My Perfect Sin
6 Capítulo 5 - Constatações
Notas iniciais
– Raywind, será que eu posso falar com você? –uma voz melodiosa chamou por ela.
Corina virou-se e deu de cara com a pessoa que ela menos queria ver no momento. Lilian Evans.
Corina
O vento ficou forte fazendo com que a garota ruiva a sua frente abraçasse o próprio corpo tentando apaziguar o frio momentâneo que sentira. A expressão sempre amigável de Corina se transformou em uma carranca que afastaria até mesmo o Pirraça com suas traquinagens. Ela olhou pra trás e viu que Regulus mantinha uma expressão neutra de alguém que não tem nada a dizer, ele deu de ombros e olhou uma última vez para Corina antes de ir sozinho até a Zonko’s.
– Será que podemos conversar em algum lugar que não seja no meio da rua? –a ruiva ainda se abraçava e parecia impaciente.
– Claro... Vamos pra perto da Casa dos Gritos, as pessoas não costumam chegar muito perto. –ela deu de ombros. –O que foi filhote? Tem medo de uma casinha assombrada? –sorriu triunfante ao ver a grifinória empalidecer.
– É claro que não! –disse firme. –Só acho que talvez existam outros lugares onde possamos conversar...
– Olha... É pegar ou largar Evans! –ela rosnou já cansada de ter que olhar para a cara da ruiva.
Lílian pareceu entender que não tinha escolha já que bufou e saiu andando na frente da sonserina. Corina olhou a ruiva andando a sua frente e sentiu uma vontade imensa de azarar a garota, mas deixou isso pra outro dia e resolveu terminar de uma vez por toda, o que quer que fosse o assunto que a Evans queria com ela.
Assim que chegaram perto da casa, mas ainda assim longe o suficiente para que ficassem tranquilas, as duas ficaram frente a frente uma olhando para a outra.
– Vai ficar admirando a minha beleza ou vai falar logo o que você quer?! –Corina cruzou os braços e sentou-se em um toco de madeira que tinha ali por perto.
Lílian ficou um tempo encarando-a e ela sabia que ambas nutriam sentimentos de desgosto uma pela outra. Era um simples “eu não fui com a sua cara”, que ficou pior por conta das duas serem de casas inimigas, e agora começara a se transformar em ódio pela recente descoberta que Severus amava platonicamente a garota grifinória. O que raios essa ruiva azeda quer de mim? Pensou.
– Eu vim falar com você sobre o Sev... Snape. –ela corrigiu-se e Corina sabia o motivo. –Eu vim falar com você sobre o Snape.
Acho que isso começou a ficar interessante.
– Sobre o Severus você quer dizer? Porque pelo que eu saiba era assim que você devia chamar ele certo? –ela perguntou inocentemente.
– Eu e o Snape não nos falamos mais. Nós... Nós éramos melhores amigos até que-
– Até que o que? –cortou o discurso da ruiva sem se importar com olhar que recebeu. –Me poupe da sua ladainha Evans, porque eu já sei exatamente do que ele te chamou e o que aconteceu depois disso...
– Não foi só pelo o que ele me chamou! Aquilo foi só a gota d’água! –Lílian praticamente gritou e passou as mãos pelos cabelos longos, exasperada. –Eu cortei laços com o Snape porque ele começou a andar com pessoas que não são boa coisa e a fazer coisas que são totalmente contra aquilo que eu acho certo! Ele, assim como os seus amigos Avery e Mulciber, todos eles planejam ser Comensais da Morte assim que se formarem. –ela deu de ombros e olhou diretamente nos olhos azuis de Corina. –Se duvida de mim pode perguntar a qualquer um deles... Tenho certeza que eles vão confirmar isso pra você.
Comensal da Morte? Corina sentiu o corpo gelar. Ela sabia bem o que era um Comensal e o que eles queriam, mas isso não justificava a atitude da Evans de ter simplesmente largado mão do Severus, afinal, se ele precisa tanto de ajuda ela devia ter ficado ao lado dele certo?
– Todo ser humano faz escolhas erradas na vida Evans, principalmente quando não se tem alguém pra se apoiar ou orientar. –se um olhar matasse provavelmente Lílian Evans estaria morta nesse exato momento. –Se o que você diz é verdade então mais do que nunca o Severus precisa de alguém ao lado dele pra tentar orientá-lo. E o que você fez ao saber disso? Virou as costas e começou a agir como se nunca tivesse falado com ele na sua vida! –ela levantou-se e andou até que ela e a ruiva ficassem cara a cara.
– Não dá pra ajudar quem não quer ser ajudado! –gritou em resposta.
– Se alguém não quer ser ajudado isso só significa que não se pode abandonar essa pessoa sua imbecil! –ela estava farta daquela conversa. –Era só isso que você tinha pra falar Evans?
– Não. –o tom dela foi sombrio de um jeito que Corina não esperava ouvir da grifinória. –Eu vim te dizer pra não se iludir com essa falsa amizade que você criou com o Snape. Ele nunca vai te escolher. Tudo o que importa pra ele são os amiguinhos comensais dele e esse desejo doentio por poder. Você nunca vai ser alguém importante na vida dele... Não como eu já fui.
Isso foi a gota d’água. No segundo seguinte Corina acertou um soco em cheio na cara da ruiva e logo depois as duas estavam rolando no chão trocando socos e arranhões. Em meio aos golpes elas trocavam ofensas e xingamentos uma com a outra, quem quer que passasse por ali ia achar a cena cômica. Duas adolescentes se engalfinhando como dois gatos. As duas se levantaram ofegantes, mas isso não significava que tinha terminado. Lílian desferiu um soco que Corina desviou e aproveitou para acerta-la no estômago com o cotovelo, a ruiva cambaleou pra trás, recompondo-se ela voou na direção de Corina e grudou nos cabelos longos dela. As duas estavam fazendo tanto barulho que alguns alunos começaram a se aproximar pra ver o que estava acontecendo. Não demorou muito pra que Corina sentir dois braços a segurarem firme pela cintura e puxa-la pra longe da grinifória ensandecida.
Ela virou a cabeça pra trás e viu que Regulus a segurava firmemente com uma carranca no rosto enquanto olhava na direção em que Lílian estava. Corina seguiu o olhar dele e viu que a ruiva estava sendo amparada pelos saudosos Marotos. Que cavalheiros, pensou debochada.
– Mas o que está acontecendo aqui? –uma voz estridente mas firme veio de trás dos alunos que se amontoavam.
Ah não, por favor ela não.
Professora McGonnagall estava vermelha feita um tomate. Corina sentiu o rosto arder, mas não de vergonha, e sim por conta dos tapas e socos que tinha recebido. Provavelmente vai ficar roxo.
– Que tipo de comportamento é esse moçinhas?! –ela disse exasperada. –As duas vão voltar imediatamente para Hogwarts e vão permanecer em seus salões comunais durante o resto do fim de semana!
– Mas amanhã eu tenho uma partida de quadribol professora! –Corina sentiu um nó em sua garganta se formar, ela não queria ser suspensa do jogo.
– Então eu sugiro que a senhorita pense melhor antes de sair brigando com uma colega de turma por ai! –a velha bruxa disse secamente. –E é mais do que óbvio que a senhorita está suspensa do jogo de amanhã... –ela levantou a mão pedindo silêncio quando viu que Corina ia protestar. –E sem reclamações senhorita Raywind!
Corina abaixou a cabeça e fitou os próprios pés. Ela não conseguia acreditar que a sua primeira partida de quadribol pela sonserina foi arruinada por conta da ruiva azeda! Levantou o olhar e viu Evans se afastar, provavelmente pra ir de encontro a uma das carruagens que as levariam de volta para a escola.
– Quer que eu vá com você? –disse Regulus ao perceber a direção que ela olhava.
– Não precisa, fica e aproveita pra comprar mais uns doces pra mim. –ela deu um sorriso fraco tentando parecer animada. –Bom, eu já vou indo.
– Não se esquece de por um gelo nesses machucados quando chegar lá hein?
– Pode deixar mãe! Vou colocar meu casaco e levar um guarda-chuva caso comece a chover também. –ela riu e virou as costas pra ele, mas não antes de ouvi-lo dar uma risada gostosa com o comentário dela.
Severus
O cabelo ainda estava molhado por conta do banho, mas ele já estava seco. Vestiu-se como de costume inteiramente de preto, uma blusa de mangas compridas e calça jeans. Não se preocupou de calçar os sapatos já que só iria sair do quarto na hora do jantar. Terminou de se arrumar e saiu do banheiro na expectativa de deitar em sua cama e ler um pouco, mas isso não iria acontecer.
– O que está fazendo aqui? –sentiu sua voz falhar.
– Oi Severus... –ela disse em uma voz fraca. –Desculpe te incomodar, eu só queria conversar com alguém.
Ele estava muito surpreso por vê-la ali em sua cama, sentada, e segurando uma compressa de gelo no rosto. Espera ai... Compressa de gelo? Foi só então que percebera que a garota estava um trapo. A parte da calça nos joelhos estava rasgada, o casaco que ela usava em um estado de dar dó, os cabelos desgrenhados e com algumas folhas presa entre os fios. O rosto tinha uns arranhões aqui e ali, sem contar a parte que estava recebendo a compressa de gelo. Severus constatou que ela tinha caído ou se metido em uma bela briga.
– Vai me contar o que aconteceu? –ele arqueou uma sobrancelha na direção dela.
A garota limitou-se a balançar a cabeça em negativa.
– Quer conversar sobre o que então Corina? –sentou-se ao lado dela em sua cama e ficou encarando enquanto ela parecia pensar sobre o assunto.
Fez-se alguns minutos de silêncio até que ela abaixou a compressa e resolver falar.
– É verdade que deseja ser um comensal da morte depois que ser formar? –ela virou e o fitou com aqueles olhos tão azuis que faziam o estômago dele se revirar por inteiro.
Severus desviou do olhar dela e fixou o seu na parede a sua frente.
– Então você brigou com a Lílian? –perguntou ignorando a pergunta dela.
– Como sabe disso? –ela pareceu surpresa.
– Ela é a única que disse isso na minha cara... –ele não queria parecer magoado ao falar da ruiva, mas parecia uma tarefa impossível.
– Certo... –ela colocou a compressa no rosto novamente e começou a fitar a mesma parede que ele.
– Eu não preciso saber dos seus motivos pra ter saído no tapa com a Lílian. –disse por fim. –Isso pouco me importa no momento, mas sim, eu pretendo me tornar um comensal quando sair da escola. Vai sair correndo assim como ela fez ao constatar isso? –ele sabia que havia soado rancoroso, mas não tinha como evitar, e no momento ele desejou muito que Corina não fizesse o mesmo que Lílian fez.
Mais alguns minutos de silêncio se instalaram até que ele a ouvir soltar uma risada gostosa e melodiosa. O estômago dele fez voltas.
– A ideia de se tornar um comensal é estúpida. –ela estava sendo sincera, ele sabia disso. –Toda essa história de poder, trouxas e sangues-ruim é toda uma baboseira sem tamanho. –soltou um suspiro e deu um sorriso de lado na direção dele. –Mas eu vou ficar do seu lado, seja qual for a sua escolha, afinal, alguém tem que fazer o papel de babá pra botar um pouco de juízo nessa cabeça de minhoca certo?
E ele riu. Fazia muito tempo que ele não ria de algo ou com alguém, na verdade ele mal conseguia se lembrar de um momento assim. Ele se sentiu leve com ela de um jeito que nem Lily conseguia fazer. Ela o compreendia, e o aceitava mesmo que não gostasse de suas decisões. Ela era perfeita.
– Severus? –ela disse em um tom baixo.
– O que foi? –o jeito que ela chamava o nome dele, com aquele sotaque francês, era algo que no momento fez todos os pelos do corpo dele se arrepiarem.
– Posso deitar no seu colo?
– O que-
Antes que ele pudesse protestar ela já havia deitado a cabeça no colo dele e começara a cantarolar um música em francês totalmente desconhecida pra ele. Foi só então que ele percebeu que ouvir ela falar, ou melhor, cantarolar no idioma que ela estava acostumada era uma das coisas mais lindas que ele já havia escutado. Espera um pouco ai, que tipo de pensamentos são esses que eu estou tendo? Isso... Isso não pode- Não, não pode ser! Pensou exasperado.
Ele precisava sair dali, antes que fosse tarde demais! Antes que ele se deixasse levar pela situação, afinal, tinha uma garota deitada em seu colo em cima da sua cama! Precisava pensar em um jeito de sair dali... Mas como? Seus pensamentos foram interrompidos quando percebeu que ela parara de cantarolar e agora ressonava tranquilamente no colo dele. Lá estava ele admirando a garota enquanto ela dormia como um abutre observa sua presa, mas tinha uma diferença, Corina não era sua presa. Era uma garota diferente de tudo que ele achava que a garota perfeita pra ele deveria ser. A mulher de seus sonhos era Lílian, mas lá estava ele, admitindo para si mesmo, que talvez ele estivesse se apaixonando por essa garota que fazia de tudo para ficar ao lado dele.
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