My Heart is Yours
7 - Ele morreu.
Notas iniciais
Saiamos do hospital e por um momento pensei em voltarmos para casa, Hinata parecia triste e não sabia se sair seria o melhor para ela.
– Você ainda quer ir jantar? – ela assentiu.
– Eu quero, gosto de fazer coisas que me distraiam. – agora fora minha vez de assentir, só agora eu podia ver o quanto as coisas estavam sendo difíceis para ela e porque sempre chegava em casa com ar de choro. Segui para o restaurante que tinha feito a reserva, o caminho fora silencioso, mas pude notar o rosto de Hinata se iluminar ao ver que era o mesmo em que jantávamos todas as sextas depois que casamos. – Você lembra desse lugar? – eu sorri.
– Como esquecer. – estacionei o carro na rua, destravei as portas saindo rápido para que pudesse abrir a porta para ela antes que se saísse. Ela me olhava surpresa enquanto eu segurava a porta para sua passagem. Ela seguiu para a entrada e eu travei o carro, apertando o passo para alcançá-la.
– Obrigada por me trazer até aqui.
– Eu que agradeço por você ter vindo comigo. – entramos. – Reserva pra dois, Uzumaki. – a tímida recepcionista assentiu e apontou ao rapaz que nós levaria até nossa mesa. A cada passo eu podia ver o choro ficar para trás. Passamos anos olhando aquele lugar de fora, prometendo que quando tivéssemos dinheiro comeríamos ali toda semana, e então eu fui trabalhar com meu pai e podia levá-la para jantar. Vínhamos todas as sextas até nosso casamento desandar. E então numa sexta aqui estávamos nós de novo. Passou-se pouco tempo até que o garçom viesse a nossa mesa.
– Gostariam de fazer os pedidos? – Olhei para Hinata.
– O que vai querer hime? – perguntei.
– Eu não sei bem. – ela olhava o cardápio confusa.
– Permita-me. – sorri. – Nós vamos querer Teriyaki de frango e uma garrafa do seu melhor vinho. – assentindo o garçom se foi para logo voltar com os pedidos. Hinata me encarava. – Escolhi errado? – minha própria recomendação era a deixar escolher, mas ao vê-la confusa pensei que poderia fazer uma media positiva por saber que ela sempre escolhera algo com frango e um bom vinho, mas se tivesse errado? Eu estava perdido.
– Não. – disse surpresa. – Por mais incrível que pareça, escolheu certo. – sorri um tanto vitorioso. Logo chegara às taças com o vinho, a comida demoraria um pouquinho mais, a servi. Eu não conseguia desviar meus olhos dela, o jeito como ela deslizou o dedo sobre abertura da taça antes de levá-la aos lábios, o jeito como bebericou o conteúdo e então passou levemente o língua sobre o lábio inferior, tirando os últimos resíduos do vinho. – Por que está me encarando? – ela ainda perguntava o porquê, acho que não tinha noção do quanto o simples gesto com a língua era sexy e o quanto me acendia.
– Você é linda, gosto de te admirar. – suavizei as palavras, embora minha vontade fosse puxá-la e tomar seus lábios para mim, mas tinha quase certeza que ela não seria muito receptiva.
Pude notar o leve rubor em suas bochechas com minhas palavras, mas seus olhos tornaram-se frios e um enorme cinismo tomou conta de seu sorriso.
– Não tão bonita quanto Shion, acredito eu. – por mais que o rubor ainda permanecesse em seu rosto, mostrando o efeito de minhas palavras anteriores sobre ela, sua voz era ainda mais cínica que o sorriso, eu sabia o que ela estava fazendo, falara aquilo para defender-se contra minhas palavras doces, para lembrar-se de não acreditar nelas, isso era uma proteção, ela não se deixaria encantar por mim tão facilmente. Respirei fundo.
– Está pra nascer mulher que supere sua beleza ainda mais diante dos meus olhos. – ela bufou. – Oh, minha Hime, sei que tem boas razões para pensar assim, e que tem todo direito do mundo de jogar isso na minha cara, mas já disse e irei repetir o cinismo não combina com sua personalidade. Então se me permite pedir algo, não faça isso, não deixe que um baka como eu seja capaz de fazê-la mudar seu jeito dócil que todos admiram. – a vi engolir a seco.
– Por quê?
– Por que o que? – minha voz era gentil. O garçom chegara com nossos pedidos deixando-os sobre a mesa após desejar um bom apetite. – Diga-me o que Hime.
– Esqueça. – ela respirou fundo ajeitando-se para comer. – Aprendi que quando não se quer saber a resposta não se deve perguntar, e eu realmente não quero saber, então esqueça.
– Sabe que pode me perguntar qualquer coisa, não é? – ela me olhou e assentiu. Não forçaria pelo que ela queria perguntar, sabia que na hora certa ela perguntaria. As dicas de Karin me ajudaram a ser mais paciente.
Comemos em silêncio e após a tensão ter saído me senti a vontade a fazer pequenas e sutis piadas para que o clima ficasse mais agradável. Funcionara, pois lá estava Hinata sorrindo, mesmo que levemente, ela estava sorrindo e depois de muito tempo eu que colocara ali aquele sorriso.
...
O jantar foi melhor impossível e quando menos esperava já estava na hora de pedir a conta e ir para casa, confesso estar com medo, sim medo, de que ao chegarmos em casa ela se fechasse para mim, se trancasse no quarto e só saísse de lá amanha. Jurava que tinha momentos que eu pensava que toda vez que o dia amanhecia todos os avanços do dia anterior eram reduzidos a nada. Não queria que fosse assim, não podia ser assim.
Paguei a conta e fomos embora, passavam um pouco das meia-noite quando entramos em casa, Hinata sem falar nada fora ao quarto. Suspirei um tanto frustrado, meu medo tornava-se real. Caminhei para o banheiro do corredor, onde agora ficava meu pijama. Tomei um banho relaxante deixando as águas levarem um pouco da saudade que meu corpo tinha de Hinata, vesti o fino short de pijama e fui para o escritório, ou melhor, meu quarto temporário. Passei as mãos pelos cabelos sacudindo-os, estavam com muita água. Abri o armário anteriormente de livros, mas que agora guardavam meu travesseiro e cobertor e os joguei sobre o confortável sofá.
Sentei em frente ao computador e o liguei, não dormiria sem antes enviar a Karin o relatório de como fora o jantar, amanha teria um dia puxado no trabalho, então se não me sobrasse tempo para lhe escrever, tinha que fazê-lo agora. Abri o e-mail, mas antes que pudesse começar a digitar ouvira um pigarro sutil no cômodo. Olhei para a porta.
Hinata vestia seu habitual pijama, os cabelos soltos – pelo que eu pude notar – estavam levemente úmidos. As mãos apoiadas a porta, os olhos em mim, pisquei os olhos surpreso. O que ela estava fazendo ali? Alguns minutos se passaram e ela ainda não tinha dito nada, a olhei incentivando que dissesse algo.
– B-bom, eu queria agradecer! – ela disse. – Não só pelo jantar, mas por ter ido comigo ver meu pai, foi a primeira vez que tive companhia, e foi mais fácil de lidar com, bem, você sabe. – ela falava rápido. – E também pelo jantar que foi ótimo. Obrigada.
– Não fiz mais que minha obrigação como marido. – respondi. Ela sorriu.
– Boa noite Naruto, até amanhã. – Seria demais dizer que eu literalmente dei um bravo de felicidade tão alto que até me levantei da cadeira? Sim, seria, mas foi o que eu fiz. Respirei fundo, um tanto realizado, meu primeiro grande avanço.
...
2 semanas depois...
“ Olá prima, bom, sei que desde o dia do jantar que não lhe mando um relatório completo, e já se passaram 2 semanas, mas devo dizer que ando bem ocupado. Tenho tido muito trabalho com os contratos, meu horário diminiu e o trabalho aumentou, mas não estou reclamando, muito pelo contrario, gosto de sair cedo para ir buscar Hinata para irmos visitar seu pai, ela não levou fé no que eu falei de ir com ela, então o primeiro dia fora uma grande surpresa. Irei contar.
Na segunda (sábado não tem horário de visita, então só vamos de segunda a sexta.) eu acelerei com o trabalho e sai da empresa 18h20m para que desse tempo de chegar antes do horário de saída de Hinata. Não sabia quanto tempo levava até a empresa Uchiha então pisei fundo, e exatamente as 19h eu estava no portão. Parei o carro na rua um pouco antes da entrada, não tinha necessidade de guardar o carro no estacionamento já que não iria demorar.
Cheguei até a recepção, eu a esperaria ali, com um revista nas mãos me sentei, mas em menos de 5 minutos lá estava ela, o rosto cansado de um dia puxado de trabalho e um papo sem emoção com uma colega de trabalho, larguei a revista onde me sentara antes e levantei. Hinata não tinha me visto, mas vinha em minha direção.
– Olá Hime. – ela se assustou, e então me olhou.
– O que faz aqui? – ela perguntou.
– Hina, eu vou indo. – disse a amiga que antes conversava com ela. – Até amanha. – acenei educadamente e Hinata apenas assentiu.
– O que faz aqui? – ela repetiu a pergunta.
– Eu não disse que iria com você visitar o seu pai?
– Isso é serio? – ela perguntou.
– Sim, então vamos? – ela assentiu e pude ver um leve sorriso nos seus lábios. Eu a surpreendi, mas eu seria o homem que ela merecia e honraria com minhas palavras.
Aquele dia eu fiquei com ela ao seu lado novamente, enquanto ela chorava por seu pai, e daquele dia em diante, todos os dias eu estive lá, pude perceber que ela estava se tornando mais forte, apesar de abalada, ela já não chorava mais. Ela acreditava que seu pai fosse se recuperar.
Então prima, desse dia em diante, as coisas melhoram, nós nos sentamos para assistir TV juntos todo dia após de dividir a mesa de jantar, ela sempre visita o meu escritório/quarto para me desejar boa noite antes de dormir, eu a busco, cozinhamos juntos, ela está sorrindo mais, não usa mais de cinismo para se proteger de minhas cantada. Para minha sorte as coisas melhoraram muito, e eu tenho mais duas semanas para fazê-la desistir completamente do divorcio, antes que tenha a audiência. Me deseje sorte!”
Terminei de digitar o e-mail e enviei, leria resposta amanhã, apesar de ter quase certeza que Karin iria querer me matar por ter ficado duas semanas sem dar relatórios da missão. Mas como disse o dia estava realmente corrido. Desliguei o computador e juntava as coisas que levaria para casa, Hinata já devia estar me esperando, porém antes que eu fechasse minha pasta, o telefone tocou. Era Sakura, o que Sakura tinha para me falar? Atendi.
– Naruto. – sua voz era seria. – Você me pediu para avisar caso algo acontecesse a Hiashi.
– O que aconteceu com ele Sakura-chan? – o que teria acontecido com Hiashi? Não que eu me preocupasse diretamente com ele, mas sabia que qualquer noticia afetaria Hina.
– Ele morreu.
Continua...
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