My Guardian Angel

6 Festival de "artes".


Notas iniciais
Oi gente, milhares de desculpas pela demora, e para não lotar as notas iniciais, fiz um video de desculpas para vocês: https://www.youtube.com/watch?v=wt9gwjci87M&feature=youtu.be Espero que gostem dos caps que eu vou postar hoje, e que ainda tenha alguém aqui acompanhando T__T.

" Enquanto minha cabeça diz que estou insano, meu coração responde que nunca estive tão correto."

– Allen Walker

–----

O lugar era meio escuro e fedia horrivelmente a sangue seco. Eu me sentia extremamente faminto e meus lábios já rachavam devido a desidratação. O lado esquerdo do meu rosto queimava de maneira quase insuportável e meu corpo tremia compulsivamente. Provavelmente febre.

A gaiola onde eu estava era minúscula, não me deixando o mínimo espaço para me mover lá dentro, por isso meus músculos doiam tanto que eu mal conseguia parar quieto. Não dava pra saber se era noite ou dia, já que onde eu estava era provavelmente um porão, julgando pela quantidade assustadora de poeira.

Porém, tudo isso não passava de um mero detalhe. A única coisa realmente perturbadora era a imagem que não me saia de cabeça, que me fazia gritar a ponto de fazer sangrar a garganta ressecada, que fazia meu peito apertar como se estivesse sob um rolo compressor e meus olhos chorarem mesmo sem ter lágrimas para tal.

Mana ferido, ensanguentado e... Morto.

Eu já havia me afundado em outra crise de choro quando a única porta do recinto, que ficava no teto, se abriu, revelando a silhueta de uma pessoa com uma bandeja abarrotada de diversas coisas em mãos. E por algum motivo, a presença dela me acalmou. Talvez fosse simplesmente o alívio de não estar completamente sozinho naquela escuridão.

Seja lá quem fosse era bem habilidoso, pois desceu a escadaria carregando tudo aquilo no mais completo breu e sem produzir praticamente nenhum ruído. Só voltei a percebê-lo quando já estava ao lado da minha gaiola e acendeu uma vela, nos dando alguma iluminação.

Por algum motivo, não importava o quanto eu me esforçasse, eu não conseguia distinguir seu rosto perfeitamente, principalmente os olhos que só enxergava como manchas escuras, mas pelo cabelo raspado — por onde se podia ver uma cicatriz nenhum pouco discreta — e peito reto, pude concluir que era um garoto, provavelmente pouco mais velho que eu, por volta dos doze.

Com uma gentileza que eu não via há muito tempo, ele me tirou da gaiola, me segurando em seus braços e andando alguns passos até que pousou meu corpo suavemente em uma superfície macia, me empurrando para que eu me deitasse por completo, quase me fazendo chorar de alívio por finalmente poder me mover.

Ouvi um barulho de água e logo senti algo úmido encostar em meus lábios rachados. Abri-os um pouco, sentindo a água que ele despejava cuidadosamente descer pela minha garganta seca, aplacando um pouco daquela sede que me consumia. Pela sua expressão corporal, pude percebê-lo sinalizar para que eu fosse mais devagar, apenas obedeci-o até que me sentisse cheio demais para continuar bebendo sem vomitar.

Observei-o calmamente enquanto ele mexia em algo na bandeja, voltando depois com um pano umedecido e começando a limpar vagarosamente o ferimento do lado esquerdo do meu rosto com destreza anormal para um garoto, ainda mais da sua idade.

– Quem é... Você? — Perguntei em um fio de voz, tocando seu pulso. Sua pele era quente.

Ele apenas me olhou por um longo momento, parecendo espantado com a minha pergunta e depois hesitando, como se não soubesse o que responder. Sua respiração parou por um segundo quando toquei sua mão, parecia assombrado com a minha atitude.

Acho que nunca quis tanto saber como eram os olhos de alguém.

– — -

Acordei calmo pela primeira vez em semanas. Suspirei alegremente, me espreguiçando e levantando (leia-se: rastejando) da cama para mais um fatídico dia de aula... Ok, não tão fatídico assim por que seria hoje que eu, Road e Lavi iriamos gravar o vídeo para o festival da escola, e isso definitivamente daria merda, mas enfim...

Fiquei meditando enquanto escovava os dentes.

Eu vinha sonhando com praticamente a mesma coisa todo santo dia ultimamente, sempre estava nesse mesmo lugar, ferido, apavorado e com a imagem de Mana morto fixa em meus pensamentos... Essa era a primeira vez em que eu não acordava gritando, chorando, nem nada do tipo. E também foi a primeira vez em que aquele garoto apareceu.

Levei minha mão distraidamente até o lado esquerdo do meu rosto, contornando lentamente a pele arroxeada da minha cicatriz e ainda sentindo seu toque suave naquela região. Sorri meio lerdo, babando um monte de espuma de pasta de dente no chão sem nem perceber. Havia sido tão... Não sei explicar... Real. Só lamentava não ter conseguido ver seu rosto direito.

Na escola, as primeiras aulas passaram voando, até por que eu passei todas elas devaneando sobre o possível significado daquele sonho. Será que era algum mal presságio? Ou seria exatamente o contrário?

Durante o intervalo eu fiquei sabendo que o Festival Anual de Arte seria na próxima semana e aproveitei para começar a organizar o nosso trabalho. Todo ano esse festival valia a nota de Sociologia, Filosofia e História da Arte do trimestre e consistia simplesmente em algum tipo de apresentação artística — seja teatro, dança, pintura, poesia — com algum embasamento teórico de acordo com o que vimos em aula.

E como nós éramos, no mínimo, a três criaturas que mais "adoram" esses malditos eventos escolares, iríamos gravar um vídeo para ser exibido no dia ao invés de passar a tarde fazendo preparativos para apresentar no palco.

Depois de decidir os pontos principais e marcar uma reunião, eu fui até a sala do 3º A para minha dose diária de "perturbação de japa", mas quando passava pelo corredor — mais especificamente a sala que era antigamente usada pelo grupo de teatro, mas agora estava vazia — encontro um conhecido rabo de cavalo acompanhado de duas maria-chiquinhas.

– Mas que diabos... — Murmurei para mim mesmo, me abaixando e voltando para espiar pela janela.

Realmente era a Lenalee, ela e Kanda pareciam falar de algo importante, tendo em vista a concentração do moreno nas palavras dela. Fiquei tentando ouvir a conversa, e logo percebi um olhar fulminante na minha direção (nem preciso dizer de quem foi) tendo que me abaixar rapidamente. Se bem que... Não sei por que eu fiz isso, tava na cara que ele me viu, já que no segundo seguinte a Lenalee saiu da sala aos risinhos, parecendo nenhum pouco surpresa por me ver ali.

– Allen-kun, Kanda-kun quer falar com você. — Falou simpática, como era o seu normal, passando reto por mim.

"Kanda-kun?" E que intimidade é essa?

Entrei na sala com a cara meio azeda sem nem mesmo saber o motivo, passando o olhar por todo o lugar antes de encará-lo. E não sei se deveria tê-lo feito. O maldito estava apenas com a calça do uniforme e descalço, um tanto sujo de tinta, com o cabelo desarrumado e levemente suado, fazendo sua pele cintilar de uma maneira bem tentadora ao toque.

Tá de sacanagem comigo, né?

Pelo visto ele parecia estar treinando uns socos no joão bobo que estava no canto da sala (isso Allen, fixe sue olhar no joão bobo e não naquele corpo trabalhado), ele parecia bem acabadinho já. Se você não sabe, joão bobo é aqueles bonecos que nunca caem, você chuta, soca, mas por algum motivo — pura capirotagem — ele sempre fica de pé. Só que esse era revestido de um tecido grosso e parecia bem pesado.

– Er... — Eu até ia começar algum assunto, mas ele me cortou.

– Nem precisa fazer essa cara enjoada, eu não tenho porcaria nenhuma com a Lenalee antes que você pense merda. — Falou desamarrando as faixas que protegiam suas mãos. Meu olhar estava tão perdido naquela cena que demorei uns segundo para processar devidamente o que ele disse.

– Convencido, não fale como se eu tivesse algum ciúme de você. — Retruquei e por algum motivo ele fez uma cara estranha. Será que eu fui muito rude?

– Eu me referi a você ter ciúme dela, e não de mim. — Respondeu com aquele curvar de lábios cretino, arqueando uma sobrancelha questionadora.

Merda, já tô sentindo meu rosto esquentar. Ser da cor de uma parede é uma porcaria.

– Você já... Se conhecem? — Mudei estrategicamente de assunto, quebrando aquele clima estranho.

– Meio que sim. – Deu de ombros. – Eu tomava conta dela quando a gente era pirralho. – Falou guardando as faixas na mochila e vestindo a camisa do uniforme.

Acabei aproveitando parar secar um pouquinho (colírio nunca é demais) e acabei percebendo uma marca estranha na lateral do seu corpo, não tinha visto antes por que o kimono do Karatê escondia, mas reparando bem, me parecia uma marca de tiro. E eu sei identificar uma quando vejo, meu tio Cross tem algumas delas.

Ok, não é bom eu pensar nisso agora ou vai ficar estranho... Mas onde diabos ele arranjou uma dessas?

– Não consigo te imaginar fazendo isso. – Comentei sobre o assunto, disfarçando e tentando não secar demais, eu tinha esse defeito de encarar descaradamente.

– Na verdade eu a subornava com chocolates e ficava vendo TV. – Respondeu direto me fazendo rir de novo imaginando ele pequeno. Deveria ser uma peste.

Como de estivesse dando nossa conversa por encerrada, ele jogou a mochila nas costas, indo buscar o quadro que parecia secar no canto da sala.

Oh, não sabia que ele pintava.

– Ah, esse é o seu trabalho para o festival? – Indaguei dando uma conferida por cima de seu ombro e ele acenou em concordância.

Comecei a analisar o quadro, bem seu traço era lindo, mesmo sendo um bruto, parecia ter bastante suavidade com o pincel. O quadro retratava uma cerejeira de flores brancas crescendo em um porão escuro, parecia ser a única fonte de luz do local pelo modo foi pintada, ao fundo, podia-se ver escadas metálicas e o ambiente velho e empoeirado...

Um click acionou de repente na minha cabeça e meu coração parou um segundo.

– Kanda... Que lugar é esse? – Murmurei em choque, puxando pelo braço para olhar pra mim.

– Que lugar? – Levantou uma sobrancelha.

– O do quadro... Já esteve lá? – Indaguei, podia sentir minhas mãos e minha voz tremendo. Um sentimento desesperado e inexplicável me invadindo de repente.

– Como assim? – Olhou pra mim como se eu fosse louco. E talvez eu fosse.

– Já esteve lá?! – Quase gritei, segurando seu braço com força, tentando buscar seus olhos, mas ele se recusava a olhar pra mim.

– Eu não posso estar em um lugar que não existe, Moyashi. – Respondeu calmo, mas por algum motivo. aquela resposta me pareceu absurda.

Mas era óbvio que esse lugar existia! Ele existir por que eu... Eu... Eu estive lá em sonho?

Suspirei, talvez estivesse ficando louco mesmo.

Voltei meu olhar mais uma vez para o quadro, tentando me acalmar... O que se tornou impossível com o barulho que veio a seguir.

Um som de tiro.

Minha respiração parou e por um momento jurei que ia morrer aqui e agora. Como uma avalanche, todos os meus pesadelos vieram a tona, a agonia que eu passava neles, o medo, e depois o pavor que senti naquele beco quando aquele tiro passou tão perto. Sempre tive um pânico inexplicável de armas de fogo, por isso Cross sempre fez questão de nunca aparecer perto de mim com uma.

Eu sentia minha respiração sendo roubada de mim, meu corpo estava tenso e fraco ao mesmo, senti meus olhos se encherem de lágrimas, mas não podia me mover para secá-las, parecia que, seu eu me movesse, algo horrível iria acontecer no segundo seguinte. Comecei a me desesperar, ouvi sons se alguém entrando pela janela da sala.

Eu vou morrer... Eu vou morrer... Alguém vai morrer por minha culpa... Eu vou...

– Calma Moyashi. – Ouvi uma voz calmante no meu ouvido e dois braços quentes a minha volta. Me apertando com força, de uma forma que deixava minhas juntas moles. – Foi só o imbecil do seu amigo com uma bomba, vai ficar tudo bem... – Mesmo tendo sentido claramente a intenção assassina na palavra “imbecil”, aquele tom de voz fez meu corpo relaxar vagarosamente, como se o pavor fosse derretido por uma onda morna e aconchegante. Me segurei naquele abraço, fechando minhas mãos na sua camisa, buscando algum apoio.

– Allen, me desculpa, sério, eu juro que era pra cair na sala da aula de ballet e não aqui! – Eu ouvia a voz do Lavi ao fundo, mas parecia distante.

– Cale a merda da sua boca. – Ouvi Kanda devolver, sua voz era tão grave que vibrava em seu peito quando falava, e era confortável sentir isso tão de perto.

Meu corpo começou a ficar mole e eu sentia como se já tivesse sentido aquilo alguma vez. Minha mente parecia nublada e eu me deixei praticamente cair em seus braços. Não pensava em nada para dizer, ou em como agir. Minha cabeça parecia só perceber aquele calor familiar.

Lembro de ter passado um bom tempo imerso naquela sensação, até seus braços me afastarem devagar e seus olhos entrarem em meu canto de visão.

– Está tonto? – Indagou e eu neguei com a cabeça automaticamente. – É melhor tomar uma água e descansar, parece que sofreu uma alteração feia de pressão. – Tocou meu cabelo suavemente, e eu me perguntei se realmente precisava de algum calmante com ele ali.

– Allen, você tá bem? – Sentiu seu toque sendo substituído pelo de Lavi, e foi como se tivesse acordando de um transe profundo.

– Er... Acho...

– Você literalmente quase o matou de susto, seu desgraçado. – O moreno quase rosnou lançando um olhar de puro ódio ao ruivo antes de sair da sala pisando pesado.

– Tô ferrado. – Lavi choramingou passando um braço pela minha cintura e indo comigo até a enfermaria.

–---

Depois daquele incidente, a semana inteira passou se arrastando e nem sinal de Kanda, andava mais sumido do que nunca, como se evaporasse no ar (o único sinal dele parecia ser o olho roxo de Lavi). E como as atividades dos clubes foram suspensas por causa do Festival, também não tive aulas de karatê.

Comecei a pensar sobre algumas coisas que sempre estiveram entre nós, mas nunca tocávamos no assunto, como quando o vi na boate, e depois "conversando" com o tal Alma, e acabei chegando a conclusão de que tudo que eu sabia sobre o Kanda talvez fosse apenas tudo o que ele permitia que eu soubesse. E se ele não quisesse ser encontrado, eu não o encontraria de jeito nenhum.

E isso era especialmente irritante.

O Festival estava acontecendo no auditório da escola, que havia sido decorado como um verdadeiro teatro. A família dos alunos havia sido convidada, o que só serviu para a Road desaparecer para algum canto escuro com o Tikky, e o Cross ficar assediando o Lavi, que fazia questão de devolver na mesma altura. Ou seja, saiu todo mundo para se comer e eu fiquei sobrando.

Ah, que ótimo.

E para melhorar, eu estava tão distraído com o meu estado de tédio absoluto e debilitante que, apenas depois de um século, eu fui perceber que a pessoa sentada ao meu lado era, ninguém mais, ninguém menos, que Alma Karma.

Ok, ele me pegou encarando ele na cara de pau agora...

Merda, o que eu faço?

– Ah, oi Allen-kun. — Me cumprimentou com um grande sorriso carinhoso e... Sincero. Principalmente sincero.

Por Deus! Kanda não poderia beijar alguém que fosse menos impossível de odiar?

– Er... Oi. — Respondi tentando parecer um pouco mais simpático. O que não deu muito certo, eu devo estar com cara de derrame cerebral.

– Desculpe não ter falado com você antes, é que, digamos que sua cabeça não parecia estar por aqui. — Comentou com aqueles olhinhos castanhos brilhantes, parecia empolgado por falar comigo, o que era... Não acredito que vou admitir, mas era bonitinho.

Ok, ele era bem mais que "bonitinho", eu que não quero pisar no meu restinho de autoestima.

– É, eu estava bem longe mesmo. — Murmurei dando de ombros e ele apenas sorriu simpaticamente.

Caramba, PARE de ser tão amável com alguém que está se esforçando bravamente para não ir com a sua cara!

– Então, vai assistir o vídeo do Yuu? — Perguntou animado. Ok, talvez eu entenda por que a Road quer apertar as bochechas desse cara.

– Kanda vai fazer um vídeo? — Indaguei surpreso, não por isso, mas pelo modo natural como Alma o chamava pelo primeiro nome, coisa que o moreno aparentemente detestava.

Porque para a gente é "Kanda" e para ele é "Yuu"? Onde foi a igualdade de direitos nesse país?

– Uhum! Ele me disse que queria muito que você assistisse. – Falou com um sorriso doce, porém discreto.

Arregalei tanto os olhos com aquela frase que eles quase caíram igual ao meu queixo.

– Tá me tirando? – Ri de lado. – Nem tem como ele ter dito isso... Ou tem? – Indaguei exatamente como um idiota, fazendo-o rir da minha cara de assombrado.

– Com todas as palavras. – Respondeu para a minha surpresa ainda maior.

Ele até ia comentar mais alguma coisa, mas nesse momento, eis que sobe ao palco o desaparecido com o braço em torno dos ombros da Lenalee.

Mas quê?

Antes de gritar para o mundo parar de zoar com a minha cara, resolvi respirar fundo e observar mais atentamente a situação. Alguma coisa grande ia acontecer ali, eu tinha certeza. Ele não faria questão que eu visse o vídeo se não fosse importante.

Ele usava uma calça preta meio solta, all star surrado, uma camisa social cinza chumbo e uma gravata preta frouxa (Allen pare de babar idiota! Se controla homem! ) e a Lenalee usava seu habitual uniforme de lider de torcida, estava sem maquiagem, tinha o cabelo solto e quase se encolhia no peito do moreno como se tivesse medo da multidão.

Definitivamente estranho.

Em primeiro, porque, vaidosa como era, ela usava a mesma roupa de ontem? Será que não havia dormido em casa? Do que estava com medo? E o que diabos Kanda teria a ver com isso?!

– Alma... Você está sabendo de alguma coisa? – Perguntei sem tirar os olhos do palco.

– Assista e verá. – Respondeu com uma piscadinha. Ah, agora deu vontade de sentar a mão, não vê que eu tô surtando aqui? Custa dar uma dica?

A chinesa assumiu o microfone enquanto o moreno colocava um DVD no notebook e fazia os preparativos para a execução do vídeo.

– Boa noite a todos. – Cumprimentou ela com o sorriso de ouro da nossa escola. E eu nunca neguei que ela era linda. – Como sabem, um grande colaborador da nossa escola faleceu há pouco tempo. O senhor Haguro sempre contribuiu com generosas doações a nossa escola desde a trágica morte de seu irmão mais novo, que era um aluno dessa instituição. Então, nada mais justo que fazer uma pequena homenagem a aquele puto desgraçado e asqueroso. – Concluiu com um sorriso completamente sinistro, deixando todo mundo confuso.

Mas que diabos foi isso...?

Sem dar tempo para mais questionamentos, o vídeo começou e todos voltaram as suas atenções para a cena chocante que se desenrolava na tela.

O vídeo parecia ter sido gravado por alguém escondido embaixo da arquibancada do ginásio, e mostrava a Lenalee sendo prensada na parede por um cara enorme, loiro, assustadoramente alto, com ombros largos e um olhar de dar arrepios, fazendo a morena parecer um pequeno gatinho acuado.

– EU NÃO QUERO! – Ela gritou enquanto chorava, e ele apenas suspirou impaciente, tirando uma arma de dentro do paletó e a posicionando embaixo do queixo da garota que soluçava compulsivamente.

– Você vai sair com quem eu mandar você sair, ou então quando chegar em casa, eu vou garantir que você encontre o otário do seu irmão todo furado na sala, a cabeça do seu namoradinho na mesa da cozinha, e os corpos dos seus amiguinhos enfeitando o jardim, me entendeu? – Falou em um tom definitivo.

Ela não tinha escola afinal de contas.

– S-Sim... – Murmurou trêmula.

– Ótimo... Bem melhor assim. – Sussurrou o maldito passando as mãos pelos longos cabelos escuros da garota. – Sabe, como você me lembra alguém especial, talvez eu seja misericordioso com você.

– Ha-Haguro-san, por favor... – Tentou dizer algo, mas foi calada com um tapa bruto no rosto.

– Eu vou te mandar pelo celular o nome do meu cliente e seu endereço, seja ao menos uma vadia pontual. – Falou saindo logo em seguida, deixando a morena lidar com seu desespero sozinha.

O telão do palco voltou a ficar branco, anunciando o fim da projeção.

Ninguém ali parecia menos que horrorizado.

Sem mais nenhuma palavra, eu me levantei de onde estava indo atrás da morena ao mesmo tempo em que ela corria na minha direção. Nos encontramos no meio do caminho em um abraço cheio de significados.

– Allen... – Respirou fundo afundando a cabeça no meu pescoço. – Eu disse que ia te provar, não disse? – Murmurou com a voz trêmula enquanto eu a abraçava o mais forte que podia.

Céus, como eu pude? Eu não acredito que estava bravo com ela, e não ao seu lado durante toda esse tempo em que ela suportou isso sozinha.

– Me perdoa Lena... – Sussurrei de volta em seu ouvido, sentindo-a apertar os braços em volta do meu pescoço.

Por um impulso, olhei pelo canto do olho na direção do palco, ou melhor, na direção de Kanda.

Seus olhos se prenderam nos meus em uma espécie de conversa cheia de palavras em um idioma que eu não conhecia, mas esperava entender em breve. Eu bem que gostaria de tentar decifrar o significado daquilo, só que antes que tivesse tempo de pensar a respeito, ele deu um risinho de lado e desapareceu por trás das cortinas.

E aquela velha dúvida não saia da minha mente: Quem diabos você é?

Notas finais
(*) Para quem não lembra, Haguro foi o cara que o Kanda matou no cap passado, e o festival foi anunciado pela Lenalee quando ela foi na sala do Allen. E então? O que acharam? Qualquer erro me avisem, ok? Estou indo postar o próximo agora :3