My Guardian Angel
7 Conversa noturna.
Notas iniciais
Todos ainda estavam distraidos com o festival, portanto ele não precisava se preocupar em comprometer o disfarce. Sem hesitar o ruivo correu através do pátio até o estacionamento, chegando em tempo de pegar o moreno subindo em sua moto.
– Hey! Yuu! Esperaa! — Gritou correndo em sua direção, e por um milagre do destino as chaves do outro cairam no chão e ele se abaixou para pegá-las, por que se não fosse isso, teria atropelado o ruivo certamente.
– O que quer? — Perguntou o garoto de cabelos longos visivelmente irritado, mas o outro não se intimidou, já estava acostumado ao temperamento do japonês.
– Saber o que diabos foi aquilo. — Respondeu sério como raramente ficava.
– Você é idiota? Estava tentando consertar a merda que você e a Road fizeram jogando o Moyashi pra cima de mim. — Rosnou Kanda lançando um olhar fulminante para Lavi.
– Hann? Er... O que quer dizer com isso? — Tentou se fazer de desentendido, o que só piorou o mal humor do moreno.
– Você entendeu, Usagi estupido. — Retrucou ríspido, fazendo o ruivo dar um suspiro derrotado.
– Humpf. Mesmo que você tenha feito tudo aquilo, o Allen não gosta mais da Lenalee. — Argumentou o caolho se sentindo satisfeito com o próprio trabalho.
– Mas ela gosta dele e eu duvido que aquela manteiga derretida do Moyashi tenha coragem de chutar a garota. — Rebateu Kanda fazendo a empolgação do ruivo murchar.
– Por que quer tanto ele longe? — Murmurou Lavi olhando para o chão, fugindo da intensidade dos orbes negros.
– Por que não posso tê-lo perto. — A resposta veio em um tom tão amargo que, por um momento, o garoto de tapa olho desejou abraçar o moreno, mas sabia que apanharia (e muito!) se o fizesse.
– Mas não é justo! Você mais do que ninguém tem o direito de... — Lavi começou a protestar, sentindo a revolta crescer dentro de si como um monstro que sentia gana de destruir o mundo lá fora, esse maldito mundo cruel que torturava quem mais merecia ser feliz. Iria discutir, mas foi calado por um olhar congelante do moreno.
– A vida não é justa, pensei que sabia disso. — Respondeu cortante.
– Saber eu sei, mas me recuso a aceitar! — Olhar aqueles olhos fazia o coração do ruivo apertar.
– Não complique as coisas. — Ditou com uma frieza de arrepiar os ossos.
– M-Mas...
– Já chega. — Ligou a moto.
– Eu só queria que você sofresse menos. — Respondeu acanhado. Lavi podia não admitir em voz alta, mas admirava a força de Kanda diante daquela situação. Não era a toa que não hesitava em ajudá-lo no que quer que fosse, mesmo que ele sempre recusasse. E sabia que a Road se sentia da mesma forma.
– Sofrer menos? Vendo aquele vazio em seus olhos toda vez que ele olha pra mim? — Sua voz soou tão baixa quanto um sussurro distante, mas isso não impediu que Lavi se sobressaltasse ao ouvir suas palavras.
– Yuu... — Começou o ruivo, mas foi novamente cortado de forma brusca.
– Apenas não se meta no que não é responsabilidade sua. — Respondeu somente, colocando o capacete e saindo a toda velocidade do estacionamento, deixando um ruivo desconsertado e com um forte peso no peito para trás.
Lavi já conhecia Kanda há cinco anos. Talvez por que ele era o mais velho entre os amigos do albino na época em que tudo aconteceu, e a Road era nova demais para questionar as intenções de alguém como ele.
Talvez fosse por ter ouvido os planos do moreno diretamente da sua boca e ficado frente a frente com a intensidade inabalável daqueles olhos que o ruivo o provocasse tanto, e das maneiras mais extremas que podia.
Afinal, era apenas quando estava irritado que deixava cair aquela máscara de frieza constante, revelando aquele sentimento em especial que ele fazia tanta questão de esconder.
E era por isso que Lavi queria forçá-lo a pôr para fora, ele queria que Allen visse, e que entendesse.
Lavi queria apenas que Allen compreendesse o sentimento de Kanda sem que precisasse trazer de volta todas aquelas memórias. Que pudesse sentir, sem precisar se lembrar.
– -
Logo depois daquilo tudo, eu dei um jeito de escapar com a Lena pelos fundos do ginásio antes que as pessoas começassem a enchê-la de perguntas e a polícia aparecesse. Ela parecia estar suportando bem a situação toda, mas eu podia percebê-la realmente abalada.
A Lena era assim, quando estava mal, ela só colocava mais maquiagem e um sorriso na cara, parecendo ainda mais brilhante. Apenas os mais próximos podiam perceber o quanto aquele sorriso era falso.
Por sorte, o irmão dela estava viajando essa semana e ela estava na casa do Reever-san, amigo de confiança (e segundo o Lavi, amante) do Komui-san. Mas eu tinha certeza que quando ele chegasse iria surtar lindamente com toda essa história.
– Está melhor? — Sussurrei fazendo carinho distraidamente no seu cabelo enquanto ela se acomodava melhor nos meus braços.
– Impossível não estar com você aqui. — Murmurou ela com um sorriso meigo.
O sorriso meigo da Lena.
Quando chegamos em casa, encontramos um bilhete de "volto logo" do Reever-san, e ela foi tomar um banho enquanto eu fazia uma panela do meu brigadeiro especial que nós comemos depois em cima da cama onde estamos agora.
– Lena... Eu sei que não é momento, mas eu realmente preciso te contar uma coisa. — Comecei completamente sem jeito quando ela subiu em cima de mim, escondendo o rosto no meu pescoço.
– E-Eu também Allen-kun... — Sua voz soava tímida e insegura.
Suspirei fundo , dizer a ela que, mesmo depois de tudo esclarecido, as coisas nunca mais seriam as mesmas entre nós seria no mínimo problemático.
Não que eu tivesse algo contra ela, muito longe disso, apenas não era mais apaixonado por ela como antes, embora ela continuasse sendo realmente importante pra mim.
– As damas primeiro. — Falei me sentando, deixando-a de frente pra mim.
– Allen eu... Eu realmente não sei como te dizer isso, mas... Acho que não fui completamente honesta com você. — Começou entrelaçando os dedos das mãos nervosamente.
– Como assim? — Indaguei calmamente, colocando uma mecha do seu cabelo atrás da orelha e ela respirou fundo.
– Olha, eu quero que saiba que eu realmente fui apaixonada por você, e ainda te amo muito, mas é que...
– "Fui"? — Questionei erguendo uma sobrancelha.
Não sorria Allen... Vai ficar suspeito...
– Em algum momento, isso antes daquele cara me ameaçar, eu meio que comecei a me sentir confusa com meus sentimentos em relação a você e outra pessoa... — Tentou explicar, mas eu sabia que ela não conseguiria ser direta em relação ao que queria dizer, então encurtei a conversa.
– E você decidiu que estava apaixonada por essa pessoa. — Resumi e ela confirmou timidamente.
– Quem é? — Perguntei, e admito que estava morrendo de curiosidade.
– A Road.
...
...
... O QUÊ?
Me engasguei com ar que estava respirando e comecei a tossir descontroladamente.
Puta que o pariu... Por essa eu não esperava!
– Allen! Você esta bem? — Perguntou preocupada, dando uns tapinhas nas minhas costas, tentando me fazer "desentalar".
– Eu... Cof... estou, mas... Oh, merda Lena... — Lamentei por ela.
Não que a Road fosse completamente hetero, mas acontece que ela era loucamente apaixonada pelo irmão mais velho e odiava a Lenalee desde criança. Aliás, nunca vi aquelas duas se darem bem por mais que alguns poucos segundos, por isso era realmente impressionante ouvir aquele tipo de coisa.
– É, eu sei, tô ferrada. — Suspirou.
– Muito ferrada. — Ressaltei.
– Não tá bravo comigo? — Perguntou deitando a cabeça no meu peito , espalhando os longos cabelos negros que me lembravam um certo alguém...
– Claro que não, estamos no mesmo barco parceira. — Passei o braço em volta dos seus ombros frágeis, rindo junto com ela.
Era realmente bom voltar aos velhos tempos.
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Quando o Reever chegou, a Lenalee já estava dormindo, então fiz um breve resumo a ele sobre o que tinha acontecido, aproveitando para pedir-lhe para ajudar a morena com o irmão quando ele chegasse (afinal, se existia alguém que era capaz de conter o Komui quando tinha seus ataques, esse alguém era Reever) e fui para casa. Claro que o Reever ficou louco com isso, já que deveriam ser no mínimo umas duas da manhã, mas era como se alguma coisa dentro de mim se agitasse, me dizendo que eu deveria voltar o mais rápido possível.
O incidente do beco escuro ainda não tinha saído da minha cabeça. Eu andava pelas ruas atento a qualquer movimento, me assustando até com um gatinho que pulou do muro para o chão. Estava ficando terrivelmente paranoico, e o cenário escuro e deserto não ajudava em nada.
Respirei aliviado quando cheguei na minha rua, caminhando alegremente até a minha casa e aproveitando que a rua estava deserta para cantar um pouquinho, sabe como é, pra descontrair o clima de "alguém suspeito vai sair de dentro do arbusto/bueiro/beco/caixa de correio e me atacar".
– Crawling back to you... lalala...when you’ve a had a… rumhumm... Cause a always do... Baaaby im toooo! — Eu adorava essa música, tinha uma batida sexy também... Era algo que me dava vontade de dançar, mas eu não sabia o quê dançar.
Tudo ia tranquilamente bem, isso é, até eu olhar para o jardim do vizinho da frente e topar com algo que fez meu coração parar uma batida com o susto e meu rosto perder a pouca cor que tinha por um momento antes de ficar da cor de uma pimenta.
– Bela voz, Moyashi. — Comentou com um tom de voz irônico e aquele risinho de presunçoso que me fazia querer matá-lo, mas ao mesmo tempo o deixava perigosamente sexy.
– K-Kanda?! O que... O que diabos você faz aqui? — Indaguei completamente pasmo.
Antes que ele respondesse, Tiedoll-san — meu vizinho da frente desde que eu me entendo por gente — sai da casa usando um pijama listrado e trazendo um balde de marshmallows.
– Yuu-kun, você poderia assar esses pra mim enquanto eu... Ah, oi Allen-kun! Nossa, você cresceu uns bons centímetros nesse último ano, heim? — Falou andando até mim e bagunçando meu cabelo carinhosamente, me convidando (leia-se, me prendendo num abraço e me arrastando) a entrar.
Bem, eu não ia fazer desfeita... Até por que ele era o vizinho mais legal que eu tenho (sabe aquele que coloca música BOA no som do carro no domingo a tarde?), e também tinha sido colega de profissão do meu tio há uns anos, mas os dois implicavam um com o outro sempre que podiam (as vezes eu acho que eles levam a sério, as vezes penso que se divertem com isso... Bem, com doido não se discute).
– E essa criatura já foi menor? Como nunca te esmagaram por acidente? — Tinha que ser Kanda me enchendo o saco com aquela clássica expressão de filho-da-puta-mor.
– E quanto a você? Já saiu da TPM alguma vez na vida? — Mandei de volta e a carinha cínica dele se desmanchou naquele segundo.
Há! Chupa essa! Allen 1 x 0 BaKanda.
– Não vou ouvir isso de alguém que foi expulso da terra dos gnomos por falta de altura. — Retrucou engraçadinho.
Ok, 1 x 1 no placar.
– Melhor do que fugir de uma torre, não Rapunzel? — Devolvi.
2 x 1. Eu. Sou. Foda.
– O que vem de tão minusculamente baixo não me alcança. — Respondeu colocando um marshmallow no espeto.
Que filho da...
– Sempre tão graciosa princesa Kanda... Uma perfeita Lady. — Ironizei com um sorriso maior que a minha cara só de ver a vontade dele de mandar aquele espeto na minha cara.
Ele bem que ia falar alguma coisa, só que fomos interrompidos pela risada escandalosa de Tiedoll.
– Tá rindo do quê? — Indagou Kanda provavelmente tão confuso quanto eu.
– Nada não. Podem ficar a vontade os dois aí... — Falou num tom estranho, dando uma piscadela e sumindo dentro de casa.
– Você entendeu? — Perguntei sentando ao lado do oriental, de frente para a fogueira onde ele assava os marshmallows. Aliás, por que diabos esse ser estava fazendo uma fogueira?! E a essa hora da madrugada?
– Essa criatura estranha nunca fez sentido pra mim. — Respondeu me entregando um marshmallow que tinha acabado de assar. Murmurei um "obrigado" rápido antes de mandar pra dentro.
– Então... Ele é seu pai adotivo pelo visto... — Puxei assunto distraidamente enquanto mastigava, e só quando ele respondeu foi que eu percebi a merda que tinha feito.
– Hm. Então você sabe que eu tenho um pai adotivo, Moyashi stalker. — Comentou com um risinho sarcástico e eu acho que fiquei roxo de tão vermelho.
– E-Eu... Er... A-ham, então, por que nunca te vi por aqui antes? — Mudei rapidamente de assunto percebendo que, se eu fosse me explicar, não sairia uma frase coerente.
– Por que eu moro com o Alma, aquele que você conheceu na boate. S-tal-ker. — Respondeu me entregando outro marshmallow.
Fiquei azul de vergonha dessa vez. Ele estava um demônio hoje!
– Vocês tem um caso, não é? — Indaguei "desinteressadamente", ignorando o novo apelido carinhoso que o maldito arrumou pra mim.
Acho que ele percebeu a minha cara de " estou fingindo que não, mas na verdade tô morrendo pra saber", já que o infeliz deu O risinho filho da mãe e se aproximou perigosamente de mim, me fazendo prender a respiração.
Acontece que além de Kanda ser... Bem, o Kanda, o maldito ainda estava com a gravata escura desfeita, a camisa cinza-chumbo aberta, expondo aquele corpo trabalhado de fazer qualquer um sofrer pra desviar o olhar, a franja bagunçada e jogada para o lado de qualquer jeito e aquele olhar matador que dava arrepios na coluna.
– O Moyashi stalker fica espiando os outros do terraço, e depois fica pensando merda... — Falou debochado, com o rosto tão próximo do meu que eu senti sua respiração quente batendo em meus lábios em alguns momentos, e agora, os sinto formigando...
– Você está... Bem direto hoje. — Comentei me segurando para não me inclinar um pouco mais pra frente.
Ele apenas pegou algo que estava no chão atrás de si e me mostrou. Era uma garrafa de tequila já pela metade.
Ah, acho que isso explica algumas coisas...
Caramba, ele bebe mais que um Opalla 95!
Não, não entendo de carro. Isso é com meu tio.
– Isso quer dizer que você vai me responder qualquer coisa que eu queira saber? — Arrisquei sentindo meu interior ferver de animação.
– Vou. — Respondeu e eu me controlei pra não pular no bando onde estava.
– Sériiooo?! — Meus olhos deveriam estar faiscando nesse momento.
– Óbvio que não, imbecil.
Acabo de ir do mais alto pico da alegria... Até o buraco da desilusão total. Quem sabe na próxima...
– Cretino. — Resmunguei puto da vida, mastigando outro marshmallow.
– Pirralho... Você não quer as respostas que procura. — Respondeu sério, cutucando o que me pareceu algo como tecido dentro do fogo. Ok... Isso é estranho.
– Você, por acaso, sabe que respostas eu procuro? — Desafiei.
– Será? — Respondeu olhando dentro dos meus olhos, como se estivesse lendo minha mente.
Senti um arrepio muito estranho com aquilo. Era como se ele soubesse bem mais do que apenas as repostas que eu estou procurando.
– Como diabos você saberia se mal me conhece? — Indaguei sem desviar o olhar do seu por mais penetrante que fosse.
Havia muita coisa sem explicação entre mim e Kanda, eu não conseguia entender metade das suas ações, não entendia como ele sabia onde eu estava quando me salvou naquele beco, ou como ele me passava tanta confiança apenas com um olhar, ou por que ele gostava tanto de me ver irritado, por que havia feito aquilo pela Lena... Eu nem sequer sabia o que ele pensava sobre mim.
Mas o pior... Por que diabos eu estava tão desesperado para saber tudo isso?
– Pois é. Eu não te conheço. — Deu de ombros desviando o olhar do meu e voltando a cutucar a fogueira.
– Vai fugir do assunto assim, na cara de pau? — Provoquei observando-o trancar a cara e me lançar um olhar fulminante.
– Cala a boca. — Resmungou se recusando a olhar pra mim.
– Oh, então Yuu Kanda perdeu o dom da réplica? — Insinuei e agora era a minha vez de sorrir maleficamente.
– Quer que eu enfie esse espeto no seu cú e te asse na fogueira também? — A luminosidade emitida pelo fogo iluminava seu rosto de forma assustadora.
Ok, eu não quero perder minha virgindade anal com um espeto de churrasco.
– Tá certo, você não quer responder, então deixa quieto... — Falei catando um graveto qualquer no chão e jogando no fogo. — Mas só pra constar, eu não acredito que você ter filmado aquele vídeo com o cara que é o dono da boate onde você trabalha tenha sido uma simples "coincidência". — Comentei fazendo-o finalmente voltar a olhar pra mim.
– Eu trabalhava lá. E quem te disse que fui eu quem gravou o vídeo? — Indagou franzindo o cenho ainda mais do que o normal. Bebe, ai depois fica tonto, quem mandou...
– É o óbvio. Alguém além de vocês dois sabia dessa história? — Respondi com um sorrisinho presunçoso.
– Olha só... Ele pensa. — Comentou engraçadinho, espetando outro marshmallow e eu lhe dei um soco no braço que ele nem pareceu ligar. E que braço duro, heim? Se fosse um tapa eu tinha matado a minha mão.
– Ah, falando nisso... — Me virei de frente para ele, atraindo seu olhar na minha direção. — Kanda, muito obrigado pelo que você fez pela Lena, foi muito importante para ela, mas significou muito para mim também. — Agradeci sinceramente, sorrindo sem querer ao perceber um tom rosado se apossando das suas bochechas.
– Es...Espero que vocês deem certo juntos. — Falou me entregando o marshmallow que tinha assado sem nem me olhar.
– Ham? Nada a ver. A Lena gosta de outra pessoa, e também acho que não daríamos mais certo como um casal, nível alto de friendzone, sabe? E também tem... Kanda, você tá bem? — Perguntei estranhando a aura maligna em torno do moreno e a expressão assassina que ele carregava.
– Eu vou... MATAR AQUELE CAOLHO FILHO DE UMA PUTA DESGRAÇADA! — Exclamou puto da vida de repente, se levantando e resmungando algo sobre onde tinha deixado o celular e entrando em casa possesso.
... Vai entender, né?
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