Notas iniciais
Falaaaa meus caros! Turu bom? kkkkk Claro que não poderia deixar de postar algo relacionado com o Halloween não é mesmo? Pois ai está! :) Uma história curtinha que será dividida em 2 partes, sendo está a primeira delas (a segunda sai logo logo, prometo) Já era para ter postado ontem, no dia 31 de Outubro mesmo, mas tive alguns imprevistos :( por isso estou postando um dia depois kkkk Mas enfim, espero que gostem! Deixem um feedback se puderem... Boa leitura :)

Sinceramente Blair não queria ter ido naquela festa na casa de Courtney na noite de 31 de outubro de 2018. Respirou fundo e decidiu fazer um esforço para mudar de ideia, afinal o ano estava acabando e ela não sabia se veria seus colegas de ensino médio outra vez. A loira sequer se deu ao luxo de alugar uma fantasia — Como a maioria dos convidados fez — Afinal tudo que faria era sentar no sofá de veludo da amiga e ficar bebendo um copo de vinho tinto.

A garota pega seu vestido preto de rendas e uma bota com uns detalhes de morcegos pendurados por correntes na lateral. Era o máximo que ela tinha. Prende seus cabelos com uma fita vermelha que havia arrancado de uma caixinha de música que ela tinha guardado da época que fizeras ballet. Para finalizar, a loira puxa um perfume antigo da gaveta de sua escrivaninha que ficava ao lado de sua cama, com um aroma doce de laranja bem suave e um pequeno toque de raspas de limão, deixando-o meio cítrico ao mesmo tempo.

— Vou indo mãe. — Blair se despede enquanto pega as chaves de seu carro que estavam penduradas em um gancho pregado no azulejo violeta da cozinha.

— Volte viva, minha filha. — Aquelas palavras deixam a garota com um pequeno calafrio desgovernado por todo o corpo. Sua mãe nunca tinha falado daquele modo com ela, costumava ser cautelosa com as palavras, ainda mais por ser professora de filosofia.

Mesmo tendo estranhado a situação, Blair apenas continuou a caminhar até a porta da sala e sair para o quintal, que estava cheio de decorações bizarras de Halloween. Seu pai, Alex, adorava a data e por isso deixou a casa um verdadeiro portão para o inferno, com direito a mãos saindo do gramado. Sim! Ele teve o trabalho de cavar pequenos buracos na terra para colocar os objetos de plásticos enfiados lá. Seu irmão mais novo, Bryan, havia o ajudado com tudo aquilo, principalmente com as aranhas gigantes penduradas em cada lado do telhado.

— Bizarro! — Foi tudo que a loira disse quando viu tudo aquilo. Sua mãe não gostava muito, achava que atraia espíritos ruins, mas como bater de frente com os dois homens de sua vida? Seu filho e esposo.

Blair entra em seu Porsche Macan branco e se acomoda no estofado do banco do motorista. Respira fundo mais uma vez, pra cair na real que realmente estava indo contra sua vontade, e em seguida coloca as chaves ignição e as gira bem devagar. O motor dava sinal de vida, mas morria logo em seguida, o que nunca tinha acontecido desde o dia que o carro foi comprado pelo seu avô de presente de aniversário de vinte anos. A jovem checa a gasolina, que estava com o tanque cheio, e até desce do carro para abrir o capô conferir se havia algo de errado. Nada! Simplesmente estava tudo normal.

A loira entra em seu carro novamente, executando uma nova tentativa de liga-lo. Desta vez, tudo fica escuro. Os painéis estavam totalmente pretos. De repente, uma linha verde bem fina aparece e começa a piscar no lugar, e um ruído arrepiador aparece do nada. Ao longe parecia se formar uma pequena frase, como se fosse alguém falando em um gravador de voz enferrujado. Blair apavorada dá um murro em cima do painel, fazendo por fim ele voltar a funcionar, e o carro ligar quase que instantaneamente.

Mais uma respiração profunda da garota. Desta vez, ela fecha seus olhos e puxa todo o ar que pode. Depois consegue seguir seu caminho, com seu Porsche funcionando normalmente, como se nada tivesse acontecido com ele.

A estrada era escura. Mal dava para ver as faixas no asfalto, o que a deixava preocupada. Antes de tudo, ela passaria na casa de seu namorado, Brandon, que havia mandando uma mensagem dizendo estar esperando do lado de fora de sua casa, junto a Melissa — uma amiga — segundo ele.

O caminho era cercado por grandes árvores dos dois lados da rua. As folhas que de dia eram verdes vibrantes, a noite se tornavam cinzas, quase negras — e os galhos eram todos deformados, iguais aqueles de filmes de terror de Hollywood. A garota acelera cada vez mais o veículo, queria passar logo por aquele trecho apavorador.

Uma figura aparece de repente na frente de Blair, o que a faz frear bruscamente no meio da estrada escura. Felizmente, nenhum carro vinha atrás, pois uma batida naquela velocidade não teria deixado ninguém vivo para contar história.

A senhora segurava uma sacola rasgada em sua mão direita. Seus cabelos eram grisalhos e seus olhos claros com várias rugas envolta, não era muito alta e tinha uma pequena corcunda. Isso era tudo que ela conseguia ver de dentro do carro com seu vidro embaçado pela nebrina da noite.

A loira insiste em buzinar várias vezes, mas aquela figura aterrorizante sequer movia um dedo do pé descalço. Ela sente uma forte dor de ouvido surgindo aos poucos, até ficar quase que insuportável. — era aquele mesmo barulho de quando o painel de seu carro ficou com a luz verde ofuscante. Mesmo com zumbido, Blair conseguiu abaixar o vidro do carro e gritar com a idosa.

— Sua velha babaca! Quer morrer hoje? Sai da frente. Eu já estou atrasada!

— Está atrasada, Blair! — Aquilo gelou sua espinha. Como ela sabia seu nome? Tinha certeza que não era ninguém conhecida, pois sua mãe sempre apresenta as pessoas que conhece a ela. — Está atrasada! — A velha insistia. O zumbido ficava cada vez mais alto, e claramente eram palavras, mas ela ainda não conseguia entende-las perfeitamente.

— AHHHHHHH! — A loira grita o mais alto que pode enquanto permanece com seus olhos fechados. Quando finalmente cria coragem para abri-los novamente, a figura simplesmente havia sumido de sua frente.

“Aquilo é só uma brincadeira de Halloween.” “Era alguém fantasiado.” Isso era o que Blair ficava repetindo em sua cabeça para que pudesse tentar esquecer tudo aquilo, mesmo que fosse quase impossível apagar.

Novamente ela liga seu carro, e continua o percurso. Desta vez seu coração parecia querer transbordar pela boca de tão forte que batia, e o suor frio escoria cada vez mais em seu rosto.

Vinte e cinco minutos depois do ocorrido, a garota chega em frente à casa do namorado, que estava abraçado com aquela garota que ele havia dito por mensagem. A loira respirou fundo mais uma vez — já era a quarta dentro de uma hora — e pensou consigo mesma que era só pelo fato de estar frio aquela noite.

— Amor! — Brandon fica feliz ao vê-la, mas se assusta ao mesmo tempo e rapidamente tira seus braços de perto de Melissa.

Os dois entram no carro. Seu namorado estava perfeito, com sua fantasia de vampiro galã de dorama asiático — só faltava ser da Ásia mesmo. Seu perfume adocicado impregnou no carro, era com toque leve de maracujá, o que deixava seu cheiro característico, e Blair adorava. Seus cabelos negros, cheio de gel, estavam brilhantes igual aos seus olhos. A loira não conseguia para de olhar.

— Eu te amo meu morto vivo! — Ela afirma com seu sorriso perfeito com os dentes da frente um pouco separadinhos.

— Não sou você para estar morto! — Seu olhar penetrante de olhos verdes, mudaram completamente para um aspecto frio e sério.

— Como assim amor? — Ela fica confusa e completamente assustada.

— Eu disse que te amo também, minha loirinha! Está meio distraída hoje. — Ele volta com seu sorriso e olhares perfeitos. Mas tudo aquilo deixou Blair confusa ao ponto de querer contar sobre a figura da idosa no meio da estrada, mas preferiu apenas ignorar outra vez, como havia feito até então.

A garota que acompanhava seu namorado, e uma morena alta, com os olhos tão azuis que pareciam vir do tom do mar aberto. Estava fantasiada como uma espécie de gladiadora com uns detalhes desenhados em sua testa. Sua expressão era fria, e ela sequer cumprimentou Blair quando entrou no veículo, apenas sentando no banco de trás e calando a boca totalmente.

Assim os três por fim conseguem seguir caminho até a casa de Courtney, que não ficava muito longe dali. Por sorte, as ruas por perto estavam bem iluminadas, cercadas com decorações de fantasmas de lençóis e aboboras espalhadas pelas calçadas. A loira podia não demonstrar, mas estava assustada e com medo de que algo estranho acontecesse enquanto iam em direção da festa.

Felizmente sem que ela perceba o tempo passar, eles já estavam lá em menos de dez minutos, mantendo uma velocidade constante de trinta quilômetros por hora.

A casa de Courtney estava uma verdadeira bagunça, os adolescentes já encharcados com álcool espalhados pelo corpo e impregnados nas veias encontravam-se do lado de fora fazendo sabe-se lá o quê. Pedaços de papel higiênicos cercavam toda a construção — principalmente no telhado — e novamente mais decorações bizarras. Havia um esqueleto pendurado perto da porta, assim que subissem nos degraus. Brandon achou a coisa mais genial do mundo.

— Irado! — Disse o garoto, segurando os ossos da mão do objeto de gesso e chacoalhando como se estivesse o cumprimentando.

Courtney abre a porta assim que Blair toca a campainha. O barulho de música eletrônica impregnava em seus ouvidos, ela não sabia como as pessoas conseguiam gostar de uma coisa que não possuía nem mesmo uma letra, só batidas e mais batidas.

— Amiga! Você veio mesmo. — A morena de cabelos curtos fica feliz ao encontrá-la. Vestia-se de noiva zumbi, uma fantasia um tanto quando clichê, mas aceitável na data comemorativa em questão.

A loira apenas acena com a cabeça e lança um sorriso breve, indo em direção ao sofá de veludo no meio da sala em seguida. Dos três lugares, dois já estavam ocupados, um por um gordo que ela não conhecia — mas que aparentava estar morrendo depois de beber tanto — e o outro por uma garota de sua sala, uma menina isolada que sentava no fundo e encostada com a parede, de cabelos não muito longos e azuis, que sempre escondia seu rosto com um capuz da blusa de moletom preta insubstituível. Se chamava Raven, mas nunca tinham conversado antes.

— Quer que eu traga uma bebida amor? — Brandon pergunta a amada.

— Pode deixar, eu mesma pego. Cuide de sua amiga... Ela não para de te secar. Cuidado para não virar uma ameixa. — Sim, ela foi sarcástica. Isso não era de seu feitio.

A garota vai em direção a mesa de aperitivos, quase não chega lá pela quantidade de pessoas que estavam bloqueando seu caminho. O corredor até a cozinha era estreito e ficava ainda mais apertado com aqueles adolescentes todos juntos, a maioria se pegando bem ali mesmo. Menina com menino; garota com garota; garoto com garoto, tudo era aceitável naquela festa.

Blair soltou um riso bem sutil quando viu a tigela de ponche em cima da mesa de vidro, era uma abobora decorada, e os buracos feitos a mão estavam tampados com uma espécie de plástico transparente — para que o líquido não vazasse. Ela pega um copo médio que estava empilhado junto a outros no canto da mesa, então enche até a metade com a bebida avermelhada, rezando mentalmente para que não possuísse pimenta ou algo do tipo. Não gostava da famosa frase “gostosuras ou travessuras”, era mais do tipo que preferia apenas as gostosuras mesmo.

Haviam muitos tipos de aperitivos espalhados por lá. Desde dentaduras de gelatina, a torradas tingidas com corante verde e cobertas com cream cheese e ketchup. Fora os mais variados tipos de bebidas alcoólicas para que os burros se entupissem até o talo e batessem seus carros indo embora para casa. Blair não era uma garota que bebia tanto, apenas em algumas festas ou churrascos de família.

A loira vira-se para voltar a sala, mas algo faz com que suas mãos percam a força e o copo caia e derrame tudo no chão.

Aquele corredor que antes estava cheio de pessoas com tesão a flor da pele, agora estava vazio. Não era apenas isso, a música alta e insuportável para os ouvidos sensíveis da garota, agora havia parado e apenas as luzes de LED projetadas como canhões pela casa, era perceptível.

Ela caminha lentamente, colocando um passo de cada vez em seus movimentos. O corredor parecia ser quatro vezes maior, tanto de largura, quanto de profundidade. Suas mãos tremiam igual suas pernas, mal conseguia permanecer de pé, mas insistia em continuar andando. De repente, um quadro chama sua atenção. Um que até então ela nunca tinha reparado durante os oito anos de amizade com a amiga. Era em tons frios, focados no azul marinho e no cinza, e a moldura era toda preta com alguns ramos de flores desenhados nela. A tela tinha um campo com algo plantado — parecia trigo — e ao longe uma figura feminina e esquelética segurava um guarda-chuva todo rasgado e caindo aos pedados. O que chocou a garota era que aos poucos ela jurava que a figurava se movimentava, mesmo que bem discretamente. Aquela mulher — que depois Blair percebeu ser uma idosa — estava se aproximando dela, com um caminhar torto e com uma expressão de tristeza profunda. Mesmo com medo e ainda temendo, a menina não conseguia tirar seus olhos daquele quadro que transmitia algo negativo a ela de algum modo. Estava hipnotizada.

O que consegue dispersar sua atenção é aquele som, que novamente estava voltando bem baixinho. Parecia até mesmo estar vindo do quadro, onde a velha estava cada vez mais próxima.

Blair consegue virar-se bruscamente, assustada e amedrontada com tudo aquilo, mas ao fazê-lo algo a faz cair no chão. Aquela velha do quadro estava bem em sua frente com um sorriso esbugalhado e os olhos que pareciam que iriam saltar de seu globo ocular. Foi aí que ela percebeu que era a mesma figura de quando passava por aquela estrada.

O som sessou de repente, e a velha simplesmente virou fumaça. A loira olha para os lados do corredor — ainda caída no chão — e vê todos aqueles adolescentes se pegando novamente e percebe que a detestável música eletrônica havia voltado.

Blair só conseguia pensar e repetir uma única coisa em sua cabeça.

“Eu estou ficando louca.”

Notas finais
Espero muito que tenham gostado, e sim eu usei a Vera Holtz mesmo na capa porque eu achei que a imagem se encaixaria kkkkk não me julguem :) Em breve capítulo novo de Destino Incerto, não deixem de acompanhar! Até a próxima :)