My Perfect Sin
5 Capítulo 4 - Ida a Hogsmeade
Notas iniciais
Corina
Deu uma última olhada no espelho antes de descer para se encontrar com Regulus no salão comunal. Ajeitou o cabelo o máximo que pôde, mas era uma tarefa quase que perdida já que ele estava sempre no modo juba descontrolada. Suspirou pesado e desceu as escadas do dormitório feminino. Olhou em volta a procura de Regulus e nem sequer a sombra dele estava ali, seus olhos passearam pelo salão e ela deixou uma risada travessa atravessar os seus lábios. Severus estava sentado em uma das poltronas que ficavam perto da lareira, extremamente concentrado enquanto lia um livro nem percebeu a aproximação da garota. Corina chegou bem de mansinho por de trás da poltrona e espiou por cima do ombro do garoto o livro que ele estava lendo. Arte das Trevas?
Deu de ombros. Resolveu que seria melhor descobrir isso mais tarde, então puxou todo o ar que seu pulmão conseguiu e deu o grito mais alto que conseguiu.
– MAS QUE PORRA! QUEM FOI QUE... –parou no meio da frase quando virou-se pra trás e encarou estupefato a garota que gargalhava a sua frente.
– Ai minha nossa... Desculpe-me Severus, mas eu não aguentei quando vi você ai tão concentrado. –ela limpou uma lágrima que começara a escorrer de tanto rir de seu rosto enquanto olhava pra ele com uma expressão divertida.
– Acho que só teve graça pra você isso Corina. –ele aproximou-se perigosamente como um gato pra perto dela. –Nunca.Mais.Faça.Isso. Entendeu? –disse entredentes.
– Credo Severus, foi só uma brincadeirinha boba. –ela fez um bico de manha esperando que isso fizesse ele amolecer.
Dito e feito.
Ele passou uma mão nervosamente pelos cabelos oleosos e deu um suspiro cansado.
– Tá que seja. Você não devia estar indo pra Hogsmeade com o Black? –perguntou em um tom que Corina não conseguia distinguir se era raiva ou desgosto.
– Eu vou sim! Só estou esperando ele descer, já que aparentemente eu fiquei pronta antes dele.
O rapaz a sua frente balançou a cabeça milimetricamente pra cima e pra baixo como que mostrando que tinha compreendido. Ela queria muito que ele desistisse de ficar sozinho e fosse com ela, mas isso não iria acontecer e Corina tentava se conformar. Mesmo que ela se lembrasse de ter dito pra Hannah que ela tinha uma queda por caras misteriosos ou sombrios, assim mesmo ela não conseguia entender a fascinação que ela tinha por Severus. Eles eram bons amigos, é claro que Severus não admitia isso, mas ela sabia que ele gostava de tê-la por perto.
– Quer que eu compre algo pra você em Hogsmeade? –perguntou esperançosa.
– Não.
Seco e monossilábico, ótimo; pensou.
Ele sentou-se na poltrona novamente e voltou a sua leitura, mas assim que Corina sentou-se no braço da móvel de couro preto ele rapidamente fechou o livro.
– O que foi? –disse impaciente.
– Nada, só estou passando o tempo. –ela sorriu e balançou as pernas pra frente e pra trás e passou a encarar ele com um olhar curioso. –Você usa muito condicionador...
– Como é que é? –fez uma careta para o comentário dela. –Não, eu não uso muito condicionador. –disse por fim e virou a cara.
– É claro que usa, se não usasse a única outra explicação pro seu cabelo oleoso seria por causa de alguém da sua família. –Corina deus de ombros e segurou uma mecha do cabelo dele entre os dedos. –Mas eu acho que deve ser o condicionador, seu cabelo é bem macio e tem um cheiro bom.
Corina olhou pra ele e pode notar pela primeira vez o rosto de Severus ficar vermelho como um tomate. Deu uma risada de leve enquanto ainda segurava a mecha de cabelo. Como que recobrando a consciência Severus segurou forte o pulso dela fazendo com que Corina desse um gritinho de surpresa.
– O que pensa que está fazendo? –disse ríspido.
– Fazendo o papel de amiga conselheira. –ela puxou o braço desvencilhando-se do aperto dele. –Não é óbvio?
Severus grunhiu e virou o rosto novamente.
– O mini Black parece gostar de você...
Mini Black? Ai minha nossa, ele acabou de fazer uma piada?
– Ele é legal, conversamos bastante durante os treinos de quadribol, mas pra sua informação eu estou ajudando ele com uma garota da Lufa-Lufa que ele está interessado. –ela cutucou nas costelas com o cotovelo. –Então não adianta fazer conclusões precipitadas.
– Ah... Entendi. –Corina não sabia ao certo, mas ele pareceu aliviado ao dizer isso.
O silêncio instalou-se até que os dois ouviram passos descendo as escadas de um dos dormitórios. Os dois levantaram o olhar e viram Regulus já parado na frente deles.
– Desculpa a demora Corina. –o garoto mais novo disse completamente envergonhado. –Sou pior do que você mulheres quando se trata de demorar no banho. –riu nervoso.
– Relaxa Reg, não tem problema. –ela deu de ombros. –Eu fiquei aqui conversando com o Severus enquanto esperava.
– Ah tá certo. –finalmente os olhos do garoto pousaram no rapaz mais velho sentado na poltrona. –Bom dia Snape. –disse seco.
– Bom dia Black.
Mais ríspido impossível; pensou ela.
Depois do estranho cumprimento entre os dois, Corina mais do que rapidamente pulou do braço da poltrona e empurrou Regulus pra fora do salão comunal com a desculpa que os dois iriam se atrasar. Isso não deixava de ser uma verdade, já que eles eram os únicos que faltavam e a professora McGonnagall já estava impaciente esperando pelos dois sonserinos.
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Não demorou muito para as carruagens pararem. Regulus ajudou Corina a descer e foram andando um ao lado do outro conversando e decidindo em qual loja iriam primeiro. Não estava tanto frio assim, mas Corina tinha vestido um casaco maior do que ela no caso de esfriar mais. Era a primeira vez que ela via um vilarejo como Hogsmeade, afinal, não tinha nada parecido como aquele lugar no sul da França. Ela inspirou o ar um pouco gelado e abriu um sorriso.
– Já decidi! –ela olhou desafiadora na direção do garoto ao seu lado. –Vamos parar primeiro na Dedos de Mel e comprar uma caixa de feijõezinhos de todos os sabores! E aquele que conseguir comer mais paga uma rodada de cerveja amanteigada! –viu o garoto fazer uma careta. –O que foi Reg? Com medo de perder pra uma garota? –provocou sabendo que ele não ia deixar passar essa.
Ele soltou uma sonora gargalhada e jogou a cabeça pra trás.
– Até parecer que eu vou ter medo de fazer uma apostar com você Corina. –ele estendeu a mão pra ela que prontamente pegou e apertou. –Então estamos resolvidos! Próxima parada, Dedos de Mel!
Os dois adolescentes foram correndo para a loja de doces, compraram uma caixa de feijõezinhos e mais duas garrafas de suco de abóbora. Saíram pra fora do estabelecimento e se encostaram à parede perto da porta do mesmo. Corina enfiou a mão dentro da sua caixa e tirou um feijãozinho branco com algumas pintinhas amarelas. Engoliu em seco.
– Vamos lá Corina. –encorajou Regulus. –Me mostre que você aguenta um feijão com provavelmente um gosto horrível. –deu uma risada antes de olhar pra ela com uma cara travessa.
– Engraçadinho. –franziu o cenho e encarou o doce entre os dedos. –Vamos lá então...
Ela jogou o feijãozinho na boca e assim que mordeu sentiu o pior sabor de toda sua vida, seus olhos lacrimejaram de tão ruim e ela sentiu que fosse vomitar, mas mesmo assim engoliu o doce e tomou um generoso gole da sua garrafa de suco.
– Credo, você fez umas caretas horríveis. –zombou. –De que sabor era esse?
– Cera de ouvido. –sentiu um calafrio percorrer sua espinha só de lembrar o gosto. –Anotação mental pra que eu nunca mais coma um desses. Ok, agora é a sua vez Reg!
O garoto enfiou a mão na caixa e tirou um vermelho de dentro. Corina olhou esperançosa que o gosto fosse pior que o dela, mas infelizmente não era. Após mastigar o doce, Regulus riu da cara de descontentamento que a garota fazia a sua frente.
– Não é justo! –disse indignada. –Por que você teve que pegar o quer tinha um sabor bom?
– Só pra constar, era de cereja. –vangloriou-se. –Mas vamos continuar, ainda temos uma caixa inteira pra devorar certo?
A garota assentiu e os dois continuaram na brincadeira até que Corina cuspiu um feijãozinho que tinha gosto de vômito na lata de lixo mais próxima. Ela virou-se pra trás e viu Regulus com um sorriso triunfante no rosto.
– Parece que alguém está me devendo uma rodada de cerveja amanteigada. –disse em um tom sedutor que Corina sabia que na verdade ele estava zombando dela.
– Promessa é dívida, certo? Anda logo e vamos lá te pagar essa cerveja. –encaixou o braço dela com o dele e foram para a próxima parada.
Assim que entraram no Três Vassouras um ar quente tomou conta deles. Corina tirou o casaco enorme e o amarrou na cintura, Regulus retirou a toca de sua cabeça e guardou-a no bolo de trás do seu jeans. Pelo canto do olho Corina observou enquanto o garoto tentava arrumar os cabelos negros desgrenhados. Ele e Sirius eram muito parecidos, ambos tinham a pele branca, mas com as bochechas rosadas dando um ar de saudável aos dois, cabelos negros e olhos de um cinza tempestuoso. Era engraçado como eles eram tão parecidos e ainda assim tão diferentes um do outro.
Regulus a retirou de seus devaneios ao apontar para uma mesa mais ao fundo do local. Os dois se sentaram e Corina pediu para a atendente do estabelecimento trazer duas canecas de cerveja para os dois. O garoto ficou pensativo por um momento e olhou diretamente nos olhos azuis safira da garota a sua frente.
– Você e o Snape parecem se dar muito bem. –ele abriu um sorriso. –Me conta, qual foi o feitiço que você usou pra fazer um cara como ele ser tão gentil assim com alguém?
– Ah... Eu sei lá. Afeiçoei-me rápido a ele. –deu de ombros. –O Severus não é o tipo de cara que é fácil de fazer amizade. Ele é muito fechado. Parece até que se existisse um feitiço que impedisse de alguém chegar perto dele com toda a certeza ele o faria. Eu o considero como um bom amigo, mas em um mês não dá pra conhecer tão bem uma pessoa certo? -ela deu um sorriso fraco e abaixou a cabeça. –As vezes eu tenho a impressão que ele nem escuto o que eu falo, principalmente quando estamos em uma aula junto com a Grifinória.
Corina levantou a cabeça e viu Regulus franzir o cenho pra ela.
– O que foi?
– Acho que o seu problema quanto a isso tem um nome. –ele ponderou por um momento antes de falar. –E se chama Lílian Evans.
– Evans? –ela arqueou uma das sobrancelhas não entendendo. –O que tem a grifinória “olhem pra mim eu sou incrível e tão boazinha”? –ela sabia que seu tom tinha sido de desgosto, mas não se importou de mostrar isso pro garoto a sua frente.
– Olha só, parece que você já tem uma certa inimizade com a Evans. –sorriu de ponta a ponta. –Fico imaginando como vai reagir com o que eu vou te contar.
Os dois ficaram se encarando por um momento até que o contato visual foi quebrado com a chegada das cervejas. Corina agradeceu e levou a sua caneca até os lábios ingerindo um generoso gole da bebida. Ela soltou um suspiro e levantou o olhar e viu Regulus ainda encarando-a com uma expressão indecifrável no rosto.
– Quer mesmo saber? –perguntou.
Assentiu com a cabeça e esperou o garoto tomar um gole da bebida antes de falar.
– Acontece que o seu problema é a Evans por ela ser a paixonite aguda e platônica do Snape. –ele encarou a garota que estava nesse momento com a boca um pouco aberta em estado de choque.
– Mas, como... Como isso aconteceu?
– Os dois eram melhores amigos. Amigos de infância. –acrescentou. –Só que no ano passado o Snape a chamou de um nome que muitos nascidos-trouxas não apreciam muito.
– Sangue-ruim. –constatou rapidamente.
– Exato. –ele sorriu pra ela. –Depois disso eles nunca mais se falaram. É claro que ele tentou, e tenta, voltar a falar com a Evans, mas ela não parece estar muito afim de ceder. –deu de ombros e tomou mais um gole da cerveja. –Eu particularmente acho que ele devia esquecer a garota, mas pelo jeito isso não vai ser uma tarefa fácil. Então ai eu te pergunto Corina... Você estaria disposta a tentar quebrar as barreiras do Snape e tirar a Evans da cabeça dele?
– O- O que disse? –ela arregalou os olhos surpresa.
– Você ouviu bem e eu não vou repetir de novo. Não estou dizendo pra você tentar ser a namorado dele, calma. –ele fez uma careta com o próprio comentário. –Estou dizendo pra você tomar o lugar que era da Evans e virar aquela amiga que o Snape tanto precisa.
– Ahn... Eu não sei se eu consigo Reg. –soltou um suspiro cansada. –Faz um mês que eu o conheço e eu não sei nada sobre ele... Mas pera um pouco ai, por que você quer que eu faça isso? –perguntou desconfiada.
– Porque eu conheço o Snape há mais tempo que você e sei que ele precisa de alguém do lado dele. Ninguém gosta realmente de ficar sozinho, muito menos ele. –segurou uma das mãos dela sobre a mesa. –E é por isso que ele precisa de você! Não estou fazendo isso e dizendo essas coisas porque eu gosto dele, pelo contrário, eu e o Snape não simpatizamos nem um pouco. Mas você gosta de ficar perto dele então eu não vejo porque não te ajudar, afinal, você está me ajudando com aquela lufana não é mesmo? –ele piscou pra ela e deu um de seus sorrisos sedutores.
Corina riu e assentiu mais alegre do que nunca. Em toda sua vida nunca imaginou que fosse ganhar a amizade tão rápida de alguém como Regulus. Talvez fosse o amor dos dois por quadribol, gatos e livros falando mais alto. Sendo esses motivos ou não, ela estava gostando de conhecer mais sobre o garoto mais novo, era fácil conversar com ele como se ela estivesse conversando com um irmão. Sorriu com a hipótese de ter Regulus como seu irmãozinho mais novo adotivo.
Deixando o dinheiro sob a mesa os dois se levantaram e saíram porta a fora para o vento gelado que insistia em passar por eles. Corina vestiu rapidamente o casaco e ajudou Regulus a colocar a toca em sua cabeça novamente sem que seu cabelo ficasse muito bagunçado. Ambos tinham decidido dar uma passada na Zonko’s e ver se tinha algo de interessante por lá.
– Raywind, será que eu posso falar com você? –uma voz melodiosa chamou por ela.
Corina virou-se e deu de cara com a pessoa que ela menos queria ver no momento. Lilian Evans.

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