My Heart is Yours
3 Primeira Dica!
Notas iniciais
Quando entrei em casa fui para a suíte, precisava tirar os sapatos e de um banho, abri a porta e podia ouvir o barulho do chuveiro, sorri e silenciosamente fui até a porta do banheiro abrindo-a lentamente. O boxer de vidro, mesmo que escuro, me permitia ver todas as curvas do belo corpo de minha mulher. Os seios ainda mais fartos do que quando a conheci, a cintura fina, os quadris largos, vê-la assim me acendia. Com 26 anos, seu corpo era ainda mais bonito do que anos atrás e eu desejava mais aquela mulher do que quando era adolescente, não entendia o que passava em minha cabeça quando a trai, eu só podia estar louco.
– Naruto? — me perdera olhando seu corpo e não percebera quando ela desligou o chuveiro. Pisquei os olhos, os tirando de seu corpo para o rosto, que estava completamente vermelho. — D-deu para espiar agora? — ela falava envergonhada. Puxou a toalha branca para cobrir o seu corpo. Eu ri.
– Não foi assim que lhe conheci, afinal, te espiando cantar? — eu entrara no banheiro fechando a porta em minhas costas.
– Saia Naruto! — virei-me para ela, andando em sua direção. — Por favor, saia! Eu quero me trocar. — desde que ela me pegara com Shion eu não a tocava e agora tendo visto-a nua, meu corpo queimava de desejo. Sem pensar muito a segurei pela cintura, prendendo-a em meu corpo, vi suas mãos ficarem sem força quando a toalha caiu em meus pés, umedecendo minha camisa com seu corpo molhado. – M-m-me s-solte! – sua voz não passava de um sussurro, capturei seus lábios.
Nossos lábios tinham o encaixe perfeito, passei a língua por seus lábios e ela os entreabriu dando-me passagem, sem resistência. Nossas línguas se entrelaçavam, tocando-se ousadamente e explorando com avidez a boca do outro. A empurrei para dentro do boxer, encostando-a na parede molhada, começando a tocar seu corpo com as mãos, e ela apoiava a mão em meu peitoral, a pele queimava onde estávamos em contato.
– Minha pele queima só com seu toque. – disse ao encerrar o beijo por falta de ar, mas colei meus lábios na pele de seu pescoço e pude sentir ela se arrepiar, ela estava entregue.
– Então precisa se refrescar. – ela disse e eu a olhei sorrindo maliciosamente. Sorriso esse que sumiu ao sentir a água gelada do chuveiro me molhar grudando a roupa em meu corpo. Olhei para Hinata, um olhar de fúria, por que raios ela havia feito aquilo? – Não disse que estava queimando? – ela falou cínica. – Então se refresque a vontade. – a vi sair do boxer abaixando para pegar a toalha, que ela enrolou em seu corpo. A olhava incrédulo quando a porta bateu com força, avisando sua saída.
Não podia acreditar no que ela fizera, me enganara fingindo estar entregue, mas eu entendia, acho que merecia, afinal. Fechei o chuveiro e levantei o pé, com dificuldade, meus – tão odiados – sapatos haviam virado algo nojento, meus pés pareciam grudados.
Tirei o paletó pesado pela água e larguei sobre a pia, me sentei, arranquei com desgosto os sapatos e com rapidez me livrei das roupas molhadas, voltei para o boxer ligando de novo a água gelada, precisaria mesmo para me livrar da vontade que estava de Hinata.
...
Sai do banheiro com o short largo de pijama — que já ficava no banheiro para as horas de dormir – e vi a cama vazia, Hinata deveria estar comendo e eu iria fazer o mesmo. A única luz acessa na casa era a da sala de jantar, uma casa tão grande para apenas duas pessoas, sentia-me deprimido por ter perdido tantos anos ocupado pensando em dinheiro, trabalho e não ter nem sequer tentado realizar o sonho da minha esposa de ser mãe.
Lá estava ela, sentada à mesa, o olhar triste focado em seu prato, enquanto o dedo indicador circulava a borda do copo de suco em sua frente. Eu estava apoiado na parede, reparava na tristeza em seu olhar perdido.
– O que tem para a janta? – perguntei sorrindo, não gostava do silencio e queria poder manter com ela uma conversa normal. Ela se assustou e me olhou.
– Ué, já se refrescou o suficiente? – sua voz era irônica e seu olhar voltou o olhar para o prato.
– Por favor, não use ironia comigo. – pedi. – Você nunca foi de ironias, essa não é você. – ela riu amargamente.
– Durante dois anos, repito DOIS anos tudo que eu falava com você era respondido com ironia, cinismo e ignorância. – ela dizia seca. – Por que não posso responder da mesma forma agora?
– Porque eu errei, eu fui um idiota, eu sou um idiota. – ela assentiu. – Mas você não é, você é melhor do que eu então não aja assim.
– Cansei, sabia?! – ela levantou. – Os idiotas sofrem menos. – ri, eu, mesmo, idiota estava sofrendo com aquilo, não queria discutir com ela.
– Não me respondeu o que tem para o jantar. – insistiu na pergunta.
– Veja você mesmo. – ela andava para fora d sala de jantar. – E sinta-se a vontade para dormir no sofá hoje. – passou por mim sem olhar para trás.
Agora as noites era assim, eu no sofá ela no quarto, eu ouvindo seus soluços durante a noite, obviamente, acompanhado pelas lagrimas. Mas me aproximando eu só pioraria tudo. O jeito era esperar que Karin me desse alguma boa idéia.
Me servi do Gyudon (carne com cebola sobre arroz cozinho num molho adocicado) e um copo de whisky para acompanhar. Comi sentado a mesa sozinho, fora rápido e fui para a sala, quando cheguei lá estavam o travesseiro e a coberta, é, ao menos, ela não me deixaria no frio. Deitei me cobrindo – precisava comprar um sofá mais confortável – e liguei até a TV, assistiria até pegar no sono.
...
– Naruto-sama? – pisquei os olhos sentindo-os grudados, olhei para o rosto da mulher mais velha que me chamava, era a empregada, que sempre fora a mesma e eu não sabia seu nome. – Naruto-sama?
– O que foi? – minhas costas doíam e como doía, providenciaria um sofá mais confortável, ou quem sabe um sofá cama para o meu escritório.
– Kushina-sama ao telefone. – ela me entregou o aparelho e com uma pequena referencia saiu.
– Alô? – disse sonolento, ainda piscando os olhos com dificuldade.
– Naruto-kun... – minha mãe dissera alto ao ouvir minha voz. – Não acha que está tarde para estar dormindo? – Ouvira uma risada masculina do outro lado da linha. Minha mãe estava com um cara? Levantei do sofá, surpreso.
– Dormi tarde. – respondi, queria perguntar quem era o cara, mas acho que ela iria me falar, minha Okaa-san sempre me falara tudo.
– Por que dormiu tarde? – disse raivosa. – Está traindo a Hina-chan, de novo? Se está fazendo isso, por que quer a ajuda de sua prima? Você é um sem coração Naruto! – ela falava sem me dar chances para responder. – Deixe o menino responder Kushina. – a voz masculina mais uma vez, mas, espera, eu conhecia aquela voz.
– Okaa-san é obvio que eu não estou traindo a Hinata, não cometeria esse erro duas vezes, agora pare de enrolar e me diga quem está ai com você? E por que me ligou essa hora da manha? – tossi para que minha voz voltasse ao normal, deixando o sono para trás.
– Ah sim, querido! Que bom que sabe que foi um erro! – ela desconversava, mas novamente ouvi a voz do homem conhecido falar, algo sobre ela parar de enrolar. – Bem, meu filho, eu vou viajar.
– Viajar? Pra onde? Com quem?
– Vou viajar para a Itália, bem, com seu Otou-san. – senti meus olhos arregalarem.
– Meu Otou-san? – pisquei incrédulo, a quase cinco anos eu via as incessantes investidas dele para reconquistar Okaa-san e ela nunca dera um pingo de esperança – ainda sofria pela traição e pela separação dolorosa que tiveram há vinte anos – e agora, ela iria viajar com ele?
– S-sim. – ela gaguejou, estava envergonhada. – Ele passou a noite aqui e...
– Okaa-san! – a interrompi. – Poupe-me dos detalhes! Seus velhos tarados! – bufei, mas sorria.
– Eu só ia dizer que nos entendemos. – sua voz parecia brava.
– Demorou vinte anos, mas finalmente! – eu sabia que ela o amava, em toda minha vida, nunca vira Okaa-san com nenhum outro homem, quando fui até ele, vi a forma como ela ficou abalada com a proximidade repentina, mas eu sabia que ainda faltava um pedido de desculpas da parte do coroa, que nunca abaixara a cabeça para reconhecer o erro que fora trair mamãe. Apesar de estar indo pelo mesmo caminho, não tinha esse orgulho, não demoraria vinte anos para ter Hinata de volta.
– H-Hai. – sorri, conhecia minha mãe e ela estava feliz, sua voz estava feliz. – E então ele teve a idéia de voltarmos para o lugar de nossa lua-de-mel e estamos indo. – estava explicado. – Já avisei a Hina-chan de minha viagem, ok? – Como nunca tivera a mãe, nos anos que moramos com Okaa-san, Hinata e ela se apegaram muito, tendo, hoje em dia, uma relação de mãe e filha. — Não a deixe muito sozinha, e qualquer coisa ligue! Mamãe te ama! – ela desligou.
Respirei fundo, ficara feliz por eles, afinal Otou-san se aposentara somente para poder dedicar-se a luta de reconquistar o amor de sua vida e agora conseguira.
Fui ao quarto andando lentamente, mas vi ser em vão quando abri a porta e vi que Hinata não dormia mais, devia ter saído cedo de casa. Ela trabalhava como advogada no competente grupo de advogados das empresas Uchiha, que por acaso era de meu melhor amigo e do irmão dele. Não vi mal quando ela resolveu se empenhar na profissão, nunca ficou longe de casa, na época, sempre que eu estava aqui, ela também estava, ao meu lado, apoiando minhas decisões como prometera anteriormente. Confessava com tristeza que eu que falhara em minhas promessas de fazê-la feliz, caíra erroneamente no mesmo erro de meu pai. Era,apenas, um idiota, afinal.
Ainda perdido em pensamentos de meu fracassado casamento fui para o banho e me arrumei rápido, estava tecnicamente atrasado, e queria checar os e-mails, esperava ter uma resposta hoje.
Sai, deixando só as duas empregadas contratadas por Hinata para cuidar da casa. O trabalho não era longe de casa, meu pai pensara nisso cuidadosamente ao dar o presente, pensara que assim eu poderia chegar em casa rápido e ficar mais tempo com Hinata pela manhã.
Entrei na empresa pegando o elevador para o sétimo andar, acenei levemente com a cabeça para os que falavam comigo até entrar em minha sala.
– Naruto-sama? – disse Anko*. – Tem uma reunião hoje as 15h com os representantes daquela empresa que o contrato foi assinado ontem. — Assenti e ela saiu da sala me deixando sozinho.
Abri apressado o computador depois de ter sentado na mesa, esperei a inicialização e fui para a caixa de entrada. E lá estava “Um e-mail não lido”, cliquei esperançoso.
“Aiiiiin! Que linda história de amor vocês têm juntos! Não acredito que você está jogando tudo isso no ralo por uma bobagem masculina! Não compare o que você fez com uma mulher de TPM, por favor! A mulher não faz o que faz por mau, nem é pensado, na verdade, são hormônios, dores, tudo de ruim junto, você estava simplesmente sendo um babaca, como só os homens sabem ser! Deixando suas tarefas atrapalharem não só seu casamento, como também tornando sua mulher infeliz!
Li atentamente cada detalhe da história e fiquei bem tocada, confesso, estar morrendo de ódio do pai idiota que sua mulher teve a infelicidade de ter e acho que estou apaixonada por Hinata também, ela parece ser um doce! Sabe, aquelas pessoas que dá vontade de morder de tão fofa! rs
Bem, acredite não é tão incomum a situação de vocês, já ajudei muitos casais com o mesmo problema, alguns até com mais tempo! É algo reversível, mas, meu querido primo, você terá que se esforçar bastante.
Vou começar com uma dica bem simples, volte a fazer para ela as coisas que faziam antes de tudo isso começar, vocês tocavam juntos? Então, toque com ela. Vocês viam filme? Então convença-a a ver um filme com você, de novo. Enfim, cada casal tem um hobbie quando gosta de passar o tempo junto, então faça-o, mostre a ela que você pode voltar a ser o Naruto por quem ela se apaixonou! Ahh, não esqueça de depois de começar a cumprir as dicas, me mandar relatórios da ‘missão’.
Obs.: Veja o fuso horário de Tókio para Nova York antes de responder! O e-mail chegou num bom horário, agora se me acordar juro que acabo com suas chances!”
Ri ao terminar de ler, minha prima era meio – completamente – louca, mas a dica valera. E em relação ao fuso horário também fora um bom aviso. Passavam das 10 da manhã, então lá ainda era meia-noite e pouca. Não responderia agora e sim a noite, mas sairia ainda mais cedo do trabalho. Sim, ela acertara! Nos bons tempos eu e Hinata tínhamos um hobbie para passar o tempo juntos, nós cozinhávamos. Cozinhávamos juntos nosso prato favorito, a cozinha acabava sempre uma bagunça e depois de comermos fazíamos amor como dois adolescentes apaixonados – que por sinal, era o que éramos na época – e hoje seria assim, de novo.
Continua...
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