Máquina de Matar - Fedemila
14 Capitulo 14
Notas iniciais
(Por Ludmila)
– Tá vendo, esse lugar é muito melhor! – Ele disse.
– Não tem diferença nenhuma.
– Como não? Aqui é mil vezes melhor!
– Você que é fresco!
– Pelo amor de Deus!
– Shhh! Fica quieto que eu quero ver o filme!
– Agora tá querendo fugir do assunto né.
– Federico fica quieto!
– Não! Você fica me chamando de fresco, agora vai ter que escutar.
– Se você não para de gritar vamos ser expulsos daqui entendeu!
– Não quero saber, o problema é meu!
– Deixa de ser chato!
– Eu sou chato?
– É!
– Olha só quem tá falando.
– Quem tá dando chilique é você!
– Eu não tô dando chilique!
– Para de gritar!
– Eu não tô gritando!
– Tem certeza?
Não sei o que deu nele, mas do nada ele me beijou. Talvez tenha sido para eu calar a boca e parar de encher o saco dele. Mas eu já fiz isso com ele e não deu certo.
– Por favor, vamos parar de discutir. – Ele disse.
– A culpa foi sua. – Não! Eu não queria parar de discutir. Era divertido!
– A culpa não foi minha.
– Assume logo Federico.
– Chega! Vamos parar com isso agora. Por que será que discutimos tanto assim?
– Talvez seja por que eu gosto de ofender você.
– É uma boa razão. – Ele disse rindo.
Depois disso ficamos quietos e assistimos o filme em paz. Mas aquela altura eu não estava entendendo muito bem, por que eu fiquei discutindo com o topetudo. Até que sinto meu celular vibrar, eu não desliguei, vai que acontece alguma coisa na Sede e eles tem que me falar urgente. Era uma mensagem do Bryan.
Bryan: Você vem treinar hoje?
Ludmila: Não.
Bryan: Algum compromisso com o topetudo? Hahaha!
Ludmila: Não posso conversar agora Bryan.
Bryan: O que foi?
Ludmila: Eu tô no cinema.
Bryan: No cinema? Com quem?
Ludmila: Com o Federico.
Bryan: Bom filme pra vocês então. Aproveita essa bela companhia. Hahaha!
– Quem é Ludmila? – Federico perguntou olhando para a tela do meu celular.
– Ninguém.
– Não tem como você estar conversando com ninguém.
– Deixa de ser ciumento Federico. – Eu disse guardando o celular na bolsa de novo.
Depois do filme, Federico me acompanhou até o meu prédio. Aproveitei meu tempo sem ele na minha cola!
(Por Federico)
No dia seguinte, no colégio, um pouco antes do sinal tocar eu e Ludmila estávamos conversando na classe.
– E então, estudou pra prova de história de hoje?
– Que prova.
– Pelo visto você nem abriu o livro.
– Acho que não é novidade que eu não estudo para as provas.
– É, não é mesmo.
De repente o sinal tocou e o professor entrou na sala, atrapalhando nossa conversa.
– Bom dia classe! Eu vou entregar as provas agora. Espero que tenham estudado, a última prova foi terrível.
Ele começou a entregar as provas, entregou primeiro pra mim e depois para Ludmila. Comecei a ler a prova e percebi que eu não sabia nada! Nada mesmo. A prova era de múltipla escolha, mas mesmo assim nenhuma das alternativas pareciam ter sentido.
– Ludmila, qual é a resposta da primeira. – Eu perguntei sussurrando.
– Shh!
– Vai me fala!
– Você deveria saber.
– Mas eu não sei.
– Então deveria ter estudado.
– Você não estuda também.
– Mas eu sei as coisas.
– Tá e a da segunda questão?
Ela não respondeu.
– Ludmila me fala! É só dizer A, B, C ou D!
– Federico, zero! – Gritou o professor.
– Mas eu não fiz nada!
– Você está colando.
– Não estou!
– Fique quieto para não atrapalhar os outros colegas! – Ele disse se levantando, vindo até a minha carteira e pegando a minha prova. Detesto história!
Depois das aulas, o sinal do intervalo finalmente tocou. Encontrei Ludmila mexendo no celular e me sentei na mesma mesa que ela.
– Não acredito que aquele professor fez aquilo comigo!
– Você estava colando. Ele tem razão. – Ela disse guardando o celular.
– É, eu sei.
– Você poderia ter me ajudado.
– Você tinha que estudar.
– Bom, mas agora já foi. Não é a minha primeira prova zerada.
– Eu tenho que arrumar umas coisas no meu armário, te vejo na sala. – Ela disse e se levantou.
Depois que ela foi embora León e Maxi se aproximaram de mim e se sentaram na mesa.
– E aí, como está indo com a Ludmila? – Maxi perguntou.
– Ah, acho que estamos bem.
– Acha? Você tem que ter certeza.– León disse.
– Eu sei, é que discutimos demais.
– Mas isso era óbvio que aconteceria. — Maxi disse.
– É cara, vocês são como gato e rato! – León completou.
– Mas eu gosto muito dela.
– A gente não duvida disso, mas essa garota é pior que você! – Maxi falou.
– O que está querendo dizer com isso?
– Só estamos te avisando! Essa garota é louca, não podemos duvidar de nada quanto a ela!- León disse.
– Você acham que ela poderia fazer alguma coisa? – Eu perguntei.
– Acho que poderia fazer até mais. Desculpa a franqueza, mas é o que a gente pensa. E também não fique achando que não gostamos dela e estamos tentando fazer lavagem cerebral em você, é que você tá muito vidrado nela. – Maxi disse.
– Relaxem, não vai acontecer nada!
– Ei, de quem é esse celular aqui? Espera, está desbloqueado. – León perguntou pegando um celular do chão.
– É da Ludmila, ela deve ter deixado cair quando se levantou. – Eu disse pegando o celular da mão dele.
– E você não pensa em fazer nada? – Maxi perguntou.
– Fazer o que?
– Aquele dia ela viu o seu celular todo, acho que uma vingancinha não cairia mal. – León disse.
– Não sei. Acho que ela não vai gostar.
– Ela não teve dó de você quando viu todas as suas mensagens.
– É, vocês tem razão!
Entrei no WhatsApp da Ludmila. A primeira pessoa que estava ali era um tal de Bryan, olhei a foto do perfil. Parecia um pouco mais velho que ela, cabelo bem liso e loiro claro e olhos claros. Não era o que eu pensava né?
Comecei a ler a conversa dela com esse cara. Falava de treino, aliados, sede. Ela ria das mensagens dele, ele ria também, mas não havia nenhum áudio. O que era aquilo tudo?
Antes da aula começar, a esperei na porta da classe. Eu queria conversar com ela. Quando o sinal bateu, fiquei esperando ela chegar. Antes de entrar na sala eu a segurei.
– O que foi? – Ela perguntou.
– Quero falar com você.
– Mas agora a gente tem aula.
– Mas eu preciso falar com você.
– Tá, fala. – Ela disse cruzando os braços.
– Pode ser em outro lugar.
– Tá bom né.
Saímos da escola sem que ninguém percebesse e eu a levei na minha casa. Ela se sentou no sofá e perguntou:
– Será que dá pra falar logo?
– Quem é Bryan? – Eu disse, tirando o celular dela do meu bolso e entregando para a dona.
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