My Perfect Sin

7 Capítulo 6 - Feliz Aniversário


Notas iniciais
Eu sei que eu demoreeei... Me desculpem! Eu ando trabalhando de terça à domingo e por conta disso só consigo entrar no pc de noite.

Corina

Finalmente o Halloween havia chego. Era um dos dias preferidos dela, depois do feriado de Natal é claro, afinal também era seu aniversário. Corina achava fascinante o jeito que os trouxas comemoravam aquele dia, e um dia ela esperava que pudesse experimentar pedir doces na casa dos vizinhos e dizer “Doces ou Travessuras?”, mas ela sabia que isso provavelmente não iria acontecer já que pertencer a uma família de bruxos sangue-puro e comemorar o halloween no jeito trouxa eram duas coisas que não se misturavam. Ela nunca comemorou muito o Halloween por conta de seu aniversário ser no mesmo dia. Olhou pela janela do dormitório e se pegou pensando se a água do lago negro era tão fria quanto as paredes do salão comunal sonserino. Provavelmente é bem mais gelado, pensou. Levantou-se da cama se preparou para mais um dia de aula, mas obviamente que pensando no jantar que teriam a noite com uma mesa de doces e guloseimas maravilhosas.

Estava descendo as escadas do dormitório feminino quando avistou no andar de baixo uma cabeleira negra e penteada para trás, sorriu e desceu as escadas correndo para pular em cima do garoto sem nem se importar com os dois outros sonserinos que conversavam com ele.

– Bom dia Reg! –se agarrou no pescoço dele e o puxou para baixo fazendo com que ficasse da altura dela.

O mais novo quase perdeu o equilíbrio com o súbito “mata-leão” da garota, mas rapidamente se recompôs ajeitando suas vestes e saindo do aperto dela.

– Bom dia floco de neve. –ele deu um sorriso mostrando todos os seus dentes brancos e perfeitos. –Seu pai não te deu educação? Não é bonito uma garota sair correndo por ai e agarrar o pescoço de rapazes bem afeiçoados sabia? Acho que vou ter que mandar uma carta para o Sr. Raywind. –brincou sabendo que a garota quase nunca mandava cartas para o pai dela.

– Muito engraçado Reg, estou rolando no chão de rir. –ela soltou uma risada forçada e virou-se para ver com quem o garoto estava conversando. –Puxa vida! Desculpem-me por ter atrapalhado a conversa de vocês... Avery, Mulciber.

Ameline Avery era uma garota magra com longos cabelos castanhos lisos e olhos escuros, normalmente acompanhados de uma frieza natural. Ela era artilheira no time de quadribol assim como Corina. A relação das duas era neutra, no campo as duas se davam bem, fora disso quase não se falavam já que não tinham muito assunto em comum mesmo dividindo o mesmo quarto. Anthony Mulciber também estava no sexto ano e era goleiro no time de quadribol da sonserina. Ele não era tão mais alto que ela como Regulus ou Severus, na verdade ele devia ser um palmo mais alto. Cabelos de um louro escuro, olhos castanhos e sempre uma expressão de descaso estampada no rosto. Ele e Avery andavam sempre juntos, basicamente desde que entraram em Hogwarts eles se tornaram inseparáveis. Algumas pessoas especulavam sobre um possível casório depois de formados, mas Corina sabia que a relação entre os dois era de pura amizade, não precisava ser nenhum gênio pra saber que os dois se tratavam como irmãos.

– Não tem problema Raywind, nós já estávamos de saída. –Avery deu um aceno rápido e saiu para tomar café no Grande Salão.

– Nos falamos hoje a noite Regulus. –Mulciber lançou um olhar sugestivo na direção do mais novo e seguiu Avery para fora do salão comunal.

Corina franziu o cenho estranhando aquele olhar que Mulciber direcionou à Regulus, mas deu de ombros, provavelmente devia ser um assunto particular deles. Voltou sua atenção a Regulus quando um embrulho retangular apareceu em seu campo de visão.

– Feliz aniversário floco de neve. –ele estendeu o embrulho e colocou nas mãos dela.

Ela ficou sem reação por uns segundos, mas a curiosidade gritou mais alto fazendo-a rasgar o embrulho rapidamente. O papel de presente que tinha estampas de flocos de neve mal havia caído no chão quando ela soltou um grito e pulou nos braços do garoto mais novo.

– Eu não acredito que você me comprou isso! –ela soltou-se dele e abraçou o presente. –A edição especial do livro de Criaturas Mágicas! Eles são super difíceis de encontrar, como você conseguiu?!

– Tenho meus contatos. –ele deu de ombros e ofereceu o braço a ela. –Vamos tomar café senhorita? Provavelmente já devem ter algumas corujas esperando você com pacotes de presentes.

– Muito bem meu senhor. Acho que você está corretíssimo! –guardou o novo livro dentro da sua bolsa e enlaçou o seu braço no dele. –Vamos logo porque além de curiosa eu estou faminta!

Os dois riram e se dirigiram até o Grande Salão para o farto café da manhã que os esperava.

Uma coruja negra e de olhos amarelos estava a sua espera na mesa da sonserina. Debaixo das garras havia um grande embrulho nas cores verde e prata. Corina soltou-se de Regulus e correu até o animal que se assustou com a súbita movimentação e quase bicou a mão dela quando viu esta se aproximar. Ela olhou para o lado e viu que Severus estava ali olhando para o embrulho com certa curiosidade. Será que ele esqueceu? Pegou um biscoito de um dos pratos da grande mesa e ofereceu para a coruja que prontamente largou o embrulho e levantou voo, satisfeita com o biscoito que havia ganhado. Corina viu que Regulus havia se sentado de um lado dela e Severus estava no outro, sorriu com a presença de duas pessoas que ela gostava ali ao lado dela no dia do seu aniversário. Nada melhor do que passar um dia especial com pessoas especias! Pensou sem deixar de sentir seu coração se aquecer com isso. Suas mãos foram rapidamente para o embrulho rasgando todo o papel verde e prata sem cerimônia, assim que terminou a tarefa uma cesta repleta de doces comemorativos de Halloween e um cartão surgiu em sua frente. Ela abriu um sorriso e leu o cartão rapidamente antes de levar a cesta para o seu quarto.

Espero que possa comemorar o seu aniversário rodeada de novas amizades minha pequenina. Feliz Aniversário,

Papai.

P.S.: Não vá se entupir de doces e passar mal hein?

Ela apertou o cartão contra o peito como se assim pudesse sentir que estava abraçando o seu pai. Corina não tinha o hábito de mandar muitas cartas para ele, mas isso era porque os dois eram muito parecidos, ambos não tinham costume de escrever cartas para os outros. A verdade era que eles detestavam ter que fazer isso.

O fim das aulas chegou rápido fazendo com que eles tivessem um tempo livre considerável até a hora do jantar. Corina seguia Severus até a biblioteca para que os dois pudessem terminar um texto sobre os efeitos e como era realizado o feitiço do Patronus, na próxima aula eles iriam pratica-lo e isso estava deixando a garota extremamente nervosa, afinal, ela nunca havia realizado tal feitiço. Assim que chegaram na biblioteca os dois procuraram um lugar onde não houvesse muitos alunos para conseguirem se concentrar melhor em seus afazeres. Não havia conversa quando os dois estavam estudando, mas tinha algo incomodando Corina profundamente.

– Você não vai me desejar nada hoje? –disse em um tom baixo e impaciente balançando a pena entre os dedos.

– Eu deveria te desejar algo? –ele levantou os olhos e a encarou confuso.

– Ora essa Severus! É o meu aniversário! –sua voz saiu mais alta do que pretendia resultando em Madame Pince lançando um olhar mortal em direção em sua direção. –Francamente, eu venho dizendo isso pra você já faz uma semana! Tudo isso pra que você não se esquecesse...

– Ahn... Sinto muito, eu acho. Não vejo porque o meu “Feliz Aniversário” faria alguma diferença. –ele deu de ombros e voltou ao seu texto.

– É claro que faria diferença! Você é o meu amigo, e eu quero passar o meu aniversário rodeado por pessoas importantes pra mim. –bufou irritada com o fato dele achar que ele não era importante pra ela.

Corina observou enquanto ele levantava os olhos do texto e olhava pra ela com uma expressão que tinha um misto de curiosidade e satisfação. Provavelmente ele não esperava ser importante pra alguém.

– Eu não preciso de presente ok? Só preciso que você venha até a torre de astronomia comigo depois do jantar. O que acha? –perguntou enquanto enrolava uma mexa de seu cabelo branco nos dedos.

– E qual seria o objetivo disso? –ele franziu o cenho e arqueou uma sobrancelha. Corina sabia que ele não gostava de não saber de todos os detalhes de qualquer coisa que ele estivesse envolvido.

– Isso é surpresa! Eu sei que você não gosta, mas o aniversário é meu e sou eu quem dita as regras!

Convencido ele deu de ombros e a conversa se encerrou. Não demorou muito para que os dois terminassem a lição e se dirigissem para o salão comunal da Sonserina a fim de guardarem seus pertences e irem para o Grande Salão. O jantar não demorou muito já que Corina estava ansiosa para o “encontro” entre ela e Severus na torre de astronomia, e acabou não comendo quase nada. Ela combinou deles se encontrarem já na torre, afinal, teria que esperar suas colegas de quarto dormirem para se esgueirar para fora do salão comunal, por conta disso antes das garotas chegarem ela procurou já ficar arrumada. Escolheu um vestido preto com gola Peter Pan branca e um par de botas também na cor preta. Terminou de se vestir e deitou-se na cama deixando a coberta chegar até a sua orelha, assim ninguém veria que ela estava arrumada.

Severus

Ele virava a caixinha em suas mãos de um lado pro outro. Estava impaciente. E se ela não gostar? E se... Balançou a cabeça tentando afastar esses pensamentos, respirou fundo e apoiou-se no parapeito da torre, admirando a paisagem noturna do lago negro. Ele já estava ali havia um tempo, afinal, não precisava dar satisfação de onde ia para seus colegas de quarto. Uma hora havia se passado quando a porta da torre se abriu e uma Corina ofegante passou por ela. No exato momento que Seveus pôs os olhos nela se perguntou qual a necessidade dela ficar tão bonita para se encontrar com ele, mas se deu conta de que ela estava sempre assim, estonteante.

– Desculpe a demora Severus, eu tive que esperar as meninas dormirem pra vir. –ela deu um sorriso descontraído e passou as mãos pelo cabelo na tentativa de deixa-lo menos armado.

Se ela soubesse o quanto ele tinha aprendido a gostar desse estado constante do cabelo dela, sempre armado, rebelde, mas ao mesmo tempo maravilhoso assim como ela. Tudo era muito confuso na cabeça dele, ela dizia que Lily era a garota que ia sempre tomar os seus sonhos, era ela quem ele iria sempre amar, mas então por que na noite passada ele sonhou com Corina e não Lily? Por que o coração dele quase saltava pela boca quando ela ficava a centímetros dele? E por que raios ele não conseguia tirar de sua cabeça à noite em que ela deitou no seu colo? Eram tantas perguntas sem resposta que isso o deixava frustrado a ponto de questionar sua sanidade mental. Obviamente que ele tinha que admitir que sentia algo por Corina, mas jamais iria dizer isso a ela, porque era mais do que claro em sua cabeça que ela nunca iria corresponder essa pequena centelha de sentimento que começava a crescer dentro dele. Ou será que iria? Pensou.

– O que é isso que você tem ai? –ela apontou para a caixa que ele tinha em suas mãos.

– Ahn... Bom, isso é pra você. Não é nada muito caro, mas eu achei que combinaria com o seu... Estilo, eu acho. É feito por trouxas, mas é bem bonito. –ficou desconcertado. Não gostava de nada que viesse dos trouxas, mas aquele presente combinava tão bem com ela. Nunca havia dado um presente desse tipo para alguém. Na verdade só havia dado presentes para Lily e normalmente esses eram livros.

Ele viu pelo canto do olho ela abrir a pequena caixinha entusiasmada e tirar de lá de dentro um colar que tinha como pingente um delicado floco de neve prateado. O silêncio se instalou por alguns segundos até que ele sentiu dois braços envolverem o seu pescoço em um “abraço” apertado. Sentiu-se sufocado, mas o calor do corpo dela no seu o fez esquecer-se de sua aversão a contato físico desnecessário.

– Severus esse é o presente mais lindo que eu já ganhei em toda minha vida! –ela disse ainda abraçada nele com o rosto enterrado na curva do seu pescoço. Sentiu um arrepio com o mexer dos lábios dela em sua pele.

Os dois se afastaram e ela pediu para que ele coloca-se o colar nela. Um pouco desajeitado ele pegou o delicado colar de suas mãos e postou-se atrás dela para que pudesse colocar o colar em volta de seu pescoço. Assim que ele o fez ela virou-se de supetão fazendo com que ele desse dois passos para trás. Ela tinha um sorriso travesso nos lábios.

– Então quer dizer que você não sabia do meu aniversário? E que não gosta de surpresas? –ela riu e o cutucou nas costelas fazendo-o se esquivar.

– Você me falou tanto desse dia que seria impossível que eu não me lembrasse. –disse em um tom despreocupado. –E eu não gosto que façam surpresas comigo, já o fato de eu fazer com os outros é algo completamente diferente. –deu de ombros e se apoiou novamente no parapeito da torre sendo seguido por ela.

– Vivendo e aprendendo com você Severus. –ela soltou uma risadinha e apoiou a cabeça no ombro dele enquanto os dois admiravam a paisagem noturna.

Ficaram assim em silêncio por um bom tempo até que Corina deu um bocejo e decidiram voltar para o salão comunal. Foram o caminho inteiro em silêncio enquanto ela mexia distraidamente no pingente e ele apenas a admirava pelo canto do olho. Ela se despediu dele com um sussurro e subiu as escadas para o dormitório feminino. Antes que pudesse subir a escada para o seu dormitório ele sentiu uma presença atrás de si e virou-se com a variha já em riste.

– Abaixa essa varinha ou vai acabar furando o meu olho Snape. –disse seco e sem emoção alguma.

– Mulciber? Por que está aqui? –abaixou a varinha, mas não guardou.

O loiro deu um sorriso de lado e começou a rondar Snape como uma pantera cercando a presa.

– Fiquei curioso pra saber o que você ia fazer depois do toque de recolher pela escola. O encontro foi bom? –perguntou com um tom de humor na voz.

– Não foi um encontro. –sibilou. –E mesmo se fosse isso não seria da sua conta!

– Não, não seria mesmo. –o garoto pareceu pensar por um minuto enquanto olhava para ele com certa curiosidade. –Nós temos um compromisso no feriado de natal Snape. Você não vai dar pra trás só por causa da namoradinha protetora de sangue-ruins né?

– É claro que eu não vou! E ela não é minha namorada! –foi só então que se deu conta do que ele havia chamado ela. –Protetora de sangue-ruins? –ele sabia que Mulciber se referia a Corina ter protegido a amiga nascida-trouxa e esse ter sido o motivo de sua expulsão, mas como ele sabia disso?

– Não se faça de desentendido porque eu tenho quase certeza que ela te contou o motivo da expulsão dela de Beauxbatons. –disse por fim. –Como eu sei disso? Acho que isso não te interessa Snape. –deu um sorriso irônico.

– A conversa está ótima Mulciber, mas eu vou dormir, se me der licença...

– Se planeja ficar com essa garota eu sugiro que traga ela para o nosso lado. –disse entredentes. –Afinal, você não vai querer ver o belo corpinho da sua amiguinha traidora do sangue descansando em uma cova não é mesmo? –arqueou uma sobrancelha e lançou um olhar sugestivo na direção dele.

Dito isso ele virou as costas e subiu para o dormitório, deixando um Severus sem reação para trás.