Mystical

7 Capítulo 06 - Azul é a Cor Perturbadora


Quando Kevin chegou em frente à casa dos Jenkins, havia duas viaturas paradas em frente. Ele desceu do seu carro e foi falar com um dos policiais que estavam falando com os vizinhos.

– O que aconteceu? – Kevin perguntou.
– A garota foi encontrada morta no quarto – O jovem policial respondeu.
– Caramba – Ele colocou a mão na cintura e levou a outra ao queixo.
– Burke e Joshua já estão lá dentro, parece que é o seu cara.
– Que merda.

Kevin entrou na casa, no sofá, os pais de Emily choravam desesperados enquanto outro policial tentava acalmá-los.

– Onde Burke está? – Kevin perguntou para o policial.
– Está lá em cima, no quarto, é a segunda porta à esquerda.

Kevin subiu as escadas e percebeu que a porta do quarto estava aberta. Quando entrou no quarto, encontrou Joshua e Burke e também o corpo de Emily, deitado sobre a cama. Seu couro cabeludo havia sido brutalmente arrancado e seus longos cabelos negros ensanguentados estavam enrolados em seu pescoço.

– Caralho! – Kevin disse, com a mão sobre a boca.
– Pois é – Burke respondeu.
– O que aconteceu por aqui?
– O assassino entrou pela janela e a estrangulou com os próprios cabelos, depois, como se não fosse o bastante, ele escalpelou a garota – Ele explicou.
– Que doente.
– Pois é – Joshua falou – Isso é como se fosse uma obra de arte pra ele.
– Como podemos saber se é o nosso cara?
– Bom, primeiro, porque é o segundo assassinato brutal em três dias e segundo, por aquilo – Joshua apontou para algo que estava trás de Kevin. Quando ele se virou, viu que era o espelho. Havia algo escrito no espelho, com o sangue da garota. ”Minha querida Rapunzel”
– Ah não – Kevin disse.
– Definitivamente é o nosso cara, o mesmo que assassinou o garoto na terça-feira, e o mesmo que assassinou aquelas três pessoas em 2007.

Kevin lembrava-se do primeiro assassinato deste maníaco. As imagens eram perturbadoras. A garotinha de casaco vermelho e sua avó estraçalhadas no tapete rosa. A cesta de piquenique com seus órgãos dentro. Os flashbacks eram dolorosos.

– Vocês procuram pistas do assassino, eu vou seguir uma que já devia ter seguido há muito tempo – Kevin disse.
– Aonde você vai? – Joshua perguntou.
– Eu vou à Crawford, vou procurar esse desgraçado e acabar com ele – Ele saiu, sem esperar reações de Burke e Joshua. O delegado o seguiu.
– Você não pode ir assim, temos trabalho a fazer.
– Trabalho?! Isso já deixou de ser nosso trabalho há muito tempo! Ele está brincando conosco e eu não vou permitir isso. Essa merda tem que acabar!

Kevin foi embora.

***

Quarenta minutos depois, ele estava entrando pela porta da frente da loja de fantasias que ele e Joshua haviam visitado antes. A garota do caixa ficou claramente perturbada ao vê-lo.

– Você se lembra de mim, não é? – Kevin perguntou.
– Sim, você é o policial que veio aqui há dois dias – A garota respondeu, dando um sorriso fraco e forçado – Eu vi sobre o assassinato no noticiário.
– Noticiário? – Ele ficou surpreso e confuso – Quando?
– Agora mesmo, há uns quinze minutos.
– Era ao vivo?
– Sim.
– Quer dizer que eles estão filmando? Isso pode atrapalhar na busca pelo assassino.
– Como?
– Isso não vem ao caso agora, eu preciso da sua ajuda.
– É claro, o que posso fazer?
– Onde fica o hospital que o antigo caixa está internado?
– Por que quer saber?
– Eu preciso falar com ele, ele viu o assassino comprar a fantasia aqui e pode me ajudar a identificá-lo.
– Ok – Ela pegou um papel e anotou o endereço, depois entregou a Kevin – O nome dele é Jason, Jason Camry.
– Tá certo, obrigado – Ele pegou o papel e agradeceu, depois foi embora.

***

O Saint Barbara Hospital era grande, deveria ter pelo menos uns oito andares. Kevin entrou no hospital e viu que havia uma pessoa falando com a recepcionista então ele esperou, analisando o local. Era um hospital normal, limpo e com algumas pessoas na sala de espera.

Quando viu que a recepcionista estava livre, ele foi até ela.

– Em que posso ajudar, senhor? – Ela perguntou.
– Eu preciso ver um paciente que está internado aqui.
– Qual o nome do paciente?
– Jason Camry.

A mulher digitou algo no computador e pesquisou um pouco.

– Achei – Ela disse – Você é parente do paciente? – Ela estava com um grande sorriso no rosto.
– Não – Ele respondeu, pegando o distintivo – Sou policial e o Sr. Camry pode ser uma testemunha importante na busca de um assassino.
– Oh – Ela ficou série – Uh... O Sr. Camry está tendo alta hoje mesmo.
– Você poderia me dizer em que quarto ele está?
– No quarto 32, neste corredor aqui – Ela apontou para um corredor atrás de Kevin.
– Obrigado – Ele agradeceu.
– Por nada.

Kevin andava pelo corredor verificando os números nas portas. 30, 31... 32. Ele parou em frente ao quarto e percebeu que não havia ninguém, apenas uma camareira arrumando os lençóis.

– Com licença – Kevin falou com ela – Onde está o paciente que estava aqui?
– Ele acabou de ter alta – Ela respondeu, sorridente – Provavelmente está assinando alguns papéis na secretaria.
– Onde fica a secretaria?
– Vá até o fim deste corredor e vire à esquerda, é a primeira sala.
– Obrigado.
– Não há de que.

Kevin desceu o corredor e quando virou à esquerda, viu a sala que a mulher falou e dela estava saindo um homem de muletas e perna engessada e uma mulher, provavelmente sua namorada. Ele estava agradecendo a uma mulher lá dentro.

– Com licença – Kevin disse – Você é Jason Camry?
– Sim, sou eu mesmo – Jason respondeu – Quem é você?
– Sou o policial Parker – Ele mostrou o distintivo – Podemos conversar um pouco?
– Sim, claro.

***

Sentados em uma mesa no refeitório, eles conversavam. A mulher estava de um lado da mesa, ao lado de Jason, enquanto Kevin estava do outro.

– O que a policia quer comigo? – Jason perguntou.
– Você pode ser testemunha de um grave crime, um assassinato. Eu preciso da sua ajuda.
– É claro, eu vou ajudar.
– Você é o caixa na loja de fantasias Krait, certo?
– Sim.
– O nome Jacob Smith é familiar pra você?
– Jacob Smith? – Ele pensou um pouco – Não, não é, quem é ele?
– É o principal suspeito de um assassinato e ele comprou uma fantasia na sua loja.
– Oh...
– Ele foi à sua loja no dia 9 de outubro e comprou uma fantasia preta de bruxa e de acordo com a garota que estava lá, só duas pessoas compraram essa fantasia naquele dia.
– Oh sim! O cara da lata velha. Jacob. Eu me lembro
– Você lembra?
– Claro, essa fantasia realmente não é uma das mais populares, sabe? Eu até ia devolver o estoque.
– Você disse “o cara da lata velha”?
– Sim, o carro dele era velho pra caralho – Ele sorriu, se lembrando.
– Qual o modelo? Você conseguiu identificar?
– Era uma caminhonete, uma Chevy azul claro.
– O que você disse? – Kevin perguntou, surpreso, lembrando-se da caminhonete velha no fim da rua que ele havia visto no dia anterior – Uma caminhonete azul?
– Sim, porque o espanto?
– Por nada, por nada – Ele disse, estava nervoso.
– Aqui está meu endereço – Jason disse, escrevendo algo em um papel.

Kevin pegou e guardou no bolso.

– Eu preciso ir agora – Ele disse – Mas se lembrar de mais alguma coisa, ligue para mim – E também entregou um papel com seu número escrito. Obrigado pela sua atenção.
– Ah, não há de quê – Jason disse e Kevin foi embora, com pressa.

Ele saiu do hospital, entrou em seu carro e foi embora, de volta pra Misty.