My Foolish Heart
2 Capítulo 2
Notas iniciais
E lá estava eu às 20:00h da noite pulando da janela da minha casa porque a bruxa da Johanna me deixou de castigo. Por quê? Eu também não sei. Acho que Caroline falou alguma coisa do cordão de ouro. Nunca nem toquei naquela coisa. Caroline era idiota. Muito idiota. Pensei em correr para a casa do Kol, mas seria obvio. Tentei espairecer um pouco. Antes de sair peguei minha pequena bolsa, troquei de roupa lentamente, com cuidado para aquela bruxa não ouvir. Coloquei um suéter branco, um poncho da cor vinho, uma calça jeans, um Slouch Hat de inverno e minha bolsa era uma Cross Body marrom. Pulei pela janela, mas antes tranquei a porta do meu “quarto” e levei a chave comigo.
Em um domingo as coisas são bem monótonas. Pelo menos era inverno. A minha estação favorita. Eu amo suéteres, casacos, ponchos. Na verdade tudo do inverno. Fui para o parque. Quando eu era menor, meu pai e minha mãe me levavam para o parque, todos os domingos de inverno. Eu brincava até cansar, e no outro dia ficava com um resfriado. Mas eu não me importava com aquilo. Eu gostava de passar o tempo com minha família. Sentei no banco que eu sempre sentava quando ia com meu pai e minha mãe.
Não tinha ninguém no parque. Isso era bom para mim. Eu queria pensar, ou descontar ou sei lá... Não ter que... Sentir aquela dor. Pensei em chorar, mas tinha decidido há muito tempo atrás, não derramar uma lágrima pelo sofrimento que aquela bruxa me causava. Eu seria forte. Algumas das últimas folhas da árvore acima de mim caiam sobre meu cabelo. Tratei de tirá-las.
— Katherine Pierce? – Ouvi uma voz conhecida. Me virei para trás. Era Damon.
— Ah. Oi... Damon. – Disse um pouco surpresa.
— Posso sentar? – Ele pergunta apontando para o espaço vazio do banco ao meu lado.
— Claro. – Eu disse sorrindo. Ele não estava de terno; era estranho vê-lo sem terno. Mas com certeza estava lindo. Ele se senta.
— Eu não queria apressar as coisas, mas você já tomou sua decisão?
— Não. Ainda não. Estava pensando nisso agora. Estou tentando tomar a decisão certa. – Eu disse pensativa.
— Certo. Não vou interferir. – Ele diz e nós rimos. – Quantos anos você tem? Famosa do jeito que é aposto que demorou para conseguir essa carreira.
— Na verdade, eu tenho dezessete anos. – Eu disse. Não tinha pra quê mentir a minha idade. Logo, logo tudo ia voltar ao normal.
— Uau. – Ele diz surpreso. – Eu tenho 23. É bem difícil você começar a trabalhar assim que acaba o ensino médio.
— Pelo menos você trabalha com o seu pai.
— Não é assim tão bom. Meu pai é meio... Cabeça quente.
— Ele é seu pai do mesmo jeito. Eu acharia ótimo trabalhar com o meu pai. É bem ruim não ter um pai ou uma mãe.
— Seus pais... Morreram? – Ele engole em seco.
— É. Uma longa história. Mas não vamos falar de nada triste. – Digo e me recomponho.
— Certo. Por que não vem jantar comigo?
— Eu? – Eu gelo. Eu não consigo conversar com ele direito nem agora. Imagine em um jantar inteiro. – Certo...
— Que bom. – Ele diz e sorri. – Vamos. Andamos um pouco até ele me parar. — Esse é meu carro. Entre. – Ele abre a porta do carro. Era um Porsche preto. Simplesmente lindo. Ele começa a dirigir e liga o rádio. Começa a tocar Feels Like Coming Home da Jetta. Canto bem baixinho o refrão da música e Damon me olha. Eu rio, ele ri também.
Depois de algum tempo nós chegamos ao restaurante. Não era chique. Era simples. Alias, eu sempre ia comer lá nos domingos. O Senhor Luiz sempre me escondia da minha madrasta quando eu fugia de casa. Ele e meu pai eram muito amigos. Ele fechava nos sábados e abria nos domingos. Era uma boa estratégia.
— Olá Senhor Luiz. – Damon disse. Ele já conhecia o Senhor Luiz.
— Olá Damon. – Ele diz e olha para mim.
— Vejo que está com a Katherine. – Ele diz e dá uma risada. O Senhor Luiz sempre me chamava de Katherine, porque eu era parecida com ela.
— O Senhor já a conhecia? – Damon pergunta.
— Sim. Elena sempre vem aqui. – Droga! Eu faço um gesto para o Senhor Luiz parar de falar sem Damon ver, ele me entende e para de falar. Com certeza ele ia querer saber o que estava acontecendo.
— Elena? – Damon levanta a sobrancelha.
— É a minha cliente ali. – Senhor Luiz mente. – Mas, vocês já podem se sentar. – Ele diz e nos guia para uma mesa perto da parede. Damon puxa a cadeira e eu sento. Depois ele se senta. – Aqui o cardápio bambinos. Quando souberem o que vão pedir, me chamem. – Ele diz e depois sai.
— Você já veio aqui? – Damon me pergunta retomando o assunto.
— Sim. Meu pai e o Senhor Luiz eram muito amigos. – Digo e sorrio sem graça. –Bem, já sabe o que vai pedir?
— Acho que espaguete. E você?
— Filé mignon com salada de batata Alemã.
— Para bebermos... Que tal Bourbom? – Ele pergunta divertido.
— Nunca tomei.
— Pode tomar agora.
— Hum... Está bem.
— Perfeito. – Ele chamou o Senhor Luiz e pediu os pratos. – Pronto. Agora vamos esperar. – Ele disse e sorriu. – Queria que me contasse mais sobre você.
— Vamos ver... Eu sou uma modelo bem sucedida e linda. – Ri com meu comentário. Era como se eu estivesse tirando onda da cara dela. Espera... – E tenho uma ótima vida.
— Não era exatamente isso. Do que você gosta?
— Eu amo ler e ouvir música. Acho que isso é engraçado. As pessoas só me vêem na passarela e querem ter minha vida. Eu amo ler e ouvir músicas para não ter que viver nesse mundo. Nessa minha vida. – Ele me olha surpreso, mas feliz por eu estar contando o que sinto. Se ele soubesse que eu não sou ela. — Penso sempre em um modo de fugir desse mundo. A vida não é perfeita. Às vezes ela pode parecer, mas não é. – Ele ia dizer alguma coisa, mas eu o interrompi. Não queria que ninguém falasse nada sobre minhas opiniões. – E você?
— Bem; eu comecei a trabalhar com o meu pai com 18 anos. O que foi muita coisa para mim. Meu pai era muito estressado e paranóico com o trabalho. Às vezes pensava que era tudo culpa por alguma coisa que ele tinha feito, ou... Não sei direito. Antes ele era mais calmo, atencioso. Mas acabou há algum tempo atrás. Ele é bem mais calmo com o meu irmão, Stefan.
— Você tem um irmão?
— Sim. Ele acabou o ensino médio ano passado. Hoje já é considerado brilhante pelo meu pai. – Ele diz e ri fraco. A comida chega bem na hora que ele acaba de falar.
— Obrigada Senhor Luiz. – Eu digo e sorrio. Ele sorri também. Depois terei que explicar tudo para ele. Depois que ele vai embora, começo a comer o meu filé mignon, que estava delicioso.
— A comida do Senhor Luiz é a melhor do mundo. E o Bourbom também. – Damon diz. Ele coloca um pouco de Bourbom no meu copo. – Experimenta. — Eu hesito. Mas depois eu vejo o olhar pidão que Damon faz. Então eu tomo. Era bom. Um gosto inesquecível. Mas amargo. — Então? – Ele pergunta animado.
— Ótimo. – Eu digo e ele sorri.
— Eu disse.
Nós comemos o prato principal e depois pedimos a sobremesa. Uma torta Alemã. Deliciosa. Damon pagou o jantar. Conversamos muito. Muito mesmo. Descobri várias coisas sobre ele. Ele é fluente em inglês, português, espanhol, alemão e francês. Gosta da Taylor Swift (quem não gosta?); gosta de filmes de comédia, enfim. Ele é divertido e carismático. E além de tudo isso é lindo.
Como achar uma pessoa dessas no mundo? Pois é, eu achei. E ele se chama Damon Salvatore. Mas tudo isso vai acabar. E se ele ficar sabendo da verdade pode ser que não queira mais sair ou falar comigo. Afinal, não sou uma modelo super famosa. Apenas uma garota normal de dezessete anos que tem uma madrasta asquerosa e uma meia-irmã insuportável.
— O que acha de andarmos um pouco antes de te deixar em casa? – Ele me pergunta enquanto saímos do restaurante.
—Não precisa me deixar em casa. – Eu digo. – Mas eu aceito seu convite de andar mais um pouco. Nós entramos no carro e ele dirige um pouco até chegarmos ao parque em que eu estava a poucas horas.
— Pensei que você gostaria de vir aqui de novo. Não teve tanto tempo para pensar. – Ele diz e eu rio. — Eu gosto daqui. – Sorrio. Eu e ele nos sentamos no banco. Ainda havia uma rosa branca em uma das roseiras do parque. Uma linda rosa branca. Na verdade eu fiquei admirando-a para não ficar admirando Damon. Sim, isso mesmo. Mas isso não serviu de nada. Ele pegou a rosa e me entregou. Foi um momento fofo. Mas eu não podia. Aquilo era só temporário.
— Obrigada. – Eu disse tímida. Ele sorriu. – Acho que eu tenho que ir. Mas foi muito bom jantar com você, Damon.
— Você não quer que eu te leve?
— Não. Obrigada mesmo. Quem sabe não marcamos outro dia? – Eu digo e sorrio. – Tchau Damon.
Dei um beijo em sua bochecha e sai andando com a rosa em minhas mãos. Entrei pela janela do meu quarto; onde por sorte; a asquerosa não estava lá. Nem a Caroline. Peguei um pote de geléia que estava seco, coloquei água e pus a rosa nele. Deixei ela do lado da minha cama; pensando em ter bons sonhos. Essa noite foi ótima. Uma das melhores que eu já tive.
Com certeza eu teria bons sonhos.
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