Não é o que você está pensando!
4 Capítulo 4
Bakugou estava sentado em sua cama, os cotovelos apoiado nos joelhos e o rosto coberto pelas mãos em concha. a pelo menos cinco minutos. Ele havia saído do quarto de Kirishima a pouco tempo, Jirou o havia obrigado a explicar por ele próprio a situação em que estavam quando Ashido os viu porque a garota não confiava na versão da história de Mina que ela daria ao ruivo.
Kirishima não duvidou que os dois estivessem apenas conversando. Não, ele rapidamente acalmou o amigo sobre isso e disse que se Bakugou estava dizendo que eles só estavam conversando, era porque só estavam conversando. Não, não foi isso que deixou Bakugou extremamente incomodado. Foi o fato de Kirishima ter parecido chateado depois da explicação de Katsuki, e quando o loiro perguntou o porquê, Eijirou disse que Bakugou poderia ter dito que ele e Jirou eram tão próximos “mais próximos que nós dois”.
As palavras de Kirishima ainda estavam martelando a mente de Bakugou quando Jirou entrou no quarto dele.
— Ei, como foi com Kirishima? — A garota perguntou, metade do corpo ainda fora do quarto. — Ele… — Bakugou franziu o cenho tentando descrever exatamente o que aconteceu — ficou com ciúme?
— Quê? — Kyouka soltou entrando completamente e fechando a porta — O que houve?
— Ele ficou choramingando que eu não falei sobre isso antes com ele e fez aquela cara… de cachorro abandonado, sabe?
— Espera, então Kirishima ainda está entendendo tudo errado? — Jirou piscou e estreitou os olhos tentando entender.
— Se ele ficou com ciúme então é porque talvez ele também goste de mim? — Katsuki refletiu sem dar atenção à pergunta de Jirou.
— Bakugou, Kirishima entendeu ou não o que aconteceu? — Ela insistiu inclinando a cabeça para ficar à frente do rosto de Bakugou.
— Ele é um idiota, ele disse que sim, mas eu não sei. — Katsuki resmungou apoiando a mão no queixo pensativamente — Ei, Orelha, e se ele ver eu te abraçando? — Ele acrescentou depois de pensar um pouco — Se ele ficar com ciúme eu vou saber, certo?
— Mas do que você está falando, Bakugou? — Jirou perguntou claramente confusa.
— Eu estou dizendo para fazer ciúme no Cabelo de Merda. — Katsuki explicou impaciente — Então eu posso saber se esse idiota também gosta de mim e então eu posso fazer ele ser o MEU idiota.
— Nem fodendo — Kyouka recusou categórica.
— Eu não estou dizendo que eu vou enfiar a língua na sua boca, Orelha. — ele revirou os olhos — Eu estou dizendo para ficar mais tempo por perto.
Kyouka estreitou os olhos, avaliando a situação. Bakugou ergueu a sobrancelha e começou a bater o pé quando Jirou demorou muito para responder.
— Bem, isso pode realmente funcionar. — Ela ponderou mordendo o lábio em dúvida — Kirishima provavelmente nem sabe que gosta de você. Talvez um pouco de ciúme faça ele perceber?
— Então, vai me ajudar ou não?
— Ok, me diga o que você planeja. — ela concordou um pouco hesitante — Não vamos dizer, em hipótese alguma que estamos juntos, certo? Eu disse à Ashido que o único motivo de estarmos tão perto é porque você era tátil quando não tinha ninguém olhando.
— Você o quê?! — Ele exclamou ofendido e zangado — Quer saber, isso pode ser útil. — Katsuki reconsiderou coçou o queixo — Vamos só dizer que, já que a Alien Rosa viu, eu fiquei mais pegajoso. Você me segue depois dos treinos, fazemos dupla de estudo e algumas outras merdas juntos, eu te abraço quando Cabelo de Merda aparecer… Isso deve bastar para ele fazer alguma coisa. Se tudo der certo, ele vai ser meu em menos de um mês.
— Confesso que fiquei um pouco preocupada com a saúde mental do Kirishima por alguns segundos, mas… — Jirou brincou irônica juntando as mãos — Se pelo menos um de nós conseguir ser correspondido, eu posso fazer o sacrifício.
— Eu podia te matar agora, Orelha — Katsuki alertou com o olhar assassino.
— E então todo o seu plano diabólico iria pelo ralo.
— Dá o fora daqui antes que eu mude de ideia — Ele a empurrou com o ombro bruscamente.
Jirou o socou de leve no ombro e, quando viram, os dois já estavam enroscados com Kyouka batendo no ombro de Bakugou para que ela a soltasse e fosse embora.
Os dois tinham continuado com suas brigas idiotas mesmo depois da vez em que eles tiveram intervenção de metade da turma. Claro, não era nem perto da dimensão daquela vez. Os dois fizeram disso uma pequena brincadeira. Não precisavam de muito para se estapear.
Obviamente Bakugou não usava sua explosão em Jirou durante as brigas. Ambos tinham uma espécie de acordo velado sobre isso. Nenhum dos dois usavam suas individualidades, não queriam se machucar. As brigas resumiam-se à alguns segundos de empurrões e tapas até Bakugou prender Kyouka de forma que ela não conseguia se soltar pela própria força e a fazia dizer que desistia.
Os dois faziam isso com tanta frequência que o resto da turma até se acostumou. E como eles não demoravam a se separar, ninguém interferia mais, nem mesmo Kirishima.
Foi assim, sem ressentimentos, que Jirou deixou o quarto de Bakugou com a promessa de encontrá-lo depois da aula para iniciar o plano de conquista do Kirishima.
Logo que Jirou e Bakugou iniciaram o plano, Kirishima pareceu um pouco incomodado. A primeira vez que Bakugou arrastou Jirou — sem aviso prévio e um pouco brusco demais para o gosto da garota — para estudar com os dois, o ruivo ficou surpreso e sem graça. Especialmente porque Bakugou estava realmente abusando da permissão de Jirou para abraçá-la e ficou metade do tempo com o braço em torno do ombro de Kyouka.
Nos primeiros dias, quando Katsuki sempre ia em direção de Jirou depois do treino ou a puxava pelos ombros para ver algo depois das aulas, Kirishima sempre erguia uma sobrancelha e parecia um pouco chateado.
Agora, depois de duas semanas, parece que todo o plano tem tido o efeito contrário. Kirishima não parecia sentir-se nem um pouco ameaçado pela presença de Jirou. Pelo contrário, agora costumava cumprimentá-la passando um braço por ser ombros da mesma forma que Bakugou. O ruivo foi quem passou a chamar Jirou para acompanhá-los para assistir um filme, jogar video game ou cartas todas as vezes que fazia planos com Bakugou, nem sequer dando a chance de Katsuki a convidá-la antes.
Isso deixou o loiro um pouco frustrado. Como sempre, ele expressou sua frustração no divã pessoal dos dois depois do toque de recolher.
— Porra, eu tinha certeza que ia dar em alguma coisa nos primeiros dias — Katsuki reclamou cruzando os braços — Ele sempre fazia aquela cara de idiota pidão, agora parece mais interessado em você do que em mim.
— Parece que foi você quem ficou com ciúmes, afinal — Kyouka provocou brincalhona.
— Não me testa, Orelha. — Katsuki rosnou ameaçador — Eu estou querendo matar alguém o dia inteiro.
— talvez seja porque nós dois continuamos tendo aquelas discussões idiotas? — Jirou sugeriu — Sabe, talvez, se você não fosse tão briguento, Kirishima podia pensar que tinha alguma coisa para sentir ciúmes. Francamente, você tenta me bater com a mesma frequência que acerta o Kaminari.
— Isso é porque você tem essa porra de língua afiada! — Katsuki defendeu-se — Se você não fosse tão atrevida, nada disso teria acontecido.
— Se você não fosse tão temperamental, nada disso teria acontecido — Jirou melindrou.
Como resposta, Bakugou causou uma pequena explosão ao lado do rosto da garota, fazendo-a estremecer com o breve susto. Com um estalar de língua, Kyouka o atacou com os fones e, quando perceberam, Katsuki já a tinha presa de costas no chão e o antebraço pressionando contra a garganta da garota e seu tronco a pressionando.
— Viu? Como ele vai ter ciúme da gente se nós obviamente somos só amigos? — Ela reiterou seu argumento — Você não vê o pirulito de natal sequer discutindo com Momo.
— Isso é porque ele parece um pau mandado. — Bakugou contrariou saindo de cima dela e esticando a mão para ajudá-la a se levantar — Ele não é namorado dela, é um escravo bem criado. Eu duvido que o Meio a Meio saiba ligar o cérebro dele com a Rabo de Cavalo por perto.
Tinha se tornado o prazer pessoal dos dois falar mal do Todoroki nas últimas semanas. Jirou continuava amiga de Momo, mas ela andava evitando ficar muito tempo sozinha com a morena porque não queria arriscar ouvir sobre o relacionamento dela. Nisso a maluquice do Bakugou veio muito a calhar. Com Katsuki a arrastando para todos os lados a todos os momentos, ela não precisava de uma desculpa para evitar Yaoyorozu.
tudo o que eles precisavam era de um começo, assim que entraram no assunto “Meio a Meio desgraçado”, eles ficaram o resto da noite encontrando motivos para ofender o pobre rapaz.
No dia seguinte, eles seguiram os planos da operação “KiriBaku”. Nomeada por Jirou para provocar Katsuki por ser tão apaixonado por Kirishima que procurou pelo cupido mais errado do universo: Jirou.
Jirou tinha, inicialmente, estado com Kaminari no salão principal, contudo, após a chegada das garotas, o loiro decidiu mostrar à Bakugou um vídeo de um cara descendo as escadas do metrô com um trenó. Kyouka não andava muito à vontade perto das garotas ultimamente. Apesar de preferir falar com todas ao invés de somente Yaoyorozu, tê-las muito tempo por perto podia sempre induzir Ashido e Hakagure a insinuar sua situação com Katsuki. Afinal, o loiro estava realmente tentando passar a impressão de que poderia haver algo, infelizmente, o único em quem ambos queriam plantar a ideia parecia indiferente à isso.
Ao contrário das duas garotas que levantavam o assunto duas ou três vezes na semana, para piorar, o assunto geralmente era desviado dela para cair no relacionamento de Momo e Todoroki. Um tópico ainda dolorido para Kyouka.
Do outro lado do salão, Bakugou percebeu Kirishima entrar e abriu espaço para que o ruivo sentasse ao seu lado rapidamente. Eles tiveram uma breve conversa antes de Kaminari roubar a atenção do tubarãozinho para o vídeo que o Pikachu parecia viciado em ver. Para o aborrecimento de Katsuki, Kirishima logo se entreteu com o vídeo e não parecia interessado em mudar o foco de sua atenção.
Bufando impaciente, Bakugou largou-se no sofá pensando o que fazer para esse imbecil o notar. A ideia do ciúme parecia estar esmoecendo, Kirishima não parecia mais se importar. Talvez Orelha estivesse certa e ele não se incomodasse com sua presença porque Katsuki a tratava como um dos outros garotos, ele não era meloso nem nada, então a demonstração de afeto dele era brusca.
Bem, talvez ele só precise ser mais grudento, não? Encarando Jirou, Bakugou ponderou a ideia. Já estava na hora de ser mais efetivo no ciúme. Como ele poderia agir com ele poderia mudar a impressão do ruivo? Ele vira o casal de nerds algumas vezes, incrivelmente o Meio a Meio conseguia deixá-lo enjoado de tão doce. Ou talvez fosse só porque ele e Jirou haviam gastado muito tempo falando mal do garoto para conseguir ver algo de bom em qualquer coisa que ele fizesse.
— Oi, Cabelo de Merda — Katsuki chamou ainda olhando em direção à Kyouka — Eu vou ali com a Jirou.
Jirou.
Não Orelha.
Foi assim que Bakugou a chamou antes se levantar-se. Se ele iria tratá-la diferente dos seus idiotas, ele precisava começar em algum lugar.
Katsuki sentou-se ao lado da garota sem uma palavra. Nenhuma delas pareceu se importar. Inclusive Jirou, que continuou falando.
— Então eu só fiz o que Tsui-chan pediu e…. hm? — Kyouka parou momentaneamente quando sentiu o braço do Bakugou a puxando pela cintura enquanto o outro, nas suas costas, tentando afastá-la do sofá para ter mais espaço.
Olhando em volta, ela viu Kirishima com a cabeça inclinada. Fitando os dois com curiosidade. Entendendo o motivo da aproximação repentina, Jirou afastou-se um pouco do sofá, deixando Bakugou encaixá-la entre os seus braços e usou o tórax do rapaz como encosto.
— E antes que eu percebesse, eu estava sendo lançada a dez metros de distância — Ela continuou sua história, sem dar maior importância para o fato de estar envolvida por uma dinamite temperamental de 1,73 m.
— Nós não tínhamos tempo e eu agi como… — Tsui começou a explicar com um sorriso então ela parou, encarando Jirou, assim como todas as outras garotas, com estranheza.
Elas não foram as únicas confusas, quando Kyouka Katsuki a apertando contra si, colando o corpo com o dela, a garota retesou a coluna. Percebendo que a reação das outras, ela começou a corar. Jirou planejava fazer um protesto e afastar o rapaz discretamente quando ele a apertou ainda mais e roçou o nariz na orelha dela.
— O-o que você está fazendo?! — Ela se exclamou afastando-se e espetando seus fones nos olhos do garoto.
— Mas que porra, Orelha?! — Bakugou grunhiu com a dor e cobriu os olhos. — Que porra você está fazendo?!
— Foi o que eu perguntei! — Kyouka retorquiu com a voz esganiçada.
— Eu estou te abraçando, caralho! Eu faço isso tempo todo! — Katsuki berrou de volta a olhando com apenas um olho furioso.
— Não faz não! I-isso, isso, isso…- Kyouka estava com vergonha demais para dizer o que Bakugou realmente fez e agora praticamente toda turma os estava olhando, incluindo Kirishima. Por quem ela sabia que Bakugou estava fazendo tudo isso. Então ela se encolheu e cobriu o rosto — Só me avise antes, idiota! — Ela murmurou cruzando os braços e encostando as costas no tronco de Katsuki. — Tsui-chan, você estava dizendo que não tínhamos tempo — Ela resmungou emburrada e desviando o olhar, o rosto vermelho como um tomate.
— Não tínhamos tempo e eu agi como podia. Eu tive sorte que você confiou em mim, Kyouka-chan — Tsui continuou, sendo basicamente a única que não se importou muito com a cena que acabara de acontecer.
Eles continuaram conversando com um momento estranho por alguns minutos. Ashido ainda tentou avançar nos dois e fazer um comentário sobre o fato de Jirou estar enroscada em Katsuki, mas Momo a segurou pelo braço e mudou de assunto rapidamente.
Não demorou muito para que a garota punk atingisse o limite da paciência para ações estranhas e deixasse os demais pela solidão de seu quarto. Mais tarde, quando ela e Katsuki se encontraram no salão principal, Jirou o repreendeu por tê-la abraçado daquele jeito. Contudo, ela não pôde negar que houvera resultado, por isso ela permitiu que continuasse, com a condição de manter-se longe de suas orelhas, nunca fazê-lo sem avisá-la e só quando Kirishima estivesse por perto.
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