Máquina de Matar - Fedemila
5 Capitulo 5
Notas iniciais
(Por Federico)
Federico: Não. Eu não gosto dela.
Maxi: Nem um pouquinho?
Federico: Só como amiga.
Maxi Hummm...
Federico: Aff cara!
León: A gente tá brincando Fede. Relaxa! A gente sabe que você não quer nada sério com ela.
Federico: Obrigado, finalmente!
Maxi: Vocês vão estudar pra prova de amanhã?
León: Eu não.
Federico: Eu também não.
Maxi: Bom, tchau.
Federico: Tchau.
León: Tchau.
Finalmente aquela conversa terminou! Coloquei o celular na escrivaninha do meu quarto e fiquei olhando pra ele. A resposta que eu dei foi a melhor de todas, eu acho.
Amanhã tenho prova de matemática e tenho certeza que vou precisar de nota no final de ano. Sempre fico de recuperação e, por obra do destino, eu passo.
(Por Ludmila)
Sem nada pra fazer, depois de tentar assistir a um programa impossível de suportar, resolvi sair pra caminhar um pouco. Desde que me colocaram aqui não saí do apartamento.
Saí do prédio e comecei a andar devagar, sem ter ao certo pra onde ir. Eu vi um homem andando rápido falando no telefone com alguém, estava com pressa e estava muito estressado, provavelmente cheio de problemas. Eu via duas garotas, mas ou menos da minha idade (na verdade a idade que disseram que eu tinha) elas riam sem parar e pareciam felizes. Logo na direção oposta delas, vinha uma outra garota muito triste, escondendo as lágrimas. Me fazendo pensar o que estava acontecendo com ela. De repente atrás dela veio um garoto apressado, parecendo preocupado com ela. Quando ela o viu o abraçou.
De alguma maneira eu não conseguia entender o que se passava na cabeça de nenhuma dessas pessoas que acabei de ver. Expressões tão diferentes acontecendo ao mesmo tempo. Era estranho e parecia mais complexo do que me disseram, pois nem eu entendia. Tenho certeza de que nunca vão entender, nem essas pessoas, que estão sentindo essas coisas entendem. Me peguei imaginando a história de cada pessoa que passava na minha frente e poder saber o que aconteceu para ela estar daquele jeito.
Depois de muito tempo apenas observando as pessoas, sempre diferentes diga-se de passagem, voltei para casa.
No dia seguinte, na escola, o assunto principal era a tal prova de matemática. Antes da aula começar, na sala, todos estavam concentradíssimos em seus cadernos. Na maioria das vezes os alunos só entram na sala quando faltam dois minutos para bater o sinal, mas pelo vista, em dias de provas eles entram bem antes. Aquele silêncio, de alguma maneira me incomodava.
Mas logo o silencio foi quebrado por três pessoas: León, Maxi e Federico. Todos pediram para eles calarem a boca e foi o que eles fizeram.
– Estudou para a prova? – Perguntou Federico se sentando na cadeira atrás da minha, que era a última da fileira.
– Não.
– Está nervosa?
– Não.
– Não vai perguntar sobre mim?
– Já sei suas respostas.
– É, nós vamos nos ferrar nessa prova. Eu me ferro em todas mesmo.
– Nós? Você vai se ferrar nessa prova.
Nessa hora o sinal bateu e o professor de matemática entrou. Mandou todos guardarem o material e então começou a entregar as provas. Era engraçado a maneira que o professor dava as provas. Fazia cara de “essas provas estão impossíveis” faltava apenas a risada típica de vilões. Sei que a maldade deveria, de certo modo, me agradar. Mas o que me agrada e a maldade inteligente e aquele professor estava ridículo nos olhando daquele jeito. Quando ele chegou perto de mim e me deu a prova eu decidi cortar o barato dele.
– Professor não precisa fazer essa cara. Sério, não tá legal.
Todos começaram a rir dele. Que ficou muito sem graça. Pigarreou e disse:
– Senhorita Ferro, vamos ver a sua nota primeiro antes e falar assim comigo.
Todos ficaram calados, inclusive eu. Ele sorriu e continuou com aquela cara. Não tem problema. Em uma coisa os humanos estão certos: Quem ri por último, ri melhor.
Assim que ele se afastou comecei a fazer a prova. Sem nenhum tipo de dificuldade, claro. Em meia hora terminei a prova inteira, a entreguei para o professor e esperei a aula terminar em silencio.
Quando saí da Sede me disseram para eu não usar meus poderes de maneira nenhuma. Eu queria tanto usar uma das habilidades para poder ver o a cara do Federico sem que o professor percebesse. León e Maxi eu conseguia ver, pois estavam nas primeiras carteiras e obviamente eles pareciam não entender nada.
No intervalo para o almoço Federico se sentou ao meu lado na mesa.
– E aí, como você foi? – Ele perguntou.
– Melhor que você, com certeza.
– Qualquer pessoa se sai melhor que eu.
– Eu sei.
– O que você falou para o professor foi muito maneiro. Sempre pensei o mesmo. Se não valesse nota eu falaria pra ele daquela cara ridícula. Mas se eu falar alguma coisa minha nota pode chegar a menos zero.
Maxi e León chamaram Federico.
– Já volto. – Disse ele.
Federico esqueceu o celular em cima da mesa e a minha curiosidade foi a mil. Peguei o celular e logo de cara vi que tinha senha. Facilmente descobri a senha, não que ela seja fácil de descobrir, mas eu sabia umas técnicas para descobrir. Queria saber o que aquele idiota via no celular.
Primeiro fui no WhatsApp dele e entrei em um grupo do Federico, León e Maxi. Encontrei uma conversa sobre mim. A li rapidamente, perguntaram se ele gostava de mim, fiquei aliviada ao saber que não.
– O que está fazendo? – Alguém perguntou. Levantei o olhar e vi Federico. Ele tomou o celular da minha mão, e ao ver aonde eu havia entrado corou.
– Quem te deu minha senha?
– Ninguém.
– E como você descobriu?
– Descobrindo!
– Você leu tudo?
Eu ri e fiz que sim com a cabeça. Ele se sentou do meu lado e guardou o celular no bolso.
– Não é legal ficar vendo o celular dos outros sem a permissão do dono. – Ele disse bravo.
– Ah, coitadinho! Tá tão certinho quanto o Andrés! – Eu disse zombando dele.
– Claro que não! Agora você viu que não tem nada demais. E não faça mais isso!
– Corta essa Federico. Vai me dizer que se eu esquecesse meu celular em cima da mesa e você soubesse a senha não veria?
Ela ficou quieto e continuou comendo o almoço dele. Eu sabia que aquilo era um “sim, eu veria”.
Depois do almoço, fomos nos trocar para fazer a aula de educação física. Muitas garotas não gostavam dessa aula, porque ela ficavam todas suadas. Mas isso é frescura, só pode. Eu estava ansiosa para saber como era.
Na escola tinham duas quadras: Uma para o time de basquete e a outra para os outros esportes. A nossa aula seria na segunda opção. Aquela quadra era enorme, ao ar livre e com muitas arquibancadas em volta. O professor pediu para os garotos se sentarem nas arquibancadas que as garotas treinariam primeiro. Depois de apitar ele disse:
– Muito bem meninas. Primeiro vamos jogar futebol. Vamos fazer um jogo pra ver quer tem mais facilidade ok? Mais pra frente vamos ver quem entra no time. Certo, vou formar as equipes agora.
Não sei se minha equipe é boa ou não, nunca as vi jogar. E seria a minha primeira vez fazendo isso. Eu e Naty, uma garota do meu time fomos para o centro da quadra, iriamos começar com a bola. O professor apitou e começamos a jogar.
(Por Federico)
Os garotos ficaram na arquibancada vendo o jogo das meninas. Alguma eram boazinhas, outras iam muito mal essas nos faziam rir.
O jogo começou meio devagar, mas depois melhorou. Ludmila se movimentava muito bem, marcava muitas faltas por falar nisso. Ela não tinha medo e ia pra cima das garotas, nós nunca havíamos visto uma garota jogar daquele jeito.
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