My New Addiction
25 And The Apologies
Notas iniciais
Ok, por essa eu não esperava de maneira alguma.
Finn me encarava com um rosto indecifrável. Minha cabeça estava a mil e eu não sabia o que dizer pra ele. O que acabou saindo da minha boca foi algo que eu não esperava.
– Olha, eu sinto muito por isso, mas esse não seria mais um motivo pra você entender o meu lado? – Perguntei, e imediatamente me arrependi. Aquilo soou rude. Ele me encarou, dessa vez com o rosto triste.
– A minha relação com o meu pai era meio bipolar. Dentro de casa ele sempre foi um bom pai. Ou pelo menos tentava ser. Mas ele tinha um sério problema com drogas. Quando ele estava limpo, era o melhor pai que se poderia imaginar. Me levava pra assistir os jogos do time de baseball da cidade, comprava jogos de videogame novos pra mim, enfim. Mas no momento que a droga entrava no seu sistema, ele se transformava completamente. Era nervoso, abusivo, e chegou a bater na minha mãe uma vez. Foi quando ela se cansou e o expulsou de casa. Poucos dias depois descobrimos que ele estava com AIDS. Eu me lembro bem, pois não faz tanto tempo atrás. Me lembro de ir visita-lo no quartinho que ele havia alugado e a cada visita ele estava pior. Logo depois as visitas passaram a ser no hospital. – Eu escutava a sua história e tentava controlar as lágrimas que queriam aparecer ao pensar em Finn tão pequeno e tendo que passar por aquilo.
– Sabe, — ele continuou. – a pior parte foi vê-lo piorando daquela maneira e não poder fazer nada. Suas últimas palavras pra mim foram “não cometa os mesmos erros que eu”, antes de sofrer uma parada cardíaca enquanto segurava a minha mão. – As lágrimas nos olhos de Finn eram visíveis. Nessa hora não consegui mais segurar e as minhas também rolaram facilmente. – Por isso fiquei como fiquei quando Burt foi parar no hospital. Não podia perder ele também.
Não conseguia vê-lo daquela maneira mais. Atravessei a distância que nos separava e o abracei com toda força que consegui reunir. Ele retribuiu com a mesma intensidade e eu conseguia ouvir os seus suspiros, na tentativa falha de se acalmar.
– Hey, Burt está bem agora, não está? E eu também estou aqui, não estou? Quanto ao seu pai, eu sinto muito mesmo Finn. A medicina avançou muito em relação à AIDS mas acredito que na época do seu pai os recursos ainda não eram tão bons pra fornecer uma vida mais confortável pra ele. Eu sinto muito que você tenha passado por isso Finn. – Afaguei suas costas, tentando passar um pouco de consolo. Pouco tempo depois ele se soltou do meu abraço, mas segurou meus braços com as duas mãos e me encarou.
– Eu resolvi me afastar de você pra ver se eu conseguia te esquecer, se eu conseguiria parar de pensar em você toda hora e pensar no que pode acont.... – Dessa vez ele olhou no fundo dos meus olhos. — Eu não posso te perder também. Não posso.
Não sei nem explicar o quanto aquilo acabou comigo. Eu queria prometer pra ele que ele não me perderia, que eu estaria sempre ali com ele, mas eu estaria mentindo. Então disse o que o meu coração estava gritando.
– Eu te amo. – O encarei da mesma maneira. – Eu te amo demais, Finn Hudson.
A expressão que eu vi em seu rosto foi como se alguém tivesse acabado de o aliviar de uma dor que o incomodava por anos. Ele me lançou aquele sorriso torto que eu tanto amo e a próxima coisa que senti foram seus lábios nos meus. Era como se nunca tivéssemos nos separado, mas ao mesmo tempo a saudade um do outro era perceptível na intensidade do beijo. Ali era o meu lugar. Ali era aonde eu pertencia. Em seus braços. Eu me sinto segura e completa quando seus braços estão em volta da minha cintura como agora. Era como se o mundo pudesse estar acabando, mas eu ainda estaria sorrindo e olhando pra aquele idiota com a maior cara de apaixonada possível. Quando os nossos corpos imploraram por ar, o beijo cessou. Mas seus braços permaneceram em minha cintura e nossas testas se encontravam. Ficamos ali, de olhos fechados, apenas tentando saciar a vontade um do outro. Depois de algum tempo que eu não tenho ideia, Finn quebrou o silêncio.
– Me desculpa. – Ele fez uma pausa. – Eu sei que sou um cretino por ter te abandonado quando você mais precisou, e acredite em mim, nunca vou me perdoar por isso. Mas por favor, me desculpa. – Abri meus olhos e encontrei os dele. – Eu tentei viver sem você, mas não consegui. Por favor, me perdoa. – Ele esperava ansiosamente a minha resposta.
– Olha Finn... – Olhei pra cozinha pois não conseguia encará-lo mais. – Eu acabei de te dizer como me sinto, e eu falo sério em cada palavra. – Ele sorriu de novo. – Mas eu ainda estou muito magoada. – Seu sorriso foi embora. – Me escuta, tá? – O encarei. Precisava fazer isso direito. – Eu estou magoada sim e provavelmente vou ficar assim por um bom tempo. Eu preciso me proteger Finn. – Virei o olhar novamente. — Se eu passar pelo que passei quando você me abandonou de novo eu não sei se vou conseguir...
– Não, não! Por favor, não. – Ele colocou suas mãos no meu rosto, me fazendo o encarar. – Eu JAMAIS vou fazer isso com você de novo. – Ele colocou bastante ênfase no “jamais”. – Eu estou muito arrependido, Rach. Por favor, acredita em mim. Eu não sei o que me deu. Não sei se estava assustado, ou o que foi. Mas eu prometo, — Ele pegou uma das minhas mãos e segurou com as suas, levando elas até a sua testa, como se estivesse rezando. – eu prometo que não vou te abandonar de novo, Rachel Berry. Nunca mais. – Ele disse, com os olhos fechados, logo depois os abrindo para me encarar. – Eu juro. – Ele me disse, ainda segurando minha mão.
Usei a minha mão que estava livre para coloca-la em seu rosto. Ele fechou os olhos com o meu toque.
– Finn Hudson, se você ousar quebrar o meu coração de novo, eu te capo, você está me entendendo? – Disse, tentando parecer séria. Mas assim que vi sua gargalhada, não consegui me segurar.
– Você não teria coragem. – Ele me provocou.
– É, talvez não. Mas você já ouviu falar de uma amiga minha chamada Santana Lopez? – Retruquei.
– Ok, você venceu. – Ele pegou as minhas mãos novamente. – Agora deixa eu matar a minha saudade de você, deixa? – Ele me disse, meio sussurrando. Aquilo foi a minha perdição. Nos beijamos novamente, com a mesma intensidade. Era como se todos os problemas do mundo acabassem de ser resolvidos, ali mesmo naquela sala. Me permitir flutuar na felicidade de ter o meu porto seguro do meu lado novamente.
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