Nárnia Além Da Vida Parte II
21 Cega Confiança
Notas iniciais
Um sonho... só poderia ser um sonho. Mas não era. Desesperado e angustiado, Caspian lia e relia a carta. Leu uma, duas, três, quatro, por fim leu a carta umas sete vezes, sete pois não conseguia acreditar no lia. Fixava seus profundamente seus olhos naquele papel, na primeira vez, balançou a cabeça e sorriu um pouco nervoso, achou que tinha lido errado. Na segunda suas mãos começaram a tremer, mas ele pensou que tudo fosse um grande engano. Na terceira vez um nó tapou sua garganta, ele pensou que aquele carta não fosse de Susana, mas o cheiro e a letra lhe mostravam que estava errado. Na quarta vez um terrível enjoo lhe atacou, ele pensou que era um sonho. Na quinta as lágrimas começaram a embaçar sua visão, e as mais grossas molhavam o papel. Na sexta Caspian sentia certa falta de ar, infelizmente para sua decepção agora ele começava a acreditar nas coisas que ali estavam escritas. Antes de ler pela sétima vez, ele piscou várias vezes, respirou fundo, parecia que não era um sonho, tinha medo que fosse realidade, mas precisava comprovar, mais uma vez. Na sétima, Caspian leu palavra por palavra e cada sintoma que ele sentira de uma vez apareceram, parecia que o sufocariam, ele leu palavra por palavra com muita dor no peito, cada palavra mais afiada que qualquer espada, na parte que falava de seus filhos, as lágrimas já eram descontroladas e o peito arfava de um jeito incomum. Uma tremenda dor... um grande ódio tomavam conta de seu interior, era verdade, tudo o que ela escrevera era verdade. As letras e palavras que formavam aquela carta não eram fruto de um delírio ou sua imaginação, foi difícil aceitar, mas quanto mais Caspian lia, mais percebia o quanto aquilo era real, o quanto mais lia, mais se torturava. Uma hora ele teve que reagir...
– Nãoooooooooo! — gritou se jogando no chão, sua voz era rouca e ele a usou por completo, só com aquele grito. Amassou a carta como se quisesse que todas as frases contidas nela desaparecessem, em seguida seus dedos se enroscaram em seus cabelos puxando-os de forma violenta.
Não Susana – dizia entre soluços – Por que? Por que é faz isso comigo? Por que me machuca desse jeito? Pra que mentir desse jeito? — o rei gritava deitado ao frio chão de seu quarto, o dia não estava tão frio, mas para Caspian parecia que o mundo tinha congelado. Anna, Carlos e seu pai o ouviram do lado de fora do quarto, ficaram assustados com os gritos do rei e foram correndo até a porta de seu quarto que estava trancada.
Pai essa porta! O que está acontecendo? — perguntava Anna batendo na porta angustiada, juntamente com seu irmão e avô. Caspian tapou os ouvidos, não queria ouvir nada e nem ninguém, não queria ver ninguém, muito menos Carlos e Anna, os jovens que ele criou com tanto carinho acreditando serem seus filhos.
Pai por favor abra essa porta. Nos deixe entrar. — pedia Carlos calmamente. Caspian ao ouvir a voz dos filhos sentia seu estômago revirar. Em sua mente apareceram Susana e Robert, coisas que na realidade nunca aconteceram atormentaram a cabeça do rei, seu estômago ficou tão pesado que ele vomitou o pouco alimento que tinha em seu estômago. Uma ligeira falta de ar o deixou um pouco pálido, e ele não tinha forças e nem vontade de se levantar dali.
Vovô temos que entrar de qualquer jeito. Acho que ele não está bem, parece que vomitou. — dizia Anna aflita com a falta de resposta do pai.
Se quiserem eu posso arrombar a porta agora mesmo. — dizia Victor parando em frente a porta assim como os outros.
Não meu rapaz – disse Caspian IX o segurando pelo ombro. — Acho que meu filho precisa ficar um pouco sozinho. — Caspian – falava um pouco mais alto na direção da porta – Quando você quiser poderemos conversar meu filho.
Enquanto iam caminhando pelo corredor Anna perguntou.
– O que será que tinha naquela carta para deixar o papai desse jeito?
Ele deveria estar pulando de alegria. — dizia Carlos franzindo o cenho.
Eu não sei, mas com certeza, deve ser algo terrível. — disse o velho rei.
Desde que cheguei aqui, sei o que é não ter paz. — disse Victor desanimado.
E olha que estamos nessa a um bom tempo rapaz. — disse Caspia IX passando a mão nas costas de Victor.
Há tantas coisas que aconteceram nos últimos tempos que você não sabe. — disse Anna.
Eu tenho a leve impressão de que ainda muitas coisas vão acontecer. — respondeu Victor.
Nem quero pensar nisso. — Carlos se apoiava em Caspian para andar, já que ainda estava debilitado.
Mas me digam uma coisa, o que aconteceu com aquele menino, o tal de Edward?
Nem nos pergunte, isso não sabemos, são tantos problemas que nem paramos para pensar nisso. Só é triste saber que Lúcio e eu nos arriscamos tanto, para quase matar o Ed.
Edmundo bem triste e abatido estava sentado na cadeira de frente para janela, com o olhar perdido, e o coração apertado. Não conseguia olhar para trás, para onde Edward se encontrava, nos braços de Jill Polle quase sem vida. Jill chorava baixinho e cantava canções de ninar com Edward no colo como se ele fosse um menininho, o menino também tentava acalentar a mãe secando suas lágrimas. Aquilo estava matando Edmundo por dentro, cada vez que Edward dormia, ele tinha medo que seu unigênito morresse, quanto tempo mais ele teria?
– Edmundo – chamava Jill – Edmundo precisa fazer alguma coisa. O tempo está passando.
Eu estou tentando pensar, achar uma maneira de acabar com isso.
Edward se sentia cansado e tinha muito sono, seus olhos começavam a se fechar vagarosamente, assustando Jill.
– Filho! Meu filho – dizia Jill bagunçando seus cabelos negros como a noite.
Eu... só estou cansado mãe. — dizia abrindo os olhos e dando um leve sorriso.
Promete que você vai acordar? Promete?
Eu prometo. — respondeu adormecendo em seguida.
E se... não conseguirmos Edmundo? Eu tenho tanto medo... não quero dizer adeus pra ele.
Olha pra mim Jill. — pediu sério e tranquilo. Jill Pole foi até a cadeira onde estava Edmundo e se ajoelhou na frente dele segurando suas mãos. — Eu não vou deixar que nada aconteça à ele. Custe o que custar eu não vou deixá-lo morrer. A-acho que já sei o que fazer.
Sabe? O que então? Como salvamos o Ed?
Não tenho certeza. Não tenho provas que afirmem que minha teoria está certa, mas uma coisa não sai da minha cabeça e eu preciso que você confie em mim.
Eu não tenho escolha. Eu confio. Preciso confiar.
Mais uma vez Robert fora solicitado a comparecer ao encontro de Susana. Sem entender e discutir ele foi. Rabadash pressentia que seria necessário, contou suas suposições à Susana que teve que acatar suas ordens, ou a qualquer momento, soldados ou até o próprio Tash poderiam matar Caspian.
– Se isso for realmente necessário... será muito difícil. — dizia sentada na cama.
Mais difícil para você será conviver com o fato de que Caspian está morto, por sua culpa. Mas se obedecer seu amado fica vivo, gostaria tanto que você fosse desobediente Susana. — disse colocando os cabelos dela para trás.
Prefiro que Caspian me odeie, mas que esteja vivo e bem, do que me amando e morto.
Um dia você sentirá isso por mim. — disse sorrindo e deitando na cama.
Nem no inferno! — respondeu ríspida.
Desça querida, desça, quero que pareça radiante e bela.
Seria muita coincidência se tudo ocorresse como você planeja.
Se não ocorrer nenhuma coincidência, eu encarregarei de ajudar o destino amor.
Caspian se levantou do chão e tentou se recompôr. Lavou o rosto e trocou a roupa que estava suja, e saiu rápido como um furação. Pegou a carta, a desamassou e a guardou no bolso, partiu apressado em direção a porta. verificou o caminho com cuidado para que ninguém o visse sair, iria ao encontro de Susana, não tomaria nenhuma atitude ou decisão sem antes falar cara a cara com ela. Uma incerteza com a veracidade da carta o incomodou, ele começava a desacreditar no que ela tinha escrito, não podia ser verdade, e tudo o que eles viveram. Cada olhar, cada palavra, cada gesto de Susana lhe provavam que ela o amava. E na parte de seus filhos, ah aquilo era uma cruel mentira, ele sabia que era o pai deles, desde o momento que os viu pela primeira vez, ao olhar nos olhos daqueles anjinhos ele soube que a partir dali os amaria incondicionalmente e sempre foi assim, Caspian os amava mais do que tudo, não que não amasse à Rilian, mas era diferente, ele sempre sonhou com aquilo, com filhos de sua amada. A dor aliviou e Caspian sentiu vontade de entrar naquele castelo, mesmo sem a permissão de Rabadash, pegar Susana em seus braços e beijá-la como nunca, e depois dizer o quanto a amava, mesmo sem explicações, ele não precisava, amava sua esposa e acreditava nela.
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