atrás, você nem gay era.” Disse, desviando do corpo do outro. Ikki, mesmo ainda um adolescente, já tinha um corpo definido, com músculos esperando o momento exato pra crescerem e trazerem à tona o homem maduro que ele viria a ser.
Shaka se sentiu um tanto perturbado por estar pensando no futuro do corpo do moreno.
“Camus e Milo também são amigos de infância e estão lá, namorando. Essa é a desculpa mais idiota do mundo e, enquanto você continuar dando desculpas idiotas, eu não vou desistir.” Rebateu, orgulhoso, fazendo o loiro suspirar. Era engraçado que ele fosse tão direto no que queria, mas sempre fora assim, isso não mudaria. “E não venha com rótulos, porque você sabe que é o único homem que eu quero.”
“Ótimo. Faça como bem entender. Não é como se eu fosse conseguir fazer mudar de ideia, mesmo com os melhores argumentos do mundo, não com essa sua grande cabeça-dura!” Deu-se por vencido, avançando rápido pelo corredor para se livrar, ao menos por alguns segundos, da sensação estranha que se remexia na boca do estômago. E Shaka bem que gostaria que fosse apenas vontade de ir ao banheiro.
A testa de Ikki franziu-se na mesma medida de sua surpresa. Era a primeira vez em que Shaka lhe dava um aval para continuar tentando, não que ele houvesse falado de maneira muita encorajadora ou amistosa, mas Ikki não precisava de tanto para se animar, além da ligeira mudança no tom de voz ou perturbação nos olhos azuis. Colocando um sorriso no rosto, Ikki seguiu os rastros apressados de Shaka.
XxX
“Você acha que é uma boa ideia deixar o Aiolia beber? Quero dizer, ele está lá, fingindo que está tudo bem, mas se ele beber, vai desabar...” Camus falou para Milo, que escolhia as bebidas.
“E é justamente isso que ele precisa!” Falou Milo, erguendo uma garrafa de tequila para o alto. “Colocar para fora o que está sentindo e parar com essa de agir como se nada houvesse acontecido. E agora ele tem o tal de Mu para dar colo para ele, então, deixa o rapaz encher a cara.”
Camus suspirou, mas talvez Milo tivesse razão. Aiolia era bem próximo dos pais, quando a notícia sobre o acidente chegou aos ouvidos do leonino, ele se trancou em um dos apartamentos da família por uma semana e não entrou em contato com ninguém, inclusive colocou seguranças do lado de fora para que ninguém o incomodasse. Milo, Camus, Saga, Shaka, Ikki e Shun, todos tentaram se aproximar, preocupados com o que ele poderia fazer trancado sozinho naquele apartamento, mas nenhum conseguiu.
E então, absolutamente do nada Aiolia organizava uma festa e agia como se não se importasse, ignorando os apelos dos amigos para que conversasse, fugindo deles até durante a festa. Depois subitamente os convidada para passar duas semanas na casa de campo e apenas dizia que conhecera alguém que gostaria de apresentar. Camus notou o encanto de Aiolia por Mu, claro, era um garoto bastante bonito e, ao que parecia, dotado de uma sensibilidade e ingenuidade ímpares. Porém Camus não pôde deixar de pensar que todo aquele aparente apego de Aiolia a alguém que recém conhecera poderia ser muito bem fruto da carência e tristeza que a morte dos pais lhe deixou.
Camus só esperava, sinceramente, que o amigo não saísse com o coração ainda mais partido daquela história, do contrário, ele talvez jamais se recuperasse do fato.
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Mu, depois de respirar fundo umas duas vezes, virou-se para Aiolia, vendo-o ainda apoiado à batente da porta, olhando-o com uma expressão misto de cachorro abandonado, e leão esfomeado. Como ele conseguia parecer tão adorável e perigosamente sexy ao mesmo tempo, Mu não fazia ideia. Aliás, era a primeira vez que achava alguém sexy, e isso lhe era um tanto estranho, ainda mais por seu coração acelerar justamente por culpa de um homem.
Não que tivesse algo contra gays, é claro. Afrodite era gay e contara-lhe isso há muitos anos e, em nenhum momento, Mu viu no amigo algo que justificasse todo o preconceito e desgosto que a sociedade parecia nutrir contra os homossexuais. Dite continuava sendo a mesma pessoa forte e querida, que sempre estava lá para apoiá-lo e ajudar a se levantar quando tropeçava ou caía.
Porque, se importar com quem uma pessoa fica – se do mesmo gênero ou não –, usando isso como parâmetro para tratá-la bem ou mal, era uma invasão da vida pessoal alheia tão grotesca e sem cabimento que, às vezes, a única conclusão a que Mu chegava era que as pessoas gostavam de somar ódios infundados à discriminação, e usar isso como escape, uma fuga covarde de seus próprios problemas e sentimentos de vazio e mediocridade.
Balançou a cabeça, afastando aqueles pensamentos confusos, deixando para pensar depois naquela atração forte que se aprofundava em seu peito e ramificava para cada metro quadrado de seu corpo. De preferência, em um momento em que não estivesse frente a frente com Aiolia, tremendo de leve por culpa da maneira com que ele o encarava.
“Eu vou dormir com o Dite, não? Deve ter um quarto para nós dois...” Falou, abrindo um pequeno sorriso nervoso, enquanto Aiolia guardava para si a leve decepção. A verdade é que não queria dormir sozinho, pois à noite eram quando as lembranças e a dor o atacavam com mais força. Mesmo assim, sorriu e indicou com um gesto de cabeça que Mu o seguisse.
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“Deus, estamos tão ferrados! O que estamos fazendo aqui mesmo? Merda, nós devíamos era estar em outro continente a essas alturas, e não aqui, com esse plano furado.” Afrodite disse, andando de um lado para o outro no quarto onde ele e Mu dormiriam.
Mu estava sentado na cama, observando calmamente Dite esgotar todo o nervosismo, para que então pudesse lhe contar o que havia acontecido e o deixado naquele estado. Dite colocou as mãos sobre os cachos loiros, parecendo querer arrancá-los.
“Aquele Saga, maldito, eu sei que ele desconfia de alguma coisa. O mínimo detalhe vai fazer algo dentro daquela cabeça morena e desconfiada estalar e aí estaremos ferrados até a alma.” Dite se jogou na cama, caindo de costas com as mãos ainda nos cabelos. “Nós nem temos duas semanas, Mu! Precisaríamos de no mínimo umas três semanas, ou um mês, para que você convencesse o idiota do Aiolia a casar com você, e com união de bens ainda!”
“Ele não é idiota.” Mu resmungou, incomodado. Dite sentou-se num pulo na cama, apontando o dedo para Mu.
“Arrá! Eu sabia! Sabia que você já está gostando dele mais do que devia!” Acusou, fazendo Mu olhá-lo espantado. Dite se levantou e foi até Mu, segurando-lhe os ombros e praticamente o sacudindo. “Você não pode se apaixonar, está ouvindo? Se você cair por ele, não vai conseguir roubá-lo!”
“Mas...”
“A gente tem que ir embora desse país, Mu, e de preferência com a ficha limpa. Ou você acha que o Hyoga nos deixaria em paz mesmo depois de pagá-lo? Esses mafiosos não são confiáveis! E nós somos procurados pela polícia em vários estados! Ou será que você também esqueceu que o Hades pode nos encontrar em qualquer momento? Droga! Será que você não pode ser um pouco mais realista uma vez na vida?” Dite falou, angustiado. Mu se levantou, empurrando-o, sentindo algo amargar no peito.
“Eu sei disso! Eu sei de tudo isso!” Falou num tom controlado, para que ninguém fora do quarto os escutasse. “Mas eu só quero aproveitar um pouco, ao menos um pouco, essa chance de fingir que não estamos sempre fugindo, de que podemos ter algo normal.”
Dite deixou os ombros caírem, procurando por um ancoradouro ao qual pudesse prender suas frustrações e medos, e assim agir com calma e argúcia, como sempre o fizera. Fora treinado para isso, afinal, desde cedo. Manter a mente limpa, encarar os problemas com frieza e esconder do mundo tudo que pudesse fazê-lo parecer fraco.
“Desculpe.” Sussurrou para Mu, indo até ele e o abraçando ao vê-lo com o olhar tão triste escurecendo-lhe os olhos verdes. “Não queria perder o controle.”
“Vai dar tudo certo.” Mu garantiu, até para si mesmo, sentindo como se o inverno houvesse chegado mais cedo e jogado flocos de neve sobre o dia verão que antes lhe esquentava o corpo. Isso era a realidade, era onde precisava se manter, ainda que fosse fingir o contrário para Aiolia. “Nós vamos sair dessa.”
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Quando os outros voltaram das compras, já estava quase na hora do almoço. A empregada que morava na casa menor, junto com o caseiro que cuidava do resto do lugar, veio cozinhar para os rapazes, já que nenhum parecia disposto a colocar a mão na massa. Mas enquanto ela preparava o almoço, todos decidiram cair na piscina e aproveitar todo o calor do verão.
Aiolia estava estirado tranquilamente sobre uma das espreguiçadeiras em frente à piscina gigantesca do fundo da propriedade, com as mãos atrás da cabeça e os óculos-escuro lhe protegendo os olhos claros, mas quando Mu saiu de dentro da casa, com apenas uma sunga branca – escolhida a dedo por Afrodite –, Aiolia ergueu o tronco e deixou o queixo cair, enquanto seus óculos escorregavam até a ponta do nariz.
“Só não esquece de limpar a baba depois.” Milo falou já da água, com os braços apoiados na borda da piscina, sorrindo torto para Aiolia.
Aiolia pigarreou e se recompôs, retirando os óculos antes que Mu chegasse até onde estava sentado.
“Oi.” Mu sorriu, tímido, tirando do rosto alguns fios que haviam escapado da trança que fizera. Ia sentar na cadeira ao lado de Aiolia, mas o moreno o puxou para sentar entre suas pernas, na mesma espreguiçadeira.
“Oi.” Aiolia respondeu num tom calculadamente rouco, beijando o ombro nu do mais novo, que estremeceu inteiro como se um cubo de gelo houvesse escorregado por suas costas. “Você não passou protetor?”
“Ah, acho que esqueci.” Mu falou, inocente, lembrando de Dite ter-lhe impedido de passar protetor para que Aiolia o passasse em suas costas. E foi exatamente o que aconteceu: Aiolia pegou o tubo sobre uma mesinha redonda ao lado e colocou uma boa quantidade na mão para, depois de afastar a trança de Mu, começar a passar pelas costas do ariano.
Mu sentiu as mãos grandes e firmes de Aiolia espalhando o protetor, ao mesmo tempo em que o massageava lentamente, e juntou as pernas, nervoso com a ideia de reagir bem demais àquela massagem.
“Então... Você comentou que seu irmão poderia aparecer, eventualmente. Vai vir mais gente para cá ainda?” Mu perguntou, como quem não quer nada. Dite havia dito que as coisas poderiam complicar caso o tal Aiolos aparecesse, pois o que eles menos queriam, era um irmão mais velho colocando juízo na cabeça do caçula, se este resolvesse casar subitamente.
“Ah, sim... Tinha esquecido disso até. Amanhã alguns outros amigos talvez apareçam: Shun, que é irmão do Ikki. Kanon, irmão do Saga, que talvez traga a namorada. E Aiolos... Diz ele que precisamos conversar.” Aiolia comentou, distraidamente.
“Sobre seus pais?” Mu perguntou delicadamente, virando parcialmente o corpo para olhar para o rosto do leonino. Aiolia colocou mais protetor na mão e, um tanto descarado, começou a passá-lo pela coxa de Mu, que era – na opinião do ariano – vergonhosamente branca.
Mu resetou, perguntando-se se Aiolia estaria acariciando a parte interna de sua coxa, dobrada sobre a espreguiçadeira, como uma forma de fazê-lo esquecer-se da pergunta. E o pior era que estava funcionando. Mu começou a sentir um calor ainda maior, que nada tinha a ver com o sol do meio-dia, excitar-lhe o corpo.
“A-Aiolia.” Gaguejou, segurando o pulso do leonino, que ergueu o olhar cheio de inocência, como se não houvesse entendido por que Mu o havia parado. “Não faça isso aqui.” Pediu, encabulado, já que Camus e Milo estavam na água, e Saga numa espreguiçadeira na lateral da piscina, conversando com Ikki.
“Huuum...” Aiolia falou pensativo, com as pontas dos dedos roçando na pele de Mu. “Isso quer dizer que posso fazer isso em outro lugar?” Perguntou torto e, pegando Mu de surpresa, inclinou-se mais para frente, tombando a cabeça um pouco para o lado em busca do encaixe perfeito, deixando assim os lábios bem próximos.
Mu respirou pela boca, já experimentando uma fisgada que era muito parecida com a de andar em uma montanha-russa. Com os olhos presos um no outro, no momento em que as pálpebras de Mu tremularam, querendo fechar, Aiolia levou a mão à nuca do ariano, segurando-a gentilmente. Teria terminado com a pouca distância restante entre os dois, já louco para experimentar aquela boca gostosa de novo... Não fosse pelas exclamações de surpresa que praticamente todos os outros soltaram, fazendo Mu girar a cabeça para ver o que havia acontecido – para exaspero de Aiolia, que acabou beijando o ar perfumado pelos cabelos do ariano.
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O queixo de Ikki havia despencado, caído no chão e se quebrado em milhares de pedacinhos, isso para dizer o mínimo. O motivo da comoção era um loiro de olhos azuis que agora corava até a alma por todos os olhares fixados em si. Não exatamente por causa de sua beleza estonteante, delineada na soberba de um líder ou um Rei – essa era a razão para a cara de pateta de Ikki, na verdade –, mas para os outros, era simplesmente uma surpresa ver Shaka com um calção de banho, sem camisa e pronto para um possível banho de piscina.
Afinal, em todos aqueles cinco anos em que conheciam o loiro e, no caso de Ikki, em todos seus dezessete anos, quando havia Shaka colocado uma roupa de banho e entrado numa piscina? Nunca!
“Isso merece uma foto!” Milo exclamou. “A câmara! Rápido! Antes que ele fuja!” Exigiu e, quando Ikki estendeu a mão para pegar seu celular e tirar uma foto, teve o aparelho tão subitamente retirado de si, que se surpreendeu com a velocidade fenomenal do loiro.
“Se qualquer um de você tirar alguma foto...” Shaka ameaçou, deixando a frase incompleta e parecendo querer esmagar o celular de Ikki na mão. “E parem de me olhar como se eu fosse uma atração de circo!”
“A culpa é sua, Shaka. Se tivesse entrado na piscina desde sempre, não ficaríamos tão chocados.” Saga comentou, desviando o olhar do loiro ao se levantar e então, dar uma ponta para entrar na piscina.
Shaka revirou os olhos e voltou o rosto para Ikki, que se erguera da espreguiçadeira e agora estava parado bem à sua frente, a centímetros de distância. Até aí tudo bem, não fosse pela maneira com que ele o devorava com o olhar, sem nenhum pudor.
“Eu sabia que iria me arrepender disso.” Shaka falou desgosto e se virou para ir embora, mas Ikki subitamente o abraçou por trás.
“O quê? Não vai dizer que já desistiu?” Perguntou perto da orelha do loiro e sorriu para os amigos, que lhe devolveram o sorriso maquiavélico. “Está tão quente hoje, você deveria aproveitar a piscina.” Falou inocentemente.
“Não... Não, Ikki! Eu só vim aqui para pegar um pouco de sol. Não se atreva a-“
“Joga! A gente segura a fera!” Milo demandou, rindo, e até Camus parecia concordar que o loiro merecia um banho.
Sem esperar que Shaka reclamasse mais, ou tivesse a brilhante ideia de dar-lhe uma cotovelada na boca do estômago, Ikki correu para a piscina com o loiro bem preso em seus braços e jogou-se com tudo, levando o mais velho junto.
Quando os dois emergiram, sob os risos dos presentes, Shaka só faltou fazer a piscina fervilhar de tão irritado aparentava, feito um gato pingado com os cabelos escorrendo e flutuando sobre a água.
“Ikki, eu vou te matar!”
“Guerra na piscina!” Ikki gritou e, de repente, os cinco dentro daquela piscina jogavam água um no outro, trazendo à tona o lado criança que ainda tinham dentro de si. A água acabou esguichando para todos os lados, e Mu se virou para Aiolia, protegendo o rosto ao escondê-lo no tórax definido dele. O perfume masculino e refrescante, de uma essência amadeirada, inebriou as narinas de Mu, que se arrepiou inteiro ao ter o corpo abraçado pelo leonino.
Erguendo um pouco a cabeça, ainda encolhido nos braços do outro, Mu encontrou o olhar de Aiolia sobre si. Aiolia sorriu, sedutoramente erguendo uma sobrancelha.
“Então, onde estávamos antes de as crianças nos interromperem?”
Mu riu de leve, principalmente dos gritos e palavrões que vinham da piscina, e encolheu-se um pouco mais ao receber um jato de água gelada nas costas aquecidas pelo sol.
“Isso soou como se fôssemos casados e tivéssemos filhos.” Torceu o nariz para a ideia, sem pensar por um momento que aquilo era exatamente o que precisava. Sem a parte de filhos, é claro. Aiolia soltou uma risada, achando engraçado o tom e a careta do outro, e então o abraçou mais forte, deixando seus corpos mais colados.
“É tão estranha a ideia de casar comigo?” Perguntou de provocação, olhando bem fundo os orbes verde-claros de Mu, que mordeu o lábio antes de responder.
“Marido e marido soa tão estranho... Acho que deviam inventar um novo termo. Ah! Tem marido e esposo, até que não fica tão ruim.” Mu tagarelou, perdendo o ponto. “Ou marido e homem, mas esse também fica estranho. Eu não tinha percebido, mas marido e mulher não faz o mínimo sentido, devia ser homem e mulher e ponto final, mas aí perde o ponto também, porque homem e mulher eles já eram antes de casar, então continuaria a mesma coisa e...” Mu parou de falar ao ver a maneira como Aiolia o encarava – algo como se o achasse muito cômico, mas também meio maluco. Constrangido, Mu mordeu o lábio de novo. “O que você tinha perguntado mesmo?”
“Se você acharia muito estranho casar comigo.” Aiolia riu. Aquela conversa ficava a cada segundo mais absurda. Mu abriu a boca, mas acabou fechando-a, e demorou alguns segundos, com a expressão de quem filosofa sobre as grandes questões da vida e do viver, antes de responder ao leonino.
“Nós mal nos conhecemos...” Mu falou baixinho, sentindo as orelhas pinicarem. Olhou para Aiolia e, como que por vontade própria, sua mão pousou delicadamente sobre bochecha dele. “Mas com o pouco que eu conheço, eu acho que casaria.”
Aiolia abriu uma expressão um tanto surpresa, porque Mu parecia estar falando mesmo sério e ele não se lembrava de alguém ter-lhe dito que se casaria com ele, mesmo que já houvesse se envolvido com outras pessoas antes. Mu, sem saber como interpretar a careta pasmada de Aiolia, achou que havia falado alguma besteira e tentou consertar.
“N-Não que eu esteja insinuando que nós deveríamos casar... Ou que eu queira casar com você.” Deus, o que eu estou falando? Estou estragando tudo! Mu pensou, desesperado. “Quero dizer, não que eu não queira casar com você também, eu só-“
Aiolia o beijou, impedindo-o de continuar tropeçando nas palavras.
Mu levou um choque tão grande ao sentir os lábios de Aiolia, mais grossos que os seus, em sua boca, que chegou a dar um pequeno salto para trás; porém, antes que o contato se perdesse por completo, Aiolia segurou seu rosto com ambas as mãos e voltou a encaixar os lábios nos seus, procurando-o com a língua, deslizando-a sensualmente em busca da sua.
Mu gemeu baixo com o contato prazeroso que lhe inundou feito uma tsunami quando o beijo aprofundou e tornou-se mais intenso e delicioso, conforme aprendiam e se adequavam a maneira de beijar um do outro. Mu, no entanto, não conseguia fazer muito, já que Aiolia o segurava firme e afundava os lábios nos seus, guiando-o naquela valsa como um ditador autoritário que não lhe permitia nada além da entrega.
Aiolia, que percebia que o ariano não tinha muita prática naquilo – e já adorava a ideia de ensiná-lo tudo que sabia –, deixou as mãos escorregarem e descerem pelas costas de Mu, até chegarem à cintura delgada a qual apertou de ambos os lados, trazendo o corpo do mais novo para mais junto do seu. Mu soltou um ‘huum’ de aprovação com o contato, o que pareceu despertar perigosamente o fogo do leonino.
Deus, como era deliciosa aquela boca, Aiolia pensava. Poderia fazer aquilo o dia inteiro.
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Enquanto Aiolia e Mu se beijavam, Afrodite também surgiu no pátio, saindo pela porta envidraçada da casa e caminhando até uma das espreguiçadeiras, com um olhar disfarçado de aprovação para a cena. Sabia reconhecer um beijo que valesse uma cena de cinema, e aquele definitivamente era um.
Mais um pouco, e Aiolia vai acabar se apaixonando, sei que vai. Dite pensou, alcançando uma espreguiçadeira e se sentando ali. Usava uma sunga azul-clara e um robe branco de seda por cima, que chegava até a metade das coxas bem desenhadas e caía de um dos ombros, deixando-o desnudo. Com um tubo de protetor na mão, Dite começou a passá-lo nas pernas, deliberadamente ignorando um certo olhar que queimava sobre si.
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“Ai, Camus, o que foi que eu fiz?” Milo perguntou ao receber um soco no braço do ruivo. Camus bufou, irritado com Milo e consigo mesmo por estar sentindo ciúmes.
“Você sabe o que você fez. Ao menos seja menos óbvio em ficar babando naquele loiro, ainda mais na minha frente.” Sussurrou em retorno e, sem esperar, nadou e saiu da piscina, deixando o pátio com passos pesados. Milo coçou a parte de trás da cabeça, demorando um pouco a entender a raiva do outro.
“Acho melhor você ir atrás dele.” Shaka avisou.
“Ele estava com ciúmes? Isso foi uma demonstração de ciúmes?” Milo perguntou, embasbacado. Não se lembrava de Camus sentir ciúmes de si, e isso que estavam juntos há quase cinco anos! “Mas ele nunca se importou que eu olhasse para outro cara!”
“Quem sabe por que você sempre olha quando ele não está do teu lado?” Ikki sugeriu, como quem fala com uma criança. Milo abriu um pouco a boca, em espanto.
“Era só isso que eu precisava fazer para ele ficar enciumado?” Logo seu rosto se encheu de animação e ele abriu um sorriso largo e convencido, enquanto Shaka e Ikki davam de ombros. “Com licença, rapazes. Preciso ir atrás do meu homem e mostrar que ele é o único que mexe com o meu coração!”
“Essa frase foi pior do que declaração de amor de novela mexicana...” Ikki sussurrou para Shaka, enquanto Milo saía da piscina, com o peito estufado.
“É o Milo, você queria o quê? Que ele citasse Shakespeare?” Shaka zombou, jogando um pequeno jato de água na face de Ikki.
“Se eu citar Shakespeare, minhas chances com você vão aumentar?” Sorriu cafajeste, e cheio de vigésimas intenções.
“Ah, quando eu estava começando a te perdoar por ter me jogado na piscina...” Shaka revirou os olhos. Ignorando-o, Ikki pegou-lhe as mãos e adquiriu um ar dramático, que exasperou o loiro.
“Duvida da luz dos astros, De que o sol tenha calor, Duvida até da verdade, Mas confia em meu amor.” Citou o poeta em alto e bom tom, para que todos pudessem escutar. Shaka lançou ao moreno um olhar tétrico, que demonstrava que não confiava nem no dedão do pé de Ikki, o que dirá em seu amor.
“Ser ou não ser: eis a questão.” Shaka ironizou, soltando as mãos e jogando mais água na face do outro.
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“Seu amigo realmente não dá moleza para aquele loiro.” Dite comentou para Saga, que saíra da piscina e viera sentar ao seu lado depois de acompanhar cada passo que Afrodite dera desde que saíra da casa. Dite olhou para Mu, vendo que os dois haviam parado de se beijar, mas continuavam próximos, conversando entre risadinhas e beijos estalados.
“É um idiota apaixonado. Como Aiolia parece estar ficando...” Saga comentou, seguindo o olhar de Afrodite. “Estranho como aqueles dois parecem tão próximos em tão pouco tempo.”
“É... São como duas almas gêmeas que se encontram.” Dite falou com descaso, continuando a passar o protetor sobre as pernas, subindo a mão em movimentos circulares até uma das coxas. Saga acompanhou o robe escorregar e revelar mais da pele do loiro.
“E o que você é dele, mesmo? Apenas amigo?”
“Somos irmãos.” Dite falou, com cuidado. Era o que Mu havia dito a Aiolia, na lanchonete.
“Mesmo?” Saga franziu a sobrancelha. “Porque eu me recordo bem de você apontar ele para mim e falar ‘eu e meu amigo ali estamos querendo entrar na festa’ e depois pedir pela minha ajuda com métodos bastante interessantes.” Saga se aproximou de Dite, descaradamente colocando uma mão sobre a coxa dele.
Dite sentiu um arrepio de frio subir pela espinha, enquanto se recriminava por esquecer-se disso. Sua expressão, porém, não se modificou. Olhou para a mão sobre sua coxa, que conseguia rodear mais da metade da circunferência dela, e depois olhou para Saga, com uma sobrancelha graciosamente arqueada.
Notas finais
E eu hoje conversando sobre a história com a Bia Yuuji, que é quase uma co-autora de tantas ideias que me dá para minhas fics xDD E cheguei a conclusão que essa fic vai acabar bem maior do que eu imaginava... rs!
Obrigada a todos que comentaram: Mitchan Amamiya, Bruna Uzumaki,Hanajima, Taia, cler8night, Dominique, Orphelin, Bia Yuuji, Duque de Orion, Jenny Camui, Azarella, Álefe, Mayah Carvalho, Poke Face e Sion Neblina! ♥ Fico cada vez mais surpresa com a quantidade de gente aqui. *.*
Beijão, amores!
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