My Heart

1 Prólogo:



Eu mascava meu chiclete de boca aberta, ombros relaxados e pernas jogadas por cima do banco a minha frente enquanto esperava Paul impacientemente na praça de alimentação. Puxei o celular que eu guardava no bolso e consultei a hora, ele estava quarenta minutos atrasado. Filho da puta.Foi tudo o que eu consegui pensar. Levantei guardando o celular no bolso e cuspindo o chiclete em uma lixeira qualquer. Eu não esperaria mais. Eu havia abaixado para amarrar os cadarços de meu tênis quando senti algo bater na minha cabeça e novamente a única frase que pude pensar foi: filho da puta.

- Está explicado – resmunguei baixo pra mim mesma e me virando na direção que a bolinha havia sido tacada. — Jura que você não poderia deixar o mini projétil de Satan em casa uma vez na vida? Sério, vocês são tipo: cachorro e carrapato ou algo assim? – perguntei já irritada só de olhar para objeto de meu ódio, desprezo, raiva, nojo, e todos os adjetivos negativos que poderiam existir. Dougie Poynter.

- Pode dizer que você esta feliz em me ver que eu sei disso projétil de Amy Winehouse drogada – apenas me dei ao trabalho de mostra-lhe meu lindo dedo do meio. Era incrível como meu humor conseguia mudar da água pro vinho quando o Poynter estava por perto.

- Nem três segundos juntos e os elogios já começaram? – Paul disse rindo e passando o braço por cima de meu ombro. – É só um cinema Julie – ele beijou minha testa risonho. Meu irmão era um anjo. Sério. Um santo. Por que só sendo algo do tipo que ele conseguiria aguentar o capeta do Poynter.

- Ela quer meu corpo nu – Dougie me mandou uma piscadela ridícula e eu revirei os olhos.

- Eu preferiria ter que arrancar meus olhos com os dedos mindinhos dos pés do que te ver pelado – revidei e ele fez cara de ofendido.

- Olha como você fala, eu sou um cara bonito e sexy já você, nem que fosse a ultima mulher do mundo um cara iria querer te pegar, só com umas vinte cartelas de Viagra. – ele deu seu sorrisinho sarcástico.

- Vai se foder — retruquei irritada.Deus,porque esse menino tinha que entrar na minha vida? Porque ele tinha que existir? Tudo seria tão perfeito se ele e Paul nunca tivessem se conhecido.

- Crianças, olhem os modos – Meu irmão nos repreendeu me segurando ainda em seus braços. Paul me conhecia bem o suficiente pra saber que estava a ponto de voar no pescoço daquele estrupício. Eu só morava com meu irmão à três dias, mas pareciam décadas já que não aguentava mais ver a cara do infeliz do melhor amigo dele. – Dougie mais respeito é minha irmã. – ele tentou parecer sério, mas em vão. Dougie apenas me olhava com aquela carinha de quem se acha o ultimo gostosão da balada.

- Paul, você deveria parar de dar suas roupas velhas pra sua irmã, ela parece um saco de lixo.

-JÁ MANDEI VOCÊ IR SE FODER! – gritei chamando a atenção de algumas pessoas ao redor. E partindo pra cima dele. Eu sou do tipo de pessoa que nem é pavio curto. Eu não tenho pavio. Paul me segurou pelo braço me colocando ao seu lado. Dougie Poynter tinha o dom de me irritar. Na verdade eu acho que a missão dele na terra era essa. Puxei meu braço olhando Paul emburrada antes de sair caminhando para a fila da pipoca, já que meu ingresso já estava comprado. Uma única vez custava eles desgrudarem? Bufei alto vendo-os caminharem pra fila do ingresso.

Eu pegava minha pipoca com a minha coca quando O ser que mais amo e o ser que mais odeio se aproximaram de mim.

- Julie, comprou pra mim não? – Paul fez bico.

- Claro – lhe entreguei a coca em minha mão e pegando para mim o copo de suco que a moça havia acabado de por em cima do balcão.

- E pra mim? – Dougie perguntou

- Eu tenho cara de que? Sua empregada? – rolei os olhos.

- Eu te desafio a pegar um lanche pra mim.

- O que? – perguntei indignada.

- Eu te desafio a pegar um lanche pra mim. – disse pausadamente como se eu fosse algum tipo e pessoa com distúrbios mentais.

- Você vai precisar de um desafio mais interessante que esse pra me fazer entrar no seu joguinho. – lhe mandei uma piscadela.

- Me deixa pensar então... – ele caminhou até o balcão pedindo seu lanche e eu apenas bufei, por que meu irmão tinha que morar com essa peste mesmo? Hein? Só tinha três dias, mas parecia uma eternidade. Aquilo ali era o capiroto em pessoa. E agora além de dividir o mesmo teto, terei que estudar na mesma escola. Deus, por que você me tortura tanto mesmo? – Eu te desafio a conseguir ficar com aquele cara – ele disse quando voltou já com seu lanche em mãos e apontou com a cabeça para um loiro que ia pra fila do ingresso falando no telefone.

- Você esta maluco? — quase gritei, vendo meu irmão se engasgar com a Coca. – Eu não vou fazer isso.

- Não? Eu te desafio – ele fez aquele olhar de superior de novo. – Eu te desafio a me provar que pode.

- Eu não preciso te provar nada – retruquei.

-Eu só queria saber se você conseguia ser alguma coisa alem da pirralha que veste trapo e é mal amada.

- Hey, eu amo a Julie – Paul se pronunciou e levou um tapa.

- Cala a boca, eu não preciso te provar nada – eu já estava mais que irritada – cala a boca – disse entre dentes.

- Se você conseguir, eu paro de te atormentar o semestre inteiro, e ainda faço tudo o que você quiser – Agora sim eu comecei a achar a proposta interessante.

- E se eu não conseguir? – beberiquei minha coca tentando não parecer interessada, mas a hipótese de Dougie Poynter fazer tudo o que eu quisesse por um semestre me parecia tentadora.

- Ai você é quem faz tudo o que eu quiser – ele sorriu abertamente mostrando seus dentes que pra mim eram esquisitos.

-No Way – dei um passo seguindo para a entrada.

- Eu sabia que você ia amarelar você se faz de machona, usando coturno, roupa preta, cabelo desgrenhado, sem maquiagem, mas no fundo é só uma barbiezinha encubada. – hum, você está mexendo com a pessoa errada Poynter.

- Quem é o cara? – perguntei em tom de desafio, qualé, era só um cara.

- O de verde. Eu te desafio a ficar com ele – ele e sua careta que tanto me irritava.

- Segura pra mim Little brother – disse dando minha pipoca e meu refrigerante a Paul e seguindo em direção ao menino que agora olhava pra cima distraído. Olhei-me de cima a baixo, eu usava Allstar preto desgastado, meia arrastão da mesma cor, um short jeans claro rasgado nos bolsos um pouco larguinho e uma blusa preta do Lynyrd Skynyrd. Meu cabelo estava em um coque desgrenhado e eu não usava maquiagem, não usava brinco e minhas unhas estavam todas roídas. Talvez eu estivesse estranha para os outros, mas me sentia bem comigo mesma, e era isso que me importava. Talvez eu não fosse o estilo do mauricinho – Sim, ele tinha jeito de mauricinho assim como o Poynter — Mas que se foda, eu só precisava conseguir um beijo. Mesmo que eu não estivesse nem um pouco afim.

- Oi – disse sem rir nem nada quando cheguei perto do menino. Ele parou me olhando de cima abaixo antes de me olhar com cara de quem não esta nem um pouco a fim de conversar.

- Oi – o carinha respondeu seco, começando a mexer nas unhas.. seria ele gay.

- Er... – dude eu não sabia fazer isso – Você vai ver algum filme? – quase me bati pela pergunta idiota, não anta, ele estava na fila do cinema por que ele queria comprar um carro.

- É meio obvio isso não? – ele perguntou fazendo aquela cara superior que todos os meninos fazem se achando o galã do filme vencedor do Oscar.

- É, realmente foi uma pergunta idiota, É que – cocei a cabeça e o menino me olhou começando a rir. Dude ele não sabia o risco de vida que estava correndo

- Fala logo garota – ele disse arrogante, playboyzinho ridículo.

- Eu só estava – pensei no que dizer — Quer saber? Esquece! Qualquer aposta ridícula vale mais com o Poynter do que ter que beijar sua boca estúpida. – Revirei os olhos saindo andando sentindo meu sangue borbulhar ao observar o sorriso aberto nos lábios daquele vomito do coisa ruim.

- Acho que eu ganhei a aposta – Dougie cantarolou quando eu cheguei mais perto fazendo uma dancinha ridícula e por pouco eu não chutei suas bolas.

- Vá à merda – respondi indignada pegando minha coca e minha pipoca antes de seguir pra entrada do filme bufando alto e inventando novos adjetivos ruins pro Poynter, algo me dizia que aquele ano, bom, que aquele ano seria o pior ano da minha vida.