Máquina de Matar - Fedemila
4 Capitulo 4
Notas iniciais
(Por Ludmila)
Dei o spray para o Andrés segurar e joguei mais um pouco de espuma na cara dele, o fazendo ficar meio tonto. Agarrei a mão do Federico e nos encostamos na parede perto da porta. Assim quando a diretora a abrisse nos esconderia. E foi isso que aconteceu.
A diretora abriu a porta, nos camuflando e viu o Andrés com o spray na mão. Quem seria o culpado nessa história toda?
– Andrés?! O que é isso? – Perguntou a diretora. Eu e Federico não conseguíamos ver a cena direito.
Assim que ela se aproximou de Andrés, rapidamente saímos de trás da porta e começamos a correr até a saída. Saímos da escola e fomos para uma rua meio vazia. Já era tarde e o pessoal dorme cedo já que é dia de semana.
– Nossa! Isso foi muito legal! – Ele disse ainda muito animado.
– É... E saímos ilesos.
– O que você fez com o Andrés foi sacanagem. Você é má! – Ele disse brincando.
– Você não sabe o quanto. – Eu disse me sentindo orgulhosa por aquilo.
– Foi a noite mais louca e maravilhosa da minha vida!
– Foi até meio terapêutico.
Eu disse o fazendo rir.
– Bom, até amanhã Federico. Isso se não suspenderem a aula. – Eu disse.
– Até. – Ele respondeu sorrindo pra mim.
Me virei e fui em direção ao meu prédio. Chegando lá vi uma mensagem do Bryan no meu celular. “E então? Como se saiu?” dizia a mensagem. “Bem, MUITO bem.” respondi. Depois disso me deitei na cama, ansiosa para saber o que aconteceria amanhã, já que a minha sala estava um tanto bagunçada.
No dia seguinte cheguei na escola e tudo pareia normal. Fiquei meio decepcionada por isso. Me aproximei na minha classe e percebi que estava tudo limpo. O que aconteceu? Logo Andrés chega e me diz:
– Porque fizeram isso?
– Fizeram? Eu? O que eu fiz?
– Para Ludmila. Você sabe muito bem o que você e o Federico fizeram.
– Eu? Não fiz nada!
– Eu tive que limpar a sala todinha e ainda por cima levei uma advertência! A diretora só não me suspendeu porque as minhas notas são altas.
– Que pena Andrés!
– Você não deveria ter feito isso. — Dito isso ele saiu andando de cabeça baixa.
Sorri. Primeiro experimento concluído com sucesso. Federico logo se aproxima de mim com uma cara não muito boa.
– Será que pegamos pesado demais com ele? – Federico perguntou.
– Você não era o valentão e bad boy da sala? Está com pena dele?
– Ah, advertências são horríveis. Se você sai da escola, você fica mal visto em outra porque já tomou uma advertência. É uma droga.
– Então está com pena dele?
– Não. – Ele disse.
– Sei.
– É verdade.
Nesse momento o sinal tocou e a aula começou. Não tocamos mais no assunto o resto do dia. Depois da aula, novamente alguém me ligou. Dessa vez foi o Doutor James.
– Ludmila é sério o que você fez na sala de aula? – Ele disse sem ao menos me dar um oi.
– É.
– Ludmila, eu entendo que você queira fazer esse tipo de coisa, só que você não pode. Tem que tentar ser o mais normal possível por enquanto.
– Eu tento, mas é muito difícil!
– Por isso mesmo. Duas vezes por semana você irá vir aqui na Sede treinar.
– Treinar? Treinar o que?
– Treinar suas habilidades, seus poderes. Estamos construindo um centro de treinamento para você e semana que vem podemos começar seu treinamento.
– Tudo bem e obrigada.
– Não tem de que. Agora se comporte por favor.
– Certo, vou tentar.
Desliguei o celular e comecei a imaginar como me treinariam. Parecia ser bem legal.
(Por Federico)
Eu estava no meu quarto, deitado na minha cama olhando para o teto sem fazer nada. Fico sozinho a maior parte do dia. Minha mãe trabalha até de tarde e meu pai também. Aproveitando aquele momento eu comecei a pensar na Ludmila.
Ela é meio complicada e nada fácil de entender. Faz os exercícios do caderno em dez minutos e eles nunca estão errados, é inteligente pra caramba e eu não entendo como ela é tão “rebelde” e se dá tão bem com a escola, parece que já nasceu sabendo tudo. Realmente era a garota mais perfeita fisicamente que eu já havia visto. Por outro lado era fria, irônica, calculista, parece que não se importa nem um pouco com que os outros sentem ou deixam de sentir. Em três dias de aula ela mudou tudo. É... tão diferente e curioso.
Escutei meu celular vibrar, alguém havia me mandado uma mensagem. Por um momento me peguei querendo muito que fosse Ludmila, mas era apenas o Maxi começando uma conversa em um grupo onde está eu, ele e o León.
Maxi: E aí cara? Você tava meio esquisito na aula hoje. O que aconteceu?
Federico: Eu não tava esquisito.
León: Tava sim. Não falou quase nada a aula toda!
Federico: É que eu tô meio distraído esses dias.
Maxi: O que foi?
Federico: Sei lá. Tá tudo tão mudado não acham?
León: Vish Fede. Que bicho te mordeu?
Maxi: É a menina nova né não?
Federico: Talvez. Vocês não perceberam que ela é meio diferente?
Maxi: Não, mas que ele é gatinha...
Federico: Não! Não é isso! Vocês sabem guardar segredo?
León: Opa, claro que sabemos. Fala aí.
Federico: Vocês ficaram sabendo do Andrés?
Maxi: Que ele bagunçou a sala toda? Tava todo mundo falando nisso.
Federico: Não foi ele. Na verdade fomos eu e a Ludmila que fizemos tudo. Só o levamos lá pra colocar a culpa nele.
León: Caramba Federico! Você é louco?!
Federico: Só que a ideia não foi minha! Foi dela!
Maxi: Da Ludmila?
Federico: Sim!
León: Nossa que garota maluca!
Maxi: Tá ela pode ser maluca, mas é muito maneira cara! Porque ela não convidou a gente também?
Federico: Porque vocês são trouxas demais.
León: Ou será que ela queria ficar sozinha com você?
Federico: Não. Senão ela não teria levado o Andrés.
León: É verdade.
Federico: Tá vendo como são trouxas.
Maxi: Tá, mas você gosta dela?
Federico: Nos conhecemos a três dias!
Maxi: Você não respondeu a pergunta.
Como eu ia responder uma coisa que eu não tinha certeza?
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