Máquina de Matar - Fedemila
3 Capitulo 3
Notas iniciais
(Por Federico)
Fiquei a aula toda pensando num motivo para ir pra escola à noite e o que ela estava tramando. E eu não encontrei nenhum sentido. Então resolvi falar com ela na hora do almoço (N/A Nos EUA eles almoçam na escola, tipo no HSM). Vi ela sentada sozinha em uma mesa falando no celular. Me sentei ao lado dela e ela logo desligou o celular.
– O que foi? – Perguntou ela.
– O que quer fazer aqui na escola à noite? – Eu perguntei baixo para ninguém escutar.
– O que você faria se pudesse passar uma noite na escola?
– Eu viraria a escola de cabeça para baixo. – Eu disse só imaginando.
– Bom, é isso aí que nós vamos fazer.
– Nós?
– É. Não quer me ajudar?
– Tudo bem.
– Mas tem que ser inteligente.
– Não se preocupe.
– Acho que vai ser divertido.
– Você é louca.
– Louca não é bem a palavra.
– Só pra avisar a diretora fica aqui até mais tarde às vezes. – Eu disse preocupado.
– E é por isso que o Andrés vai vir com a gente.
– Que? O Andrés é o garoto mais idiota da escola!
– Por isso mesmo. Ele vai ser o nosso coringa caso algo der errado. Você não é tão burro assim eu acho, vai entender.
– Tá, mas ele é certinho demais. Nunca aceitaria.
– É só você pedir com “jeitinho”. – Ela disse piscando para mim.
Sorri.
Alguns minutos antes do sinal bater eu achei o Andrés no armário dele, arrumando o material.
– Andrés. – Chamei. Ao me ver ele ficou nervoso.
– O q-que quer? – Perguntou ele.
– Quero te pedir um favor.
– Tó, pode pegar meu dinheiro! – Ele disse pegando a carteira e me entregando.
– Não é nada disso!
– Não?
– Não. Hoje, ás oito da noite, você vai estar aqui na escola esperando eu e a Ludmila.
– O que?
– Isso aí.
– Mas por quê?
– Porque sim!
– N-Não F-Federico. Não p-posso.
– A não?
– Não.
Segurei a gola e o encostei na parede.
– Quer que eu te quebre a cara então?
Nesse momento a diretora estava passando.
– O que é isso? – Perguntou ela se aproximando de nós. Larguei logo o Andrés.
– Senhorita Cameron eu... – Tentei me defender.
– Não quero escutar nada. Pode ir Andrés. Você Pasquarelli, na diretoria!
– Se você não vier hoje, amanhã vai se ver comigo. – Eu disse pra ele.
Fui caminhando atrás da Senhorita Cameron até a diretoria.
– É o segundo dia de aula e você já está aqui Federico?
– Diretora aquilo não era nada. Era brincadeira!
– Uma brincadeira de muito mau gosto. E que já vi você fazendo várias outras vezes.
– Ah diretora, corta essa!
– Você deveria estar começando o ano de forma diferente Federico.
– Eu sei diretora. Me dá uma chance vai. – Ok, é óbvio que eu não vou mudar né, mas vou fazer um drama pra me livrar dessa.
– Bom, como é o início do ano irei te dar uma oportunidade. Você vai apenas limpar o laboratório depois da aula.
– “Apenas”?
– Quer mais alguma coisa? – Ela disse irônica.
– Não diretora.
– Está dispensado.
Dito isso saí o mais rápido possível da diretoria e voltei para a aula.
(Por Ludmila)
Depois da aula, quando cheguei em casa, Bryan me ligou. Um deles sempre me ligava todos os dias.
– Ludmila?
– Oi Bryan.
– E então, como vai indo?
– Bem.
– Tem algum plano para hoje.
– Tenho.
Expliquei pra ele todo o meu plano de ir pra escola de noite.
– Porque vai fazer isso? – Perguntou ele.
– Porque quero me divertir um pouco.
– E se alguém te descobre?
– Não acredito Bryan. Você que me criou e por isso deveria saber que tenho capacidade de fazer tudo sem ser descoberta.
– Você pretende bagunçar o colégio inteiro?
– Não, inteiro não. Mas uma sala pode ser.
– Ludmila, Ludmila. Cuidado!
– Você me criou para infernizar a vida das pessoas e acabar com esses idiotas de uma vez por todas. Estou experimentando e aprendendo. Odeio essa gente e quero derrota-los do jeito mais terrível possível. Vou começar devagar, mas depois você já sabe.
– Tudo bem Ludmila. Só espero que um dia não se vire contra nós também.
– Posso ser até ser fria e malvada como você me criou, mas sou leal. Não se preocupe.
– Tudo bem então. Tenho que desligar, vou criar um novo projeto agora. Até mais.
– Até.
Desliguei o telefone e fui fazer as minhas tarefas de casa. Depois aguardei ansiosamente a hora de voltar para o colégio. Às sete e quinze da noite fui ao supermercado comprar tudo que eu precisava. E fui até o colégio, no caminho me encontrei com o Federico.
– E então? Conseguiu convencer o Andrés? – Perguntei quando ele se aproximou.
– Sim, fui pego pela diretora, mas consegui.
– Bom garoto.
– E essa mochila?
– Ah, tem algumas coisinhas.
Chegamos no colégio e vimos Andrés sentado em um banco, jogando um videogame portátil.
– Andrés, vamos. – Eu disse.
Ele se levantou meu assustado e guardou o videogame. A escola estava aberta então entramos pela porta da frente mesmo. As luzes estavam apagadas e não podíamos acender, pois alguém poderia perceber. Fomos até o andar em que ficava a diretoria, que era o único que as luzes estavam acesas então pensamos que a diretora estava na escola e teríamos que tomar mais cuidado.
Voltamos para um corredor com as luzes apagadas e entramos numa sala qualquer.
– Muito bem. – Eu disse abrindo a minha mochila e a colocando no chão. – Pegue qualquer coisa aí de dentro e divirta-se. Federico pegue o extintor de incêndio desse andar e trás pra cá. Andrés, se não quiser não faça nada.
Federico saiu da sala para fazer o que eu pedi. Andrés se sentou no fundo da sala. Eu peguei aqueles sprays de grafite e comecei a fazer minha obra de arte. E então Federico entrou com o extintor de incêndio.
– Meu Deus! – Ele disse rindo ao ver o que eu estava fazendo.
– Gostou?
– Você é maluca.
– Essa garota tem problemas. – Gritou Andrés. Federico então jogou um jato daquela espuma do extintor nele, o fazendo calar a boca e me fazendo rir.
Federico espalhou aquela espuma por toda a sala e eu grafitei tudinho. Pegamos areia e espalhamos por todas as carteiras.
– Gente, a diretora tá vindo! – Andrés disse.
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