My Favorite Darkness
4 Aceito minha missão
Notas iniciais
Oi. Vocês leram BOO *u*. O Nico é mt perfeito. Enfim, desconsiderem os acontecimentos de BOO, porque senão minha fic não vai fazer sentido.
Meu segundo dia no acampamento foi uma droga.
Ainda estava no chalé de Hermes, porque obviamente não havia um chalé de Nyx. Nem sabiam que ela podia ter filhos mortais. Mas eu não achei que era tão ruim ser filha dela, apesar do discurso extremamente amigável de Quíron. Só porque ela é mãe das piores desgraças da face da Terra não significa que ela é do mal, certo? Errado. Quando fui deitar na cama de cima de um beliche do chalé 11, o garoto que estava embaixo saiu dali e deitou num colchão no chão. Fala sério, que humilhante! Mas ok, eu fui dormir normalmente, porque o dia seguinte ia ser melhor, afinal, achei que não era todo mundo que ia ficar com medo de mim. Deuses, como me iludi!Acordei quando Travis puxou meu pé para eu cair da cama. Acho que é o jeito dele de dar bom dia. Olhei para ele com cara de "sério isso?" mas ele se limitou a sorrir e dizer "Nós vamos ter aula de esgrima, little dark. Você está atrasada." e saiu. Me arrumei pensando no quão péssimo era o apelido que ele me deu. Pelo menos ele estava achando graça nisso tudo. Na aula de esgrima, o instrutor era um filho de Zeus. Ele se chamava Jason e parecia que antes de vir para o acampamento ele tinha sido do exército. Bonito, mas rígido demais, perfeito demais. O cabelo não tinha um fio rebelde, a postura estava completamente ereta. Tinha a aparência de um líder, daqueles que são simpáticos, mas se você sair da linha, podem ser muito perigosos. Ele nos disse para formar pares. Sobrei. Não pude fazer dupla com ele porque Jason estava supervisionando a "turma". Me disse para esperar até que alguém fosse derrotado para que eu fizesse dupla com o ganhador. A aula acabou e ninguém ganhou de ninguém. Travis e Connor provavelmente teriam derrotado um ao outro, mas foram chamados para fazer algo para Quíron bem no início do duelo. Sendo assim, fiquei no mais profundo tédio sentada em um banco assistindo as ridículas investidas dos campistas, fingindo que estavam tentando vencer o adversário. Tínhamos o resto da tarde livre. Acabei por concluir uma coisa: Se ser indeterminado parecia uma doença rara, ser filho de Nyx parecia ser uma doença rara que corrói o seu cérebro, para seu coração em menos de uma semana, e se você chegar à dez metros ou menos de alguém que tenha isso você vai ser contagiado. Ah, é! Também não tem vacina nem cura. Sério, quando eu ameaçava falar com algum campista, a pessoa andava mais rápido ou me dava respostas curtas e rápidas- "Não", "Sim", "Legal", "OK"- e então saía. E assim o dia passou, a noite caiu e chegou a hora do jantar. Não estava com fome e nenhuma vontade de agradecer aos deuses. Fiz uma coisa um tanto quanto estúpida: resolvi ir ao cais. Agora você me pergunta "O que diabos você foi fazer no cais sua imbecil?". Simples: procurar respostas. Eu sabia mais ou menos o caminho. Nico mencionou como chegar lá quando contou como me encontrou. Me perdi umas duas vezes mas cheguei ao lugar. A lua fazia reflexo na água negra. O cais ia até mais ou menos o meio do rio. O bosque que tive de atravessar era bem mais extenso do que eu imaginava, lembrando até uma pequena floresta. Fui até o lugar onde tinha acampado com James. Não havia nada lá, apenas os restos da fogueira que outrora fizemos. Isso me trouxe lembranças amargas. O que aconteceu naquele dia... Nunca perdoaria o que ele fez. Me dói até a alma só de pensar no assunto. James fora meu único amigo em anos. Ele era divertido, gentil, e companheiro. Me ajudou quando ninguém mais queria e eu teria dado minha vida por ele. Mas desde o desaparecimento de Noah ele tinha ficado estranho, sombrio. Quase não falava comigo. Ele me magoou muito quando ele fez aquilo. Me doeu mais emocionalmente do que fisicamente. Fui até o cais. Sentei-me com os pés pairando alguns centímetros acima da água. Então me veio Nico à mente. Imaginei a reação dele ao ver uma garota deitada no cais, à beira da morte. Pensei em porque ele me ajudara, e quão bom ele foi ao fazer aquilo. Ele arriscou a própria vida para salvar à minha. Eu tinha uma dívida impagável com ele. –Pensei que você não voltaria aqui-alguém disse atrás de mim. –Meu Deus- uma trovoada- quer dizer, deuses! Nico você quase me matou do coração! De onde você surgiu? Nico di Angelo se sentou ao meu lado. Sem querer, comparei-o com Jason. Eles eram totalmente opostos. Enquanto Jason era todo certinho, Nico era o exemplo de rebeldia. Cabelos negros rebeldes, camiseta de caveira, a postura levemente inclinada quando estava sentado. Usava uma jaqueta de couro e jeans pretos, e parecia um típico adolescente problemático. Mas, de certo modo, havia um charme nisso tudo. –Me desculpe se te assustei.- ele disse, me encarando com seus olhos negros.- Achei curioso você vir aqui. Normalmente as pessoas evitam lugares onde há lembranças dolorosas. Literalmente. –Vim aqui procurar pistas de onde James possa ter ido. Mas não achei nada- disse- Ele não deixou rastro nenhum.-suspirei-E você, por que está aqui?
–Gosto de vir aqui.- Ele olhou para o rio- é calmo, um bom lugar para se pensar. E tive sorte de te encontrar, precisava falar com você. Não gosto dessa frase. Nada de bom vem depois dela. Sempre notícias ruins. Sempre. –Lembra da profecia? A profecia que a harpia disse?- Ele me olhou nos olhos. Eu gostava mas não gostava quando ele fazia aquilo. Suas orbes negras pareciam um túnel escuro, daqueles que sua consciência diz para você não entrar nem que te paguem. Mas ao mesmo tempo eu queria entrar ali, ver o que tinha por trás daquele olhar vazio e frio, como se eu pudesse achar a luz no fim do túnel. Enxergar a pessoa por trás das roupas negras e cabelo despenteado. –Sim. O que tem?- desviei os olhos. Não conseguia sustentar o olhar por mais de três segundos. –Você lembra que uma filha da escuridão iria nessa missão comigo, derrotar a tal Senhora? Então...-ele mordeu o lábio inferior e me olhou. –Eu? Não pode ser eu! Eu nem tenho treinamento nem nada!- eu não conseguia acreditar. –Sim, é você. –Não, Nico! Mesmo que fosse eu, nunca me deixariam partir nessa missão. Digamos que eu não seja exatamente popular... –O que quer dizer?- ele perguntou –Não confiam em mim nem para um duelo Nico, quanto mais o destino do acampamento, da cidade, do Olimpo, ou seja lá o que tenhamos que defender! –Claro que te deixariam partir. Eu sei como você está se sentindo, mas não pode deixar que isso te impeça de fazer o que é certo. Além do mais, não se pode lutar contra uma profecia. Acredite em mim- Ele olhou para o rio. Uma parte pequena do meu cérebro estava curiosa sobre o que havia acontecido para ele ter tanta certeza. Mas em grande parte ele estava concentrado na frase "eu sei como você está se sentindo". Tantas pessoas falaram isso para mim... Estava cheia dessa falsa compaixão. –Não, Nico. Eu fui ignorada e olhada como se fosse uma aberração o dia inteiro. Tenho certeza de que não sabe como é. –Não tenho?!-Ele disse, sarcástico- Eu sou filho de Hades. Quando descobriram da minha ascendência, as pessoas nem se aproximavam de mim. A única pessoa com quem eu tenho amizade é minha irmã, e eu a vejo uma vez no mês. O restante do tempo eu só fico aqui no acampamento, esperando algo interessante acontecer. Também não sou a primeira pessoa em quem confiariam essa missão, mas eu aceito meu destino. Você não tem escolha. –Quem é você para me dizer o que fazer?- Já estava irritada- É claro que tenho escolha. Eu posso simplesmente ficar aqui. Você não pode me obrigar a ir. –Você tem razão. Mas não tem como eu conseguir sem você. Só juntos conseguiríamos derrotá-la. –Você nem sabe quem a senhora é, quanto mais se precisa de mim para derrotá-la. –Na verdade eu sei quem é a Senhora: sua mãe- Ele me disse isso como quem diz que um parente faleceu. –Como pode ter certeza? Nem sabemos se ela é realmente má. –Na verdade, eu tive um... um amigo que conheceu Nyx. Ela não foi nada amigável.-Ele fez uma careta- É por isso que as pessoas te tratam assim. –Mas o que eu poderia fazer contra ela Nico? Eu nem sei usar uma espada! –Você derrotou uma equipe inteira de guerreiros sem querer. Imagino o que poderia fazer se quisesse. Você é poderosa Violet. Só precisa treinar isso. E se quiser ajuda, eu posso te ajudar. Mas você tem que ir nessa missão. Sem você eu vou fracassar. — Ele estava praticamente implorando. Nico tinha minha idade, era apenas uns meses mais velho. Mas eu via que ele teve muitos sofrimentos na vida. Ele tinha passado por tanta coisa, mas estava ali, firme, aceitando o que a vida tinha reservado para ele. Não era fácil, não era divertido, mas ele continuava, tentando ficar forte. E eu estava ali, lamentando por não ter feito amigos e porque o único que eu tinha foi um desgraçado filho da puta. Eu devia minha vida para esse garoto, e a só o que ele pedia era para eu acompanhá-lo numa missão. Porque eu ainda estava hesitando? –Não se preocupe Nico, você não vai. Também aceito o meu destino. Eu aceito essa missão.
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