Não é o que você está pensando!
5 Capítulo 5
Era a primeira vez que Jirou estava no quarto de Yaomomo desde que a morena tinha oficialmente começado a namorar. A garota punk estava ligeiramente tensa com os assuntos, sempre planejando com antecedência a possibilidade do Meio a Meio surgir na conversa e desviando o tópico para que não houvesse chance dele ser mencionado.
Até agora tudo corria bem, Momo estava falando sobre a aula da tarde e como estava curiosa para saber quando adentrariam nas reações ácido-base e todas as propriedades dos dos cloretos, cloridratos, cloritos e etc. Kyouka já estava pensando no quanto ela precisaria jogar fora da sua mente para entrar todos essas nomenclaturas que Yaoyorozu apenas mencionara e já a deixaram confusa.
— Eu não tenho ideia do que você está falando. Espero que você receba paciência duplicada para as próximas provas, porque eu já imagino que vou precisar de muita ajuda — Kyouka brincou enrolando o indicador no fone.
— Oh, não se preocupe, você vai entender rápido, eu tenho certeza — Mom sorriu abraçando Jirou.
Kyouka congelou no lugar, os olhos arregalados e o sangue momentaneamente sumindo de seu corpo para depois ser lançado por completo no seu rosto.
— Kyouka-chan, tudo bem? — Momo perguntou afastando-se um pouco, contudo, nunca a soltando.
— S-sim, claro, claro — Jirou concordou rapidamente e com a voz aguda — É só que, ahem, eu não esperava que você me abraçasse — Ela confessou tentando ignorar que os seios de Momo estavam pressionados contra seu ombro.
— Oh, me desculpe — Yaoyorozu a soltou e juntou as mãos apoiadas nas pernas cruzadas — é que, bem, eu pensei que estivesse tudo bem — Ela desculpou-se um pouco envergonhada
— N-não, claro. Tudo bem! — Jirou remexeu-se desconfortável, os fones dando voltas e mais voltas sem sentido — Eu só… não pensei que você fosse do tipo que abraça. Você não costuma fazer isso com frequência.
— Ah, isso é porque eu não queria invadir o seu espaço pessoal — Yaomomo explicou docemente — Você não parecia gostar muito de ter alguém tão próximo, então eu não queria incomodar você. Mas desde que Bakugou-san tem se aproximado tanto, eu imaginei que não teria problema.
— Ah, sim, claro, Bakugou — Jirou lembrou-se com uma leve irritação.
Jirou não era avessa à abraços, o que não quer dizer que ela os amava. Ainda assim, ela concordara a em ajudar Bakugou e Kirishima se acertarem e o loiro estava abusando de sua boa vontade. Kirishima mal podia respirar no mesmo recinto que Katsuki só faltava esmagá-la. Não que ela se incomodasse tanto no começo, um beliscão no braço e Bakugou afrouxava o aperto, além de quê, ele era surpreendentemente confortável?
O problema era a pertinência de Ashido e Hakagure em provocá-la. Ok, agora elas realmente tinham algum material para usar. Bakugou sempre a abraçava pela cintura e por trás, não mais pelos ombros, como antes. Era constrangedor algumas vezes. Ao menos ele estava evitando roçar o rosto nela, o que tinha um efeito bem embaraçoso em Jirou. Ainda assim, algumas vezes ele apoiava o queixo no ombro dela, o que contribuía e muito para a língua solta da Alien Rosa.
E agora, como se não bastasse, agora Kyouka teria que lidar com Momo, a garota que ela gosta, a abraçando com frequência, mesmo Jirou sabendo que não tem a menor chance com ela. A garota punk não podia negar à Momo o afeto amigável quando declara com todas as letras, que Bakugou só está sendo um amigo carinhoso. Do contrário, ela teria que explicar o real motivo de estar permitindo a Katsuki tanta intimidade. O que consistia em revelar o segredo dele e, futuramente, o dela.
— Eu não estava planejando ser tão próxima de Bakugou, sabe? — Jirou tentou amenizar o problema — Às vezes ele passa um pouco dos limites.
— Sim, eu não quis ser indelicada — Yaoyorozu concordou engatinhando pela cama até a cabeceira — Mas às vezes ele parece ter muita intimidade com você. Como… como mais que amigo. Quase tanto quanto eu e Shoto.
Jirou fechou os olhos por um instante para se acalmar. O pequeno conforto que ela teve foi o de estar de costas para Momo naquele momento. Esse era exatamente o assunto que ela estava evitando desde a hora que entrou no quarto. Respirando lentamente, ela virou-se para Yaoyorozu com um sorriso leve.
— Bem, mas não é. — Ela engatinhou até onde a amiga estava, sentando-se com as pernas cruzadas — Bakugou é muito… explosivo? Desculpa pelo trocadilho, mas não tem jeito melhor de descrever — Ela sorriu com um tom brincalhão — Ele é um pouco exagerado
— Você devia falar com ele — Mom sugeriu tomando a mão de Jirou. Ela não estava brincando quando disse que só mantinha a distância por respeito à Kyouka — Não é certo um garoto agir assim com uma garota.
— N-não se preocupe, não vai demorar até ele perceber o que está fazendo. — Jirou sorriu nervosamente ao ver Yaoyorozu brincando com sua mão. Não era à toa que ela e Todoroki era tão amorosos um com outro, Kyouka pensou — Ei, como vai sua mãe? Você tinha me dito que ela não falava com você fazia um tempo, teve alguma notícia? — Ela perguntou para mudar de assunto.
As duas passaram quase duas horas conversando. Jirou descobriu-se muito versada em muitos assuntos para conseguir manter a conversa longe de Todoroki e Bakugou. quando ela se viu discutindo a possibilidade de rupturas temporais em buracos de minhoca, ela percebeu que já usara todos os recursos verbais para manter a conversa longe da vida no dormitório e dos dois problemáticos garotos.
Com um sorriso maior do que o que seu rosto estava acostumado, Jirou despediu-se de Yaoyorozu dizendo que já estava cansada e precisava dormir.
— Por que você não passa a noite aqui? — Momo sugeriu docemente — Já faz algum tempo desde que você dormiu comigo.
— Ahn… é, um pouco — Kyouka concordou remexendo os dedos dos pés. — Talvez amanhã? Eu não trouxe meu travesseiro nem nada.
— Não tem problema! Você sabe que eu tenho alguns aqui — Yaomomo insistiu levantando-se e andando de lado até alcançar a porta do armário que desejava. — Tome, embora eu ache que não precisa de mais nenhum na cama — A morena encolheu os ombros e colocou o travesseiro na cama — Espere um pouco, eu vou só trocar de roupa.
— M-Momo! — Kyouka protestou virando-se de costas quando Yaoyorozu começou a levantar a barra da blusa.
Deus do céu, Jirou iria morrer, de certo. Ela podia sentir seu sangue pulsando por todas as veias do seu rosto, olhos e ouvidos. com certeza ela já tinha uma hemorragia em algum lugar.
Com um pedido de desculpas, Yaoyorozu virou-se de costas e rapidamente colocou sua camisola. Enfiando-se de volta na cama, Jirou aceitou que não tinha muita escolha a não ser ficar. Além do mais, ela queria se esconder debaixo do edredom para ter uma falsa sensação de segurança.
— Isso é ótimo Eu não tinha percebido que estávamos tão afastadas até hoje. Que bom que pudemos ter um tempo para conversar hoje.- Momo comemorou discretamente entrando debaixo dos lençóis
— É, pois é. Com todos esses trabalhos, nós acabamos muito ocupadas — Jirou murmurou sem muita convicção sentindo a cama afundar com o peso de Yaoyorozu.
Kyouka já estava até ficando mais calma, recuperando-se do embaraço de agora a pouco e pensando que não haveria problema em dormir ali. Afinal, ela já fizera isso inúmeras vezes. Não era nada demais…
— Momo? — Kyouka perguntou lívida ao sentir o corpo da outra garota colado nas suas costas — O que você está fazendo?
— Bem, eu pensei que, já que você disse que não tinha problema te abraçar, nós poderíamos dormir assim — Yaomomo respondeu um pouco receosa e a soltando um pouco — Você não se importa, não é?
— Não, claro que não — Kyouka concordou com a voz trêmula — Só me avise antes, ok? — Ela pediu engolindo em seco.
— Ok, me desculpe — Momo assentiu voltando a abraçá-la — Não é engraçado que mesmo depois de todo esse tempo ainda temos muito para saber uma da outra? — Ela continuou, agora encaixando o rosto na curva da nuca da Jirou.
Kyouka não respondeu. Ela estava tentando não delatar a sua frequência cardíaca ao ativar seus fones no volume máximo. O que acontecia quando ela perdia o controle. Não era perigoso a menos que alguém tocasse nos seus fones, contudo, deixava audível, mesmo sem amplificadores, os seus batimentos. Os quais estavam bem acima do saudável no momento.
Se ela conseguisse passar essa noite sem morrer de infarto, ela poderia garantir que não haveria nada que a pudesse matar do coração.
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