Músicas de muitas vidas
9 Verões selvagens
Notas iniciais
Jake e Mabel eram um belíssimo casal. Estavam juntos há dez anos, sendo seis de namoro, um de noivado e três de casados. Ambos tinham trinta anos de idade e faziam aniversário no mês de novembro. Ele trabalhava como gerente de uma empresa de seguros e ela como representante de uma indústria farmacêutica. Quando chegava a temporada de férias, o casal se isolava em uma casa de madeira que ficava no meio de uma floresta. Eles haviam comprado esta moradia há seis anos e ansiavam todos os dias para finalmente voltarem para lá.
No inverno daquele ano, estava tudo indo muito bem com a costumeira viagem. Nenhum imprevisto aconteceu até eles chegarem ao imóvel. Um primo de Jake os levou para a entrada da floresta, afinal, é impossível fazer um carro entrar e sair do meio das árvores. Assim que a jornada terminou, os dois seguiram para a casa e lá ficaram por uma semana.
Todos os dias, eles saíam para a varanda e ficavam olhando as estrelas no céu. Sem as luzes da cidade, elas eram muito mais bonitas e era possível enxergar várias constelações. Mabel gostava de inventar desenhos no céu com as estrelas e sempre que faziam isso, Jake mostrava a ela a estrela do norte... esta que nunca se move e serve como guia para os que se perdem em qualquer lugar. Inclusive, eles sabiam como se orientar por meio do astro. Às vezes, ele brincava com sua mulher, dizendo que ela era a estrela polar dele, pois se não fosse ela, ele estaria perdido.
Certa noite, enquanto eles dormiam, Mabel ouviu barulhos estranhos e se levantou. Pegou uma lanterna e apontou para o lado de fora da janela do quarto. Não enxergando nada, voltou a dormir, abraçada ao seu marido. Novamente, ela ouviu ruídos, um pouco mais próximos do que antes. Assustada, ela pegou novamente a lanterna e levantou-se, mas dessa vez, saiu da casa, descendo as escadas e tomando muito cuidado para não acordar Jake. Infelizmente, ele acordou, mas não com os movimentos de Mabel e sim com seus gritos.
Ele saiu da casa e a única coisa que conseguiu ver sob a luz do luar foi um rastro de sangue que o levava para fora da clareira onde se localizava a casa. Jake sentiu sua alma esvair-se de seu corpo e caiu de joelhos no chão da varanda. Estava em choque total, mal conseguia respirar e muito menos chorar. Ele olhava aquele rastro inexpressivamente e só depois de muitas horas – quando o dia já havia amanhecido — ele saiu daquele estado mental.
Chorando e gritando histericamente, ele entrou na floresta, mas felizmente não encontrou o que havia matado sua esposa. Depois que ele conseguiu entrar em contato com o primo e sair de lá, nunca mais voltou. A estrela polar já não era mais visível em sua vida e ele queria que tudo acabasse, para finalmente poder encontrá-la.
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