My dear new neighbor...
1 Capítulo 1: Eu odeio fujoshis!
Notas iniciais
My dear new nighbor...
Capitulo 1: Eu odeio fujoshis!
–x-X-x-
Eu só tenho cinco certezas na vida:
1_ Eu vou morrer;
2_ Roberto Carlos fará um especial de fim de ano na globo todos os anos até o dia de sua morte;
3_ Eu nunca conseguirei alinhar as cores do cubo mágico que eu tenho na minha estante desde os doze anos;
4_ Papai Noel não existe e o velhinho vestido de vermelho do shopping que deixa as crianças sentarem no seu colo para falarem o que querem de natal, provavelmente é um pedófilo em potencial;
5_ O ensino médio é uma merda.
Olho para o meu caderno e eu não consigo acreditar que em quarenta minutos da aula de química foi isso que eu consegui escrever: Uma lista das cinco certezas da minha vida.
Eu sou uma bosta humana.
Mas veja bem, eu tentei prestar atenção na aula, juro que tentei, mas a voz monótona do professor e sua habitual cara de ressaca não ajudaram em nada na minha luta contra o tédio. Então acho que mereço um desconto.
De qualquer forma, o sinal toca antes que eu cogite anotar o que perdi, então mando meu habitual “foda-se” pra matéria e me levanto para sair da sala, quando ouço uma voz conhecida me chamando.
–-Hey Victor eu espero sinceramente que você não esteja pensando em sair dessa sala sem mim.
–-Eu nem sonharia em fazer algo assim com você Ju –Respondo me virando para a morena que sorri satisfeita caminhando até a mim.
–-Ótimo. – Retruca ela. –Agora vamos, que eu estou morrendo de fome e já deve ter uma fila enooorme na cantina.
Essa é a Juliana a menina que Deus resolveu por um buraco negro ao invés do estômago. De qualquer forma eu só assento com a cabeça e nós saímos da sala nos encaminhando a fila da cantina.
–-Ah propósito, você ouviu aquilo que eu te indiquei? –Ela me pergunta assim que chegamos na fila do lanche.
–-Aquela coletânea de gemidos que você me mandou? Claro que não, eu ainda tenho um pouco de amor próprio. –Pra falar a verdade eu ouvi sim, basicamente eu passei a noite acordado ouvindo aquela merda. Mas eu sou orgulhoso de mais pra admitir isso.
–-O nome certo é CD drama*, e você não tem amor próprio desde aquela vez que eu te obriguei a usar orelhinhas de gato com a cara lambuzada de creme-de-leite, tirei foto e pus como protetor de tela do meu celular.
Estremeço só de lembrar daquilo, não foi um dia especialmente feliz (pelo menos pra mim não foi).
–-Cala a boca e pega logo a porra do seu lanche –Digo mal-humorado, enquanto pego meu prato com a tia da cantina.
–-Uh, um uke** mal-humorado, não é um uke feliz.
–-Cala a boca! –Eu simplesmente odeio quando ela me chama disso principalmente num local público onde posso ser espancado só por acharem que eu sou gay (e mesmo que eu seja, ser espancado não é legal) –E eu não sou feliz e você sabe disso.
Nesse momento, nós estamos sentados em um dos bancos que ficam encostados na parede do pátio, um de frente para o outro.
–-Sabe por que você não é feliz?
–-Por que minha vida é uma bosta?
–-Não. Por que você ainda é um ukezinho virgem que ainda não encontrou um seme*** que dê conta do recado.
–-Olha só quem fala. –Retruco dando uma colherada no arroz e feijão que a escola dá de lanche de vez em quando. E na boa, quem foi o gênio que disse que arroz e feijão é lanche? Eu praticamente me sinto como se almoçasse duas vezes! Escolas públicas e suas tretas tretozas...
–-Ei, não zoe de minha alonidade. Um dia eu ainda arranjo um uke e esfrego na sua cara.
–-Espera, o que? Você é mulher então não seria certo você ser o uke?
–-Não.
–-Mas...
–-Nada haver.
Suspiro fujoshis***, completamente sem sentido. O sinal toca e eu nem terminei de comer meu lanche e estou com muita preguiça, então apenas deixo o prato de baixo do banco e me levanto pra ir embora. Não me julgue.
–-Qual é a próxima aula? –Pergunta Ju se levantando também.
–-Inglês.
–- Arg, essa aula é um saaco.
–-Mas o professor é uma delicia.
–- Haha, verdade.
Deus eu sou muito gay.
Caminhamos até a sala de aula onde eu entro rapidamente e sento na minha cadeira esperando o professor (ansiosamente).
Não que eu seja a fim dele, até por que eu não sou, eu só acho ele um professor extremamente gostoso com uma bunda extremamente gostosa e só.
Certo eu acho que ultrapassei os limites da minha gayzisse.
Tanto faz o importante é que ele chega.
E a aula passa demasiadamente rápido.
Então ele sai.
E a professora de matemática chega.
E aula passa demasiadamente lerda.
Então o sino anunciando o término da aula toca.
Eu ganho a tão aclamada liberdade.
–-Só não esqueçam o dever pra amanhã –Grita inutilmente a professora para a multidão de retardados que saem correndo pela porta. Geralmente, eu esperaria todos eles saírem olhando-os com meu desprezo. Mas hoje eu sou um desses retardados.
Não me julgue, baixei uma temporada inteira de law & order e definitivamente farei uma maratona hoje.
–-Ei me espera!! –Grita Ju correndo atrás de mim.
–-Não dá, hoje é dia de maratona!! –Grito de volta.
–-Por que você acha que eu mandei esperar seu retardado?
É sempre assim, toda quarta nós vamos pra casa um do outro para fazer maratona de alguma série e hoje será Law & Order e eu amo Law & Order.
–-Espeera! –Grita Ju afobada, puxando a minha mochila e me fazendo desacelerar o passo.
–-Ninguém mandou ser gorda, assim você cansa rápido.
–- Eu não sou gorda! Sou fofinha! –Retruca ela fazendo bico.
–-“Fofinha”, sei.. –Digo andando normalmente, já que nós estamos na rua da minha casa.
–-Hey, o que é aquilo? –Pergunta Ju, apontando para casa ao lado das minha.
–-Um caminhão de mudança, nunca viu um não?
–-Besta. É que eu só tô surpresa, alguém se mudar nessa época do ano é algo estranho, acho.
Dou de ombros afinal eu não estou nem aí mesmo, deve ser só mais um casal comum com filhos recém-nascidos irritantes que choram de madrugada te acordando de um adorável sonho com bacon.
Desculpe, não tive experiências muito agradáveis com os últimos vizinhos.
Continuo indo em direção a minha casa, ignorando o caminhão de mudança e os carregadores entrando e saindo da casa ao lado, chego na frente da porta, já pegando a chave que está no meu bolso, quando sinto Juliana me cutucando irritantemente no braço.
–-Que foi? –Pergunto incomodado.
–-Olha – Murmura ela apontando pra frente.
Olho pra onde ela apontou e vejo uma mulher de meia-idade, que até então não tinha reparado, conversando com quem eu acho ser o chefe dos carregadores. Do lado dela tem um adolescente, mais ou menos da minha idade mexendo no celular. Ele está com os cabelos estilo emo e tingidos de azul blond**** caídos nos olhos, então não consigo ver seu rosto, ele está vestindo uma jaqueta xadrez por cima de uma camisa dos Beattles, calças jeans surrada e uma all-star customizado que parece ter a via-lactea estampado nele. Um exato exemplo de um cara indie comum.
–- Tá, o que que tem? –Pergunto sem dar importância colocando a chave na porta.
–-Ele é perfeito.. –Murmura Ju maravilhada com as mão na boca.
–-Ãhn?
–-ELE É SEU SEME PERFEITO! –Grita Ju quase vomitando arco-íris.
Ah tá...
...
...
... É O QUE?!
Quase imediatamente os três seres se viram para nós. O garoto nos olha meio curioso enquanto mulher (que eu presumo que seja a mãe dele) e o chefe dos carregadores tipo: Mann, cêis tem demência?
E eu só consigo pensar em:
1. Os olhos azuis dele são provavelmente os mais lindos que eu já vi em toda a minha vida;
2. Eu devo estar parecendo um pimentão agora de tão vermelho;
3. A Juliana só pode ser uma retardada com algum problema mental;
4. Eu gostaria muito que um avião caísse na minha cabeça agora;
5. EU DEFINITIVAMENTE ODEIO FUJOSHIS
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