My Perfect Sin
4 Capítulo 3 - Expulsa?
Notas iniciais
Severus
Já fazia um mês que o semestre havia começado, e consequentemente, um mês sendo acompanhado o tempo inteiro por Corina. Depois do ocorrido com os marotos logo no segundo dia de aula, infelizmente a garota acabou pegando detenção assim como o grupo de baderneiros. Uma semana de detenção e quinze pontos a menos pra Sonserina. Aparentemente nem a detenção parecia tirar o sorriso de Corina do rosto, até porque depois disso ela fez um teste e entrou para o time de Quadribol de sua casa como Artilheira.
Severus havia descoberto muitas coisas a respeito da garota cheia de sorrisos nesse um mês que já estava andando junto dela. Ela aparentemente, e estranhamente, era estupidamente simpática e amigável somente com ele. Uma ótima artilheira no quadribol, e quando se tratava do jogo ela virara outra pessoa, uma que não tinha um terço do bom humor de sempre. Suas matérias favoritas eram Poções e Trato de Criaturas Mágicas. Falava com seu gato, um maine coon preto e cinza gigantesco, quando ninguém estava olhando. Detestava Sirius Black desde o dia da gosma verde e da detenção. E era a única pessoa que parecia gostar da aparência dele, ela descreveu como sombria, mas de um jeito bom.
Ele mordicava um biscoito salgado no café da manhã quando as corujas começaram a chegar entregando cartas, exemplares do Profeta Diário e alguns pacotes aqui e ali. Severus não havia recebido nada. Não que ele não estivesse acostumado com isso é claro. Ele olhou em volta e constatou que Corina ainda não havia descido para o café. Preguiçosa.
Depois de alguns minutos o burburinho começou. Várias pessoas cochichando umas com as outras e algumas não sendo nem um pouco discretas falando coisas como “Eu já desconfiava que ela não fosse coisa boa.” “Típico de alguém que caiu na Sonserina”. Severus não sabia o que estava acontecendo, então olhou para as pessoas da sua casa e algumas estavam lendo o jornal, mas nenhuma delas parecia se importar com o que tinha sido publicado. Ele olhou pro lado e um garoto do primeiro ano estava com um exemplar nas mãos. Rapidamente ele puxou o jornal das mãos do garoto que protestou de imediato mas se calou ao receber um olhar frio do aluno mais velho. Seus olhos passaram rapidamente por todas as colunas até que achou o motivo do alvoroço. Era uma coluna escrita por Rita Skeeter.
Diretor de Hogwarts bom samaritano ou irresponsável?
Por Rita Skeeter.
“Aparentemente o bom e conhecido diretor de Hogwarts, Albus Dumbledore, tem tomado algumas decisões erradas. No começo desse semestre a escola de Magia e Bruxaria recebeu uma aluna transferida da escola francesa Beauxbatons. Acontece que a aluna em si não foi transferida, mas sim expulsa! Chocante não é mesmo? Os motivos da expulsão permanecem muito bem escondidos nas barbas de Dumbledore e pela diretora Maxime que tenta abafar o caso. O que conseguimos até o momento foi a informação que uma garota e um garoto da mesma escola que ela frequentava ficaram cerca de uma semana internados. Corina Raywind é o nome da nossa pequena criadora de problemas. Vinda de uma família inteiramente puro-sangue e segundo fontes confiáveis, de bruxos com uma aptidão perigosa para as artes das trevas, já era de se esperar que ela fosse um problema. Aparentemente Dumbledore acha sensato deixar uma garota tão problemática perto de alunos que não tem nada haver com isso. Agora a pergunta que persiste é se o bom diretor teve pena da garota e das súplicas de seu pai, ou se ele começou a caducar de vez e essa seja a primeira de muitas outras péssimas escolhas que o diretor fará?!”
Severus abaixou o jornal e olhou em volta. Todos estavam encarando a entrada do Grande Salão. Seguiu os olhares e viu Corina se aproximar lentamente com uma expressão de cansaço na cara. Ela pareceu não perceber que todos os olhares estavam nela.
– Eu não devia ter ficado lendo até tarde ontem. –ela bocejou graciosamente e se sentou ao lado de Severus. –O que foi? –ela franziu o cenho ao perceber que ele olhava pra ela de um jeito estranho.
Ele limitou-se a estender o jornal e apontar para a coluna de baboseira de Rita.
– Mas o que... –as palavras morreram em seus lábios enquanto ela olhava para a página.
Contraiu seu maxilar enquanto esperava uma reação dela. Que nunca veio. Ela terminou de ler e colocou o jornal de lado para se servir de um pedaço de bolo de milho. Algumas pessoas ainda cochichavam, mas isso não pareceu incomodar a garota de jeito nenhum. Pelo contrário. Ela parecia mais despreocupada do que nunca. Certamente ela não se importava com o que outros falavam dela.
– Vamos Severus. Nós temos aula agora. –a voz dela estava estranha.
Deu de ombros e a seguiu para a primeira aula do dia que seria História da Magia. Assim que chegaram na sala ele viu os olhares desconfiados os seguirem até a frente da sala onde eles se sentaram. Não demorou muito e o resto dos alunos já haviam tomado os lugares restantes. Pelo canto do olho ele viu que na sua esquerda estava sentada Marlene Mckinnon e ao lado dela Lily. Cerrou os punhos com força sentido as unhas quase cravarem em sua pele. Ele não entendia porque não conseguia tira-la da cabeça. Já fazia um mês desde que os dois haviam “conversado”, e ela deixou bem claro que não o queria ver nem se ele estivesse pintado de ouro.
Sentiu alguém cutucar o seu ombro e olhou para a sua direita encontrando um par de olhos cor de safira que o encaravam com certa preocupação. Ela apontou para as mão deles e levantou as sobrancelhas questionando. Severus deu de ombros e disse pra ela não se preocupar que não era nada.
A aula não demorou pra começar. Quase no final Severus viu um bilhete pousar em sua carteira. Ele tomou cuidado para que o Prof. Binns não o visse e abriu o pedaço de papel por debaixo da mesa.
“Conhece algum lugar bem quieto? Se sim, pode me levar até lá na hora do intervalo? Ass: Corina”.
Ele olhou pra sua direita e balançou a cabeça em sinal de positivo. Pra que ela precisa de um lugar quieto?
Assim que a aula de Transfiguração acabou Severus guiou Corina até o único lugar reservado o suficiente que ele conhecia em Hogwarts, pelo menos no período da manhã até a tarde. Eles subiram por uma escada até chegar na Torre de Astronomia. Ele olhava curioso para a garota que não estava com o seu bom humor em cem por cento. Ela apoiou os cotovelos no parapeito da torre e ficou ali admirando a bela vista do local.
– Me desculpe por não ter te falado que eu fui expulsa de Beauxbatons. –ela falou tão baixo que Severus achou que estivesse talvez falando com ela mesma.
– Não tem problema. –ele deu de ombros e encostou-se ao parapeito da torre ao lado dela. –A vida é sua e você faz o que quiser com ela. Não precisa me contar tudo que aconteceu na sua vida até agora, até porque eu não te contei nada da minha.
– Obrigada. –ela deu um sorriso fraco em direção a ele. –Não é todo mundo que conseguiria compreender. –o vento bateu forte e fez com que as ondas volumosas do seu cabelo ficassem mais bagunçadas ainda. –Às vezes eu acho que se eu não contar pra ninguém que eu fui expulsa, vai parecer que nunca aconteceu.
Ela passou as mãos nervosamente pelas ondas esbranquiçadas e deixou um suspiro cansado escapar de seus lábios. Severus sabia que ela estava triste por ter mudado de escola. Não precisava ser nenhum gênio pra descobrir isso.
– Sabe... Você não precisa se preocupar tanto com isso. –ele encarou aquele par de olhos cor de safira. –É só uma coluna da Skeeter. Todo mundo sabe que ela só fala um monte de baboseira. Logo ninguém vai mais tocar no assunto.
– Quer saber o que eu realmente fiz pra ser expulsa?
Na verdade ele queria muito saber como uma garota que emanava delicadeza fora expulsa.
– Não obrigado. –deu de ombros. –Isso é algo pessoal seu. Não tenho o direito de querer saber nada.
– Somos amigos Severus. Você tem todo o direito do mundo. –ela deu uma piscadela e ele sentiu seu rosto esquentar.
– Tá que seja. –nesse momento ele desejava do fundo de sua alma que ela não tivesse o visto corar. –Se você acha que é melhor assim...
– Bem, eu tenho uma amiga, na verdade ela é minha melhor amiga, seu nome é Elizabeth. Desde o nosso primeiro ano uma garota chamada Madelaine, de outra casa, sempre implicou com a minha amiga por conta dela ser uma nascida-trouxa. Essa garota sempre escondia os pertences da Lizzie, isso quando ela não trocava os horários de aula dela e fazia com que a minha amiga passasse vergonha na frente dos alunos e professores. Mas isso foi só até o terceiro ano, depois do quarto em diante começaram a vir as azarações, e elas eram umas piores que as outras. Eu tentava intervir ou contra atacar com mais azarações, mas sempre a Lizzie me impedia. Até que no ano passado, no anual baile de natal a Lizzie foi convidada por um garoto que ela gostava desde o segundo ano. –ele viu ela cerrar os punhos ao se lembrar do ocorrido. –Só que esse garoto nunca havia falado com ela, e o pior, eu sabia que ele já havia saído com a Madelaine. Eu tentei avisar a Lizzie que era uma armação, mas ela ficou irritada comigo e disse que eu estava com inveja porque ela tinha um par e eu não. Obviamente nós brigamos naquela noite e eu resolvi deixar ela sozinha pra que ela aprendesse uma lição. Acabei indo sozinha ao baile, eu tinha recebido alguns convites, mas nenhum que me interessasse. Foi bem na hora que eu cheguei que tudo aconteceu. Estranhamente Lizzie achou normal o garoto pedir pra ela se encontrar com ele no meio do salão do baile, e bem, quando ela chegou ele estava aos beijos com a Madelaine. A Lizzie ficou chocada e foi tirar satisfação, e o que aconteceu depois foi pior do que eu poderia imaginar. O garoto disse que ela devia estar louca se achava que um cara como ele ia se interessar por uma... –ela puxou o ar tentando tomar coragem. –Sangue-ruim como ela. E alguns segundos depois, antes mesmo que ela pudesse dizer qualquer coisa, um balde de estrume de cavalo caiu na cabeça da Lizzie e todo mundo no salão começou a rir. Foi cruel, baixo e a pior coisa que eles já haviam feito. Eu não me aguentei. Empurrei todos que estavam envolta e estuporei o garoto que bateu a cabeça em uma mesa e desmaiou na mesma hora. Já a Madelaine... Bem, eu lancei um Crucio nela e só parei quando dois professores me seguraram. –ela olhou pra ele e deu uma risada nervosa. –Depois disso a diretora Maxime não pode fazer nada além de me expulsar, mas antes de fazer isso ela mandou uma carta pra Dumbledore explicando toda a situação. Sinceramente eu fiquei surpresa quando ele respondeu que eu poderia começar as aulas no próximo ano.
Severus tentava absorver toda aquela história. Tudo o que Skeeter havia dito em sua coluna era verdade, mas por mais que fosse, ele não conseguia sentir nada além da afinidade que ele já tinha com a garota crescer um pouco mais. Ela não era uma flor delicada como Lily, mas sim uma garota que era leal ao seus amigos e faria de tudo pra proteger aqueles a sua volta.
– E sinceramente, quando eu vi aquele bando de grifinórios imbecis tacarem um balde de gosma em cima de você eu tive que me segurar pra não mandá-los para o inferno! –ela soltou um suspiro cansado. –Eu estou exausta desse bando de gente que acha que é melhor que o outro.
Ele sorriu.
– Você... Severus, você acabou de sorrir pra mim? –ela perguntou estupefata.
Mais do que rapidamente ele fechou a cara.
– Não, você está imaginando coisas.
Ela deu uma risada sapeca e se aproximou dele sorrateiramente.
– Sabe, você fica bem melhor quando sorri. Devia fazer isso com mais frequência. –ela cutucou o braço dele tentando provoca-lo. –Mas é claro que só pra mim. Afinal, eu não quero um bando de gente intrometida perto de você.
– Você diz isso como se fosse algo além de ser minha “amiga”. –ele disse a última palavra cerrando os dentes já que não considerava a garota sua amiga, apenas gostava da companhia dela.
– Ainda não sou, mas vou ser. –ela piscou pra ele. –Você só não acredita nisso ainda.
Aquela garota ia levar ele a loucura e isso era mais do que óbvio. Bufou cansado das brincadeiras de “sedução” dela e se virou pra ir embora.
– Ei espera! –ela correu atrás dele e puxou a manga do seu suéter. –Quer ir pra Hogsmeade comigo esse fim de semana?
– Eu não vou pra Hogsmeade nos fins de semana. –disse sem uma pitada de humor na voz.
– Ué... Por quê? –perguntou curiosa.
– Porque eu não gosto, simples assim! –tentou ser o mais rude possível, talvez assim ela parasse.
– Tá certo... Acho que vou ter que ir com o Regulus então. –ela deu de ombros como se ele ter rejeitado ela não fosse nada.
Sentiu um embrulho no estômago e seu sangue ferver.
– Com quem? –sua voz saiu mais irritada do que esperava.
– Com o Regulus. –ela olhou pra ele curiosa. –Você sabe... O mais novo dos Black. Ele me convidou ontem à noite depois do jantar, mas eu disse que talvez eu fosse com outra pessoa. Fiquei de dar uma resposta pra ele hoje depois das aulas.
– Então pode falar pra ele que sua resposta é sim. –esperou que seu tom de voz tivesse saído o mais despreocupado possível.
– Ok. Pode deixar que eu vou dizer. –disse entredentes.
– Ok.
– Ok.
Os dois ficaram se encarando por alguns minutos até que Severus deu as costas pra ela e foi embora da torre, enquanto ela continuou ali esperando até que não pudesse mais ouvir os passos dele para ir pra próxima aula.
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