My Name Is Pipper
3 Trust me
Notas iniciais
– Sabe de uma coisa? – Me levantei, decidida. – Acho melhor eu pedir demissão. Não quero ver esses meninos mal por minha causa. Vou falar com Scott agora mesmo. – Disse de cabeça baixa, já indo em direção ao grupinho do outro lado do recinto, onde se encontravam o resto dos BTBoys e seu produtor. Mas fui impedida.
– NÃO!! Por favor, não vai. Precisamos desesperadamente de você. Não abandone isso ainda. Dê uma chance. Tente pelo menos uma vez antes de desistir. — Implorou Carlos segurando meu braço. Seus olhos estavam arregalados, suplicando minha ajuda.
– Não sei não, Carlos... — Confessei triste.
– Por favor, por mim. Estou te pedindo. — Estava com um olhar pidão enquanto segurava meus punhos.
– Tudo bem, tudo bem. Eu não vou desistir ainda. Mas só... — Apontei levemente meu dedo em sua direção — ... Porque é você quem está me pedindo. Se fosse outra pessoa eu provavelmente mandaria à merda. — Ele riu.
– Sério mesmo? Obrigado! Prometo que vai dar tudo certo. Te ajudo com o que eu puder em relação a eles. Obrigado! Você é demais, Pipper! — Disse se aproximando me dando um abraço de urso.
– Carlos... Eu... Não consigo... Respirar! — Tentei falar ainda em seus braços, sendo praticamente sufocada.
– Ah, desculpa. — Disse me pondo delicadamente no chão. — Sabe como é, muita felicidade. — Explicou-se e rimos.
– Eu gosto disso. — Ele me olhou confuso. — De carinhos. Não se assuste se eu chegar do nada e te abraçar sem soltar mais.
– Eu iria gostar disso. — Sorriu. — Agora vem, vamos lá com eles, porque o Scott está preocupado com você, ok? — Assenti.
– Mas me abraça? Não quero encara-los sozinha. — Respondi fazendo bico.
– Tudo bem, linda. — Riu de leve. — Vem aqui. — Abriu os braços sorrindo.
Me aconcheguei em seu peito e fomos em direção aos outros. Ao chegar percebi que os BTBoys estavam praticamente gritando com seu produtor. Estremeci em pensar que tudo aquilo era por minha causa. Em consequência, Carlos notou e me apertou mais contra si. Olhei para ele e sorri, o fazendo sorrir também. Paramos em frente a eles, sem se soltar em momento algum.
– Não estou nem ai se você acha que aquela patricinha pode me ajudar, não vou aturar mais uma menina mimada tentando mandar na minha vida... — Kendall gritava apontando o dedo. Ao ouvir alguma coisa no discurso dele, Carlos não se conteve e começou a rir muito, fazendo todos olharem para ele.
– Voltamos. — Disse para Scott com um sorriso falso muito convincente.
– Não, espera ai. — Interrompeu Carlos diminuindo seu acesso de riso. — Eu ouvi isso mesmo? — Perguntou me olhando.
– Isso o que?
– Quer dizer que agora você tem um novo apelido. Patricinha. — Disse em tom de deboche e voltou a rir.
De repente entendi o que ele estava fazendo. Carlos me conhecia a dez minutos e já sabia que eu passava longe de ser uma patricinha mimada, e ele estava fazendo questão de mostrar isso a seus amigos. Assim, ri fraquinho. Estava feliz por ele querer ajudar. Os meninos o olharam furiosos. E o produtor tentava esconder um sorriso.
– Bom, mudando de assunto. — Disse Carlos me abraçando por trás e olhando para seu produtor. — Vou levar minha patricinha aqui para conhecer o lugar. Qualquer coisa estamos com celular, ok?
– Ahn... Ok, mas não demorem. Temos muito o que fazer ainda hoje. — Disse Scott visivelmente confuso com a nossa proximidade, assim como os outros BTBoys.
– Pode deixar, ficaremos ligados no horário. — Disse por fim, sorrindo.
Carlos continuou abraçando minha cintura por trás e fomos andando deste modo sem se importar com o desconforto que isso as vezes causava. Ele me mostrou o prédio inteiro, de cima a baixo. Ok, talvez não tenha sido inteiro, nem tenho como saber. Mas ele me mostrou tanta coisa que não imagino caber qualquer coisa mais nesse lugar. Tudo estava ótimo. Ele era um amor, me fazendo esquecer dos problemas e rir o tempo todo.
– E por ultimo, o seu camarim. — Disse ele apontando para uma porta de madeira polida com meu nome escrito acima de um papelzinho branco.
– O que é isso? — Apontei para o mesmo.
– É onde escrevemos uma característica nossa. Normalmente usamos a que mais aparece em nossa personalidade em determinado momento. Por exemplo, na minha porta está escrito "carinhoso", na do Kendall está "competitivo", na do Logan está "gênio" e na do James está "pegador".
– E podemos mudar quando quisermos?
– Sim, isso é mais para tentarmos descrever nós mesmos naquele momento. O Logan muda constantemente para "pegador", e James para "descontrolado".
– Por que descontrolado?
– Bom, é complicado. E não é conversa pra hoje. Mas no momento se resume em álcool e raiva do mundo.
– Então ta, mas fique sabendo que me deixou curiosa. E bem preocupada. E você vai se arrepender por isso.
– Ui, agora eu fiquei com medo. — Disse rindo e fazendo menção de abrir a porta.
Porém eu o impedi. Me aproximei e retirei o papelzinho em branco, pegando uma caneta em seguida e escrevendo. Quando coloquei o papel de volta na porta, Carlos riu pelo nariz.
– "Desconhecida"... Gostei. — Falou, e por fim entramos.
O lugar era maior do que eu imaginava, e era lindo. Parecia mais um quarto do que um camarim. Tinha uma grande cama de casal preta com roupa de cama azul; uma mesa de trabalho cor madeira escura com um notebook preto em cima; uma penteadeira da mesma cor com grandes kits de maquiagens, elásticos de cabelo, presilhas, grampos, perfumes, cosméticos e remédios bem organizados nas gavetas e prateleiras da mesma; três grandes puffs pretos e duas poltronas também pretas; além de uma televisão na parede acompanhada de DVD's e video-games.
– Tudo isso é para mim? — Perguntei incrédula. Carlos riu feliz.
– Sim, esse é seu camarim. Tudo nele é seu e foi colocado aqui para você. — Respondeu sorrindo para mim.
– Nossa, eu realmente tenho que agradecer o Scott. Ele colocou tudo o que eu gosto aqui e escolheu algumas das minhas cores favoritas para a decoração. Na verdade, nem sei como ele soube disso, mas eu adorei.
– Bom, a verdade é que ele não sabe, até porque não foi ele quem idealizou seu camarim. Você devia agradecer a outra pessoa. — Disse ele com um meio sorriso, pensativo.
– Então para quem devo agradecer? Quem teve a consideração de fazer algo tão fofo para mim?
– Acho que agora não é uma boa hora para te contar isso. É complexo... — O interrompi.
– Não vem com essa de é complexo, Carlos. Por favor, eu preciso saber. Não sei o que parece para você, mas minha vida nunca foi e nem é fácil, e eu sempre quis que alguém fizesse algo assim para mim. Pensando em mim, nos meus gostos. Então por favor, eu te imploro, não me impeça de reconhecer esse ato, de fazer a pessoa saber o quanto eu gostei dele.
– Pipper, é complicado. Mas você deveria agradecer ao James. Foi ele quem fez tudo isso.
Paralisei. O ar que antes parecia abundante, agora se encontrava em falta. Olhei em volta e pisquei algumas vezes. Porque James faria uma coisa dessas para mim? Ele não me despreza? Ele não quer que eu vá embora? Como ele sabe o mínimo que seja sobre mim? Como eu posso agradecer ele pelo que fez, se ele não quer me ver nem pintada de ouro? Nada fazia nenhum sentido sequer. Nenhuma pergunta possuía uma resposta.
– Por quê? — Foi a única coisa que conseguiu sair de minha boca.
– Eu sinceramente não sei...
Continua...
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