My New Addiction

24 And The New Revelation


Notas iniciais
bom gente, são 2:03 da manhã, tô morta de sono, mas vale a pena fazer um esforcinho pros meus leitores lindos *-* Espero que gostem desse capítulo, fiz com muito carinho.

Enquanto saíamos em disparada pelos corredores em direção ao estacionamento, era como se um flashback passasse pela minha cabeça. Os olhares cravados em mim, alguns com nojo, alguns com pena, todos se afastando enquanto eu passava. Será que eles pensavam que o que eu tinha era contagioso? Tudo estava acontecendo exatamente como na minha última escola, a não ser que dessa vez eu não estava sozinha. Kurt e Santana me tiravam da multidão enquanto eu só conseguia pensar em sair dali. Passamos por Finn na porta do vestiário masculino e não pude deixar de reparar que o seu olhar era diferente. Era como os de Santie e Kurt. Como se ele quisesse me proteger daquilo tudo mas não sabiam como. O que não faz nenhum sentido, levando em consideração que ele me chutou quando descobriu a verdade.

Depois de um caminho que eu pensava não ter mais fim, chegamos ao estacionamento e ao meu carro. Santana pegou as chaves na minha bolsa e Kurt me consolava no banco de trás, enquanto graças a Deus saíamos daquela escola.

– Vocês vão se meter em encrenca por estarem matando aula comigo. – Disse, aceitando, grata, o abraço de Kurt.

– Foda-se a escola, Berry! Tô pouco me lixando pra aquela vaca da diretora. – Santana estava nervosa, como pude perceber. – E se ela vier falar alguma merda comigo ou com algum de vocês, eu pego ela de porrada sem dó.

– Hey Lara Croft, talvez seria uma boa ideia abaixar essa sua bola aí. – Kurt disse, tentando acalmar a fera.

– E talvez seja uma boa ideia eu pegar a minha bola e enfiar ela...

– Santie! – A repreendi.

– Desculpa, tá bom? É que eu fico puta da vida de ver o que aquele povo da escola acabou de fazer com você. E daí que você tem uma doença? Desde quando isso tem que te definir? Argh! – Ela bateu uma das mãos no volante, frustrada.

– Santie, as pessoas tem um grande preconceito com soropositivos. Isso é um fato. Por que seria diferente comigo? – Desabafei.

– Mas Santana tem razão, isso não deveria te definir. – Kurt também se manifestou.

– E eu concordo com vocês. Mas a realidade infelizmente não é essa, e eu tenho que lidar com isso. Mas vocês não tem ideia do quanto eu estou grata por ter vocês do meu lado dessa vez. – Sorri para os dois, que sorriram de volta.

– Peraí, como assim dessa vez? Isso já aconteceu com você antes? – Kurt me perguntou.

– Será que a gente podia não falar sobre isso mais, por favor? – Pedi.

– Claro, claro. Me desculpa. – Kurt me abraçou mais forte e retribuí.

Chegamos em casa e Santana preparou um chocolate quente pra gente, já que o dia estava meio chuvoso. Tomamos nossas canecas debaixo de cobertas enquanto assistíamos o lançamento da Disney, “Frozen”.

– Do you wanna build a snowmaaaaaaan? – Kurt cantava pra mim, na tentative de me animar. Sorri pra ele e tentei cantar a música junto, mas só saiu algo muito enrolado porque eu não sabia a letra da música. Nós três caímos na risada do improviso que eu fiz, quando ouvimos a campainha tocar.

– Seu pai provavelmente esqueceu a chave. – Disse Santana, voltando sua atenção pro filme.

– Deve ser. – Me levantei e fui atender a porta, mas quando a abri, não era meu pai.

– Finn? O que você tá fazendo aqui? Meu Deus, o que aconteceu com o seu rosto? – Finn estava parado na minha frente, com o rosto um pouco inchado em algumas partes e dois cortes: um no supercílio e um no canto da boca, que insistiam em sangrar, mesmo depois que ele claramente tentou fazer um curativo.

– Finn? – Kurt estava atrás de mim. – O que aconteceu? – Ele rapidamente passou por mim e pegou o rosto do meio-irmão, analisando o estrago.

– Não foi nada. Rachel, eu preciso falar com você.- Ele me encarou.

– Ah, então agora você resolveu voltar a falar com ela? – Santana também se juntou a nós, cruzando os braços e encarando Finn.

– Olha, eu realmente preciso falar com ela, então se vocês puderem dar um espaço, eu agradeço muito. – Ele levantou os dois braços, como se estivesse dizendo que estava ali em paz.

Kurt e Santana me encararam e eu assenti. Queria saber o que Finn tanto queria comigo.

– Estaremos lá em cima, se precisar já sabe né? – Kurt disse, mais como um aviso para Finn do que pra mim.

– E você, — Santana encarou Finn. — Se quebrar o coração dela de novo, também já sabe, né? – Ele assentiu, e os dois subiram.

– Entra. – Eu disse, apontando para dentro.

– Obrigado.

– Vai me contar o por que de você estar todo machucado? – Cruzei os braços. Minha vontade era tocar seu rosto, ver se ele estava bem. Mas tinha que me controlar.

– Eu tô bem. Você deveria ter visto como ficou a cara do Karovski. – Ele disse, naturalmente.

– Você brigou com o Karovski? Mas por que? – Bem no fundo eu imaginava o por que, mas não queria criar esperanças.

– Ele é um estupido! Tem muito tempo que tô louco pra encher a cara dele de porrada, e depois do que ele fez com você hoje, foi a gota d’água. – Ele me encarou. Meu coração deu uma pontada forte. Ele realmente fez isso por mim.

– Não se preocupa, tô acostumada com idiotas assim. – Sorri fraco.

– Eu vim aqui pra ver como você está. – O olhar dele encontrou o meu novamente. O mesmo olhar de hoje mais cedo. Como se ele quisesse cuidar de mim mas não pudesse. Provavelmente eu estava o olhando da mesma forma.

– Eu tô bem, sério. Isso iria acontecer mais cedo ou mais tarde, não é? – Forcei outro sorriso.

– Você não precisa mentir pra mim. Eu te conheço. Sei que no fundo você está desmoronando. – O olhar no seu rosto ainda era o mesmo. Respirei fundo e o encarei.

– Por que você tá fazendo isso, Finn? – Perguntei.

– Fazendo o que? – Ele parecia confuso.

– Por que está aqui, se preocupando comigo? Por que está me falando todas essas coisas? — Isso não era justo. Logo agora que eu estava começando a me acostumar a ideia de viver sem ele.

Ele não me respondeu. Ficou olhando pro chão, atordoado. Não é justo ele vir aqui e elevar as minhas esperanças de novo, só pra elas serem destruídas novamente. Não é justo!

– Por que está aqui, Finn?! – Explodi. – Por que você está fazendo isso comigo?! – Gritei.

– POR QUE EU TE AMO, TÁ BOM? – Ele retrucou, também gritando. Me encarou por um tempo, depois tentou se acalmar.

Minha cabeça girava e eu não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Um sentimento diferente do que eu pensei que sentiria depois de ouvir essa frase veio a tona.

–AH, AGORA VOCÊ ME AMA DE NOVO??! E NAQUELE DIA QUE TE CONTEI TUDO, AHN?! ONDE ESSE AMOR FOI PARAR? POR QUE VOCÊ ME ABANDONOU SE REALMENTE ME AMA?! – Eu estava borbulhando de raiva. Quem ele pensa que é?

Acho que a minha reação não era o que ele esperava, pois seus olhos estavam arregalados de surpresa. Logo seu semblante mudou para atordoado novamente.

– Olha, é complicado...

– É COMPLICADO??? É ISSO QUE VOCÊ TEM A DIZER?! É COMPLICADO??– Não acredito nisso. Meu tom de voz estava bem alterado. –COMPLICADO É VIVER SENDO OBRIGADA A TOMAR UMA PORRADA DE REMÉDIOS TODOS OS DIAS! VIVER COM MEDO DE PEGAR UMA SIMPLES GRIPE E ACABAR MORRENDO! VIVER COM MEDO DE FAZER AMIZADES, PORQUE SEI QUE NO FINAL VOU ACABAR PERDENDO ELAS! COMPLICADO É TER DE VIVER TENTANDO ESCONDER DE TODO MUNDO UMA DOENÇA QUE EU NÃO TENHO CULPA DE TER, EU NASCI ASSIM!COMPLICADO NEM COMEÇA A EXPLICAR O QUE VIVER COMO EU VIVO SIGNIFICA. E VOCÊ TEM A CORAGEM DE VIR AQUI ME DIZER QUE “É COMPLICADO”? – Desenhei aspas no ar, enchendo essa última expressão de sarcasmo. Perdi o controle e falei demais, tenho certeza. Mas quer saber? Foda-se! Como ele ousa dizer pra mim que é complicado??

Ele me encarava, novamente surpreso. Ficamos um tempo ali, nos encarando, enquanto eu tentava recuperar a calma.

– Você esta certa. – Ele finalmente quebrou o silêncio. O encarei. – Eu preciso te contar uma coisa, Rachel.

Já mais calma, o respondi:

– Pode falar. – Ele tomou um fôlego e parecia se concentrar pro que ia dizer.

– Rachel... eu... o motivo pelo qual eu me afastei de você quando eu soube da verdade é que... – Ele hesitou. Esperei enquanto ele criava coragem pra me dizer o que quer que ele queria me dizer.

–É que o meu pai morreu de AIDS, Rachel. E eu não consigo pensar na possibilidade de perder você também.

Notas finais
e aí, gostaram? Será que essa é uma desculpa pro modo como Finn tratou a Rachel? reviews? *-*