My Fresh Start
4 E tudo só piora
Notas iniciais
Pov's Of Violetta
Nunca fui uma pessoa fácil, admito. Não sou de levar desaforo pra casa. Aprendi a me virar sozinha. Desde pequena eu sonhava com um príncipe encantado, que me chamaria de princesa e iria me levar embora, rumo a felicidade, longe desse mundo cruel, repleto por mentiras.
Em um certo momento da minha vida, pensei ter encontrado esse príncipe, pensei que eu era feliz. Mas então a ficha caiu: eu não sou uma princesa, e príncipes não existem. E isso eu posso garantir.
Jace Kunw me mostrou que a vida não tem nada com contos de fadas. Ainda me lembro bem, como se fosse ontem, quando na verdade foi a cinco anos atrás. Era noite, chovia, chovia muito. Ele era mais velho, e eu me achava um máximo por isso. Namorar um cara veterano.
Cabelos negros arrepiados, seus olhos pareciam uma perola negra, eram chamativos, confesso que em um certo momento eu achava aqueles os olhos mais lindos já vistos pelos meus. Mas, isso mudou a partir do momento em que aquelas íris me olharam de uma forma fria, e faminta.
Naquela noite, para mim, ele se tornou um psicopata. Suas mãos que sempre foram tão carinhosas, se tornaram agressivas e possessivas.
Tudo ocorreu em um carro, no meio da noite, debaixo da tempestade. Perdi minha pureza em um puro ato de covardia, de agressividade, de maldade. Para ele meus gritos e lagrimas não valeram de nada. Meus gemidos de dor, para Jace, era prazeroso.
Naquela noite eu desejei a morte, e é o que desejo toda vez que me lembro de como eu fui tola em acreditar que tudo ficaria bem...
Com os olhos repletos por lagrimas e alguns soluços escapando por minha garganta, me remexi na cama bagunçada pelos brancos lençóis. Coloquei minhas mãos sob meus joelhos e os trouxe até mim e afundei meu rosto em meio as minhas pernas. Ali permaneci por alguns longos minutos, sentindo a dor que apenas eu sei qual é.
Porém, um barulho entretecedor me impediu de continuar com minha ação. Respirando com um pouco de dificuldade limpei minhas lagrimas e peguei meu telefone. No visor do celular estava a foto e o nome da Francesca. Suspirei e deslizei o dedo sobre a tela, atendendo a ligação.
—Oi, Fran. — a comprimente com a voz um tanto falha devido ao choro.
—Amiga? O que houve? Estava chorando? — indagou preocupada.
Não queria e não quero contar nada para a Francesca. Ela é minha amiga e eu confio muito nela, mas ainda não estou pronta para dizer esse passado em voz alta.
—Não, não. Eu... — tossi, na esperança de "voltar" ao normal —...eu estava dormindo. — falei por fim.
De um certo modo eu não estava mentindo. Eu apenas omiti a parte do pesadelo — que também era uma recordação.
—Há essa hora? — perguntou e em seu tom de voz, ela estava surpresa. —Não deveria estar no trabalho, Vilu? — perguntou agora curiosa.
—Sim e não. — ri sem humor —Mas, o que devo a honra da sua ligação? — indaguei brincando, enquanto me levantava da cama.
Fui até o banheiro, coloquei a ligação no viva voz e comecei a escovar meus dentes.
—Eu queria te pedir um favor. — disse —E agora que sei que você está atoa, não me sinto mais culpada — deu uma risadinha.
Enxuguei meu rosto e peguei o celular, e me dirigi até o meu closet.
—Culpada? — indaguei estranhando o rumo da conversa.
—Bom, é que eu preciso que você faça algo em meu lugar porque eu não posso — ela estava enrolando muito.
Rolei meus olhos sobre as minhas roupas em busca de uma que me agradasse.
—E por que você não pode? — indaguei.
—Porque estou no spar, fazendo limpeza de pele — disse, convencida.
Gargalhei alto e a mesma riu comigo.
—Não acredito nisso, Fran. — respirei fundo e cessamos as risadas —Você não tem mais nada o que fazer não? Já passa praticamente o dia inteiro no shopping, e agora em um spar. Meu Deus! — voltei até minha cama e me sentei.
—Cala a boca! — ordenou e eu tenho quase certeza que ela revirou os olhos. —Agora falando serio... — deu uma pequena pausa e continuou —... quero que você vá até o Diego e pegue alguns papeis e depois que me encontre no centro para me entregar todos esses papeis. — explicou —E é para você ir agora, porque se não irá ficar muito tarde.
Revirei os olhos e olhei para o lado. O pequeno objeto que marca as horas, mostrava que era exatamente três e vinte e quatro. Estava tarde, visto a hora em que cheguei em casa.
—E a educação, Reys? Onde ela fica nisso tudo? — antes que ela pudesse responder, falei: —Pelo menos um por favor, não? Tenho certeza que não será muito doloroso. — dei um sorriso sarcástico.
—Você sabe como tirar uma pessoa do serio, hein, Violetta? — bufou —Por favor — pediu, depois de alguns segundos. —Agora vá, e por favor, não demore — disse por fim e encerrou a ligação.
Me levantei e fui, novamente, em direção ao closet. Eu tinha varias roupas, mas nenhuma me agradava hoje. Experimentei praticamente todas, e por fim decidi por uma blusa branca com botões na frente e um short, uma roupa simples. E um sapato de salto e cano alto.
Peguei minha bolsa e desci as pressas. Nem ao menos me despedi de minha avó. Optei por ir de taxi, seria mais rápido para mim.
******
Já havia vindo na empresa dos Vargas antes, mas sempre é surpreendente. Esse lugar é grande, e eu olhava apenas do lado de fora.
—Me espere aqui, por favor. — pedi ao taxista —Não vou demorar — falei, e recebi um assento positivo como resposta.
Entrei naquele enorme lugar e fui em direção ao elevador. Por sorte, não havia ninguém, então rapidamente cheguei até a sala do Diego. Entrei sem fazer cerimonias, logico que antes, falei com a secretaria dele.
—Violetta! — Diego pronunciou meu nome em tom de surpresa, mas com um sorriso.
—Olá — o cumprimentei e demos um breve abraço.
—O que esta fazendo aqui? Aconteceu alguma coisa? — indagou curioso e preocupado, enquanto indicava que eu sentasse em uma das cadeiras que estava em gente sua mesa.
Me sentei e esperei que o ele fizesse o mesmo.
—Não. Não aconteceu nada — sorri fraco —A Fran me pediu para vir até aqui e pegar alguns papeis...,contratos ou algo do tipo — ele soltou uma risada.
—Okay, — murmurou e começou a mexer em uma gaveta —mas, porque ela não veio? — indagou, olhando-me brevemente.
—Pergunte isso para ela — ele fez uma careta —Agora, rápido, Diego. A Francesca pediu em um tom levemente de ameaça que eu entregasse esses papeis ela... — peguei meu celular que estava em minhas mãos e olhei as horas. Arregalei os olhos ao ver quanto tempo já havia se passado —agora — falei assustada.
—Calma. — pediu —Tome aqui — me entregou um envelope —Por favor, Vilu. Não perca isso — praticamente implorou.
Uma súbita curiosidade me invadiu.
—Por que? O que é isso? — perguntei, não fazendo questão alguma de esconder o meu interesse no assunto.
—A curiosidade te fez esquecer que você esta atrasada — disse, achando graça. Fechei a cara. —Tchau, Vilu — falou, rindo, obviamente da minha expressão.
—Tchau, Diego — despedi e me virei, indo em direção a porta.
Antes que eu pudesse concluir minha ação, que era sair daquela sala, Diego chamou minha atenção ao dizer meu nome.
—Violetta?! — parei e me virei, novamente —Não se esqueça que você tem que ir até minha casa hoje — revirei os olhos —Meu irmão acabou de me ligar e disse que já chegou. Ele esta vindo pra cá, mas como você não pode esperar... — o interrompi.
—Não, eu não posso. Mas, não se preocupe, eu vou até sua casa a noite e irei fingir que me importo com a chegada do seu amado irmão — sorri irônica e sai, sem esperar uma resposta sua.
Não me senti culpada pela forma em que falei com o Diego. Ele me conhece bem, sabe como eu sou, e sabe também que eu não digo nada com a intenção de magoa-lo. O problema é que eu me esqueci que estava falando do irmão dele, e o Diego tem uma certa afinidade especial com ele — o que me dá um pouco de inveja, considerando o fato que minha irmã me odeia —, e o Dih não gosta que ninguém fale nada dele.
Não sei bem o motivo de tanta proteção. Talvez porque seja o irmão mais novo. Se bem que, pelo que a Fran disse, a diferença de idade deles não é muito grande, acho que um ano apenas. Mas, eu sei bem que tem algo a mais em todo esse carinho que o Diego e o irmão sentem um pelo outro.
E, não é pelo fato de eu ter uma grande parte curiosa, mas que eu vou descobrir o porque de todo esse zelo, eu vou.
Ainda meio perdida em meus pensamentos, comecei a procurar o banheiro. Esse lugar é grande e me deixa perdida, então acabou que eu fui parar dois andares a baixo, apenas procurando o banheiro.
Quando finalmente achei, guardei meu celular e olhei para frente. O grande espelho em que eu fitava, por um instante mostrou-me o rosto da garotinha que um dia eu fui. Da garotinha que virou mulher rápido de mais, e que teve que aprender sozinha a enfrentar as dificuldades da vida.
Já sentia algumas lagrimas querendo escapar. Então, apressadamente soltei um suspiro e chacoalhei o rosto. Dei um pequeno sorriso e disse a mim mesma:
—Vai ficar tudo bem.
Como eu queria acreditar nessa minha fala. Uma pena que eu sei que não é verdade. Nada ficará bem. O destino nunca foi muito generoso comigo, brincou com meus sentimentos e as minhas razões, revirando minha vida e a transformando em um verdadeiro inferno. Tudo começou com a grande revelação dos meus pais, nada comigo, mas sim com a Lara. E a partir daquele dia tudo mudou, nem a atenção dos meus pais eu ganhava mais.
Tudo foi para a Lara.
Sempre foi a Lara.
Ela é a causadora de vários sofrimentos que me rondam. No começo eu não ligava, mas ela começou a tomar de mim tudo o que eu mais prezo. E esse foi apenas a base que me transformou no que sou hoje.
Uma pessoa sem praticamente nenhum amor no coração.
Peguei o envelope e minha bolsa e sai daquele ambiente. O corredor estava vazio, não passava ninguém. E isso me assustou um pouco.
Rapidamente caminhei até o elevador. Cruzei os braços e comecei a ficar impaciente. Realmente o dia não estava bom para mim, e iria ficar pior se eu deixasse a Francesca nervosa. Aquela italiana quando fica irritada...
Depois de vários minutos esperando finalmente a porta do elevador se abriu. Suspirei agradecida e entrei. Assim que entrei por completo percebi que havia outra pessoa ali, para ser mais exato, um homem. Ele olhou para mim por alguns instantes, mas logo voltou a olhar para frente.
Não sei como, mas eu senti que de alguma forma eu o conhecia... Seu rosto me era bastante familiar. Seus traços me lembrava algo, ou alguém.
Sem disfarçar, o fitei, tentando puxar em minha mente de onde eu o conhecia. Ou penso que conhecia. Foi então que me lembrei de uma coisa. Não, eu nunca tinha o visto, pelo menos não pessoalmente. Mas já havia visto em fotografias.
Ele é o irmão do Diego. — pensei comigo mesma.
Os dois não eram muito parecidos. Alias, não tinham praticamente nada em comum. Alguns traços apenas...
Iria perguntar se era ele mesmo, mas fui impedida por um barulho extremamente irritante que soou pelo elevador, e logo em seguida ele parar.
—O que foi isso? — indaguei assustada.
—Acho que a energia acabou — falou, ele, suspirando frustrado, enquanto apertava varias teclas do painel.
Isso não pode estar acontecendo.
E se o elevador cair? — pensei comigo mesma.
Eu tenho apenas dois medos: do meu passado e da morte. E dois pavores: minha irmã e de lugares pequenos de mais.
—Não, não, não — falei, completamente desesperada. —Isso só pode ser brincadeira — resmunguei.
O irmão do Diego, Leon, parecia estar tranquilo, apenas frustrado.
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