Não é o que você está pensando!
3 Capítulo 3
Fazia quase uma semana que Bakugou e Jirou se encontravam todas as noites no salão comum para desabafar sobre o quão cegos eram aqueles os quais eram objetos de seu afeto. Os dois acabaram com muita informação sobre o outro, sabendo exatamente como se sentem inseguros e frustrados com a dúvida e possível falta de reciprocidade.
Kyouka e Katsuki já eram relativamente próximos antes de todas as confidências, agora eles tinham uma confiança secreta um no outro que os permitia mostrar um lado mais afetuoso e sensível que ambos eram orgulhosos demais para admitir que tinham.
Jirou agora estava ajudando Bakugou a ter uma aproximação diferenciada da amizade costumeira que os dois rapazes tinham, a fim de despertar um interesse romântico no ruivo. Foi por isso que ela estava entretendo Kaminari e Sero com uma discussão que geralmente ela simplesmente chamaria ambos de idiotas sem cérebro e se recusaria a continuar. Contudo, sabendo que eles correriam para o sofá onde Kirishima e Bakugou estavam tendo uma conversa muuuuuito próxima para perguntar ao baby shark sobre sua opinião no assunto, Kyouka continuou tentando convencer o loiro elétrico de que era impossível voar com paraquedas a partir do chão. Porque eles PARAM quedas, não fazem ninguém voar.
— É, mas, e se estivesse ventando muito? — Kaminari argumentou gesticulando — O paraquedas não podia levantar voo?
— No máximo só ia arrastar você, imbecil — Jirou suspirou esmagando as bochechas nos punhos enquanto se apoiava nos joelhos.
— Wuuuuuuwuh. O que temos aqui? — A voz de Ashido soou pulando do lado de Uraraka para a frente de Todoroki e Yaoyorozu que acabaram de entrar — Vocês dois sumiram tem quase meia hora. Aconteceu alguma coisa? — A garota perguntou sorrindo como o gato da Alice nos país das maravilhas ao ver que os dois estavam de mãos dadas.
Jirou engoliu em seco. Momo estava corando.
De mãos dadas.
Com Todoroki.
Não podia ser um bom sinal para a garota punk. Momo havia confessado para a amiga que todo o nervosismo da última semana tinha sido por descobrir que havia a possibilidade de Todoroki estar interessado nela. Jirou pensou que, como a morena estava fugindo, era porque não tinha retribuia o interesse, mas parece que se enganara, porque Momo tinha um sorriso radiante que só fazia o rubor em seu rosto parecer cintilante.
— Eu pedi Yayorozou em namoro — Todoroki anunciou monotonamente.
A sala ficou em silêncio absoluto, todos encarando os dois com surpresa, expectativa e olhos arregalados.
— Ela disse sim — Todoroki acrescentou ao perceber que todos ficaram estáticos.
— Parabéns, bro! — Kirishima foi o primeiro a explodir em felicitações, aproximando-se e abraçando os dois.
Em pouco tempo, todos foram cumprimentar os dois e (Ashido) fazer perguntas sobre como tudo aconteceu.
Exceto Jirou.
Ela continuava parada, pálida e afundada no sofá, seu espírito perdido em algum lugar fora de seu corpo. Havia muitas pessoas em torno de Yaoyorozu para ela dar falta da amiga, muito menos perceber que Kyouka estava arrasada no sofá a menos de dez passos de distância.
Jirou não sabe quando Bakugou sentou-se ao seu lado, ela só o percebeu quando sentiu-o apertando sua mão, discretamente, porém com firmeza.
— Vou esperar aqui — Katsuki afirmou olhando para frente.
Isso pareceu trazer Kyouka de volta do choque. Bakugou era o único que sabia exatamente como Jirou estava se sentindo no momento. Momo não daria o anúncio assim se soubesse como a garota punk realmente sentia-se ao seu respeito. Com um suspiro profundo para recobrar a compostura, Kyouka levantou-se e foi dar os parabéns mais dolorido que ela já havia feito antes de subir para seu quarto com um sorriso discreto.
Kyouka não chorou. Ela se recusou com todas as forças a fazer isso. Ela pegou sua guitarra e tocou um pouco, até perceber que todas as melodias que saiam de seus dedos eram deprimentes demais para ela conseguir continuar com isso sem derramar nenhuma lágrima.
Ela moveu seu teclado para atrás do guarda-roupa, não queria vê-lo agora, não quando lembrava que Momo achava muito divertido tocá-lo se comparado ao piano. Ela sentou-se no banco da bateria, não era seu melhor instrumento e, mesmo que Bakugou a tivesse dado algumas dicas e a feito melhorar além do considerável, ela ainda sentia um pouco de dificuldade em manter a cordenação motora sem muito esforço mental.
Felizmente, era justamente disso que ela precisava agora, focar unicamente em algo. Então Kyouka bateu com todas as suas forças por tempo suficiente e alto o suficiente para que Hakagure aparecesse em seu quarto, pedindo que parasse com a música porque já era hora do toque de recolher.
Jirou ficou um pouco surpresa, para ela não haviam passado nem cinco minutos. Contudo, seu cansaço — que ela reparou pela própria respiração ofegante — indicava fora bem mais que isso. Quando Hakagure mencionou que imaginara ser Bakugou na bateria, Kyouka lembrou que o garoto a estava esperando no salão principal.
Após dispensar Hakagure, a garota punk hesitou um pouco em descer. Ela não estava muito interessada em discutir o assunto. Se bem que, Katsuki não era exatamente do tipo que dá consolo para um coração partido, então ela pensou que talvez não fosse uma má ideia ir até lá e talvez se distrair um pouco. Quem sabe assim ela não consegue dormir sem soluçar?
Descendo pelas escadas, não foi preciso luz alguma para que Jirou soubesse que Bakugou estava sentado no sofá. Apesar da noite estar mais escura por não ter luar para iluminar a sala, Kyouka podia ouvi-lo a grandes distâncias, o garoto era particularmente barulhento para ela, mesmo quando em silêncio.
Sentando-se no mesmo sofá que ele, com algum espaço de distância. Jirou apenas suspirou e continuou em silêncio. Bakugou não pareceu se importar que ela estivesse ali, nem ao menos se moveu. Então ambos permaneceram quietos por algum tempo.
— A vida é uma merda — Kyouka quebrou o silêncio.
— Um pedaço de lixo — Prontamente Bakugou concordou.
— Exatamente — Jirou reinterou confiante — E por que tudo isso? Quer dizer, vamos todos morrer, então por que nós nascemos? — Ela começou a tagarelar para afastar o temido assunto — Não tem sentido isso.
— Cuspa. Orelha, não enrole — Bakugou a cortou.
Jirou suspirou antes de continuar.
— Por que Bakugou? — ela gemeu — Por que de todas as garotas eu tinha que gostar da mais incrível e hétero de todas? Eu não posso ser uma lésbica de baixa expectativa?
— Cala a boca. Você escolheu o melhor. Amigo meu não merece coisas de baixa expectativa.
— Eu sou tão idiota. Eu tinha que me apaixonar pela minha melhor amiga.- Kyouka resmugou puxando as pernas para o peito — Ô, merda. — Ela exalou ao perceber um pensamento — Eu vou ter que ouvir ela falando do Todoroki, não vou?
— Ele é um demente, duvido que dure — Katsuki tentou consolá-la. Isso só fez Kyouka choramingar um gemido.
— Eu sei que você não é muito sentimental, mas eu posso te abraçar? — Ela pediu tão chorosa que Katsuki não precisou vê-la para saber que estava com um beicinho — Eu preciso muito de um abraço.
Bakugou só levantou o braço e o apoia no sofá. Jirou deslizou para mais perto e se aninhou em suas costela, as pernas encolhidas de lado no sofá.
— Ei, é bom saber que pelo menos um de nós tem a decência de escolher alguém inteligente ao invés de um imbecil sorridente — Bakugou brincou tentando animá-la enquanto baixava o braço sobre as costas da garota.
— Oh, por favor, você tem 200% de chance de ganhar o Kirishima — Ela debochou com uma pitada de inveja — Tudo o que você tem que fazer é ser mais direto.
— Eu dei uma porra de um beijo nesse retardado, Orelha. Não tem como ser mais direto que isso — Katsuki contrariou rabugento.
— você disse que era um desafio! Não conta.
— Ele não é gay, porra.
— Bakugou, Kirishima literalmente descreveu seus gostos como ‘Homens másculos — Kyouka lembrou-o deixando o rosto bem próximo ao dele para garantir que ele veria com os olhos debochadamente mortos no meio da escuridão.
— Isso não quer dizer nada.
— Ah, pelo amor, só beije ele! — Ela segurou-o pela camisa e o sacudiu duas vezes — Vá pegar seu estúpido namorado.
— Você diz isso mas eu não vi você fazendo isso com a Rabo de Cavalo! — Katsuki protestou irritado.
— E agora ela tem um namorado — Jirou gemeu batendo a testa no peito de Bakugou. Katsuki sentiu-se um pouco culpado por ter tocado no assunto então a apertou contra seu peito desajeitadamente tentando confortá-la — Por que tinha que ser o cara mais bonito e inteligente da turma? — Jirou suspirou pesarosa, levantou o os olhos, ainda com o queixo na cabeça de Bakugou — Seja sincero, eu tenho chances negativas agora, não é?
Katsuki sabia que era verdade. No entanto, ele não queria deixar a garota ainda pior, então ele apenas a apertou ainda mais e afagou sua cabeça, encaixando o rosto da garota na curva do seu pescoço, causando uma risada choramingada por parte dela.
— Eu devo parecer miserável para merecer sua pena — Ela brincou ainda triste.
— Cala a porra da boca. — Ele disse antes de estalar a língua — Aproveite enquanto eu estou de bom humor.
— Own, você está sendo gentil, é tão fofo — Jirou o provocou com uma pitada de sarcasmo e esticando uma mão para apertar as bochechas de Bakugou.
— Você não consegue manter essa sua língua na boca, não é, seu demônio roxo? — Ele resmungou tirando bruscamente a mão dela, só para que Jirou o alcançasse com a outra mão, puxando a outra bochecha.
Sem um prévio aviso, a luz da sala comum foi acesa, deixando ambos atordoados com a mudança súbita de luminosidade. Antes que os dois pudessem acostumar os olhos, um gritinho agudo chamou a atenção de ambos para o interruptor, ao lado da cozinha.
Lá estava Ashido, os olhos arregalados, segurando um copo d’água na mão e a outra cobrindo a boca, claramente tentando conter outro grito. Jirou e Bakugou se entreolharam com uma pergunta silenciosa do por que dessa reação por parte de Ashido. Até se perceberem muito próximos, os narizes se encostando, Jirou com a mão no rosto de Bakugou enquanto o mesmo a segurava pela outra mão e pela cintura.
Como se tivessem recebido um choque elétrico, ambos pularam para bem longe um do outro.
— Eu só estou voltando da cozinha — Ashido agitou os braços e sorriu de orelha a orelha — Podem continuar, eu não vou atrapalhar! — Ela alegou correndo para as escadas com uma velocidade impressionante.
— N-não é nada disso, Mina! — Kyouka gritou levantando-se — eu vou atrás dela — ela avisou antes de correr através do salão comum.
Pegando o elevador, Jirou conseguiu chegar ao quarto de Ashido ao mesmo tempo que a garota rosa vindo pelas escadas. Quando Mina chegou, Jirou parou bem em frente a porta do seu quarto, apoiando-se na madeira com os braços cruzados e os olhos estreitos.
— Eu não quis atrapalhar, Kyouka-chan — Ashido sorriu com todos os dentes — Você pode voltar para o…
— Nem comece a criar teorias nessa sua cabeça rosa — Kyouka cortou-a dando um passo para a frente — Não é nada disso, ok? Só estavamos conversando.
— Não fui eu quem disse o contrário — Mina brincou com um tom alegre balançando-se na ponta dos pés — Eu se que vocês ficaram bem próximos ultimamente, beeeeem próximos — Ela provocou maliciosa.
— Pare com isso! É sério. Bakugou queria falar sobre… algumas coisas do estágio. Eu não posso explicar direito porque ele nem devia estar me contando, ok? — Jirou mentiu juntando a ponta dos fones.
— Claro, claro, eu não duvido — Ashido concordou fingida — Aposto que vocês tem conversado muito sobre isso. Foi por isso que até um dia desses você ficava toda vermelha quando falava com ele e agora não fica mais? — Ela apontou passando para atrás da amiga e a segurando pelos ombros.
— Não sei do que você está falando — Kyouka encolheu os ombros. Ela sabia muito bem, e era por Momo que ela estava corando quando via Bakugou. Não que fosse explicar isso à Ashido.
— Claro que não — Mina riu levemente — Eu também não acabei de ver vocês dois sozinhos, no escuro, depois do toque de recolher.
— As luzes estavam apagadas porque não podemos deixar acesa depois do toque de recolher! — Jirou explicou irritada — Eu não ia entrar no quarto dele e nem deixar ele entrar no meu, então nós ficamos lá porque precisamos conversar.
— E, claro, vocês estavam abraçados porque…
— Bakugou é muito tátil — Ela encolheu os ombros. Agora que já estava no modo mentira, ela conseguia fingir muito bem.
— Bakugou? — Ashido debochou incrédula.
— Sim. Você sabe como ele é com Kirishima.- Kyouka lembrou-a pacientemente — Ele só não gosta de admitir isso. Ele poderia ser assim com todo mundo se Kaminari e Sero não rissem dele — Ela argumentou com um olhar indiferença — Por favor, prometa que não vai contar à ninguém. Você vai fazer uma bagunça sem motivo e vai ser muito estranho para todo mundo ok?
Mina suspirou pensativa antes de apoiar o queixo no ombro de Jirou.
— Ok. Eu prometo. Exceto por Kirishima. Por que eu já contei.
— Quê?! Mas você ficou sozinha por cinco segundos!
— Tempo suficiente para mandar uma mensagem.
— Porra Ashido, são quase uma da manhã, porque caralhos fica mandando mensagem pros outros tão tarde? — Kyouka perdeu a paciência e esfregou as têmporas.
— Era uma informação importante! — Ashido protestou — Eu vou dizer para ele não contar também. Mas vocês dois me devem uma. Feito?
— Oooou eu posso só negar até a morte e ficar sua palavra contra a nossa — Jirou sugeriu erguendo as sobrancelhas.
— Eu odeio você às vezes — Mina resmungou cruzando os braços.
— Obrigada — Kyouka a abraçou rapidamente e andou para o elevador — Eu vou para o meu quarto. Boa noite.
— Só para você saber, eu não acreditei em uma palavra! — Mina declarou só para ter o que contrariar.
Jirou ergue os braços com as mãos abertas e lateralizadas, como quem diz que não há nada a ser feito e sorriu debochada antes de o elevador fechar a porta, levando-a para a paz do seu quarto.
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