My Heart is Yours
2 O e-mail.
Notas iniciais
“Bem prima, sei que você é conselheira matrimonial – Okaa-san me contou- e, também sei que não nos vemos desde antes da separação dos meus pais, mas Okaa-san disse que conversou com você sobre a situação e acha que você pode me ajudar e eu espero que possa. Meu casamento está acabando e eu preciso fazer algo para mudar isso. Bom, você disse a ela que me ajudaria, mas sem conhecer a história era difícil então, minha história é a seguinte conheci o amor da minha vida aos 16 anos – ela já me conhecia há um tempo, mas eu a conheci naquele dia.
Na adolescência eu tinha uma banda — na verdade, tinha até uns anos atrás. — mas nós nunca conseguimos arranjar um vocalista que fosse bom o suficiente. — E num dia enquanto eu andava frustrado — por me despedir de outro vocal que não acertava nenhum tom — pelos corredores da principal escola de ensino médio de Konoha, eu a ouvi.
Era, sem duvidas, a melhor voz que ouvira e uma música que eu conhecia muito bem. Surpreendi-me e parei próximo a entrada da sala de música para ouvir um pouco melhor. Não podia interromper, era divino. Nunca havia passado em minha cabeça a idéia de ter uma vocalista mulher, mas era aquela voz que eu procurava.
Quando a ultima nota soou no violão, eu abri a porta e vi que não era só a voz, ela também era linda. Os longos cabelos estranhamente azuis, a pele extremamente branca, o olhar — de um tom singular perolado – surpresos por parecer estar sendo vigiada.
– Você quem cantava? – a pergunta pareceu um tanto idiota, afinal ela era a única pessoa ali, além de mim, claro.
– H-H-Hai. — ela respondeu gaguejando e suas bochechas ficaram rosadas ao olhar para mim.
– Desculpa. — minhas mãos foram para a nuca, coçando-a levemente. – Sei que parece que eu a estava vigiando, mas não pude deixar de ouvir. – sorri de lado e seu rosto ficou ainda mais vermelho. – Sou Naruto, tebayo.
– H-Hai. – ela abaixou os olhos e pegou a capa do violão, guardando-o. – S-sou Hyuuga H-Hinata!
– Prazer em conhecê-la Hinata! – vi um sorriso escapar dela, eu conhecia o sobrenome, era o mesmo de Neji. – Você é parente do Neji?
– H-Hai. – ela colocara o violão nas costas. – Ele é m-meu primo. – Neji já comentara que sua prima estudava em nossa escola, o que ele se esquecera de falar era que ela cantava muito bem. – Com licença, e-e-eu vo-vou me atrasar para a-au-aula. – Ela andava em direção a porta com o violão maior que si mesma nas costas, mas segurei levemente seu braço e ela me olhou um tanto assustada.
– Não sei se sabe, mas eu tenho uma banda aqui na escola, seu primo faz parte dela também, e estamos procurando um vocalista, se quiser aparecer hoje. – disse. – Vamos ensaiar na hora do almoço no auditório. – a vi assenti e sair da sala. Esperava, verdadeiramente, que ela aparecesse no ensaio e que Neji não se importasse de ter a prima na banda, mas isso não era tão importante, a banda era minha, afinal. Olhei para o relógio na parede bege da sala – que fazia um barulho consideravelmente alto para a sala silenciosa – e vi que ela tinha razão sobre a aula, eu estava atrasado.
E foi assim, naquele dia, ela apareceu no ensaio, cantou uma música em seu violão para os 5 da banda e se tornou nossa vocalista. Passávamos metade dos almoços da escola juntos ensaiando, eu freqüentava sua casa porque agora a banda já não era mais cover, Hinata não só cantava como escrevia músicas para tocarmos, as letras eram românticas e apaixonadas, mas mesmo com as originais todo ensaio tocávamos a primeira que a ouvi cantando ‘My Heart – Paramore’ ela cantava com uma emoção, um sentimento que era incrível ouvir. Neji aceitara sua prima na banda, na verdade, ele gostava da idéia, mas um dia contou por que não falara dela, seu tio – pai de Hinata – não aceitava o gosto da filha por música, dizia que isso não era profissão e até mesmo batia em Hinata quando a via muito tempo focada no hobbie.
Certo dia eu estava em sua casa, após a escola – como sempre- estávamos compondo, então o pai dela chegou.
– Hinata.. – ele disse duro quando passou pela porta, mas parou ao me ver. – O que esse menino faz aqui?
– E-e-ele é u-um amigo da escola pai. – olhei para ela e vi medo em seus olhos, ela tinha medo do pai. – S-s-s-só estamos estudando. – ele riu amargo.
– Meninos da sua idade não querem amizade Hinata, ainda mais com você que mal sabe conversar, eles querem sexo. – ele ainda ria, ela abaixou a cabeça triste e eu não conseguia deixar de olhar serio o rosto do homem que ria, não podia negar que reparava e olhava sempre que possível para os grandes seios dela, ou para o quadril largo e a bunda – eu sou homem, afinal – mas Hinata era uma pessoa incrível e não merecia ouvir aquilo.
– Desculpe Senhor, mas eu sou sim amigo de Hinata, e, para sua informação, ela conversa muito bem e, também, tem assuntos e gostos muito refinados. – sabia que eu estava sendo abusado, mas não iria o ouvir falar assim com ela.
– Não se meta moleque, você nem deveria estar na minha casa. – ele ralhou. – Vá embora, já disse e vou repetir somais uma vez, não quero meninos nessa casa. Saia!
– Vamos Hinata! – me levantei guardando o violão. – Vamos para outro lugar!
– Hinata não vai a lugar nenhum. – olhei para ele, iria desafiá-lo, mas senti a mão de Hinata em meu braço, seu olhar era suplicante para que eu não discutisse com seu pai.
– Posso levá-lo ao portão Otou-san? — ele assentiu, e em silêncio saímos da casa dela. – D-d-d-desculpe Naruto-kun.
– Não sei como agüenta isso Hinata, você não merece ouvir essas coisas. – ela abrira o portão e eu saira ainda virado para ela.
– O-o-obrigada por s-s-se importar c-comigo Naruto-kun. – ela estava vermelha com o rosto inclinado para baixo e eu não agüentava mais, muito antes daquele dia estava doido para beijá-la. Puxei-a pelo queixo e capturei seus lábios em um beijo apaixonada, sim eu havia me apaixonado por ela.
Depois daquele dia fora uma semana até começarmos a namorar, então conhecia a história de Hinata, ela era apaixonada por mim desde nossa infância, era uma feliz coincidência, se não fosse o empecilho de seu pai. Ele era rico, muito rico. E eu não, pelo menos não mais, desde que meus pais se separaram quando eu tinha 6 anos – como você sabe — a única coisa que meu pai ainda fazia era pagar minha escola e olhe lá. E para Hiashi, eu nunca ficaria com Hinata, muito menos para ser musico.
Após dois anos juntos, nós terminamos o Ensino Médio e Hinata queria, assim como eu, fazer música, ela estava disposta enfrentar o pai para fazer isso, e no dia que ela o contou – obviamente eu estava junto. – ele disse que se fosse para ser uma fracassada por completo era para sair de sua casa e não voltar mais. Eu estava confiante, então disse a Hinata que preparasse as malas, pois não a deixaria ali e nos casaríamos. Ele riu descarado e eu nunca esqueci as palavras que ele disse:
– E vão comer o que? Música? – ele começou. – Hinata não receberá mais um centavo meu se sair dessa casa com você, e com esse sonho idiota de música você nunca conseguirá dar uma vida boa para ela.
– Eu e Hinata seremos muito felizes e não precisamos do seu dinheiro para nada. – eu respondera confiante, mas em meu intimo naquele momento eu fraquejara.
Naquele dia levei Hinata para a casa de minha mãe, elas se adoravam então não seria um problema. Mas passaram-se dias, semanas, meses, um ano e nenhuma boa oportunidade aparecera para a banda, estávamos totalmente sem dinheiro e minha mãe se matava de trabalhar. Eu fora trabalhar na primeira oportunidade como segurança noturno, mas as poucas ocasiões que eu podia tocar com Hinata e a banda era à noite, então deixei o emprego para lá, e a situação voltou a piorar. Mais semanas, mais meses, mais um ano e nada melhorava, não tínhamos dinheiro nem para fazer nosso casamento, minha mãe precisava descansar e eu e Hinata trabalhávamos no que podíamos, eu não queria admitir, mas o pai dela tinha razão. Eu a estava prejudicando pensando só no meu sonho.
Deixei todo meu orgulho para trás e fui até a empresa de meu pai, eu não lembrava como era antes da separação, não lembrava muito bem do meu pai, mas fui até lá. Conversei com ele e vi que ele não era o monstro que eu pensava, contei pra ele sobre Hinata e ele ficou bem empolgado, quis conhecê-la, pediu desculpas por nunca ter me procurado, mas havia prometido a Okaa-san que não aparecia lá nunca mais e tinha que esperar que eu fosse até ele. Então falei o motivo de eu ter ido ali, eu queria um emprego, e então seus olhos brilharam, eu seguiria seus passos, seu único filho estava seguindo seus passos, ele estava realizado, omiti o fato de que eu não queria aquilo, mas era necessário, não deixaria que o pai de Hinata tivesse razão.
Com duas ligações meu pai conseguiu uma vaga para mim em uma universidade de ciências contábeis para que eu pudesse um dia substituí-lo na empresa e porque ficara surpresa por saber que já estava com 20 anos e não fazia uma faculdade, então eu sai de lá empregado – mesmo que ainda fosse como um estagio com ele – e com uma entrevista com o reitor da universidade. E com meu pai implorando para poder pagar o casamento e nos dar um presente, para compensar o tempo que nunca me dera nada, como ele dissera. Eu neguei, e neguei novamente, mas ele dizia que iria insistir até que eu aceitasse e assim o fiz.
Cheguei em casa aquela noite, Hinata dormia, parecia exausta e realmente devia estar, sentia-me culpado. Depois de uma conversa com minha mãe sobre meu pai e tudo o que fizera naquele dia e faria dali em diante – ela pareceu triste e ao mesmo tempo orgulhosa, algo como estar orgulhosa por eu estar pensando em Hinata e triste por eu abrir mão de meu sonho – e um banho, deitei-me ao lado de minha Hime, prendendo ela em meus braços e dormi.
Acordei cedo e fui a entrevista, fora um sucesso – acho que mais pelo pedido do meu pai do que pelas coisas que eu dissera – e conversei com os meninos da banda. Trabalharia com meu pai de dia e a noite estudaria, era hora de deixar para trás as coisas da infância, e entre essas coisas estava a banda. Aquela noite falei com ela – que ficou extremamente triste pelo fim da banda, afinal era seu sonho também. – mas apenas me abraçou e falou que estaria sempre ao meu lado e me apoiaria em tudo.
Uma semana depois meu pai marcara conosco um jantar e até minha mãe fora – contra a vontade – ele falou do nosso presente e sobre o casamento, ele ainda insistia em pagar. E nosso presente, bem, era uma casa.
Casamos alguns meses depois, fora uma linda cerimônia e na festa fora a despedida de nossa banda, então nossa vida mudou, não faltava dinheiro. Hinata fora para a faculdade de direito, não ficávamos muito tempo em casa juntos, mas estava tudo ótimo. Até que há 2 anos atrás – depois que terminei a faculdade — meu pai resolveu se aposentar e, obviamente, me deixou em seu lugar. Ai os serviços triplicaram, eu estava sobrecarregado e começara a bater a decepção por não ter corrido atrás de meu verdadeiro sonho. E então começaram meus problemas com Hinata.
Sabe mulher com TPM que está brava e culpa e desconta a raiva no primeiro que vê? Eu fiquei assim, e culpei Hinata por ter aberto mão do meu sonho e descontei a raiva nela – só que diferente de uma mulher na TPM que num dia está com raiva e no outro pede perdão – eu fiz isso durante 2 anos inteiros. E como era de se esperar ela não agüentou e semana passada me pediu o divorcio. E então pode me ajudar? Aguardo a resposta.”
Terminei de digitar o e-mail para Karin – minha prima – com o resumo de minha história com Hinata e enviei, esperava que Okaa-san tivesse razão e ela pudesse mesmo me ajudar. Mas agora só podia esperar por uma resposta. Senti meu celular vibrar, era Sasuke.
– Oi teme.
– Por que não me contou? – ele perguntou.
– O que?
– Que Hinata pediu o divorcio. – Eu não havia contado para ninguém, esperava conseguir mudar isso antes que todos soubessem, mas pelo visto ela estava decidida e falara com Sakura que tinha uma língua maior do que a boca. – Como você está?
– Estou bem Teme. – respondi. – Vou fazê-la mudar de idéia. – Esperava ter a ajuda de uma profissional, mas se Karin não pudesse me ajudar eu acharia um jeito, não perderia Hinata.
– Espero, seu idiota! – ele resmungava. – Sakura pediu0 para dizer que se precisar de um lugar para ficar as portas estão abertas.
– Tudo bem Teme, baterei ai se Hina me por para fora, mas agora vou para casa, ela está chegando e quero estar em casa. – ele riu, sabia que a tempos não me importava com isso, mas agora as coisas seriam diferentes. Desliguei o celular, fechei o notebook de minha mesa e sai sem me despedir de minha nova secretaria a que substituíra Shion e fui para casa, passaria todo tempo possível ao lado dela.
Continua...
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