Músicas de muitas vidas
8 Canção da preguiça
Notas iniciais
Bernardo é um rapaz de vinte anos, muito bem-sucedido na faculdade, estudante de medicina. Não foi fácil fazer a sua vida escolar chegar a esse ponto. Tudo começou logo quando ele foi colocado na escola por seus pais. Durante toda a sua vida, ele foi pressionado para tirar notas altas e absorver o máximo possível de conhecimento. Ao chegar no sexto ano escolar, seus estudos se intensificaram ainda mais.
Todos os dias, ele se fechava em seu quarto e passava cerca de uma hora revendo todos os assuntos explicados em sala de aula. Por sorte, seus pais tinham condições de pagar um dos melhores colégios da cidade para ele. Até então, ele nunca havia tirado uma nota baixa nem mesmo nas matérias com as quais ele não se dava bem. No sétimo ano, seu rendimento caiu e agora ele trocava suas horas de estudo por momentos de tristeza e lágrimas. Ao ver o filho com as notas menores, a mãe quis saber o que estava acontecendo, mas Bernardo não contava, dizia que estava tudo bem.
Só três meses depois, os pais do garotinho decidiram procurar ajuda com uma psicóloga. Após algumas sessões, ele finalmente confessou o que estava acontecendo: o mocinho estava sofrendo bullying por usar óculos e ser muito magricela. O chamavam de “quatro-olhos”, apontavam para ele e tiravam sarro. Não era uma tentativa de fazer uma brincadeira com ele, mas sim de humilhá-lo. Inconscientemente, ele quis parar de estudar, pois assim achava que mudaria de escola.
Ele mudou de colégio e aquele sofrimento acabou. Logo ele continuou sua vida como antes, até finalmente ser formado por uma das melhores universidades do país. Foi aí que seu verdadeiro pesadelo começou: mesmo estando acostumado a estudar muito, Bernardo já não estava mais suportando a pressão da faculdade. Ele passou a ter insônia e a andar sempre cansado, por mais que ficasse o tempo todo sentado. Sentia que não aguentaria mais tanto tempo sem nenhum tipo de distração que não fossem seus estudos. Queria desistir, mas achou que aquilo seria estúpido. Ele decidiu que faria uma loucura que poderia custar muito na sua nota, mas que valeria a pena.
Ele iria passar pelo menos três dias sem comparecer a nenhuma aula. Ficaria em sua casa, falaria com sua família direito e viveria como alguém normal. Tudo o que ele precisava era de um dia de preguiça, sem pressão e de puro prazer.
Fale com o autor