My Name Is Pipper
2 "Welcome" to Los Angeles
Notas iniciais
Abri os olhos e me deparei com um teto que não parecia ser o meu. Olhei em volta e lembrei de que estava em um hotel, em Los Angeles. Tudo parecia um sonho, e mesmo que eu desejasse nunca mais acordar, me belisquei para voltar à realidade. Nada aconteceu. Eu continuava naquele quarto que não me pertencia, com uma vida que ainda não me parecia certa, ou real.
– Se não consigo acordar, o jeito é continuar sonhando. – Murmurei, incentivando-me a levantar.
Levantei com dificuldade. Tomei um longo banho gelado e fiz minha higiene matinal. Coloquei um short jeans escuro, uma regata cinza, um cardigã azul marinho e uma bota preta de cano curto com um salto muito pequeno. Passei uma maquiagem simples, composta por base, pó compacto, blush, rímel e lápis marrom na linha d’água.
Sentei na cama e fiquei mexendo em meu notebook, enquanto arrumava meu cabelo. Procurei algo para comer, mas não encontrei nada. De repente minha campainha tocou, e fui lentamente atendê-la. Scott estava escorado no batente da porta, vestindo uma calça jeans preta e uma camisa cinza de manga até o cotovelo. Estava bonito e radiante.
– Bom dia, Pippes, já está pronta? Temos um longo dia pela frente.
– Estou pronta sim. Vamos agora?
– Sim, o carro já está nos esperando.
Peguei minha bolsa jeans em cima da cômoda e sai, trancando a porta atrás de mim. Fomos para o carro e ficamos conversando durante o trajeto. Ele era surpreendentemente legal.
– E você gostou do café da manhã do hotel? Os meninos dizem que não é muito bom. – Disse o produtor fazendo uma careta.
– Na verdade, eu ainda não comi.
– Como assim? Você não tomou café da manhã?
– Não, eu não sabia que podia comer no hotel.
– Mil desculpas, querida. A culpa foi toda minha por não avisar. Mas por que não me disse isso antes?
– Não quis incomodar.
– Pipper, a partir de agora, tudo o que você precisar, venha falar comigo. Qualquer coisa. Não tenha medo de pedir. Certo?
– Certo.
– Ótimo. Agora faremos o seguinte: o motorista vai parar na frente do Starbucks, você vai lá e pede o que quiser para a viagem, e pague com isso. – Disse me entregando um estranho cartão, com uma foto do Big Time Rush de fundo, uma foto 3x4 no canto esquerdo, o nome “Scott Fellows” embaixo, e dados de um cartão de crédito normal.
– O que é isso?
– É um cartão de crédito criado pela Nick para todos que fazem parte do Big Time Rush. Cada série possui o seu. Hoje mesmo tiraremos uma nova foto de fundo, com você incluída, e daremos cartões novos a todos da produção, incluindo você. Ele é como um cartão comum, e é depositada uma quantia todo dia pelo canal, mas se quiser pode usá-lo como cartão pessoal também.
– Que demais. Acho que vou acabar usando como cartão pessoal mesmo.
– É mais pratico. Eu faço isso. – Confessou rindo. – Agora vá, estamos atrasados.
Entrei no Starbucks sorridente, pois realmente estava com saudades de tomar café da manhã ali. Comprei um croissant, que durou apenas durante o trajeto até o carro, e um café médio. A segunda parte da viagem foi muito mais rápida e silenciosa. Fui bebericando meu café enquanto escutava “She Will Be Loved” do Maroon 5 repetidamente. De repente senti o carro diminuir a velocidade até parar.
– Chegamos. – Disse Scott saindo do carro. – Bem-vinda a sua nova vida, Pipper. – Ele se adiantou e abriu a porta para mim, pegando delicadamente minha mão e me ajudando descer do carro.
– Muito obrigada, senhor. – Disse em meio a risos. – Mas acho que isso não diminui meu medo.
– Do que você tem medo? – Perguntou começando a andar.
– Tenho medo de que os meninos não gostem de mim. Não sei se eu suportaria conviver com pessoas que me odeiam. Já tive muito disso no colégio, e estou cansada.
– Imagina, eles são muito legais. Tenho certeza de que vão te adorar. Não se preocupe.
– Eles são parecidos de como agem na série?
– São sim, mas existem certas diferenças. São mais doidos e retardados do que parecem.
– Mas o que eles fazem?
– Esses dias o James apareceu no estúdio bufando de raiva, com o cabelo inteiro azul! Ele ficou umas duas horas mandando todo mundo se fuder, enquanto eu e os meninos ríamos da cara dele. E também teve uma vez que.
Enquanto ele contava diversas histórias sobre os dias com a banda, entramos na gravadora e estávamos andando por um hall de entrada, onde se via uma pequena lanchonete, além de algumas mesinhas e cadeiras espalhadas pelo recinto.
–... Então o James se virou para mim e perguntou: O que uma gorda disse para a outra? – Contou Scott olhando para mim com um sorrisinho divertido.
– Eu conheço essa! Não importa, elas eram gordas!! – Disse, ou melhor, gritei, e nós dois começamos a gargalhar.
De repente o produtor parou de rir, mas continuou com um sorriso no rosto. Olhei na direção em que ele estava olhando. Os quatro meninos do Big Time Rush se encontravam parados em nossa frente, sérios. Respirei fundo tentando espantar todo medo e ansiedade.
– Mandou nos chamarem? – Perguntou James. Deus, como a voz dele era ainda mais linda ao vivo.
– Sim, quero que conheçam a nova integrante da banda. – Respondeu um Scott sorridente, apontando em minha direção, que corei visivelmente envergonhada.
– Oi, eu sou...- Fui bruscamente interrompida por James.
– Ninguém se importa com quem você é.
– Nem te queremos aqui, para começo de conversa. – Completou Kendall, me humilhando completamente.
– Será que vocês poderiam não me fazer passar vergonha e serem mais educados? – Repreendeu Scott.
– Porque eu seria? Essa menina é ridícula. Você não poderia ter feito escolha pior. – Por que as pessoas insistem em pegar no meu ponto fraco?
– LOGAN?! – Dessa vez quem repreendeu foi Carlos, me surpreendendo. – Desculpe-me por meus amigos. Eles conseguem ser horríveis quando estão com ciúmes. Mas bem-vinda, sou Carlos, e é um prazer te conhecer. – Disse ele sorrindo e depositando um beijo em minha bochecha.
– Está tudo bem. – Disse num tom muito mais baixo do que o normal. Tomei um gole do copo que possuía em mãos e me virei delicadamente para Scott. – Senhor, eu acho que vou pegar um pouco mais de café. Com licença.
Andei até a lanchonete segurando o choro. Por que eles foram tão rudes comigo? Scott não tinha acabado de dizer que eles eram super legais? Fiz meu pedido e me sentei em algum lugar. Fechei os olhos por alguns segundos. Comecei a tentar repreender meus sentimentos, quando senti alguém tocar meu ombro. Abri os olhos e me virei, ainda de cabeça baixa.
– Desculpe mesmo pelo que acabou de acontecer. – Disse Carlos visivelmente chateado com a situação.
– Não tem problema. – Respondi o encarando.
– Você está bem? – Perguntou se agachando em minha frente. – Não sinta-se mal por causa daqueles babacas. Não vale a pena. Além disso, eles não acreditaram em nada do que disseram. – Disse colocando meu cabelo pra trás da orelha.
– Eu só queria que pessoas que tanto admirava quando pequena gostassem de mim, não me julgassem precipitadamente como todo mundo.
– Espera, você é uma rusher? – Interrompeu delicadamente.
– Bom... Era. Mas não foi por isso que seu produtor me escolheu.
– Não, claro, eu sei. É só que, sei lá, é legal você ter sido uma rusher. Mas voltando ao assunto, a culpa disso tudo não é sua. Eles estão tanto tempo juntos que a ideia de dar espaço para mais uma pessoa é muito insana. Eu sempre tive facilidade em demonstrar meus sentimentos, mas eles são muito fechados e confusos, muitas vezes nem sabem o que querem direito, então levou anos até terem coragem de se abrir, de confiar uns nos outros. Agora imagine, que quando surge uma boa relação de irmandade e fica tudo bem, mais uma pessoa entra, exigindo imediatamente essa confiança que levou anos para ser conquistada. Não parece justo.
– Mas eu não estou exigindo que vocês confiem em mim, Carlos. Eu sei melhor do que ninguém o quanto é difícil e assustador mostrar ao mundo quem você realmente é. Nunca iria exigir algo assim deles!
– Eu sei que você não, mas o Scott sim. O objetivo dele ao te trazer foi ajudar a banda, porque nós estamos tendo alguns problemas de meninos que ele acredita que você possa resolver. Eu concordo com ele. Mas os outros não gostaram dessa ideia. A merda é que eles não sabem como lidar com os problemas, então estão sendo escrotos com a única pessoa que não tem nada a ver com isso. – Concluiu levemente indignado com seus amigos.
– Mas o que eu posso fazer em relação a isso? Não vou conseguir trabalhar na série sabendo que os principais integrantes me desprezam.
– Eu não sei o que fazer ainda, mas prometo pensar em algo.
Silêncio.
– Sabe de uma coisa? – Me levantei, decidida. – Acho melhor eu pedir demissão. Não quero ver esses meninos mal por minha causa. Vou falar com Scott agora mesmo. – Disse de cabeça baixa, já indo em direção ao grupinho do outro lado do recinto, onde se encontravam o resto dos BTBoys e seu produtor.
Continua...
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