My Irresistible Secretary

12 Eu preciso de você


Notas iniciais
Meninas, perdoem a demora. Acabei tendo uns probleminhas e não pude postar o capítulo antes. Eu quero agradecer imensamente a Raira Ketilly, a Nathlia Danielle e a Thay Cullen pelas lindas recomendações. Obrigada, meninas. ♥ Espero que gostem do capítulo. Aproveitem! ;)

POV Bella Swan

Meu coração batia descompassado e um arrepio corria pelo meu corpo desde a ponta do dedão do pé até o último fio de cabelo. Seus penetrantes olhos verdes me fitavam intensamente como se pudessem enxergar a minha alma ou até mesmo o meu coração. Nossas testas permaneceram coladas enquanto buscávamos o ar que fugiu dos nossos pulmões durante o longo beijo. Acariciei o seu rosto e senti a textura áspera da barba por fazer. Um contentamento se instalou no meu peito quando percebi que Edward se deleitava com o meu mais simples toque. Não sei exatamente por quanto tempo fiquei presa naquela névoa de sensações, entretanto, eu não queria que o momento acabasse. Se fosse um sonho, eu não queria acordar.

Ele segurou o meu queixo e ergueu o meu rosto. Os olhos perscrutando os meus em busca de qualquer vestígio de resposta sobre o que acabara de acontecer.

— O que foi isso? — Indaguei por fim.

— Um beijo. — Ele sorriu. — Gostaria de outro para poder confirmar? — Disse matreiro.

— Não brinque comigo. — Respondi séria apesar de que outro beijo não seria ruim. — Por que fez isso?

— Porque eu estou perdidamente apaixonado por você, Isabella Swan.

Let Me Love You

Uma citação nunca saiu tão intensa de sua boca como agora. A frase reverberou em meus ouvidos e o meu coração batia ruidosamente contra a caixa torácica ao se dar conta do significado daquelas palavras.

— O quê? — Perguntei como se quisesse ter a certeza de que o meu cérebro processou corretamente a informação.

— Foi isso mesmo que você ouviu. — Disse com seriedade e encaixou os nossos lábios de modo casto. Afastou-se e acariciou o meu rosto com as costas da mão. — Bella, eu preciso contar uma longa história. Está disposta a ouvir?

— Não estou com a mínima pressa. — Respondi.

Ele assentiu e me levou até o divã na extremidade da cama para que eu me acomodasse. Sentou-se ao meu lado de frente para mim.

— Eu nunca me sinto confortável quando falo desse assunto. Mas você precisa saber antes de tomar qualquer decisão. — Suas mãos mexiam freneticamente e pude perceber o quanto ele estava aflito.

— Está tudo bem, não se sinta pressionado. Não precisa me contar nada que não queira. — Disse preocupada.

— Não! Eu preciso contar! — Fechou os olhos e respirou fundo como se buscasse forças para prosseguir. — Bella, quando eu era mais jovem, eu conheci uma mulher. Na época, ela me parecia ser diferente de todas as mulheres que eu havia conhecido. Eu a idealizei de uma forma tão exacerbada a ponto de pensar que ela era a mulher dos sonhos de qualquer homem. Seus beijos eram cheios de promessas, suas carícias eram ardentes e as palavras eram suaves aos meus ouvidos. E não deu outra, eu me vi perdidamente apaixonado por ela a ponto de pedir a sua mão em casamento. E foi o que eu fiz. — Ele suspirou e passou as mãos nos cabelos. — Todos da minha família foram contra a minha decisão, visto que nenhum deles gostou dela. Eu não dei a mínima e passei por cima de tudo e de todos para me casar e ser feliz. Pelo menos foi assim que eu pensei que seria. — Ele baixou a cabeça e esfregou o rosto. — Certo dia, eu saí mais cedo do trabalho disposto a fazer uma surpresa para ela, mas quem teve uma grande surpresa foi o otário aqui. — Ele riu ironicamente e levantou-se do divã. Começou a andar freneticamente de um lado para o outro. — Quando eu entrei em seu apartamento, havia peças de roupas dela no chão. Como ela não suportava bagunça, aquilo seria uma pista para que eu ligasse os pontos e não entrasse naquele maldito quarto! — Sua voz subiu algumas oitavas e ele esmurrou a parede. — Mas eu entrei mesmo assim. E sabe qual foi a grande surpresa? Quando eu olhei para a cama, ela estava nua e...

Não permiti que ele continuasse e interrompi.

— Shhh... Não precisa descrever algo tão doloroso. Eu já entendi.

— Eu tive o desprazer de ser enganado por alguém que um dia eu pensei que me amasse. No final das contas, eu descobri que ela não passava de uma mulher vulgar e sem escrúpulos. Queria apenas o meu dinheiro e nada mais.

— Eu lamento muito que tenha passado por essa situação.

— Não lamente. — Disse ele. — Essa foi a forma que a vida encontrou de abrir os meus olhos para a verdade. E eu fico aliviado, mesmo que tenha sido de maneira tão dolorosa. Fui poupado de fazer uma besteira que eu me arrependeria pelo resto da minha vida. A história não acaba por aqui. Ainda quer ouvir?

— Se estiver disposto a contar, eu não me oponho. Sou boa ouvinte. — Sorri.

— Eu me alimentei do rancor e da mágoa por muito tempo depois desse ocorrido. Vivi atormentado e cheio de ressentimentos. Eu me fechei totalmente e não tive nenhum outro relacionamento. Eu passei a tratar as mulheres como algo descartável, eu tinha apenas uma noite de sexo em um quarto de motel e nada mais. E algumas delas são até mesmo da empresa. Eu fui um homem de muitas mulheres por medo de pertencer a uma só e sofrer novamente. Por isso, criei uma barreira impenetrável em meu coração para que nenhuma mulher ousasse chegar até ele.

Depois de todas as suas palavras, o sentimento de revolta se instalou no meu peito. Como uma mulher teve a coragem de enganar e brincar com os sentimentos de Edward? Talvez ela não tivesse conhecimento da grande burrada que fez. Tantas mulheres queriam amar e ser amada pelo Edward. Essa mulher não sabia do tesouro de homem que deixou escapar entre os seus dedos, muito mais valioso do que o dinheiro que ela tanto almejava.

E eu que sempre achei o Edward um homem firme, imponente e inabalável. Eu estava enganada, aquilo tudo era somente fachada. Por trás de toda aquela máscara de imponência, havia um homem fragilizado e atormentado. Ele estava preso às trevas de um passado que ele nunca conseguiu deixar para trás. Deixou de viver a vida por medo dos fantasmas e de todas as angústias que o cercavam.

Edward se sentou aos pés do divã e segurou firmemente as minhas mãos.

— Bella, sabe a barreira que eu criei no meu coração? — Assenti. — Durante muito tempo, eu achei que essa barreira fosse segura, mas quando você colocou os pés no meu escritório, ela não foi páreo para você. Pois você conseguiu derrubar todas as minhas defesas e chegou ao meu coração.

Eu ouvia tudo atentamente, era como se Edward estivesse tirando um fardo de suas costas. Ele parecia aliviado a cada palavra que me dizia. Plantou um beijo na palma da minha mão e prosseguiu.

— Você me enlouqueceu desde o dia em que os nossos olhares se cruzaram. Eu confesso que eu só estava interessado em tê-la como mais um troféu em minha coleção de mulheres. Mas depois as coisas mudaram tão inesperadamente, você enfeitiçou o meu olhar e embaraçou todos os meus pensamentos. O seu caráter, a sua doçura, seu sorriso, o profissionalismo e a forma como me trata. Cada uma de suas qualidades foi me desarmando pouco a pouco. Sua personalidade exalava um magnetismo que era impossível evitar. Eu me senti tão atraído por você, tanto que eu nem conseguia mais ter alguma coisa com outra mulher. Era como se o meu coração e o meu corpo só quisessem você. E depois de muito tempo, eu percebi que não podia mais fugir do que eu estava sentindo.

As lágrimas desciam a cada palavra que eu ouvia. Meu coração se aqueceu ao saber que meus sentimentos eram correspondidos.

Edward limpou as minhas lágrimas e segurou o meu rosto entre as suas mãos. Olhou firmemente em meus olhos.

— Bella, será que pode corresponder aos meus sentimentos? Mesmo sabendo da vida promíscua que eu levei por tanto tempo? E o que você tem com aquele cara que foi buscá-la na empresa? Se por acaso ele for algum rival, saiba que eu estou disposto a lutar por você com todas as armas. E o mais importante, você sente alguma coisa por mim? — Eu vi o medo estampado em seus olhos. Ele temia pela minha resposta.

Afaguei o seu rosto para logo depois juntar as nossas mãos.

— Você ainda tem dúvidas? — Sorri em meio às lágrimas. — Se eu não sentisse nada, muito provavelmente você presenciaria a minha fúria por conta desse beijo. E quanto ao cara que você viu indo me buscar na empresa, ele se chama Jacob. Somos amigos de infância e nunca houve nada entre nós. Se lhe serve de consolo, ele é apaixonado pela noiva. Não existe nenhum rival, e mesmo se existisse, você seria o vencedor da disputa pelo meu coração. — Ele ficou visivelmente aliviado ao ouvir a minha resposta.

— Eu não quero apenas uma relação profissional, Bella. Eu quero mais do que isso. Eu quero você. Eu a desejo como um homem deseja uma mulher. Acha que podemos tentar algo mais? — Ele sorriu e beijou as minhas mãos.

Ao ouvir aquelas palavras, a realidade foi imposta diante de mim. Como poderia dar certo? Nossos mundos são tão diferentes, ele é um homem da alta sociedade e eu sou apenas uma simples secretária de classe média. Os comentários maldosos iriam surgir. As lágrimas deslizaram pelo meu rosto e me desvencilhei das mãos de Edward. Levantei-me do divã e fiquei de costas para ele.

— Como acha que isso pode dar certo? — Indaguei. — Nossas posições sociais são tão diferentes, comentários maldosos irão surgir ao saberem que sou apenas uma simples secretária. Todos do seu meio irão torcer o nariz para mim. Além disso, você pode ter a mulher que quiser aos seus pés, principalmente uma que seja do seu mesmo padrão social.

Edward rodeou a minha cintura com seus braços, abraçando o meu corpo por trás.

— Acha mesmo que eu estou preocupado com o que os outros irão dizer? — Seu tom de voz era firme. — Tem certeza que vai deixar de ser feliz por causa dessa sociedade medíocre? Você mesma disse que precisava sentir novamente o que era ser amada. Eu abri o meu coração e estou disposto a redescobrir o amor que há muito tempo eu enterrei. Deixe-me amar você, Bella. — Virou-me de frente para ele. — E eu não quero outra mulher, a única que eu desejo está em meus braços agora.

— Nem mesmo a Anna? — Perguntei enrubescendo. Eu fiquei com ciúme do modo atencioso e carinhoso que ele tratou a diretora-presidente da filial. — Eu senti uma conexão forte entre vocês, pareciam tão próximos. Ela é loira e linda, mesmo sendo mais velha.

— A Anna? — Ele riu alto. — Não estou interessado nela, até porque eu prefiro uma morena em particular. — Ele deu uma piscadela. — Além disso, incesto não é a minha praia.

— Ela tem parentesco com você? — Perguntei um tanto surpresa.

— Sim, ela é irmã mais nova de Carlisle. Mas agora que ela está ficando velha, não gosta de ser chamada de tia. — Ele riu e eu acompanhei. Ele levantou o meu queixo e sustentou o meu olhar. — Bella, vai mesmo fugir do que estamos sentindo por medo do que os outros irão pensar? Não faça isso. Eu só peço uma chance para fazê-la feliz.

Edward tinha razão. Que se dane a sociedade! A oportunidade para ser feliz estava sendo colocada em minhas mãos e eu não poderia deixar escapar.

— Não, eu não vou fugir. — Sorri em meio às lágrimas e segurei o seu rosto. — Eu quero tentar. Tudo o que eu mais quero é ser feliz com você, Edward! — Proferi aquelas palavras quase gritando.

Edward ergueu o meu corpo e me girou diversas vezes no ar. Ri e gritei como uma boba diante de seu ato inesperado. Colocou-me no chão novamente e distribuiu beijos estalados por toda a extensão do meu rosto.

— Você se deu conta de uma coisa? — Ele sorriu

— De quê? — Perguntei confusa.

— Você me chamou de Edward. Finalmente! — Ele quase explodiu de alegria. — Não sabe o quanto eu esperei pelo meu nome sendo dito de forma íntima por seus lábios. É como música para os meus ouvidos.

— Eu sou muito profissional, Sr. Cullen. Eu não teria a ousadia de chamar o meu chefe pelo nome. Seria um tremendo desrespeito. — Ri serelepe e joguei os braços em volta de seu pescoço. — Mas agora eu posso. Inclusive, posso beijá-lo também. — Dei uma piscadela e brinquei com os cabelos de sua nuca.

— Hum, é mesmo? — Respondeu entrando na brincadeira. — Saiba que o seu chefe está gostando muito desse novo tratamento.

Sua boca tomou a minha com paixão e nossos lábios se encaixaram como peças de um quebra-cabeça. Sua língua explorava suavemente a minha boca. Uma de suas mãos segurava possessivamente a minha cintura enquanto a outra se emaranhava em meus cabelos. Céus! Que beijo! Meus pelos se eriçavam a cada investida de sua língua contra a minha. Puxou o meu lábio inferior entre os dentes antes de cessar o beijo. Olhou-me com ternura e roçou seus lábios contra os meus mais uma vez antes de se afastar.

— O seu nó de gravata é horrível, Sr. Cullen. — Brinquei. — Mas já o seu beijo... Eu diria que é um talento incontestável. — Sorri.

— Você machuca o meu ego e depois me elogia para se redimir? Espertinha! — Ele riu. — E pare de me chamar de senhor. — Disse fingindo uma carranca.

— Meu Edward. — Dei um singelo beijo em sua boca e ele sorriu.

Afastei-me dele e cruzei a porta que dava acesso à sacada. Curvei-me sobre o parapeito admirando a vista da linda cidade. Edward se aproximou e abraçou o meu corpo por trás. Em seguida, suas mãos se entrelaçaram com as minhas sobre o parapeito.

— Toronto é uma cidade tão linda. — Falei maravilhada.

— Não mais que você. — Sussurrou com os lábios próximos ao meu ouvido.

— Você faz com que eu me sinta uma mulher especial. — Disse balançada com o seu comentário.

— E você é. Fazer com que você se sinta assim, será a minha especialidade de hoje em diante. Não isso apenas, quero fazê-la feliz também. — Senti um beijo no topo da minha cabeça.

O tempo poderia congelar naquele momento. Nada mais importava além da presença de Edward. Sua respiração suave, seus batimentos cardíacos contra as minhas costas, seus dedos desenhando círculos em minhas mãos, o calor de seu corpo junto ao meu... Eram sensações impossíveis de abandonar. Todavia, eu precisava ir para a minha suíte, mesmo que o meu corpo gritasse que não. Agora era o momento de ouvir a razão e não o coração.

— Eu preciso ir para a minha suíte. Pretendo elaborar a sua pauta ainda hoje.

— Não, eu não quero que vá. Fique comigo. — Seus braços se apertaram em minha volta.

Virei de frente para ele e descansei as minhas mãos sobre os seus ombros.

— Querido, a reunião de amanhã é importante para você. Sou sua namorada agora, mas ainda continuo sendo a sua secretária.

— Você tem toda a razão. Mas é que agora vai ser mais difícil ficar longe de você.

Deslizei os braços por suas costas, abraçando-o. Apertei o meu rosto contra o seu peito, inalando o seu cheiro.

— Voltarei amanhã antes que sinta a minha falta.

— Impossível, Srta. Swan! Alguns minutos longe de você já é o suficiente para a saudade tomar conta de mim.

— Somos iguais nesse aspecto então. — Beijei a covinha em seu queixo e ele sorriu.

Saímos da varanda e caminhamos de mãos dadas até a porta de sua suíte. Apanhei a pasta de arquivos que ainda estava no chão, a mesma tinha sido tratada com grande desdém durante o nosso primeiro beijo.

— Bem, agora eu preciso ir. — Disse a contragosto. — Iremos nos ver ao amanhecer?

— Com toda a certeza. — Ele curvou os lábios em um sorriso. — Quero tomar café da manhã com você antes de irmos para empresa. Certo?

— Tudo bem. — Sorri em resposta. — Mereço um beijo de despedida? — Fiquei na ponta dos pés.

— É claro que sim.

Edward beijou-me de maneira doce e apaixonada, como se quisesse comunicar com a boca o quanto eu era adorada. Contrariando a sua vontade de permanecer perto de mim, afastou-se.

Sorri e cruzei a porta que ele abrira. Soprei um beijo de despedida e ele sorriu amplamente.

Entrei em minha suíte e fechei a porta em seguida. Joguei-me na cama com os braços abertos e balancei as pernas alegremente enquanto sorria. Eu estava totalmente envolvida no extasiante momento. Fechei os olhos e as cenas anteriores perpassaram como um filme em minha mente. Toquei os meus lábios me lembrando dos seus beijos. Era tudo tão irreal, eu ainda não acreditava que estávamos juntos. Pela primeira vez, eu senti que poderia ter de volta a felicidade.

[...]

O dia seguinte foi bastante corrido na filial. Edward arcou com todos os seus compromissos e eu o acompanhei em sua reunião. Realizei todos os procedimentos imprescindíveis para a realização da mesma. Estava atenta a cada palavra dita pelos participantes e elaborava minuciosamente a ata.

Apesar de sua concentração em discutir os assuntos em pauta com os integrantes da reunião, Edward quase não desviava o seu olhar de mim. Eu sorria discretamente quando os nossos olhares se cruzavam. Desviei a atenção para as minhas atividades, mas era quase impossível me concentrar quando um certo par de olhos verdes me fitavam tão intensamente.

Depois de algum tempo, a reunião foi dada por encerrada e pouco a pouco os integrantes deixavam a sala. Em seguida, Edward e eu estávamos sozinhos no recinto. Fiquei em pé diante da extensa mesa enquanto organizava todas as minhas papeladas. Edward levantou-se de sua cadeira giratória enquanto ajustava a gravata. Observou-me por um momento e esfregou o queixo.

— Por que está me olhando assim? — Indaguei.

— Eu tenho uma secretária muito atraente e é realmente difícil ignorar a presença dela. — Disse despejando todo o seu charme. — Por conta disso, estou pensando seriamente em deixá-la de fora das reuniões.

— Eu fiz algo de errado?

— Sim. A senhorita está abusivamente deslumbrante nesse vestido vermelho. Precisava usar esse traje logo no dia em que ficaria em uma sala cheia de marmanjos? Não gostei nada dos olhares dos meus sócios em sua direção.

Aproximei-me dele e o puxei pelas lapelas do paletó.

— É mesmo? Eu nem percebi. Estava mais interessada no olhar de um homem em especial. — Sorri calorosamente.

Ele sorriu e colou os nossos lábios.

[...]

Era fim de tarde quando retornamos para o hotel. Andamos de mãos dadas pelo extenso corredor até a porta de entrada da suíte de Edward.

— Gostaria que jantasse comigo essa noite. — Ele afastou uma mecha de cabelo do meu rosto. — Mas não como patrão e secretária, como um casal de namorados.

— Eu adoraria, querido. Mas o que eu devo vestir? Imaginei que essa viagem seria apenas a trabalho.

— Mas eu não. — Ele sorriu matreiro. — Todos os meus planos já estavam traçados para essa viagem. Eu tenho algo para você. Venha!

Entramos em sua suíte e ele foi em direção ao criado-mudo. Apanhou uma caixa prata de onde tirou um lindo vestido azul de um ombro só, estendendo-o sobre a cama.

— Edward, é lindo. Mas... Eu... Não posso aceitar. Eu não tenho nada para dar em troca.

— Querida, esse não é o momento de fazer objeção. Aceite, por favor. Vê-la vestida nele é o que eu quero em troca. — Ele disse de uma maneira quase suplicante. — Por favor.

— Tudo bem. — Sorri e coloquei o vestido em frente ao corpo. — Como soube que era do meu tamanho? — Indaguei.

— Eu passo muito tempo observando você. Então não foi difícil deduzir. — Enrubesci diante de seu comentário.

Coloquei o vestido de volta na caixa e me preparava para sair do quarto.

— Bem, eu preciso ir me arrumar então.

— Esperarei ansiosamente por você. — Ele sorriu e beijou as minhas mãos.

[...]

Pincelei os lábios com um batom cor de boca e a maquiagem estava finalizada. Afastei-me para ter um melhor vislumbre da minha produção diante do espelho. Os cabelos estavam presos para cima, mas alguns cachos caíam ao redor do meu rosto. A cintura estava acentuada pelo vestido e as pernas alongadas e atraentes por conta dos saltos. Sorri satisfeita. Apanhei a minha pequena bolsa e saí do quarto.

Olhei por todo o corredor à procura de Edward. Ele estava de costas em um canto, falava com alguém ao celular. Virou-se para mim e sorriu largamente. Fez um gesto com a mão para que eu aguardasse.

Ele vestia uma camisa de botões azul, calça social escura e calçava belíssimos sapatos italianos. Os cabelos estavam meticulosamente bem penteados.

Encerrou a ligação e guardou o celular no bolso. Veio todo sorridente em minha direção e rodopiou-me.

— Está magnífica, querida. — Disse enquanto enrolava um de meus cachos em seu dedo indicador.

— Graças a você. Certamente, eu estaria usando um dos meus terninhos que uso comumente.

— E mesmo assim continuaria linda. Na verdade, permaneceria linda até mesmo se estivesse vestida em trapos, meu anjo.

Senti o meu rosto esquentar. Esse homem não existia.

— Você também está muito bonito. Hum, garboso, na verdade. — Sorri.

— Obrigado. Garanto que eu me esforcei o bastante para estar à altura da minha dama.

Ele ofereceu-me a curva de seu braço e eu segurei.

— Vamos? Iremos ao restaurante mais requintado do hotel.

Assenti e adentramos o elevador.

Edward não estava errado quando dissera que era um restaurante aprimorado. O ambiente era adornado com requinte. Os lustres eram responsáveis pela iluminação e pelo charme do local. O vermelho predominava o espaço. Ao fundo, músicos tocavam e vários casais dançavam graciosamente na pista de dança.

Fomos levados até uma mesa e Edward puxou a cadeira para que eu me acomodasse. Em seguida, sentou-se à minha frente. Logo, um garçom nos atendeu e entregou os cardápios.

— Gostariam de beber alguma coisa? — O garçom perguntou polidamente.

— Eu quero brindar um acontecimento especial. — Edward sorriu amplamente. — E para isso, eu gostaria de uma garrafa de seu melhor champanhe.

— Pois não, senhor. Com licença.

Edward acariciou a minha mão sobre a mesa.

— Eu gostaria que aproveitássemos a nossa última noite na cidade da melhor maneira possível. Amanhã voltaremos para Los Angeles. Então quero que essa noite seja perfeita. — Ele me fitava intensamente.

— Acredite, essa noite está perfeita só pelo fato de eu estar com você, Edward. — Disse ternamente.

— A recíproca é verdadeira. — Plantou um beijo nas costas da minha mão.

O garçom voltou com a garrafa de champanhe e serviu as nossas taças.

— Já querem fazer o pedido?

Edward assentiu. Pedi uma porção de filé mignon e ele optou pela sugestão do chefe. O garçom anotou os pedidos e retirou-se.

Edward pegou a sua taça, erguendo-a.

— Um brinde ao nosso relacionamento. Um brinde à nossa felicidade. — Ele quase explodia em contentamento.

— À nossa felicidade. — Proferi e fizemos tintim com as taças.

Depois de algum tempo, nossos pedidos chegaram. A comida estava maravilhosa, eu saboreava e ficava satisfeita a cada garfada. Edward perguntou se eu queria a sobremesa, aceitei prontamente. Pedi uma torta de chocolate com frutas vermelhas.

Edward apreciou o salão de dança e logo os seus olhos voltaram para mim. Levantou-se e segurou delicadamente a minha mão.

— Você me daria a honra? — Pediu calorosamente.

— É claro que sim. — Respondi curvando os lábios em um sorriso.

Thinking Out Loud

Levou-me para o meio da pista de dança. Descansei minha mão em seu ombro enquanto ele segurava possessivamente em minha cintura. Começamos a balançar no ritmo suave da música.

— Lembra da nossa primeira dança? — Perguntou ele.

— E como eu poderia esquecer? Você foi tão atrevido naquele dia.

— Você foi a culpada. Estava irresistível naquele vestido. — Ele riu. — A propósito, eu adoro o azul em sua pele. Ainda lembro o dia em que você apareceu pela primeira vez no meu escritório. Passei a gostar mais do azul, especialmente em você. — Ele arqueou o meu corpo e jogou-me para trás teatralmente.

— Vou me lembrar disso e usarei azul com mais frequência. — Disse com a voz meio alterada por conta de seu movimento anterior.

Edward me girou, deixando-me de costas para ele. Seu peito estava colado em minhas costas e pude sentir as batidas do seu coração. Fechei os olhos apreciando o momento.

— Obrigado, meu bem. — Edward sussurrou com a boca colada à minha orelha.

— Por? — Indaguei.

— Por trazer o antigo Edward cheio de vida à tona. Por estar disposta a reconstruir o meu coração.

Virei de frente para ele.

— Eu que agradeço, amor. — Segurei o seu rosto. — Fui uma mulher carente de afeto por muito tempo. E agora, você está me dando a chance de fazer o meu coração voltar à vida. Você será o meu refúgio e eu serei o seu. — Disse com os olhos marejados.

— Eu sei que vou encontrar o amor sincero no calor de seus braços, Bella. Eu preciso de você mais do que nunca, meu amor. Eu preciso de você. — Ele acariciou o meu rosto com as costas da mão.

Edward capturou os lábios que eu lhe oferecia. Seus lábios acariciavam os meus delicadamente. Sua língua se movimentava de um jeito carinhoso e sensual. Um beijo apaixonado que me aqueceu por dentro. Era como se existisse apenas nós dois, nada mais importava.

E ali, naquele momento, eu me dei conta de que não teria mais volta. Cada célula do meu corpo necessitava de Edward. E algo que há muito tempo eu não tinha, nasceu em mim, a esperança de ser feliz novamente.

[...]

Estávamos dentro do avião atendendo as instruções e nos preparando para a decolagem.

— Eu prometo que um dia voltaremos para Toronto. — Edward falou. — Mas não em uma viagem a trabalho, uma viagem a dois. — Ele beijou a minha mão.

— Acho justo. De certa forma, a cidade se tornou especial para nós dois. — Sorri e o beijei de modo casto.

O avião levantou voo e eu olhava através das janelas a cidade de Toronto sendo pouco a pouco deixada para trás. Mas o que não ficaria para trás eram as lembranças, essas já estavam cravadas em meu coração.

Notas finais
Gostaram? Eu espero que sim. *----* Usem esses dedinhos para comentar, favoritar e recomendar. Rsrs... Enfim, façam uma autora feliz. ♥ Bjs da Lê...