Notas iniciais
Bem pessoal,aqui vai o segundo capítulo. Primeiramente,gostaria de agradecer às pessoas que favoritaram a fanfic com apenas um capítulo (sério gente, obrigada) e também agradecer à Maddie,que postou um comentário lindo e que, por erros do computador ou navegador, eu não consegui responder, então aqui vai meus sinceros agradecimentos (Maddie,seu comentário me deu forças para escrever o terceiro e iniciar o quarto capítulo) Obrigada pessoal, agora aproveitem a fanfic.

Conheço Len a pouco mais de um mês, por isso não posso dizer que o conheço de verdade. Tipo, não posso dizer que o conheço como conheço Teto, ou Miku ou até mesmo Neru e Haku. Mas eu o conheço o bastante para saber que ele não pediria uma permissão para perguntar algo.

Pensamentos errados já atingiam-me antes. Minutos atrás quando ele disse estar me esperando. Agora perguntar se pode perguntar-me algo...é tão estranho...é como se tudo estivesse favorecendo à mim.

–Pode perguntar Len. Qualquer coisa que quiser.

–Bem, pode parecer meio ridículo mas, você acha que as pessoas tem que se esforçar por algo que gostam?

Eu não realmente entendi o que ele queria perguntar, mas eu não precisava entender a pergunta para respondê-la.

–Se é algo que você gosta ou precise. Física um exemplo; eu não gosto nem um pouquinho de cálculos, não sou boa com isso, mas me esforço porque sei que preciso. –respondo e percebo que fugi da proposta da pergunta.

–Mesmo que você não goste da coisa, você se esforça não é? – diz o loiro virando o rosto para mim.

–Bem, eu preciso. É importante para o futuro sabe, fazer vestibular e concursos, essas coisas. Mas também é importante aprender para não ser ignorante. Mas em relação às coisas que gosto, acho que não chamaria isso de esforço. Porque se esforçar em prol de algo que lhe dá prazer não lhe cansa, então não sei se eu chamaria isso de esforço... espera, acho que estou confundindo as coisas.

–É, acho que você misturou um pouco as coisas. –ele diz sorrindo. – Mas tipo, música por exemplo. Para que você aprenda e se desenvolva, precisa estudar, precisa se esforçar.

–Exatamente. Eu não vejo problema com isso, pois é algo que eu gosto. Não me importava de voltar para casa com os dedos calejados das cordas do violão quando estava aprendendo, ou de ficar rouca de tanto cantar quando não dominava técnicas vocais.

–Eu me esforcei muito no primário para aprender violão e baixo quando cheguei no ginásio. Mas eu acho que já tive o bastante. Não quero dizer que vou desistir da música nem nada disso, mas você já deve ter percebido que eu não sou o cara mais disposto do mundo.

–Onde você quer chegar?

–Quero dizer que só quero tocar em casa quando eu tenho vontade. Não quero fazer parte de uma banda nem nada. Isso ia ser problemático e eu ia ter que me esforçar mais que o usual. Ia acabar estragando tudo... Você acha isso errado?

–O que? O fato de você querer seguir na música do seu jeito? Eu não vejo problema nenhum. Apenas faça as coisas no seu ritmo. Só acho um desperdício.

–Como assim?

–Você toca baixo...eu não...se você for realmente bom, ficar trancado no seu quarto vai ser um desperdício.

A partir dessas palavras dele, eu percebi. Chama-lo para o clube de música era algo inútil, eu nem tinha tentado ainda. Ele já está dizendo isso, falar com ele sobre a banda é algo que nunca daria certo com esse ponto de vista.

–Eu acho que pra falar a verdade, eu não me encaixaria bem em uma banda ou algo do tipo. – ele diz levantando-se.

–Você só vai saber quando tentar.

–Talvez...Mas não me sinto pronto para tentar agora.

–Eu já disse, apenas faça as coisas ao seu modo, decida o seu tempo. Só assim você vai perceber o que você quer. Agora me ajuda a levantar. – digo estendendo a minha mão.

Quando ele levantou-se, nossos fones foram separados. Eu acabei perdendo o final da música. Ou talvez ela por completo, afinal, desde que ele começou a perguntar coisas, eu não prestei mais atenção no som.

Agora ele está segurando a minha mão para puxar-me para cima. Por alguma razão desconhecida, eu faço força para baixo, mas acabo indo para cima de qualquer jeito. Após conseguir levantar-me, perco um pouco o meu equilíbrio, pareço que vou cair novamente e Len percebe isso e vai para frente, na direção contrária à que eu cairia. Nisso, sem querer, acabo encostada no alambrado do terraço e sua mão direita segura a grade praticamente ao lado do meu rosto, enquanto sua mão esquerda ainda segura a minha.

A cena era estranha. Quem olhasse poderia pensar que ele tinha colocado- me contra o alambrado na tentativa de me assediar ou me beijar, mas não, aquilo foi apenas um acidente.

Mas talvez fosse a oportunidade perfeita para tentar algo. Ele está com seu rosto acima do meu, com uma expressão assustada, o rosto levemente corado. Eu também sinto minhas bochechas queimarem. Meu tronco está quase que completamente encostado no alambrado.

Seria perfeito se ele me beijasse agora.

Abaixo a cabeça. Não aguento mais olhar para seu rosto. Por quanto tempo vamos ficar inertes nessa posição? Talvez só estamos assim a dois segundos, mas para meu coração parece uma eternidade.

Eu já fui jogada num alambrado assim antes...E daquela vez eu fui beijada...

Por que você não me beija, Len?

Tomo a iniciativa de afastar-me um pouco do alambrado, e seguindo meu passo, ele também se afasta a mesma medida, mas não solta a minha mão. Talvez estamos só dois centímetros separados.

–Você está bem? – ele pergunta.

–Estou, só estou um pouco assustada. Eu esqueci por um segundo que o alambrado estava atrás de mim. – minto, já que eu queria tirar proveito desse susto. – Eu imaginei que fosse cair.

–Você realmente está trêmula. Realmente tem tanto medo de altura assim?

–Eu não tenho medo de altura, tenho medo de cair. Meu coração batia tão rápido que eu acabei esquecendo que tinha essa proteção. Por um segundo, tudo ao meu redor sumiu.

Sinto-me ridícula por essa atuação, mas isso é apenas um pretexto para abraça-lo novamente. Eu poderia estar satisfeita segurando sua mão, mas eu queria algo a mais. Encosto então minha cabeça em seu peito e percebo que seu coração está inquieto.

Ele está preocupado comigo. Pelo menos disso agora eu tenho certeza.

– Desculpa...eu não queria que você soubesse que eu tinha medo. – digo.

–Relaxa, todo mundo tem seus medos. Eu confesso que fiquei assustado quando você ia tropeçando nos seus pés. Por isso te encostei no alambrado. Quando vi seu rosto assustado, fiquei mais assustado ainda. Pensei que você estava assustada por pensar que eu ia lhe fazer algo, mas pelo menos não foi isso.

–Ei, você pensou em fazer algo? Seu tarado? – levanto a cabeça enquanto pergunto.

–C-claro que não, eu jamais faria nada com você. – ele gagueja.

Esse idiota.

–Ah claro, eu nem pareço uma mulher não é?

–N-não é isso Rin, eu lhe respeito. Claro que você parece uma mulher e lhe respeito como mulher, eu nunca lhe faria isso!- ele diz nervoso. – Você é minha amiga, droga.

–Já que é isso que diz...- faço um bico e viro o rosto. – Já que você não planejava fazer nada, por que ainda está segurando minha mão?

–Ah droga, quando isso foi ficar assim? – diz ele assustado soltando minha mão.

Ver essas expressões e reações de Len é muito engraçado. Isso prova que ele não é muito experiente com garotas e que fica nervoso com qualquer situação constrangedora que envolva alguém do sexo oposto.

–Enfim Len, obrigada por impedir minha queda. Mas mesmo assim ainda estou um pouco assustada. – encosto minha cabeça novamente em seu peito.

–Relaxa, está tudo bem agora. – ele acaba por fazer carinho em minha cabeça. Isso me surpreende novamente. Ele estava com o coração acelerado como eu, segurou minha mão, disse que me vê como mulher, ficou todo envergonhado. Imagino se minhas chances estão aumentando.

–Ei cara, me dá outro abraço. – peço ainda com a cabeça baixa.

Talvez o maior motivo dos garotos não me verem como uma garota seja as gírias que eu falo perto deles. Eu tenho vários amigos, e, quando estou com meninos eu falo do jeito deles. Os chamo de “cara”, “mano”, e com Len não é diferente. Mas não é como se isso fosse atrapalhar algo.

–Tudo bem. – diz ele levando seus braços à minha cintura. – você está trêmula.

–Desculpe, talvez ainda seja o susto. Poderia ficar assim até eu me acalmar?

–Não vejo problema.

Eu poderia ficar assim para sempre. Abraços são coisas tão simples, mas com Len são complicados de conseguir. E hoje consegui dois. Quero ficar a maior quantidade de tempo abraçada à ele. De repente, alguns pensamentos me afligem.

Ei Len, se eu lhe pedisse para ser meu...o que aconteceria com a nossa amizade? Se eu lhe beijasse agora, você aceitaria meus sentimentos? Se eu entregasse-lhe meu corpo, você me deixaria tomar o controle do seu?

Isso é impossível. Eu não consigo fazer isso.

Depois de mais ou menos dois minutos inteiros atracada ao corpo de Len, deixo o loiro com meu corpo queimando. Olho para sua face e vejo seu sorriso. Ele está agindo perfeitamente normal. Para mim, é completamente difícil abraça-lo. Mesmo tendo facilidade para abraçar outros rapazes, é diferente com ele. Mas ele é indiferente comigo. Talvez eu seja apenas mais uma garota. Só mais uma amiga.

Ele deve me abraçar como faz com Neru. Ou até com a própria mãe. Isso me deixa um pouco incomodada. Eu quero ser especial para Len, mas eu não consigo dizer o que eu sinto. Sinto-me ridícula.

O mais ridículo de tudo é estar presa em um dilema adolescente. Sempre odiei essas meninas que só pensam em garotos e em namorar, como se não tivessem mais nada na cabeça além de homens. Odeio mais ainda pessoas inseguras de suas ações. O que é irônico, pois, se odeio tanto esse tipo de gente, eu devo me odiar.

Mas a questão não é confessar meus sentimentos. Isso em si não é tão complicado. O maior problema é a minha amizade. Eu valorizo a amizade que tenho com Len. Amizade e amor são coisas distintas que eu consigo diferenciar. Às vezes, essas duas coisas conseguem coexistir em paz, como em meu último relacionamento, mas como não o conheço muito bem, não sei se ele consegue pensar que pode sustentar as duas coisas.

Caso eu acabe confessando meus sentimentos para ele, e ele acabar por corresponde-los, não terei problemas. Mas se for o contrário, eu posso aceitar e fingir que nunca disse nada, afinal, não quero perder sua amizade. Mas será que ele pensa o mesmo? Para falar a verdade, sinto medo de que ele me ache tão estranha e acabe sem falar comigo. Assim eu não vou tê-lo nem como amigo, nem como amante.

E a última coisa que eu quero é perder um amigo em troca de um amor.

O sinal toca e voltamos para a sala de aula. Durante as duas primeiras aulas da tarde, silêncio absoluto de toda a turma. Mas a terceira é novamente biologia. Eu particularmente acho a matéria muito interessante, mas parece que alguém atrás de mim não acha a mesma coisa.

–Ei Rin. O que achou daquela banda? – Len pergunta.

–Achei ótima. O vocalista é um monstro. – digo nervosa com medo da professora nos pegar.

Fico dividida em ouvir a matéria e ouvir Len. Acabo dando continuidade à sua conversa, respondendo todas as suas perguntas. Saímos do tema de música e fomos para todos os temas possíveis imagináveis, menos biologia. Aos poucos fui esquecendo da aula. Em momentos assim, de conversas normais, as vezes esqueço que o quero mais como um amigo. As nossas conversas são tão boas que eu não quero perder isso por nada.

Ao fim da aula, vejo Len sair para conversar com seu primo Rinto na porta da sala. Ainda temos mais duas aulas, mas ele não perde a chance de sair e conversar com o garoto que mais parece seu irmão. Enquanto isso, sua outra prima está sentando-se na cadeira do loiro e olhando fixamente para mim. Eu conheço esse olhar. Ela tem algo na manga.

–Ei Rin, você e Len estão conversando demais! – diz Neru.

–Isso é da sua conta? – pergunto ironicamente.

–Claro que é! – ela responde em histeria. –Sou a representante da sala, esqueceu?

–Ah, é que sua cara de idiota me faz esquecer isso as vezes.

–Idiota é você. – ela diz entre uma risada e outra. – Vou usar da minha influência como representante e mudar os lugares da sala. Assim, talvez, vocês parem de se distrair tanto um com o outro.

–N-Não faça isso Neru...- digo um tanto receosa. Não sei se ela pode realmente fazer isso.

Na nossa escola, os lugares são marcados por sorteios feitos pelos professores em parceria com o concelho estudantil e os representantes de cada sala. Se caso alguém seja transferido, ou tenha algum problema com seu vizinho de carteira, ou pelo fato de ter um problema de visão que o impeça de ver o quadro do lugar em que foi sorteado, ou até mesmo por não poder sentar perto das janelas por causa do sol, o representante de sala pode solicitar a mudança de lugar.

Eu entendo que Neru e Rinto juraram que iam fazer seu primo Len estudar mais e prestar mais atenção nas aulas, mas será que ela seria tão rígida à ponto de nos separar? Não sei se isso daria muito certo, pois Len conversa com qualquer um.

–Ah? Não quer que eu lhe separe do Len? –Neru pergunta ironicamente com um sorriso pervertido traçado em seus lábios. –Não vai me dizer que você está afim dele!

Sinto meu corpo inteiro se aquecer. Ela estava realmente falando sério? Será que ela realmente percebeu que eu gosto dele?

–E-ei, não é nada disso que você está pensando!

–Mas você não quer ser separada dele não é?

–Estou querendo dizer que colocá-lo em outro lugar não vai mudar o fato dele se distrair com outra pessoa. – digo tentando me reestabelecer.

–Então você quer que ele só se distraia com você? –ela provoca enquanto corre ao redor da sala como uma criança. –Acho que vou ter que contar para ele...

–Ei Neru, não faça isso! –grito correndo atrás dela.

–Então você realmente gosta dele, pois se não gostasse, não tinha nada para contar. – grita a loira atrás da mesa dos professores.

Francamente, não sei como alguém tão infantil quanto ela conseguiu tornar-se representante da turma. Ela tem uma inteligência toda jogada fora.

O curto intervalo de cinco minutos entre uma aula e outra vai encurtando-se. E quando faltam apenas dois minutos para acabar, Len entra na sala e dá de cara comigo e Neru discutindo infantilmente.

–Briga de mulher? – pergunta o loiro ironicamente.

–Ah, Len-kun, nossa amiga Rin-chan tem algo para lhe dizer. – Neru sorri.

–O que foi Rin? –Len pergunta.

–Não é nada, é só coisa da cabeça dela, esquece. –digo nervosa.

–Ah então se você não vai dizer, eu digo. –ela dá dois passos à frente para ficar mais perto do garoto e contar meus sentimentos no meu lugar.

Sinto meu coração quase a sair do meu peito. Avanço mais rápido que ela, ficando separada dele por milímetros. Giro um pouco a cabeça para trás e a observo por cima dos ombros.

–Se alguém vai fazer isso, melhor que seja eu.- digo e volto meu rosto para Len.

Devo dizer que Neru ficou surpresa com minha atitude, eu também fiquei. A turma inteira ficou. Parece realmente que estou prestes a fazer algo ridículo. Mas tenho um plano.

Respiro fundo, seguro nos dois ombros de Len, avanço até o seu rosto, indo alguns milímetros para o lado em direção à sua orelha direita e sussurro:

–É melhor você conversar menos, ou vai acabar punido.

–D-de que jeito? – o loiro pergunta no mesmo volume de voz que eu.

–Você quer saber? –sussurro novamente.

–Melhor não.

–Muito bem! –digo sorrindo e separando-me dele.

Neru sabe muito bem que eu não confessei meus sentimentos, mas foi algo ousado que eu não faria alguns dias antes.

Hoje eu o abracei duas vezes e ainda sussurrei para ele... Parece que houve algum tipo de evolução em mim...

A aula segue até o fim normalmente, mas eu continuo com minha felicidade contida por minhas façanhas. Estou contando os minutos para encontrar Miku e contar isso à ela. Mesmo que aos olhos da garota de longos cabelos verdes, simples abraços e sussurros não me levarão à lugar nenhum.

No fim da aula, falo com Teto antes dela partir para o clube de literatura. Com tanto tempo junto à ela, sinto como se ela fosse uma irmã mais nova na qual eu tenho sempre que tomar conta. Após me despedir dela, viro para trás e vejo Len atrapalhado arrumando as coisas em sua pasta. Ele geralmente não demora de sair da sala.

–Está faltando algo? –pergunto.

–Estava verificando isso agora. –ele responde. –Eu queria saber se minha prova estava aqui. Quero exibir para todos.

–Cultive os bons resultados para que eles se multipliquem. Meu pai sempre diz isso. –digo sorrindo e dou alguns tapas em seu ombro partindo em sua frente.

–Ei Rin, você está estranha hoje. –ele diz aproximando-se de mim.

–Só hoje? Pensei que eu sempre fosse assim.

–É que hoje está diferente.

–Deixa pra lá. Te vejo amanhã.

–Até amanhã.

Eu sei que agora Len vai para casa, sentar à frente do computador e jogar até chegar a hora de começar o anime que está acompanhando essa temporada. Depois ele vai tomar um banho e jogar até cansar, depois toca um pouco de baixo. Ele chegou a me contar como é sua rotina quando chega em casa. Sinceramente, eu fico imaginando como ele deve ser em sua residência.

Não devo ficar pensando muito nele, eu tenho minha própria vida e meus afazeres. Estou satisfeita por hoje, mas sei que não é o suficiente. Ainda tenho algo a fazer, algo diário, mas precioso.

Ando até o prédio leste do colégio, onde estão as salas dos clubes e subo até o segundo andar. Com minha guitarra nas costas, levo minha mão esquerda aos lábios como se fizesse uma oração.

Por favor, que não seja difícil hoje!

Entro na sala e vejo que aqueles três são incapazes de fazer algo sem mim. Vê-los de forma tão despreocupada realmente me preocupa. Realmente não parece que eles vão se formar esse ano.

Os três de quem falo, são os que citei anteriormente. Hatsune Miku, minha amiga de longos cabelos verdes. Ela tem uma voz angelical e sabe tocar vários instrumentos. Se algo é certo para ela, eu direi que é a música. Nos conhecemos desde que entrei no fundamental e logo ela tornou-se minha amiga. Vejo-a quase da mesma forma que Teto, mas é mais como se ela fosse uma irmã mais velha que me dá concelhos. Apesar de eu ter que tomar cuidado para que ela não faça besteiras, fora isso ela é minha confidente.

A segunda é Megurine Luka, a presidente do clube. Ela sabe cantar mas prefere não usar sua voz no grupo. Toca teclado por ter aprendido piano na infância e aprendeu violão, logo, é capaz de tocar baixo e guitarra. É popular entre os garotos por sua beleza e delicadeza. Excelente cozinheira e de temperamento calmo, é o pilar que segura o nosso clube. Às vezes, sinto que ela passa uma imagem maternal para todos. Apesar de tê-la conhecido ano passado, já a considero uma amiga e respeito-a bastante como veterana.

Bem, talvez ela seja a única do clube que eu considero como uma veterana.

O terceiro e provavelmente mais problemático é Shion Kaito. Rapaz alto, de cabelos azuis, o baterista do nosso grupo que está sempre usando um cachecol mesmo nos dias mais quentes. Bateria não é a única coisa que sabe tocar, na verdade, são tantos instrumentos que eu já perdi a conta. É famoso na escola por tirar notas boas e ser completamente alheio aos outros. O chamam de “gênio idiota” e eu sinceramente adoro e apoio esse apelido. Conheço Kaito desde meu segundo ano no fundamental e desde o início ele me provoca da maneira mais constrangedora possível. Mas não é como se ele fizesse isso apenas comigo. Creio que sou seu alvo mais frequente pelas minhas reações.

Eu queria odiá-lo. Mas sinto que não posso.

Os três estão espalhados pela sala. Luka está em uma cadeira lendo uma revista de culinária. Miku está jogada no chão com uma partitura na mão enquanto Kaito está sentado literalmente na mesa, lendo um livro com um par de óculos ridículos.

–Ei Bakaito, que porcaria é essa? –pergunto colocando minhas coisas no chão.

–Ah Rin-chan, você chegou! –o azulado diz com o sorriso mais idiota do mundo. –São óculos de descanso.

–Pensei que esse tipo de coisa se usava em casa.

–Bem, meus olhos estão cansados. –ele diz sorrindo.

–Pelo o que eu sei, não é hora de descansar seus olhos.

–Rin parece meio enérgica hoje. –Luka diz de maneira calma.

–A verdade é que estou em histeria. –digo coçando o pescoço enquanto tiro a guitarra de sua proteção.

–Aconteceu algo hoje? –Miku pergunta.

–Eu te conto depois, agora nós temos que ensaiar. –digo afinando o instrumento.

Cada um assume sua posição, Kaito em sua bateria, Luka testa seu baixo, Miku ajusta seu microfone e eu plugo a guitarra no amplificador. Está tudo pronto para mais um dia de ensaio no Clube de Música Popular. Decidimos a primeira música e Kaito começa a contagem para o início com suas baquetas, mas antes que a primeira nota toque, alguém abre a porta.

–Oi lindos meus! –Meiko diz ironicamente entrando na sala.

Meiko é nossa professora de inglês, supervisora do clube e minha prima mais velha. Sim, ela é mais um motivo da minha entrada nesse colégio e nesse grupo. Ao contrário do que pensam, ela é minha prima de primeiro grau, mas é a mais velha da nossa geração. Assim que se formou veio dar aulas nesse colégio, mas tem uma banda como passatempo. Ela achou interessante supervisionar uma banda de colegiais e desde o ano retrasado ela é a nossa supervisora.

–Meiko-neesan... O que faz aqui agora? –pergunto.

–Eu acabei lembrando de uma coisa, tudo bem se vocês não conseguirem um membro novo agora, afinal, o festival cultural é depois das férias de verão. Mas nós não temos apenas o festival cultural para nos preocuparmos. Há o festival do fundador no meio de maio e uma apresentação de clubes antes das férias. Temos que dar o nosso melhor para essas duas épocas. A evolução de vocês será o resultado desse esforço para essas duas apresentações. –diz a morena.

–Obrigada pelas palavras de motivação, Meiko-sensei. –diz Luka. –Estamos bem, prometemos ensaiar bastante.

–Ah esse é o espírito Luka. Mas não é só de ensaios que vocês precisam. Vocês não fizeram nenhuma música nova esse ano ainda. A escola inteira conhece suas músicas.

–Os calouros não. –Miku diz.

–Esqueceu que existem vídeos de suas apresentações passadas? –Meiko nos lembra dos nossos vídeos. –Suas músicas são excelentes, mas precisamos dar uma inovada. Lembrem-se, membros do terceiro ano; esse é o último ano de vocês. Eu sei que vocês querem se sentir nostálgicos com suas músicas antigas, mas é a última oportunidade de vocês de fazerem algo novo nesse colégio. E Rin, também é uma boa oportunidade para você mostrar que pode tomar conta desse clube quando esses três se formarem.

O que Meiko diz é completamente correto. É estranho vê-la agir assim com seus alunos, ela é uma pessoa completamente diferente em casa –apesar de ficar mais solta na sala do clube as vezes- suas palavras nos alcançam como facadas. É certo que Miku, Kaito e Luka vão se formar esse ano e terei que tomar conta disso sozinha, mas não quero pensar nisso no início do ano.

Afinal, eu não quero lembrar de que toda a responsabilidade irá para mim justo no meu último ano.

–Então, você sugere que a gente não ensaie hoje e comece a compor? –pergunto.

–Não, vocês já estão posicionados, estão toquem. Além do mais, uma música não pode ser feita assim do nada. –Meiko diz.

O resto da tarde segue conosco ensaiando até escurecer. Assim, quando percebemos que é quase noite, Meiko resolve nos dar uma carona. Miku e eu moramos na mesma rua e as vezes vamos ou voltamos juntas, mas hoje de carona, era óbvio que voltaríamos juntas.

Quando chegamos na casa de Miku, insisti para Meiko que ficaria lá mais uns quarenta minutos e depois iria para casa. Ao perceber que o carro saíra, eu e Miku adentramos em sua casa em direção à seu quarto.

–Então, o que queria me contar? –ela pergunta.

–Eu consegui...

–O que?

–Abraçar o Len...eu o abracei duas vezes hoje. –digo me sentindo uma idiota.

–Finalmente. –Miku diz entre um longo suspiro. — Como aconteceu?

Conto tudo à Miku. Tudo o que aconteceu hoje. Eu sei que tudo isso parece idiotice, mas não hesito em contar. Ela é minha amiga e eu já contei coisas mais ridículas à ela. Miku não é o tipo de garota tímida que tem medo de garotos. Quando ela se interessa por alguém ela joga limpo, sem criar rodeios em seu caminho. Ela é direta e segura, não pensa duas vezes antes de beijar um rapaz. Também não é o tipo de menina que se apega facilmente à alguém. Ela é do tipo que curte os garotos sem se ferir.

Eu a invejo por isso, queria ser como ela.

Mas sei que sou o completo inverso.

–E eu acho que a Neru percebeu que eu estou gostando dele.

–Bem, isso pode ser um problema. –diz a jovem. –Mas também pode ser um sinal para que você pare de perder tempo com isso.

–“Perder tempo?”

–É Rin, você tem que fazer algo! Já está próxima demais desse cara, tenta alguma coisa!

–Mas eu tenho medo de fazer algo que destrua nossa amizade. E se eu o beijar do nada e ele achar que eu sou estranha ou que eu só me aproximei dele porque estava interessada nele? Eu realmente gosto da nossa relação e não quero estragá-la em troca de algo incerto!

–Está preocupada com a possibilidade dele não querer mais falar com você?

–Isso. Quer dizer, somos tão amigos agora...

–Bem, se você se confessar e algo assim acontecer, então ele não é seu amigo de verdade.

As palavras da garota de cabelos verdes me tocam. Ela está certa. Se nossa amizade é tão profunda, então ele não ficará abalado com isso. Caso contrário, saberei se valeu a pena ou não me aproximar dele, ou até apaixonar-me por ele.

Mas eu só vou saber disso ousando contar para ele como me sinto.

–Acho que está certa. Eu vou encontrar o momento certo para contar para ele. Aí eu vou saber!

–Rin, acho que sei qual é esse momento certo.

Saio da casa de Miku com suas ideias na minha cabeça. Ela sugeriu que eu conte à Len meus sentimentos no festival do fundador.

Será que eu sou capaz?

...

Continua.

Notas finais
Um pequeno recado antes de ir ; para quem não percebeu, o apelido que Rin dá à Kaito é um trocadilho,"Bakaito" misturando o nome dele com a palavra equivalente à idiota no japonês. Quanto aos próximos capítulos, devo postar o terceiro em dois dias e o quarto no final de semana. Como temos um feriado próximo, é capaz que eu adiante alguns capítulos, mas aviso que a frequência não será a mesma pois já estou em aulas e pertoda época de provas, o que deve me levar a postar apenas em finais de semana. Mas não se preocupem, não abandonarei vocês. Mais uma vez, obrigada pelo apoio. Beijos!