Barry's POV

Já se passaram seis meses desde a singularidade, mas ainda não consigo aceitar todas as perdas daquele dia, todas as lágrimas derramadas. E tudo por minha culpa.

Afastei todos de mim, acreditando ser o melhor. Posso sofrer por eles, mas não consigo ver eles sofrendo por mim. Encarava o laboratório agora vazio, apenas eu e meu uniforme que me lembrava o que devo fazer, e o que já fiz.

Recebi um chamado de Joe. Corri com super velocidade, e assim que cheguei perto do local, parei, e fui andando. Avistei o corpo, e fui até ele, o examinando. Joe veio até mim, com um olhar preocupado.

— Como você está?

— Tudo bem. — Coloquei minhas luvas e sorri, ainda encarando o corpo no chão. — E você?

— Bem. Então, o nome da vítima é Al Rothstein. Era um soldador na usina nuclear. Um colega o encontrou esta manhã. O que você conseguiu?

— Petéquias no rosto, olhos brancos, e marcas no pescoço... — Ele agachou para ver o corpo mais de perto. — Estrangulado por alguém bem forte e grande.

— Ou por algo? — Ele disse, com uma feição assustada.

— Não foi o Grodd.

— Graças a Deus!

— Aviso quando souber mais. — Continuei investigando o corpo, e Joe se levantou.

— Então... O dia do Flash... Espero que esteja pensando em aparecer. — Dia do flash, uma comemoração para me lembrar do herói que não fui. Me levantei, e dei de ombros.

— Ainda não em decidi.

— Soube que o Prefeito quer te dar a chave da cidade.

— Eu não preciso do prêmio.

— Você ama ganhar prêmios. E aqueles troféus de ciência no ensino médio?

— Aqueles eu mereci.

— Sophie vai.

— Eu te falo se encontrar algo, certo?— Disse antes de me dirigir a saída.

— Não pode continuar afastando todo mundo. Sophie precisa de você, Barry.

— Ela precisa ficar longe de mim.

Sophie's POV

"O dia do Flash está chegando! Uma comoção especial para honrar o homem que salvou Central City. Seis meses se passaram desde o dia que Flash salvou a cidade do buraco negro que saiu do céu."

A campainha tocou, tirando minha concentração da TV. Vesti minha regata branca, e coloquei meu shorts jeans. Desci as escadas correndo, e olhei para a casa vazia, me deixando com um frio na barriga. Abri a porta, e nela estava o homem do correio, que me olhou com um sorriso malicioso.

— Entrega especial. — Em suas mãos havia um buque de flores amarelas, com um cartão pendurado em uma delas.

— Quinta entrega especial neste mês. — Disse sorrindo irônica.

— Você tem um belo de um admirador secreto, Srta. White. — Ele me entregou o buque e então saiu. Na frente da minha casa havia um homem que apontava a câmera na minha direção. Ao me ver, ele escondeu a câmera, e continuou andando. Talvez seja imaginação.

Barry's POV

Desde a singularidade, a cidade estava quase toda destruída. Todas as noites, ia em um dos lugares, e ajudava a arrumar algo. Hoje estava pensando no Jitters, afinal é um dos meus lugares preferidos. Ele estava uma zona quando cheguei. Usei minha velocidade para tirar todos os destroços, deixando mais limpo. Peguei as ferramentas e coloquei sob a mesa. Hora do trabalho!

— Se não quiser mais ser o Flash, terá um grande futuro como construtor. — Olhei para a entrada, e Iris estava parada, com um sorriso no rosto. Ela se aproximou, e eu sorri sem graça.

— Obrigado. Só estou tentando arrumar tudo como era antes do... Você sabe.

— Parece que o comércio local está sendo construída a noite, secretamente. — Eu sorri. — Estava pensando em escrever sobre isto.

— Não, por favor.

— Barry, as pessoas acreditam no Flash. Eles só querem agradecer o herói que salvou Central City.

— Não fui eu. Você deveria saber melhor do eu. — Ela ficou triste ao se lembrar de Eddie. Eu e minhas palavras. Ela veio até mim e me entregou um dos panfletos do Dia do Flash.

— As pessoas leem os artigos,as vezes veem um raio vermelho, mas elas nunca viram o Flash, Barry. Acho que esta na hora. — Ela disse, sorrindo e se virando para a direção da porta. Fiquei encarando o panfleto por alguns minutos, me lembrando do que aconteceu. De como era assustador tudo sendo engolido por aquele buraco negro.

**Flashback**

— Eu tenho tentar. — Beijei a testa de Sophie, e corri em direção aquela massa negra no céu. Era assustador. Usei os escombros para subir. Era simples o plano, só precisava correr na direção oposta, da mesma forma que com um tornado. Comecei a correr, o mais rápido que minhas pernas aguentavam.

— Barry, está estabilizando, continue o que está fazendo.— Cisco disse, me deixando esperançoso.

— Não sei por quanto tempo consigo aguentar. — Disse, mas precisava aguentar. Eu preciso aguentar por todos lá embaixo. Vi Ronnie com o professor indo em direção ao centro do buraco. Não sabia o que eles iriam fazer, mas senti um arrepio na espinha. Eles me olharam, e tudo parecia como um adeus. — Não! —Gritei, tentando ir atras deles, suas chamas tomaram conta do céu, e então vi o professor caindo. Corri até ele, segurando ele, e virei meu corpo para um dos prédios, para correr nele. Tentei parar, mas acabei caindo, batendo na parede, segurando o professor para não se machucar. Olhei para todos os lados a procura de Ronnie, não encontrando nada.

— Ronald? Ronald? — Professor procurou ao redor, e então me olhou. Balancei a cabeça, e ele ficou com os olhos espantados, não acreditando. Me levantei e vi todos correndo em nossas direções. Caitlin começou a chorar, já percebendo tudo.

— Sinto muito. — A abracei enquanto ela derramava suas lágrimas em meu ombro. Olhei ao redor a procura de Sophie, sem sucesso. —Onde está Sophie?

**Presente**

Sophie's POV

Tinha uma grande multidão, e a maioria estava vestida de vermelho e amarelo, foi tão emocionante ver tudo. O prefeito subiu ao palco, e todos bateram palmas,e alguns ergueram as bexigas vermelhas no alto. O sorriso das crianças era a coisa mais preciosa. Olhei ao redor a procura de alguém que conhecia, e vi alguém familiar com a câmera apontada em mim, ao colocou a câmera de lado, e olhou para o palco.. Fui até o homem com a jaqueta de couro, e fiquei ao seu lado, no qual ele parecia surpreso.

— Devo me preocupar com você?

— O que? —Ele disse surpreso, e quando me viu, parecia se lembrar de mim.

— Está me seguindo?

— Não.

— Tirou fotos de mim hoje de manhã. E agora...— Olhei apontando para a câmera, ele sorriu, e abaixou um pouco a cabeça para chegar ao meu tamanho.

— Uma beleza como a sua precisa ser registrada.

— Isto foi assustador!

— Desculpe. — Ele colocou as mãos no bolso, e voltou sua atenção ao palco. — Garrick. — Ele me olhou, e limpou a garganta sorrindo. — Jay Garrick.

— Sophie White. — Ele apertou minha mão, e então ficou me encarando. Todos vibraram e então minha atenção se voltou ao palco, onde o Flash estava, acenando para todos. Sorri ao ver ele, faz tempo que não conversamos ou apenas trocamos olhares e sorrisos. Ele olhou no meio da multidão e me encarou, pude ver seu sorriso ao me ver.

— Parece que você tira a atenção até do Flash.— Jay disse, no qual não consegui segurar uma gargalhada.

— Eu tiro sua atenção?

— Um pouco.

— Central City sempre está aberta para você, Flash. — O prefeito disse, mostrando uma chave dourada em suas mãos. Não conseguia segurar minha felicidade com tudo. Senti uma pressão nas minhas costas, jogando meu corpo para o lado. Jay me segurou para eu não cair. Olhei para o lado, e vi uma figura estranha com um capuz preto.

— Você esta bem? — Jay me perguntou,me segurando pela cintura. Me afastei dele,e arrumei meu cabelo um pouco envergonhada.

— Sim.— Ele sorriu, e então a multidão começou a gritar. Olhei para o palco, e uma barraca de pipoqueiro voava em direção ao prefeito. Barry pegou ele, ecolocou ele em um lugar seguro. Todos começaram a correr, e Jay pegou minha mão.

— Vamos sair daqui. — Olhei para a direção de Barry que enfrentava o homem de preto. Balancei a cabeça, e segui Jay.

**Flashback**

— Pai!! Gritei subindo as escadas a procura do meu pai. A fumaça começava a me afetar, e a pressão que o vento fazia, me puxando na direção daquela enorme massa no céu me assustava, mas tinha coragem o suficiente para preocupar meu pai. — Pai?

Fui subindo até encontrar vários escombros. Me segurava na parede, e andei olhando em todas as direções. Avistei um corpo no chão e corri para socorrer.

— Pai? — Ele estava sangrando com uma grande parede sob seu corpo. — Vou te tirar daqui. — Tentei levantar a parede, mas nem se movia. Ele tossiu, e abriu seus olhos.

— Querida?

— Está tudo bem, pai. Vou te tirar daqui! — Falava chorando, sabia que não ia conseguir tirar dele, era fraca, fraca demais. Machuquei minha mão, e cai de joelhos no chão. Ele sorriu, e segurou minha mão.

— Esta tudo bem querida. — O prédio se mexia, no qual parecia que ia cair, e o teto começava a se despedaçar. — Saia daqui.

— Não vou te deixar! — Ele começou a chorar.

— Eu te amo querida.

— Eu te amo, pai. — Ele tocou no meu rosto, limpando minhas lágrimas.

— Não sinto minhas pernas.

— Você está bem. Tudo está bem. — Menti. Ele já estava perdendo sua consciência pela falta de sangue. — Pai! Fique acordado.

— Estou tão cansado.

— Pai!

— Me desculpe por não ser o melhor o pai para você. — Ele tossiu de novo, saindo um pouco de sangue da sua boca. Meu coração parecia explodir, e meu rosto estava inundado com lágrimas.

— Você é o melhor pai do mundo! — Ele sorriu, e concordou.

— Eu sou. — Eu sorri, segurando sua mão, e me sentando ao seu lado. —Mike?— Ele apontou para outro corpo, no qual vi ser Mike, senti um arrepio ao ver ele com os olhos sem vida, encarando o telhado. — Ele está bem?

— Sim. — Eu menti de novo, fingindo um sorriso. — Ele está bem, pai.

— Bom, parece que sou um herói afinal.

— Você é meu herói pai. — Eu o abracei, e ele beijou minha testa. — Eu te amo muito. — Ele me abraçou, mas logo sua mão caiu no chão. Levantei meu rosto, e ele estava perdendo o brilho em seus olhos azuis. — Pai? — Eu o abracei mais forte, não me deixa, não me deixa! Fiquei repetindo para mim mesma. Senti uma pressão, e uma explosão aconteceu no céu. Mas não liguei para nada ao meu redor, não liguei para pedaços do telhado caindo e me atingindo. Só queria ficar perto do meu pai.

— Sophie? — Olhei para trás e vi Barry, que olhou para o corpo de Mike, e outros dois do outro lado. Ele correu na minha direção, e quando viu meu pai me abraçou, colocando a mão no meu rosto para não olhar. — Vamos sair daqui. —Ele disse, tentando me levantei, mas me esforcei para sair de seu abraço.

— Não vou deixá-lo! — Ele me segurava, me forçando em seus braços. — Para!