My Fallen Angel

19 Chapter Nineteen


Notas iniciais
Boa leitura ♥

..my fallen angel..

Chapter Nineteen

\"\"

O céu estava nebuloso naquela tarde, eu via através das minhas vidraças... Tão nebuloso quanto meus olhos, eu podia dizer... Havia aquele sentimento opaco... Aquele sentir que eu não podia entender... Algo como um vazio estranho e distante...

O lugar ao qual Asami havia pertencido... Havia ficado aquele buraco no meu peito, aquela dor que eu tentava esconder, mas sabia estar falhando terrivelmente. Ainda mais das pérolas cristalinas do meu anjo...

Ele havia tentado manter um sorriso em meus lábios. Tentou alegrar meu eu e também me fazer dividir um pouco da carga emocional que eu carregava sozinho. Mas eu não podia, de jeito nenhum, pensar em dividir isso com ele... Ele já estava sobrecarregado com os próprios problemas... Aquilo seria demais...

E aquela dor era minha... Só minha... Só eu conseguiria entendê-la direito... Obviamente que ele permaneceu ao meu lado, mesmo com o meu silêncio... Apenas segurou firmemente meus dedos nos seus e me exibiu um sorriso. Doce como eu me acostumei a ver todos os dias...

-Você está pronto para ir, Yuu? O Akira e o Takanori já estão esperando no carro... – Kouyou comentou suavemente, enquanto eu terminava o meu terceiro café em cerca de meia hora. Apenas assenti com a cabeça, levantando e largando a xícara dentro da pia – Hey, Yuu... Olha pra mim...

Eu fiz o que ele me pediu e não me arrependi... O seu olhar intenso se fixou profundamente no meu, enquanto um sorriso doce se estendia pelo seu rosto delicado. Suas mãos macias tomaram as minhas e eu pude entender, finalmente, a dor que havia dentro dele.

-Eu não a conhecia nada, você sabe... Mas... se tem algo que eu aprendi com a Asami... foi que os sorrisos são as coisas mais preciosas que nós temos... Mesmo, e talvez até mais, quando o que queremos é estar chorando... Então... dê pra ela esse presente, Yuu... Dê pra ela o seu sorriso lindo... Acho que é o melhor presente que você poderia dar a ela... Nada mais a faria tão feliz quanto isso...

Seus braços, em seguida, tomaram meu corpo em um abraço apertado e completamente cheio daquele sentimento calmante que eu não sabia de onde vinha. Eu sabia que ele irradiava aquela doçura de sentir, apenas isso...

E inegavelmente suas palavras carinhosas estavam certas... Asami queria a felicidade de todos, embora certamente eu ainda tenha algumas recordações nebulosas do fim do nosso casamento... Mas era apenas algo do passado... Algo que ela havia sentido em um momento de desespero... Apenas isso...

A Asami de verdade era aquela que Kouyou conseguiu entender. E eu tinha plena certeza que era por ambos serem anjos... Os anjos que cuidaram de mim quando eu mais precisei... Cada um ao seu modo, ambos eficazes...

-Obrigado, Kouyou... Você está certo... – beijei-lhe suavemente nos lábios, podendo exibir um rabo de sorriso ao qual ele correspondeu com gentileza. Acarinhei suas bochechas macias, desejando nunca ver Kouyou no estado da minha Asami... E só aquele mero pensamento pode quebrar algo dentro de mim. Tomei-o em meus braços outra vez – Seja minha força, por favor... – pedi, encarecido... Eu estava... me acabando...

-Eu estou aqui... Sempre vou estar... – ele sussurrou junto ao meu ouvido, apertando aquele abraço até que nós parecêssemos um só. Não sei como, mas era o modo como eu me sentia – Agora temos que ir... Vamos nos despedir da nossa Asa... Ela deve estar nos esperando...

-Sim, meu anjo... Vamos... – e com um selinho demorado nos lábios de mel, partimos para a cidade de onde eu vim.

A viagem passou lenta e em um silêncio meio pesado. Era óbvia a situação e nenhum de nós parecia querer entrar em mais detalhes. Às vezes eu via uma troca de olhares longa entre Takanori e Akira, mas nada que me mantivesse interessado. Na verdade tudo o que eu realmente sentia era o calor gostoso dos braços de Kouyou me aquecendo na dor.

O torpor ainda era forte demais e recente demais para que eu me recuperasse com pressa. Eu amava Asami demais para que passasse tão repentinamente... Eu podia ver aquela dor se arrastando por vários dias e se acalmando com o passar dos meses. Mas sempre estaria ali... Como uma recordação daquela que me protegeu...

Eu sabia que ela se irritaria se eu guardasse aqueles sentimentos tristes, mas eu era humano demais... Era impossível, em toda minha humanidade, que eu não me lembrasse de algo que havia me chocado e machucado tão intensamente... Mesmo que ela e Kouyou me implorassem para esquecer... ainda assim permaneceria ali...

-Ela parece um anjo assim... Como se estivesse apenas em um sono leve... Esperando por algo que a desperte... – as palavras suaves de Kouyou rechearam meu coração com um peso profundo. O peso da verdade... Asami não dormia... Asami... Asami nunca mais acordaria... – Sorria pra ela, Yuu... Assim ela saberá o quanto nós a amamos e sentiremos sua falta... – e suas mãos afáveis, assim como sua voz baixinha, tomaram uma das mãos frias de Asami – Descanse, Asa... Você está livre da dor...

Sorri daquele momento de gentilezas tão bonitas... A dor contida do meu anjo também se revelando algo belo de se ver... A dor pela perda...

Obviamente que nós não estávamos sentindo da mesma maneira, com a mesma intensidade... Por isso a dor nele era algo tão admirável... Era suave e pura... A minha dor era enraizada... Algo duro e pesado... Como uma mistura de um arrependimento e culpa...

Arrependimento por não tê-la mantido em segurança... E culpa pelo mesmo motivo... Embora fosse tolice esses dois sentimentos, eu não conseguia evitá-los... E eram eles que mais estavam acabando comigo... Além, certamente, da dor que era não poder mais ter um futuro com minha Asami...

Eu a queria conosco... Compartilhando belas memórias... Eternizando inúmeros momentos... Mas a vida havia arrancado ela cruelmente dos meus braços... E eu me sentia terrivelmente impotente diante de tal poder... A morte...

Kouyou se afastou, incitando com seu mais gentil olhar para que eu dissesse algumas palavras para ela... Embora ela não fosse mais me ouvir... Eu sabia o que estava na mente do loiro... Ele queria que eu colocasse para fora as palavras que eu não pude lhe dizer...

-Asa... Me desculpe pelas minhas ações inconsequentes... Me desculpe pelas dores que eu trouxe... Me desculpe pelas lágrimas, pelos gritos... Por tudo o que eu não disse... Agora é tarde, eu sei... Mas... você era especial demais... Espero que tenha entendido isso, mesmo com minha falta de demonstração... – toquei-lhe as bochechas rosadas falsamente pela maquiagem, soltando um suspiro longo. Eu sentia as lágrimas engasgadas em minha garganta – Obrigado por tudo, anjo meu... Eu amo você e sempre vou amar...

Então me afastei... Deixei aquela saleta abafada, procurando por ar fresco. Eu precisava respirar! Eu precisava... Precisava...!

-Shhh... Vai ficar tudo bem... – a voz macia de Kouyou vinha baixinha, enquanto suas mãos acarinhavam minhas costas. Eu tinha plena consciência do meu choro e de meus soluços – Coloca pra fora, Yuu... Coloca tudo pra fora...

-Está tudo bem... Ela está melhor agora... – era Takanori ao meu lado, acarinhando meus cabelos como se eu fosse uma criança desolada. E de fato eu era... Uma criança desolada e grata pelos amigos tão maravilhosos.

Senti também Akira ao meu lado. Suas mãos em um carinho leve em minhas costas, sua falta de palavras me fazendo entender o que ninguém mais poderia... Ele sentia muito, estava triste por mim e sempre estaria ali quando eu precisasse. Ele não precisava falar... E sabia disso... Nós dois, que nos conhecíamos tão bem...

Logo a dor tão intensa que havia me tomado se acalmou e eu senti os pingos de chuva levando-a calmamente embora. Akira e Takanori haviam nos deixado há algum tempo, certamente pela insistência do maior para com o menor... Ele sabia bem que Kouyou e eu precisávamos daquele momento apenas para nós dois...

E com o cessar daquela angústia só me restou um torpor... Um sentimento de nada e tudo que me deixava levemente confuso... Era aquilo que me restava... Aquilo que restaria de anos junto dela... Aquilo e as memórias doces... Por que as outras eu fiz questão de apagá-las...

-Está melhor? – a voz veio baixinha e doce. Como devia de ser o sussurrar de um anjo. Pouco mais alta que o som de uma gota pingando, tão suave quanto a brisa delicada de primavera... E só com tão pouco eu podia responder: “Sim. Estou melhor, Kouyou...”. E foi o que fiz, de fato. Ele, então, me afastou levemente e sorriu aquele seu sorriso preocupado que me encantava – Você vai querer ficar aqui ou vamos entrar? Daqui a pouco... Hum... Bom... Você sabe... – ele encolheu os ombros e eu sabia que havia muita dor contida em seus gestos tão simples. Pude lhe exibir um pequenino sorriso.

-Vem... Eu já estou melhor... – e tomando sua mão na minha, guiei-o para dentro da sala onde minha Asami estava sendo velada. Logo a estaríamos enterrando e eu precisava mostrar-lhe um último sorriso. Era assim que diríamos “Adeus”. Eu e ela, ela e eu.

-Shiroyama-san... – ouvi o chamado vindo de minhas costas, mas não precisei me virar para saber quem era. Haruka. Haruka era a única pessoa em quem Asami já havia confiado em sua vida... Sua melhor amiga, sua conselheira e sua mãe... Ela tinha um sorriso terno nos lábios, mas eu via a dor profunda enraizada em seus olhos de joias negras – Faz tempo...

-Bastante... – lhe exibi meu sorriso quebrado, sabendo que ela sabia.

Sabia como eu me sentia, o que se passava na minha cabeça, o quanto eu estava me sentindo perdido. Sabia, também, que o amor por sua filha pulsava em meu peito... Eu a amava de um jeito especial e que eu jamais conseguiria explicar. Não a queria como minha amante, apenas como aquela companheira que estaria ali para todas as horas... Ela foi por muito tempo minha família. A única que havia estado ali para mim... E agora... eu me sentia sozinho e perdido mais uma vez...

Claro, havia meus amigos e meu Kouyou... Mas, de novo, aquilo que eu sentia em relação à Asa não podia ser substituído, explicado ou até mesmo destruído... Havia uma cumplicidade entre nós dois, uma amizade que, mesmo com todos nossos tropeços, acabou por não se desfazer. Tivemos nossos momentos negros, mas ela esteve ali para mim quando eu precisei, mesmo assim...

-Também vou sentir falta dela... Você sabe tudo o que sua filha significava para mim... – falei o mais suave que consegui, sem que acabasse em prantos outra vez, assim que Haruka me tomou em um abraço apertado. Por muito tempo ela havia sido a mãe que eu não tive...

-Eu sei, Yuu-chan... Eu sei... A Asa sempre foi bem inconsequente... Falei pra que ela não fosse atrás de você... Havia um sentimento ruim quando ela saiu pela porta de casa... Mas eu sabia, também, que ela precisava voltar a ter a paz que tinha quando estava com você... Ela ainda amava tanto você, Yuu-chan... – ela tomou minhas mãos com as suas trêmulas e depositou um beijo delicado em cada uma delas – Me diga uma coisa... Ela encontrou a paz que procurava?

-Sim, Haruka... Nós dois encontramos, aliás... – ela alargou um novo sorriso no rosto, quase como se estivesse aliviada. Seus dedos calejados pelo tempo acarinharam os meus e ela me abraçou uma última vez, antes de seguir até o caixão onde Asami repousava como em um sono profundo.

-Ela ficará bem? – a voz macia do meu Kouyou soou baixa, pertinho dos meus ouvidos. Notei sua mão em meu ombro e uma expressão preocupada em suas belas faces. Ele também era um anjo, sem sombra de dúvidas...

-Ela é mais forte do que aparenta, Kouyou... Acredite em mim... – em uma decisão momentânea, deslizei minha mão pelas costas do loiro, guiando-o para a saída do recinto. Olhei para Asa uma última vez e segui pela estrada que havia escolhido – Vem, vamos embora...

Kouyou não discutiu, não perguntou ou fez qualquer comentário. Apenas seguiu ao meu lado, sendo a força que eu precisava que ele fosse. Seus olhos compreensivos, seu sorriso calmante, seus dedos mornos em meus ombros. Ele era o que eu precisava que ele fosse e naquele momento, ele havia se tornado minha única e eterna fonte de luz.

-Obrigado... – tomei seus lábios em um selo rápido e delicado, para então dar a partida no carro.

Queria Asa como era antes, mas não podia ter... Então queria ter a última memória de seu dormir relaxado, não de seu corpo enterrado na terra escura. E foi a última lembrança de nós dois. Ela lá e eu ali... Separados e juntos... Para sempre...

Notas finais
Falae galere :D
Especialmente no dia dos namorados, vamos terminar de enterrar a Asami e Q UHASDUIHAUSDHUIADSHAIUDS /SOCO
Agora teremos alguns momentos bons e depois... Depois vamos deixar pra depois, sim?
E como eu estou me sentindo boazinha hoje (-Q)vou adiantar: PRÓXIMO CAPÍTULO - O TÃO ESPERADO MOMENTO Q /SOCO AIUDHIAUDSHUAISDHUIAHSUDIHUAIDS Me mimem, então... ;D /TAPA
Enfim... Obrigada pelos reviews maravilhosos *AAA* e também quero deixar dedicado o chap a todos meus lindos leitores e principalmente pra minha koi que amava tanto a Asa ;D Q AYGDSUYADGYUAGDGYUASYUDGYUAGD /SOCO
E feliz dia dos namorados 2.O, seus gay ♥
Até o próximo, nee... ♥
2O12, JUNHO 12 @___akita