My Favorite Darkness
3 A Lua e a Estrela
Notas iniciais
~Leia as notas iniciais~
–P.V.: Violet Bourbon
Quando acabou a reunião, todos saíram, conversando sobre a profecia mencionada pela, hum, harpia. Sobrou apenas eu, o diretor de atividades e Nico.
–Como pode ter certeza de que é sobre mim Quíron? Como sabe que não é uma profecia para daqui anos ou décadas, ou sabe-se lá quando?-ele disse, de repente.
–Nico, a dracaena tentou matá-lo porque sabia da profecia. E se ela sabia, quer dizer que realmente trabalha para alguém, que eu acho que é a tal Senhora da profecia e estava tentando impedir que você e a Filha da Escuridão tenham sucesso. É pouco provável que vá acontecer daqui à muitos anos.
Nico estremeceu.
–Tem alguma ideia de quem seja a filha da Escuridão ou a Senhora?-perguntei
Eles olharam para mim, talvez surpresos de eu ter falado alguma coisa.
–Bem, quanto à senhora, não consigo pensar em ninguém por enquanto. E a filha da Escuridão... bem é quase impossível. Veremos se eu tenho razão.
Ele não respondeu minha pergunta, mas Ok.
–Eu vou para o meu chalé. Até logo. -Nico saiu da Casa Grande.
Não sei porquê, mas esperava que eu fizesse amizade com esse garoto. Tipo, porque ele impediu que eu morresse e tal. Mas não. Ele simplesmente se foi.
–Você deve estar assustada Violet. Entrar nesse mundo não é fácil.-Quíron disse.
–Na verdade, eu ainda não tive tempo para assimilar tudo. É difícil acreditar que os deuses gregos existem...
Ele pegou um arco e uma porção de flechas que estavam numa estante atrás de onde estava sentado.
–Todos se sentem assim no começo. Mas, mudando um pouco de assunto, você não faz ideia de onde James está agora?
Sei que não era a intenção dele, mas doeu quando ele mencionou James. Ele era meu melhor amigo, a única pessoa com quem eu me importara de verdade. E depois do que ele fez comigo... Acho que nunca mais vou confiar em alguém na vida.
–Não. Não mesmo.
Quíron notou que eu havia baixado o tom de voz um oitavo, então mudou de assunto.
–É realmente estranho que você não tenha sido atacada por monstros no percurso. Normalmente semideuses enfrentam muitos perigos antes de chegar aqui. É como se você estivesse sendo protegida...
Não contei à Quíron, mas na verdade, eu havia sim visto alguns monstros enquanto estavam vindo para cá. Mas quando virava para olhá-los de novo, eles haviam desaparecido sem motivo aparente. Eu respondi apenas "hum" e olhei para baixo, não conseguindo continuar o assunto.
–Bem, venha comigo Violet. Vou te levar ao chalé de Hermes. É onde ficam os indeterminados, os que ainda não foram reclamados por deuses. Antes haviam muitos desses, mas agora você é a única aqui. Mas logo você saberá quem é sua mãe, tenho certeza.
Então ele saiu da Casa Grande em sua cadeira de rodas, mas quando cheguei lá fora ele havia se levantado.
–Você é metade cavalo!- acho que isso foi meio indelicado da minha parte, pois Quíron revirou os olhos e disse:
–Sou um centauro. Qual é, qualquer um sabe o que é um centauro! Não entendo porque em vez de dizer que sou metade cavalo as pessoas não dizem "Nossa, você é um centauro!". Já está começando a ficar monótono.
–Desculpe.
–Não tem importância- Pelo tom de voz dele, sim, tinha importância.- Bem, vamos.
Ele me mostrou os campos de morango e a arena de combate antes de me levar ao chalé 11. Ali ele me apresentou os líderes de chalé Travis e Connor Stoll, gêmeos idênticos com sorrisos marotos de delinquentes juvenis. Ele se retirou para sua aula de arco e flecha e me deixou com eles, não sem antes me dar um vale da lojinha do acampamento, porque as minhas roupas e todo o resto que eu estava levando havia desaparecido quando foram procurar no bosque.
–Bem-vinda novata. -disse Connor- Sou líder de chalé, junto com esse cara extremamente bonito, meu irmão. Você é indeterminada não é?
–Sim.- As pessoas falavam aquilo como se fosse uma doença rara.
–Tenho certeza de que será reclamada ainda hoje. Vem, vou te mostrar o acampamento.
O lugar era incrível. A arquitetura grega era algo realmente impressionante, ainda mais quando estava novo. Eu senti que era realmente o meu lugar ali. Era o meu lar agora, um lar que eu nunca tinha tido antes. Eu estava em casa.
~*~
Quando chegou a hora do jantar eu ainda não havia treinado nada. Eu passei o dia inteiro andando pelo acampamento. Conheci várias pessoas, mas ninguém do qual conseguisse falar por mais que alguns minutos antes de ir embora para voltar à seus afazeres. Quando começou à escurecer, tomei um banho e coloquei a camiseta laranja, um jeans da lojinha do acampamento e o meu colar, que felizmente estava comigo. Ele era simples, prata, com um pingente de lua e estrela. Tinha certeza de que havia sido dado pela minha mãe. Ele sempre esteve comigo, desde que nasci, e eu nunca me desapeguei dele. Nunca.
Também peguei a espada de bronze celestial que tinham me dado mais cedo. Ela tinha uns 50 centímetros de lâmina e o cabo revestido de couro. Eu particularmente gostei dela, não ficava nem leve demais nem pesada demais na minha mão. Mas nunca havia usado uma espada antes. Disseram-me que talvez eu conseguisse lutar com ela por causa dos meus reflexos de batalha e tal, mas eu não tenho muita certeza disso não.
Sentei junto com o chalé de Hermes no pavilhão do refeitório. Joguei nas brasas uma oferenda aos deuses, e pedi que minha mãe me reclamasse.Queria muito saber quem ela era.
A comida era divina. Fazia meses que não comia nada parecido com aquilo. E o meu copo se enchia magicamente toda hora com Coca-Cola gelada. A melhor refeição que já tive na vida.
Comecei a olhar em volta. Quíron olhava para mim às vezes, como se esperasse que eu fosse ser reclamada à qualquer momento. Desviei o olhar dele para as mesas próximas a minha.
Nico estava sentado de frente para a mesa do chalé 11, de modo que conseguia vê-lo com perfeição. Olhava para o prato sem apetite, e passava a mão pelo cabelo de vez em quando, num sinal claro de nervosismo. Devia estar realmente preocupado, pois ele não parecia ser o tipo de pessoa que se abala facilmente.
Então ele levantou o olhos e fixou-os nos meus. Seus olhos tinham as orbes negras como ébano e pareciam vasculhar cada canto da minha alma. Não consegui sustentar o olhar por mais que um segundo. Mas quando olhei para ele de novo, ele ainda me olhava. Deu um sorriso meio torto, a cabeça ligeiramente inclinada, como se estivesse curioso sobre mim. Então desviou os olhos para Quíron que começou a falar.
–Bem, como todos sabem, hoje vamos ter captura à bandeira e acho que já sabem os times de vocês. Podem se dirigir à floresta agora que logo começaremos o jogo. Boa sorte à todos.
Acompanhei o chalé de Hermes até uma clareira na floresta. Eles me disseram que eu ficaria na defesa, porque eu não tinha muito treinamento em combate ainda. Por mim tudo bem, afinal, eu acho que eu vou ser um completo desastre.
O jogo começou. Alguns campistas do chalé de Atena, que felizmente estava no nosso time, se esgueirou pelas árvores, tentando chegar à bandeira, enquanto alguns do chalé de Hebe formavam um ataque falso, para distrair o time adversário. Estava indo tudo muito bem, até que vi Clarisse LaRue, líder do chalé de Ares, correndo em nossa direção. Estava cada vez mais próxima de mim, porque sabia que eu não conseguiria detê-la, e então ela pegaria a bandeira.
Estava a dez metros de mim. Cinco metros. Dois metros. Entrei em desespero e então, de repente, ela parou.
–O que está acontecendo? Não estou enxergando nada!-ela disse
Vi que não somente ela havia parado. Todos os outros campistas tateavam em volta, como se subitamente estivessem cegos. As lutas haviam cessado, e uns gritavam pelos outros tentando entender o que acontecia.
Então eu vi a oportunidade. Já que eu estava vendo, corri em direção à bandeira (não sabia quanto tempo duraria aquela aquilo, então melhor prevenir do que remediar), onde o único guarda solitário tateava o ar, completamente confuso. Peguei a bandeira sem o mínimo esforço, e atravessei o campo de combate sem ser impedida por ninguém. Atravessei o lago e gritei:
–Acabou! Peguei a bandeira! Nós ganhamos!
Então, todos olharam para mim, provavelmente recuperando a visão. Somente eu sorria. Todos olhavam para mim, completamente sem reação. Quíron veio em minha direção.
–Como você fez aquilo?-Clarisse perguntou.
–Aquilo o quê?-eu não entendia o que estava acontecendo.
–Aquela coisa. De deixar todo mundo no escuro. Não se faça de desentendida!-ela disse
–Mas eu não fiz nada disso! Estava claro.- eu não estava entendendo nada
–Talvez estivesse claro para você Violet-disse Quíron- Mas realmente tudo ficou escuro. Isso deve ser...- ele parou e fixou o olhar acima da minha cabeça.
A escuridão pareceu mais densa ao meu redor. Tudo o que eu via era o brilho do olhar das pessoas, que refletiam a luz pálida do símbolo tremeluzente que pairava sobre mim: Uma lua e uma estrela.
–O que isso significa? Ártemis?- Algum campista perguntou.
–Não. O símbolo dela é apenas a lua.-Quíron respondeu- Sem contar que ela é uma deusa donzela, que jurou nunca ter filhos. Não é Ártemis. Eu estava certo.- Ele olhou para mim- Você é filha de uma das deusas primordiais. Essa deusa emergiu do vazio, é irmã de Gaia e Tártaro, e deu a luz à da maioria das desgraças existentes. Você, Violet Bourbon, é filha de Nyx, a deusa da Noite.
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