Notas iniciais
Bom uma cena desse capítulo, não estava prevista em meus planos, quando lerem vocês logo entenderão. Se aconteceu foi porque tinha que acontecer, eu achei que tinha que escrever isso, as cenas foram surgindo em minha mente.

Os devidos cincos meses se passaram, mas muita coisa estava na mesma. Susana ainda morria de saudades de Caspian, mas foi ameaçada por Rabadash que disse que se continuasse o amando desse jeito, mataria Caspian e assim acabaria de vez com todo o sofrimento dela. Susana não achou ao todo a proposta ruim, estava sofrendo muito, e chorar não traria Caspian de volta. Também sentia muita saudade de seus filhos, e principalmente de Anna, queria saber como andava a gravidez. Sua filha passava por um momento tão importante e delicado da vida de uma mulher e Susana não estava lá, para compartilhar isso com ela e aconselhar. Com Roberta, nada de novo aconteceu, ela vivia a vida de Sunamita, seus pais não conseguiram encontrar uma solução para seu problema, mas Robert a visitava todos os dias, diariamente ia ao rio ou ao mar admirar sua filha. Raramente ele via Lúcio, isso só acontecia quando o garoto aparecia por lá com Bri, a amizade dos dois cresceu tanto, que Cór até sentia ciúmes dos dois. Apesar de estar morando com a mãe, Lúcio não dava a menor bola pra ela, a ignorava o tempo todo, trocava poucas palavras, ele sabia que isso a machucava muito, sabia também que no fundo o que ela mais queria era sua família de volta, até Robert, e Lúcio achou que a desprezando, a faria querer o marido de volta. Estava dando certo. Ele passava várias horas com Edward e Victor, Edward por um bom tempo continuou fascinado por Jadis, seu carinho pela rainha crescia tanto, que Edmundo e Jill tiveram que contar toda a verdade para ele. O resultado foi único, ele ficou muito decepcionado e triste por ter se envolvido com gente tão baixa, uma pessoa que quase destruiu a sua vida e a de seu pai.

Robert e Alice tinham engatado um namoro, mas não deu muito certo. A moça percebeu que o rei não era tão apaixonado por ela, quanto era por Lúcia, quase todas as noites Alice ouvia Bob chamando por sua Lucy. Ela via que ele não tinha animação e nem o maior ânimo para continuar com aquilo, Robert queria terminar, mas tinha medo de magoa-la, então a própria Alice terminou com ele, e os dois viraram apenas bons amigos. Pedro e Lilian ainda não aceitavam o casamento de Caspian, apesar de terem se apegado a Sunamita, aliás todos se apegaram à ela, até Carlos e Anna. Às vezes a jovem gestante se repreendia por estar quase dando a uma desconhecida o posto que era de sua mãe. Mas a mulher tinha boas intenções e era uma ótima companhia para Anna. A amizade de Carlos e Lúcio também ficou mais forte, e isso aborrecia Caspian cada vez mais, apesar de os garotos nem suspeitarem das desconfianças dele. Victor e Anna mesmo noivos, não passavam de bons amigos, os dois não queriam admitir mas estavam apaixonados, não um pelo outro, mas ela ainda por Alvaro, e ele por Liliana, e isso o assustava muito. Victor não queria reconhecer nem admitir isso, ele se casaria com a prima dela, não estava preparado para nada sério, não queria se prender a ninguém emocionalmente, muito menos a uma garota que o esnobava e ainda por cima era louca por outro. Rilian e Benjamim ainda continuavam distantes do pai. Rilian morava com Brejeiro que o deixava ainda mais para baixo, dizendo que Nárnia não duraria nem mais um mês, além de lembrar ao rapaz todos os dias que o casamento de seu pai e sua amada estava chegando. Benjamim morava sozinho na antiga tenda de Susana e Caspian, mas passava grande parte do tempo com os avós. Caspian tentou se reconciliar várias vezes com os dois filhos, mas eles não queriam saber.

Como dito anteriormente, todos amavam Sunamita, menos Caspian, gostava da presença da moça, mas não para ser sua mulher. Os poucos beijos que dava nela eram frios e muito rápidos, sem o menor sabor de paixão ou ânimo. Ele a evitava constantemente, pois toda vez que ela o beijava, lembrava-se do quanto sentia falta dos lábios de Susana. Certa noite, Sunamita empolgada pela paixão, quis fazer amor com ele, já faziam quatro meses que namoravam e nada intenso havia acontecido entre eles. Caspian queria fugir disso, mas como teria que se casar mesmo, aceitou ficar com a moça, não conseguiu, até ficou mais solto nos beijos, mas quando a deitou na cama de Susana não pôde ter mais nada com a moça, mirando-a ele viu a sua mulher, a única que amava.

O mais temido do que esperado dia chegou. Caspian experimentava o terno, olhava-se de frente para o espelho apertando a gravata, não sabia se estava mais nervoso porquê se casaria com alguém que não alcançava seu coração, ou porquê veria Susana de novo. Na verdade todo seu nervosismo era porque a veria novamente, Caspian tinha a curiosidade de saber como ela estava, queria tanto olhar para ela, nem que fosse por um segundo. Passou um pouco de perfume, e tirou novamente da gaveta o anel que dera para Sunamita após o fracassado jantar de uns meses atrás, ela o devolvera pois ele lhe daria mesmo anel na cerimônia. Ficou olhando um pouco para o anel até que foi interrompido por Anna que entrara no quarto deslumbrante usando o vestido de noiva.

– Está... muito, mas muito linda!

– Será que tem um minuto para conversar? – perguntou séria.

– Claro, pra você tenho todo o tempo do mundo. Sente-se – apontou para cama se sentando ao lado dela em seguida.

– Tem certeza que temos que fazer isso pai? – Anna estava com a cara um pouco triste e fechada.

– Se está com medo por causa do Victor filha, não se preocupe, logo você se acostuma com ele, casamentos arranjados são muito comuns.

– Não estou preocupada com quem devo aprender amar papai. Estou preocupada com quem tenho que deixar de amar.

– Ah – no fundo Caspian sentia o mesmo – Anna você ainda pensa nele? – perguntou virando o rosto dela.

– Eu não queria... mas sim. Eu queria... queria que tudo fosse...

– Diferente. – respondeu junto com ela. – Eu também queria que tudo tivesse sido diferente, mas não foi.

– Eu não posso mudar o passado, mas o futuro sim papai.

– Vai me dizer que vai esquecer tudo o que ele te fez? Toda a dor que você sentiu? O quanto nós sofremos? – foi se indignando, mas não pelo que Anna disse, e sim porque também queria passar por cima de tudo aquilo, mas não tinha forças.

– Não é isso pai. Mas eu não aguento viver mais desse jeito. Guardar toda essa raiva e esse rancor não aliviou nem um pouco, e nem tirou o... o amor que restou em mim.

– Se você é tão forte assim para perdoar, vá em frente, eu te admirarei por isso. – disse se levantando-se.

– Esse é o grande problema! Eu não consigo perdoar, eu quero ter o Alvaro de volta, mas não posso perdoar o que ele me fez pai, e essa angústia está me matando por dentro. Até quando vou viver com essa incerteza? Eu só posso fazer duas coisas, ou acabo com meu orgulho ou fico aqui sonhando com ele, amando e odiando ao mesmo tempo. Eu o amo papai, eu aquele miserável e não posso evitar, eu pensei que com o tempo, isso passaria, mas não passou e não vai passar nunca. Eu tenho medo de entrar naquele castelo, ter uma festa imensa, enquanto ele está trancado em uma cela imunda, tenho medo de sair correndo atrás dele.

– Anna uma vez que a confiança é quebrada, nunca mais torna a ser igual. Se voltar com esse rapaz, nunca terá paz, ou segurança, nunca será feliz por causa da dúvida. Olha filha, eu não sei sobre você, mas hoje eu vou me casar. Vou para a carruagem que já está pronta e você indo ou não, hoje haverá um casamento em Nárnia. – disse saindo e deixando-a sozinha.

Caspian chegou um pouco cedo ao castelo, poucos convidados haviam chegado, e sem ter nenhum sinal de Rabadash ele vagava pelo castelo pensativo. Vendo como tudo estava deslumbrante, percebeu que seria uma festa grandiosa, se sentiu alheio a tudo aquilo. Queria chorar e não sabia o porquê, uma forte angústia se apoderava dele, talvez porque ele nunca imaginou que se casaria de novo. Pensou que sonho outrora vivido seria para sempre. Decidiu procurar Anna, que aceitou se casar e estava em algum lugar se ajeitando. Um criado que passou por ele que disse que a jovem se arrumava em certo quarto, Caspian foi até lá e ficou estático com a cena que viu.

Susana estava com Anna, ajeitando e admirando o belo traje da filha, elas trocaram algumas palavras de carinho e alguns beijos, quando se separaram do abraço, viram que eram vigiadas. Susana não teve reação, também ficou paralisada, apenas olhando para Caspian, que não conseguia tirar os olhos do magnífico vestido de noiva de Susana. Anna achou melhor deixá-los sozinhos, e eles que não paravam de se encarar até esqueceram a presença da menina.

– Eu vou procurar o Victor – segurou o vestido com as mão para não tropeçar, deixando os pai a sós.

– O que isso significa Susana? – Caspian não conseguia parar de admirá-la, apesar de ter chorado horrores na noite anterior, Susana estava muito bela.

– Eu também vou me casar. – Respondeu querendo fazer várias perguntas à ele, mas se conteve.

Caspian parecia ter levado um golpe, isso realmente o pegou de surpresa, a notícia o abalou muito, mas ele tentou não demonstrar, afinal de qualquer jeito se casaria também.

– Posso saber com quem? – demonstrava irritação.

– Com Rabadash é claro.

Diante do silencio de Caspian, Susana continuou.

– Espero que você seja muito feliz!

Caspian fez cara de desdém, por dentro pensava que ela era uma verdadeira hipócrita, pois foi ela quem o fez sofrer.

– Me admira você me desejando felicidade, logo você. – alterou o tom de voz.

Sunamita que também estava com lindo vestido de noiva, encontrou os dois juntos, estava linda, mas não como Susana.

– Majestade, esse é o meu noivo, o amor da minha vida. – disse dando um carinhoso beijo em Caspian, que correspondeu o beijo como nunca, só para mexer com Susana.

– Não precisava nos apresentar, já nos conhecemos. – dizia Susana olhando o chão, para não ver a cena.

– Você também é o amor da minha vida Sunamita, eu te amo muito, como nunca amei ninguém.

– Obrigada por me dizer coisas tão lindas meu amor. – Sunamita também mirava Caspian encantada, e Susana observava todo o teatro armado por Caspian, ele estava atuando muito bem, estava conseguindo feri-la. Sunamita também se retirou os deixando a vontade. E Susana teve a ideia de trancar a porta.

– O que está fazendo? – Caspian foi impedi-la, e tocou a mão dela que estava na maçaneta, os dois, estavam bem próximos de forma que as respirações ficaram alteradas, Caspian delirou com o perfume de Susana, perfume que há tanto tempo não sentiram. Susana virou-se lentamente ficando de frente para ele, o coração dos dois dispararam, estrategista, Susana pegou na mão dele que estava sobre a sua quando se virou, via o peito de Caspian arfar. Percebia que Caspian não deixava de olhar seus lábios, chegou bem perto dos ouvidos dele e perguntou.

– O que você sente por mim Caspian? – ao fazer a pergunta, ele suspirou, agora Susana queria ver se ele tinha coragem de dizer que a odiava.

– Você sabe Susana – respondeu com dificuldade, pondo a mão direita sobre o ombro descoberto dela, Caspian enlouqueceu ao sentir a maciez da pele de Susana outra vez.

– Eu não sei – respondeu apertando a mão dele mais firme ainda – é você que tem que me dizer.

– Você sempre soube, sempre... – parou de fita-la e foi escorregando a mão até chegar na cintura dela.

– E você? Você sabe o que eu sinto por você? – Susana fechou os olhos ao perceber que ele apertou sua cintura firmemente.

– Tenho medo de descobrir – a raiva de Caspian desapareceu como o ar, e ele foi se deixando levar por suas emoções. – Suas mãos começaram a dançar leve, e livremente pelas costas de Susana.

– Deixa eu te mostrar então. – Susana encostou sua boca no pescoço de Caspian, e ele se arrepiou dos pés a cabeça, Susana beijou a região e mordeu de leve.

– Não brinque comigo Susana. – pediu Caspian dando um leve gemido.

– Vamos esquecer tudo amor... – a última palavra de Susana abalou as estruturas de Caspian, e ele deixou o orgulho de lado, puxando-a pelo pescoço para um beijo intenso.

As pernas de Susana pareciam que não suportariam, seu corpo trepidou tanto que ela precisou ser sustentada por ele, mas não era hora para sentir fraquezas. Caspian passou a beijá-la freneticamente, mas Susana interrompeu o beijo, virando-se de costas, Caspian colocou suas mãos quentes nas costas dela para abrir o zíper, e foi beijando as costas nuas da amada, enquanto o vestido caia no chão. Susana pegou as mão dele e as colocou em seus seios, que foram firmemente apertados por seu dono. Susana voltou a ficar de frente para ele, tendo seu pescoço e seu colo beijados, e durante esse enlouquecedor processo, ela foi deslizando suavemente suas mãos pelos ombros dele fazendo o terno cair no chão. Caspian fez Susana se deitar na cama, enquanto tirava o resto de suas roupas, ela o olhava admirava mordendo os lábios de tanto desejo, mostraria o quanto ele fez falta. Caspian também não deixava de olhar para o corpo desnudo da amada, como Susana era bela, como ele a amava. Deitou-se por cima dela, tendo os cabelos afagados pela mesma, as mãos de Susana dançavam pelas costas dele, que beijava cada centímetro do corpo da amada. A saudade e a separação fizeram com que o encontro de seus corpos fosse intenso. Caspian apertava as coxas dela como se quisesse arrancar pedaços, quando os dois partiram a parte principal do amor, Susana arrancou os lençóis de uma vez, e cravou seus dentes nos ombros dele. Rapidamente os dois chegaram ao extremo êxtase. E Susana passou a dizer coisas sem sentido, e Caspian lhe dizia coisas que todas as mulheres querem ouvir.

– Eu sei. Agora eu sei – repetia Susana vendo o teto girar.

– Hum... – Caspian queria perguntar o que era, mas não queria tirar seus lábios do corpo de Susana.

– Você disse que eu sabia... se lembra – por um segundo Susana tinha parado de respirar.

Caspian estava tendo alucinações e Susana tinha alcançado o céu de tanto prazer. Mas alguém passava pelo corredor, fazendo os dois voltarem a realidade, pararam totalmente com o que já estava terminando por si só, perceberam que os passos diminuíram e respiraram aliviados. Caspian saiu da cama rapidamente e se vestiu mais rápido ainda, ao ver que Susana não tirava os olhos dele, perguntou.

– Não vai sair da cama? – colocava a gravata.

– Não tenho forças ainda. Volta pra cá Caspian. Não vá agora.

– Já ficamos muito tempo aqui, a maioria dos convidados já devem ter chegado, e alguém pode nos procurar.

– Queria que não tivesse acabado nunca. – disse quase sussurrando, mas ele ouviu.

– É melhor esquecermos tudo o que aconteceu aqui. – Colocou o terno, que era a última peça que faltava, e abriu a porta.

– Impossível – disse vendo ele lhe dar uma última olhada e sair.

Após uns cinco minutos Susana já estava novamente vestida. Sorria sozinha se lembrando de tudo o que acabou de acontecer, e repetia diversas vezes.

– Ele me ama. Eu sabia que ele ainda me amava. – Talvez Caspian não se lembrasse, mas disse isso várias vezes ao ouvido dela, mesmo assim ele nem precisava dizer.

Depois de ter saído do quarto, Caspian percebeu que precisava de ar, foi a varanda e viu vários convidados chegando, o bolo, e toda, toda a festa que seria no jardim estava pronta, só a cerimônia seria dentro do castelo. Ele se recostou em uma pilastra, passou as mãos pelo cabelo, e ainda não acreditava no que tinha acabado de acontecer, ele não esperava, não tinha imaginado e nem pretendia fazer aquilo.

– O que foi aquilo meu deus? Que loucura.

Após sair do quarto, Susana encontrou Rabadash nos corredores. Ele trajava um tradicional traje calormano, incluindo um turbando que usava em ocasiões especiais, o lápis de olho realçava seus olhos fumegantes.

– O que faz aqui amor? Te procurei pelo castelo inteiro.

– Larga do meu pé. – dizia sem lhe dar muita atenção.

– Ah querida, saiba de uma coisa, existe uma tradição, uma lei, de que toda a mulher que se casa com um calormano tem que lhe dar uma noite de núpcias digna de um rei, caso contrário, ela é amaldiçoada pelo próprio Tash. Uma peste terrível a atormentará.

– Acho que a maldição já se cumpriu desde que te conheci. – disse irônica. – Aliás não tenho medo do Tash, e nem ligo para as tradições idiotas dos calormanos.

...

Robert sabendo que Lúcia ia para o casamento, foi visitar Lúcio, pois sabia que o rapaz não iria. Quando chegou na tenda onde morava seu filho, Robert se surpreendeu ao ser atendido por Lúcia.

– O-oi eu pensei que você iria...

– Eu já estou indo para o casamento. Veio ver o Lúcio? – Lúcia não via Robert desde a última briga.

– Sim claro, eu vim para isso mesmo.

– E não vai para a cerimônia?

– Não. Não tenho motivos para ir... seu vestido é muito bonito. – dizia a analisando, fazendo-a corar.

– Entre – abriu passagem para ele – e a Alice? Não veio? Ainda estão juntos? Ah me desculpe por tantas perguntas, não tenho nada a ver com isso.

– Tudo bem. Na verdade Alice e eu terminamos, há um bom tempo. O Lúcio não está? – perguntou olhando para os lados.

– Ele tinha ido passear com Bri, mas já volta. Sente-se. E por que vocês terminaram.

– Porque... – procurava as palavras fitando-a. Bob colocou sua mão por cima da mão de Lúcia que estava sobre a mesa, mas vendo como ela ficou desconfortável, ele retirou. – Porque acho que para amar uma pessoa é preciso esquecer a outra. – Lúcia engoliu em seco. – E você já tem outra pessoa?

– Não. Acho que também fico com suas últimas palavras – disse servindo um café para ambos.

– Não vai ficar atrasada?

– Essas coisas de casamento sempre demoram, vou esperar o Lúcio chegar.

– Muito obrigado pela companhia – bebericou o café. E ficaram falando sobre coisas do cotidiano, como se fossem bons amigos, também falaram bastante sobre Roberta.

...

Muita gente foi convidada para o casamento, e a maioria já tinha chegado, todos se surpreendiam quando descobriam que também seria realizado o casamento de Susana e Rabadash. A família Pevensie também já estava lá. Rei Franco seria responsável pela cerimônia, Caspian e Rabadash já estavam no altar, muitos cumprimentavam Caspian, e Rabadash com ciúmes se fazia de gentil. O desgraçado tinha cumprido sua promessa, e muitos passaram fome, a comida era escassa, e muitos jovens e crianças foram escravizados, quase ninguém passeava pelas ruas, não que fosse proibido, mas os jardins do país de Aslam não eram mais os mesmos, se é que aquelas folhas secas podiam ser chamadas de jardins. Miraz cobrou sua dívida com Lúcio, a mãe do rapaz entrou em desespero quando há dois meses atrás foram busca-lo para dar conta do que ele fez com o rei, seria escravizado. Mas Carlos, sabendo que seu primo sofreria nas mãos do Tirano, ainda por ter a perna manca, se ofereceu no lugar dele alegando ter matado Maugrim. Miraz aceitou a oferta pois pensava que isso alegraria Rabadash, já que o filho da amada dele seria escravizado, desestabilizando Susana. Nos dois meses que Carlos ficou lá, viu Susana apenas três vezes, e pediu para que sua mãe não se preocupasse, pois era forte o suficiente para aguentar o fardo.

Liliana que não via Alvaro por um bom tempo, resolveu arriscar-se para ver o amado. Conseguiu arranjar uma armadura calormana, e se disfarçou, conseguindo entrar na cela de Alvaro, que se encontrava inquieto por conta do casamento de Anna.

– O que você quer comigo? Me tire daqui. – pediu o rapaz achando que realmente era um soldado.

– Alvaro sou eu, William. – disse Liliana com o rosto tampado pelo elmo, engrossando mais a voz.

– William? Vai me tirar daqui? — perguntava ansioso.

– Bom... Na verdade eu vim apenas te ver.

– Muito obrigado. Mas por nossa amizade Will, preciso que me tire daqui, tenho que impedir esse casamento.

– Não posso te tirar daqui – dizia com pena do rapaz, que parecia muito maltratado.

– Por favor – começava a chorar – não posso deixar a Anna se casar, ela não pode cometer esse erro, e eu não aguento mais essas algemas.

– Não se preocupe Alvaro.

– O que vai fazer? Aonde vai? – perguntou vendo William abrindo a grade.

– Acabar com essa palhaçada de casamento. Hoje você sai daqui, e com a Anna.

Poucos guardas cuidavam do local, a maioria estava no salão onde ocorreria a cerimônia, era uma tradição calormana. Liliana puxou a espada, e foi andando silenciosamente, até encontrar o guarda que lhe deu acesso a cela, acreditando que a moça era um soldado real, pegando-o distraído, Liliana lhe cravou a espada no pescoço.

Puxou as chaves do cinturão dele e em meio minuto estava de volta livrando Alvaro das algemas. Liliana lhe entregou uma outra chave e a espada que usava.

– Para que serve esta chave?

– É da cabana dos meus pais, eles passaram a lua de mel lá, é um lugar muito bonito, fica nas montanhas, mas tem sempre uns dois grifos por lá. Lá fora tem um cavalo baio, pegue-o e fuja com Anna para esse lugar que eu falei, quando puder eu vou visita-los, mas muito cuidado com o cavalo, ela está grávida.

– Muito obrigado William, nunca poderei retribuir. Mas como a tirarei de lá?

– Me dê 10 minutos, e só depois disso tire a Anna do salão, confie em mim.

O noivos estavam postos em seus devidos lugares, Susana, Anna e Sunamita se preparavam para entrar. A música fez sinal para que as três avançassem. Liliana foi rapidamente ao encontro de Edward, e garoto topou a proposta da prima. Alvaro desceu cuidadosamente para não ser visto, e ficou esperando o momento certo para raptar a amada. Liliana e Edward acenderam algumas tochas com fogo, e com a ajuda de Trumpkin, e Rilian que estava escondido espiando tudo do lado de fora, quebraram algum vidros ateando fogo dentro do castelo. Edward jogou um líquido inflamável por todas as saídas do castelo e ateou fogo nelas, deixando apenas uma, para que Alvaro e Anna fugissem antes de todos. O rei Franco iniciava a cerimônia quando a fumaça, e os gritos de alguns convidados invadiram o salão. Todos gritavam e corriam procurando uma saída, em meio ao alvoroço, Alvaro se infiltrou por entre os convidados enlouquecidos e arrastou Anna pela saída livre, que era a mais imperceptível do castelo.

– Alvaro? Por que me trouxe pra cá?

– Meu amor, desista dessa loucura e venha comigo. – pedia rápido e nervoso.

– Foi você que armou isso tudo? Pois saiba que não vou a lugar nenhum com você.

– Anna por amor ao nosso filho... não cometa essa loucura, não estou pedindo seu perdão, sei que não mereço, mas fuja comigo.

– E por que eu tenho que fazer isso? – perguntava se afastando da fumaça que saia do castelo.

– Porque... porque se casar com esse rapaz será o maior erro da sua vida.

– Tudo bem Alvaro, eu vou com você, mas não pense que voltar com você, só estou aceitando essa loucura porque não quero que meu pai se case com a Sunamita e muito menos minha mãe com esse seu pai.

– Se vier comigo, mesmo que controlem as chamas, não haverá casamento sem você. – dizia colocando-a no cavalo.

Os dois partiram em disparada em direção ao castelo, os soldados estavam ocupados demais, todos estavam muito ocupados para sentir a falta deles. Liliana e Edward mostravam a saída para alguns convidados, e Tirza controlava boa parte do fogo com seus poderes. Era um corre corre incontrolável e Rabadash estava furioso por conta do fracasso do casamento, e por ter se perdido de Susana.

Assim que o incêndio começou, Caspian puxou Susana pelo braço e a tirou de lá, ás pressas, levando-a para o jardim, onde cada vez mais gente aparecia, os soldados tinha como prioridade liberar as outras saídas e isso ajudou na evacuação do castelo.

– Você está bem Susana? – Caspian segurava Susana pelos braços no jardim.

– Como não vou estar com você e olhando desse jeito?

– O que será que causou isso? – perguntou desconcertado com a última frase dela.

– Não sei, mas hoje foi um dia bem quente. – dizia ainda sentindo o corpo do amado no seu, assim como a um tempo atrás.

– Espero que não haja feridos.

– Parece aliviado com o fracasso do casamento Caspian.

– Não, não é isso, é que...

– Se não aconteceu era porque não tinha que acontecer.

Rabadash ao ver os dois juntos lá fora, ficou indignado, estava acompanhado de Sunamita que procurava o noivo como louca.

– Aqui está – disse segurando Sunamita pelo braço e a entegando ao rival – tome sua noiva e me dê a minha.

Sunamita se agarrou à Caspian um pouco desolada por tudo ter dado errado e Rilian a mirava de longe.

– Susana meu amorzinho, não se esqueça agora das suas obrigações de esposa, lembre-se da maldição de Tash, hoje você não escapa de mim.

– Não me esqueci benzinho, mas não aconteceu casamento nenhum e não sou sua esposa ainda, portanto não tenho obrigação nenhuma com você.