My Fallen Angel
20 Chapter Twenty
Notas iniciais
E também pra quem ainda acompanha ♥
Boa leitura, nee ♥
..my fallen angel..
Chapter Twenty
-Papai, Yuu... Você está bem? – eu ouvi a voz preocupada de Gabriel, enquanto seus dedos pequenos e gorduchos seguravam meu braço e me olhavam com certa curiosidade. Não era à toa...
-Sim, sim, Gabriel... Yuu só estava... Pensando em muitas coisas... – comentei vagamente, sequer me preocupando em mudar de posição. Eu gostava de manter meus pés apoiados na parede... É algo que eu trago comigo desde a minha infância. Talvez fosse uma das minhas únicas memórias boas... Ler os livros daquela maneira... Bem Shiroyama Yuu, costumavam me dizer...
-Papai Yuu quer saber um segredo? – o moreninho soltou um sorriso sapeca e seus olhos brilhantes e animados como os de seu pai não me encorajavam a negar. Acenei positivamente, vendo, de modo satisfatório, sua felicidade aumentar ainda mais. Se possível. – Papai Kou está fazendo Curry pro papai Yuu!! Mas shhh!! É segreeedo! Papai disse pra não contar, mas eu queria o papai Yuu sorrindo, então contei! Gostou, pai?
-Seu pai se dedica demais em me agradar... – acabei sorrindo, daquele jeito bobo que só Kouyou conseguia me fazer sorrir. Mesmo no momento do desespero, mesmo chorando todas as lágrimas que meu corpo conseguia produzir, mesmo sentindo-me perdido como estava... Não havia uma explicação lógica... Era simplesmente isso... Desse jeito...
-Ele ama o papai Yuu, nee... Por isso faz coisas boas! – Gabriel olhou para a porta e então, por quase reflexo, fiz o mesmo. Kouyou estava parado lá com cara de poucos amigos e eu sabia que ele tinha descoberto nossa marotagem. – Pai...
-O que eu expliquei sobre manter segredos, Gabe? Você esqueceu? – Kouyou cruzou os braços mantendo aquela expressão severa que não condizia nem um pouco com sua personalidade. Gabriel abaixou o rosto e ficou resmungando por desculpas, eu sabia que seus olhinhos deviam ter se enchido de lágrimas. Se ele era uma versão mais jovem do Kouyou, sentia que era assim e pronto. Como o bom namorado que sou, atirei um travesseiro no loiro, indicando o pequeno com a cabeça. – Gabriel... Papai Kou não está bravo... Só quero que você entenda... Você já é bem grandinho para saber isso, não é?
-Papai não vai ficar brabo? Eu só queria o papai Yuu sorrindo outra vez! Ele tava com um rosto feio bem assim, ó! – ele enrugou a testinha e montou um bico chateado no rosto, e foi impossível não achar graça. Até mesmo Kouyou se rendeu ao encanto de seu filho e riu conosco, subindo na cama e deitando ao meu lado ao estilo Shiroyama Yuu. Ele ficava bem daquele jeito.
-Você é um peste, Gabriel! E você, senhor Shiroyama Yuu, trate de colocar um lindo sorriso nesse seu rosto enrugado! Vai ficar velho mais rápido sabia? – ele brincou, enquanto deitava metade de seu corpo sobre o meu, cutucando a ponta do meu nariz pelo menos cinco vezes seguidas.
-Já me chamando de idoso, Kouyou? Pensei que demoraria mais um pouco para perceber... Minha máscara está caindo já... – ele riu soprado das minhas palavras e deixou um beijo tão delicado em meus lábios que mais pareceu o sopro de uma brisa morna. Como ele conseguia? Só ele deve ter as respostas.
-Idiota... Você está inteiro ainda... E bem inteiro... – eu entendi sua malícia disfarçada e só então acabei percebendo o quanto eu sentia falta de seu corpo feito especialmente para o encaixe do meu.
Nos últimos dias atribulados que tivemos, mal conseguimos ter um momento de intimidade... Com Gabriel por perto ficava muito arriscado tentarmos alguma coisa mais séria. Principalmente depois da quarta noite em que ele ficou conosco... Digamos que encontrar seus papais dando um amasso gritante na sala quando você está com medo do escuro não seja algo considerado, hum, saudável para uma criança ver...
No início nós três havíamos ficado imóveis... Completamente sem reação... Mas então o medo falou mais alto e o pequeno anjo veio até nós dois pedindo por apoio. Desde então Kouyou e eu não passamos muito além de selinhos demorados. Ele acha que, para começo, Gabriel já havia visto demais... Ele queria que as coisas fossem mais devagar na frente do pequeno.
E eu concordava, certamente! Ele era uma criança, apenas. Crianças são curiosas e impressionáveis... Não quero traumatizar logo o meu primeiro filho!! Então as coisas esfriaram e eu procurei não pensar mais naquilo. Às vezes apertava, mas eu logo me deixava envolver por qualquer outra coisa do nosso dia-a-dia e esquecia os meus desejos sórdidos.
Mas Kouyou me lembrando de toda a tensão acumulada dentro de mim fez com que o meu coração bombeasse mais sangue do que o necessário por minuto. Eu poderia ter me afogado com minha própria saliva naquele momento. Aliás, não sei como isso não acabou acontecendo! Me senti tentado a tomá-lo em meus braços mais uma vez dali algumas horas...
-Agora chega disso... Vamos lá comer seu Curry especial, Yuu... Acho que ficou comestível... – ele fez uma careta, arrancando risos do seu filho que saiu correndo em nossa frente. Toquei-lhe, então, os cabelos com aquele meu carinho exagerado e firmei meus lábios contra os seus da forma mais possessiva e desejosa que consegui.
-Sendo feito com amor está perfeito, Kouyou... Você fez com amor? – perguntei, tendo seus dedos enrolando meus cabelos e seus lábios resvalando por minhas bochechas em um roçar suave.
-Sempre faço com amor quando é pra você, Yuu... Devia saber... – puxei-o com delicadeza só para sentir a textura aveludada de sua boca pressionando a minha e sua língua calma se enveredando por entre meus lábios em busca de minha própria língua. Doce e tranquilo... Como costumava ser... – Sempre foi e sempre será assim, meu Yuu...
-Obrigado por todo o apoio... Sei que não estou sendo... – seus dedos longos repousaram sobre meus lábios e seu sorriso me negava aquelas palavras.
-Você está passando por um momento delicado, Yuu... Eu nunca vou pedir mais do que você pode me oferecer... – e havia tanta verdade naqueles olhos amendoados que eu me senti derretendo dentro deles. Ele era incrível! Não pressionava, aconselhava, suportava... Eu... nunca, jamais o deixaria escapar de mim!
-Eu estou cansado, Kou... Cansado de me sentir desse jeito... De sentir essa falta, esse buraco no meio do meu peito... Uma falha nas minhas lembranças... Estou farto de ser um fardo para você, quando sua situação é muito mais...
-Não fale besteiras, Yuu! – ele me cortou, parecendo realmente chateado com as coisas que eu havia dito. Eu só... não conseguia mais guardar aquilo tudo dentro de mim... –Vem! Vamos comer e depois eu vou desentocar você, Shiroyama Yuu! Vamos fazer algo que há dias não fazemos! – ele selou meus lábios e me puxou com um entusiasmo que só podia ser dele mesmo.
Me permiti sorrir, mesmo que tivesse escondido o sorriso só pra mim... Ele me fazia bem e sabia disso... Eu não precisava estar demonstrando a todo instante... E isso era bom... Essa liberdade que ele me dava... Esse apoio nas mais absurdas decisões... Eu admirava seu jeito, não sabia se eu conseguiria ser igual... Éramos muito diferentes... Mas eu o amava e ele me amava... E era o suficiente...
O suficiente para uma chama voltar a se acender... “Obrigado, Kouyou... Obrigado...” Simples e completo assim... Do modo que ele me faz... Como uma peça de um tabuleiro de quebra-cabeças... Dois que se encaixam em um... Dois que se fundem em um... Dois que, na realidade, são um...
Devíamos ser assim há séculos, se é que existe isso de reencarnação, mas se existir é simplesmente isso... E parece ser a única explicação para nós dois. Eu sinto como se o conhecesse pela minha vida inteira e muito além disso... Como se suas manias fizessem parte de mim e seu jeito encantador fosse o meu e o dele juntos em uma mistura embriagante...
Eu não sabia se isso existia ou se era um delírio... Se eu o conhecia realmente ou se eu somente achava isso... Mas aquele achar me fazia bem... Aqueles sentires, aquela sensação de estar completo... O sentimento apaixonante que é o de se estar apaixonado por ele... E isso era tudo o que eu precisava... Pra sempre...
「My Fallen Angel」
-Você precisa mesmo ir? – sua voz era claramente manhosa e eu sabia que ele estava chateado por ter que deixá-lo em um momento como esse. Mas ele não era egoísta o bastante para pedir que eu ficasse, embora eu adorasse a ideia dele me pedindo por isso.
-O Akira já fez mais do que podia por mim, meu amor... Você sabe que o meu desejo era ficar... – acarinhei seus dedos, que massageavam confortavelmente meus ombros. Ele emitiu apenas um grunhido em concordância, envolvendo meu pescoço em um abraço. – Eu vou estar aqui com você naquele dia, não se preocupe...
-Mas e se... – ele se calou. Sabia bem que eu detestava quando seu negativismo dominava, então apenas beijou meu rosto e saiu para a cozinha.
-Kou... Eu vou estar aqui... Nem Akira pode me deter. Nem mesmo o dono da editora pode me deter... – ele acenou de onde estava, colocando açúcar em nosso café. Eu sentia sua melancolia... Sentia seus pensamentos que iam contra os meus. Sorri. Ele sempre seria daquele jeito e, embora me preocupasse de certa forma, era totalmente adorável.
Eu sairia em algumas horas. Havia acabado de confirmar minha partida para a editora. Akira viria na manhã seguinte e eu esperava que Takanori pudesse passar força para o meu anjo nesse momento.
Eu queria ficar... Queria ser a pessoa que estaria ali para ele, a segurar suas mãos e passar toda a força e conforto que ele precisava. Não queria ter que desaparecer bem nesse momento decisivo para o loiro, mas não tinha o que fazer...
Com as declarações que fui obrigado a dar sobre nós dois, todos os envolvidos no processo de lançamento foram bombardeados pela mídia querendo mais informações e o público enlouqueceu para que a publicação fosse adiantada.
Fomos obrigados a cumprir um prazo diferente, tanto eu quanto Akira. Ele enfureceu-se, bateu o pé, resmungou e teve que se render no final. Bem como eu...
Aquilo havia me irritado de uma forma que eu não tinha palavras para descrever. Havia pensado até mesmo em cancelar tudo e trocar de editora, impossível. Akira tinha sua carreira dependendo de mim... Eu era sua maior renda e seu maior motivo de prestígio. Seria totalmente egoísta de minha parte fazer isso com alguém que só me ajudou.
Quando eu não tinha nada, quando eu era apenas um ninguém que queria publicar suas próprias histórias, foi ele quem me ajudou. Foi ele quem leu meu livro e fez um trabalho extraordinário de propaganda, foi ele quem me conseguiu o primeiro momento de glória... Eu não pagaria minha dívida nunca... Além, é claro, de ele ter se tornado um de meus melhores amigos... Seria tão ridículo da minha parte!
Embora o motivo fosse plausível... Embora ele fosse compreender se eu lhe dissesse tais palavras engasgadas... Claro, eu jamais conseguiria... Mesmo minha vontade sendo absurda...
-Ela falou alguma coisa quando pegou o Gabriel? – perguntei assim que meu anjo sentou junto de mim no sofá e colocou a bandeja com os cafés na mesa de centro. Ele deu de ombros, não parecendo muito interessado.
-Me desejou boa sorte, mas eu sei como ela não me deseja sorte coisa nenhuma... Ela já voltou ao normal. Aliás, nem sei como convenceu ela a deixar o Gabe ficar por tanto tempo com a gente... – puxei-o para meus braços, sentindo-o soltar um suspiro pesado.
-Não se preocupe com isso... Nem com nada a respeito desse julgamento... – ele afirmou, beijando meus lábios antes de tomar do café. – Desculpe por isso... Por ter que ir... – completei assim que ele me olhou sem realmente parecer ter entendido. Ele sorriu, negando.
-Eu entendo, Yuu... É seu trabalho... Sei que se pudesse ficaria...
-Ficaria. – afirmei prontamente, recebendo um de seus belos sorrisos mais uma vez enquanto ele abandonava sua xícara. Sua boca pressionou a minha e havia uma saudade palpável no modo como ele me beijava. Saudade que só cresceria em nós dois depois da próxima manhã...
-Não sei como poderia suportar tudo isso sem você, Yuu... Sou eternamente grato por tudo que tem feito por mim e Gabriel... Nem tenho palavras pra descrever como estou me sentindo e...
-Não precisa dizer nada, meu amor... Absolutamente nada... Eu sei... – ele riu contra meus lábios e se acomodou em meus braços. Ficamos assim um bom tempo... Apenas juntinhos no sofá, enquanto algo qualquer passava na televisão.
-Vou sentir sua falta... – ele cochichou, quase como se não fosse para que eu ouvisse e sim apenas um comentário para ele mesmo. Como uma singela constatação... Meus olhos procuraram os seus e eu só fui capaz de acarinhar-lhe o rosto e me perder mais uma vez em sua boca macia. Me escondendo da tristeza gritante que havia nas pérolas amendoadas. Não queria aquela tristeza ali... Não queria ser o seu motivo... – É incrível, não é...? Como a gente consegue se apegar tão fácil a pessoas boas...
-Isso porque você pode confiar nelas... Sabe que vão tentar de tudo para trazer apenas felicidade pras pessoas com quem se importam, ao contrário de outras pessoas por aí que só sabem trazer o caos... E eu amo você... – ele sorriu abertamente e me puxou para o abraço mais apertado que eu já havia recebido na minha vida até aquele momento. Me perdi entre seus fios louros, sentindo um aperto chato que, eu sabia, iria me acompanhar até que eu voltasse para seu calor.
-Eu me sinto perfeitamente completo quando me diz essas coisas... Yuu... – ele sussurrou aquelas palavras incríveis e foi impossível que eu controlasse a ânsia de tomar aqueles lábios de mel.
Me perdi em seu gosto, mais uma vez... Sentindo como se tremesse internamente com aquele desejo infernal que estava crescendo enquanto aqueles lábios sedosos provavam dos meus com uma intensidade que eu nunca antes havia sentido... E só com isso pude sentir meu corpo todo clamando por ele. Suas mãos, antes delicadas, seguraram meu rosto com possessão, me puxando mais para si, como se pretendesse me devorar por completo. E eu deixaria, se ele quisesse...
-Você que me faz completo, Kouyou... – resmunguei de volta, deslizando meus dedos por seu rosto de anjo. Ele exibiu um pequeno sorriso matreiro.
E era nesses momentos que um lado totalmente diferente dele surgia... Muito pouco daquele homem frágil e delicado permanecia... Sua pureza se esvaia por completo e nascia um ser provocante capaz de me enlouquecer com apenas um toque. Eu sabia que era por ele confiar em mim... Em mim!
-Eu sei... – e seu riso ecoou daquele outro jeito, malicioso, provocante, excitante... Seus dedos longos deslizando suavemente pelo colarinho da minha camisa branca, passando rente à minha pele que se arrepiava com qualquer sopro que viesse dele... Daquele ele diferente... Daquele ele que não tinha medo de absolutamente nada...
Era enlouquecedor o quão decidido ele se mostrava em momentos como esse... Em como ele sabia o que fazer e como fazer para me tirar toda a sanidade... Para me fazer perceber que, até nesses momentos, ele era perfeito...
Seus lábios acarinharam meu rosto e seu peso em meu colo me arrancou um ofego deliciado. O modo como ele se acomodou contra meu peito, pressionando nossos corpos com firmeza já foi capaz de me deixar louco. Suas mãos apertando meu tronco, me puxando para o calor de seu corpo incandescente.
-Yuu... Quero ser seu... Agora mesmo... – sua boca reclamou pela minha, possessiva, destrutiva. Nossas línguas se enroscando em desejo, malícia, saudade... Gemi preso por aquele beijo, encantado com a força de suas mãos a apertarem minhas coxas, puxando-me para o seu domínio total e completo.
E minha sanidade havia sido totalmente destruída...
Inquieto, pegando fogo, empurrei seu corpo esguio contra o sofá, me distanciando só para apreciar a luxúria que lhe escurecia os olhos amendoados. Lindo... Lindo e tentador como só ele conseguia ser...
Mordi meus lábios, ficando tentado a macular aquele anjo de uma forma tão intensa como nunca havia ficado antes. Devia ser o tempo que permanecemos distantes que aumentava o meu desejo, eu não me importava mais com o fato de ter agonizado longe dele... Só queria tomá-lo naquele instante e fazê-lo gemer como nunca antes... Fazê-lo delirar até que enlouquecesse de uma vez por todas... Ele me sorria. Era aquele sorriso safado que fazia minha respiração ficar pesada...
Toquei-lhe os lábios suavemente com o polegar, deslizando-o por aquele sorrir que me deliciava... Seus olhos brilharam e sua língua deslizou por minha pele, me fazendo suspirar... Me entreguei ao seu néctar mais uma vez, não conseguindo controlar mais a ânsia de sentir seu gosto adocicado misturado com café.
Suas mãos, assim como as minhas, procuraram por minha camisa, desabotoando os botões que na minha mente pareciam não ter fim. Deslizei o tecido branco por seus braços, suspirando para a visão de seu corpo seminu. Lindo... Simplesmente o ser mais lindo que meus olhos já tinham visto...
Acordei daquele pequeno momento de transe, que sempre acontecia quando eu o vislumbrava, com suas unhas curtas e bem feitas a me arranhar o peito, me avisando que logo eu teria satisfação. E veio... O calor de sua língua tomando posse de meu mamilo esquerdo, enquanto ele mantinha as mãos firmes em minha cintura, arranhando de leve minha pele.
Gemi, enroscando meus dedos em seus fios claros, pendendo minha cabeça para perto da sua, onde ele poderia ouvir claramente meus instintos lhe mostrando o quanto ele era divino no pouco que fazia. Logo seus lábios quentes desciam pelo meu corpo, me fazendo respirar pesadamente. Suas mãos habilidosas iam retirando meu cinto sem pressa, só para me torturar um pouquinho, do jeito que eu amava ser torturado.
Me vi com as calças até os joelhos quando ele começou a mordiscar minha cintura, grunhi, mordendo os lábios. Era impossível controlar o desejo que eu sentia naquele momento. Ele sabia disso... Sabia o que eu queria... O que eu estava pedindo quando seus dedos delicados tocaram minha boxer preta em uma provocação que lhe escapou em um riso safado. Eu precisava de liberdade!
E quando ele tocou minha pele outra vez, puxando levemente aquele pedaço de tecido, decidi que havia me arrependido. Afastei-o, quase animalesco. Kouyou pareceu confuso, eu nunca havia cortado qualquer ação sua que fosse. Apenas neguei com um movimento leviano da cabeça, voltando a empurrar seu corpo contra o sofá e tomar aqueles lábios avermelhados.
Ele havia brincado demais já... Era a minha vez...
Tirei-lhe as calças sem mais demora e com ela arranquei a boxer branca. Minha favorita. Um suspiro deliciado escapou sem que eu notasse e ele riu, mordendo aqueles lábios bem feitos e me encarando em nítida provocação. Era um anjo maligno! E ele ia pagar por seus pecados...
Me aconcheguei contra seu corpo morno, pressionando nossos quadris só para arrancar-lhe gemidos longos. Meus lábios procuraram por seu pescoço cheiroso, afoito por provar mais uma vez de sua carne macia. Ele grunhiu, puxando-me com força contra si, enquanto eu brincava por sua pele, me deliciando com seus estremecimentos diante de minhas mordidas levianas e lambidas longas até encontrar o lóbulo de sua orelha e brincar ali por alguns instantes.
-Nunca fiz isso antes, Kou... Espero que ao menos goste... – murmurei contra sua orelha, ouvindo-o resmungar alguma coisa sem sentido. Encarei seus olhos confusos, espichando um sorriso malicioso em meu rosto. Pressionei minha boca na sua, me permitindo um momento de suspense antes de descer meus lábios por seu peito nu. Ri contra sua pele quando ele cravou as unhas em meus braços, minha língua deslizando por seus mamilos eriçados.
Ele gemeu alto, se contorcendo contra minhas mãos firmes em seu corpo. A essa altura ele já devia ter entendido meu recado e sabia que eu estava apenas enrolando, como gostava de fazer antes de dar-lhe o que quer que fosse.
Circulei seu umbigo com a língua, ouvindo-o tentar conter um gemido mais alto quando o penetrei. Ele não conseguiu e nem mesmo eu. Separei mais aquelas pernas deliciosas, ouvindo com gosto sua exclamação que antecedeu meu morder em sua coxa branquinha e bem torneada.
Ele ofegou, o corpo estremecendo e a pele se arrepiando conforme minha boca se aproximava de seu destino final. Obviamente mordisquei sua virilha diversas vezes, só para que ele pudesse sofrer um pouco mais. Eu ria baixinho a cada nova exclamação e palavrão que ele soltava diante desses meus risos. Por fim nem eu aguentava mais aquela expectativa.
Aproximei-me sem aviso, deixando que minha língua mal encostasse em sua glande. Kouyou se contorceu, as unhas se firmando em minha pele com um ardor febril. E aquilo foi o incentivo que eu precisava para engolfar todo seu membro. Ele urrou. Urrou e procurou por mais apoio em minhas costas, eu as sentia ardendo por conta do deslizar insano de suas garrinhas. E era completamente excitante!
Gemi arrastado, retirando seu membro de minha boca, só para voltar outra vez. Kouyou se contorcia, estremecendo mais a cada novo contado. Continuei naquele vai-e-vem por mais alguns instantes, brincando com seus testículos do jeito que ele fazia comigo e que me enlouquecia totalmente. Ele enrijeceu e suas mãos trataram de me afastar, fiquei apenas observando-o arfar como se tivesse corrido por uma longa distância.
Seu gosto estava impresso em meus lábios, e era bom... Eu não sabia se todos eram assim, mas o gosto dele era... E eu achava que não tinha como ser diferente... Kouyou era simplesmente delicioso de todas as formas possíveis!
-Maldito... – ouvi seu resmungo antes de suas mãos praticamente arrancarem minha boxer, forçando-me a me contorcer para que ele pudesse tirá-la, antes de avançar contra minha boca de um modo descontrolado que eu nunca tinha provado antes. Era inusitado e completamente delirante.
Senti o peso de seu corpo se jogando contra o meu e sua boca possessiva a me tomar a pele do pescoço com desejo. Acabei por rir, enroscando nossos membros só para que ele grunhisse contra minha pele.
Seus braços me enroscaram e ele se firmou contra mim, gemendo contra minha orelha em um desejo incontido. Eu também não conseguia me conter mais, mesmo abafando meus sons em sua pele marcada. Mal pude ouvir sua voz em um pedido fraco e só fui entender quando sua mão envolveu a minha e a afastou de nós dois.
-Quero você em mim, Yuu... Por favor... Quero sentir você em mim! – seu nariz relou por minha pele e sua respiração ofegante me arrepiou completamente. Não achei minha voz, apenas consegui assentir uma vez, meio que preso naquele torpor que precedia o prazer total. Pelo menos alguém conseguia se controlar entre nós dois!
Tomei-lhe os lábios com volúpia, voltando a deitar seu corpo quente contra meu sofá. Ele gemeu entre o beijo, pressionando o quadril contra o meu e eu temi que pudesse me desfazer apenas com aquilo. Me controlei, descendo os dedos possessivamente por sua carne maculada por mim, tentando me afastar.
Lentamente consegui, observando-o por um instante, totalmente entregue... Tentava controlar minha respiração e clarear um pouco a mente... De outro jeito ia acabar antes de ter dado o que queria. Ele riu, tomando minha mão direita e distribuindo pequenos beijos delicados. Sorri, mesmo que soubesse que em segundos sua língua tomaria meus dedos e ele os sugaria com desejo, preparando-os para mim. E foi o que ele fez.
Respirei fundo, sentindo fisgadas intensas no meu baixo-ventre. Apenas aquilo era enlouquecedor! A sensação de seus lábios em um vai-e-vem sugestivo contra minha pele. Gemi baixo não aguentando mais aquela sensação provocante e acabei trocando meus dedos por minha língua em sua boca.
Desci minha mão, relando-a de leve por seu corpo, deliciando-me com os suspirares entre o beijo que logo se partiu. Ele abriu mais espaço entre suas pernas, apoiando os pés no sofá, ofegando conforme minhas unhas deslizavam suavemente por sua pele de veludo. Beijei seu peito, mordiscando-lhe a pele, enquanto meus dedos se embrenhavam e faziam carícias circulares em sua entrada.
Ele gemeu, seu corpo ondulando contra sua vontade quando um de meus dedos levemente se insinuou para dentro de seu corpo. Suas mãos buscaram por meu rosto e eu lhe entreguei meus lábios outra vez, inserindo um pedaço de mim em si. Seus dentes se firmaram em minha língua e ele gemeu levemente dolorido, logo tratando de inclinar mais o corpo, em um pedido mudo para que continuasse.
Deslizei minha boca para seu pescoço, enquanto deixava-o se acostumar com o novo volume dentro dele. Mordisquei sua pele sensível, me perdendo em seus gemidos não sei por quanto tempo, só me dei realmente conta quando sua mão tocou a minha, pedindo por mais. Inseri outro dedo, beijando seu rosto contorcido em uma expressão machucada. Ele clamou por minha boca e fui envolto de um beijo violento, sedento.
Nunca havia sido assim... Com ele puxando meus cabelos levemente, mordendo meus lábios sem dó e sugando minha língua como se pudesse sugar minha alma através dela. Havia possessão como nunca, intensidade como nunca, loucura e insanidade como nunca. Eu mal conseguia conter a excitação que, por mais impossível que pareça, só crescia a cada instante.
-Yuu! – ele gemeu com a voz completamente rouca, enquanto seu corpo ondulava contra o meu. Era sua permissão necessitada.
-Caalma, peste... – brinquei, recebendo um olhar zangado e um tapa certeiro na minha bunda. – Hoy! – ri, quase me engasgando ao sentir seus dedos hábeis a manipular minha ereção.
-Yuu... Por favor...! – ele gemeu de modo provocante e o sorriso malicioso em sua boca, enquanto me masturbava, fez com que qualquer tipo de tortura que tivesse passado por minha mente sumisse instantaneamente.
Tomei-lhe a boca de modo descuidado, completamente incendiado por suas palavras. Ele se deu ao trabalho de me guiar até sua entrada e eu prontamente me pus pra dentro, cuidando para não lhe machucar de jeito nenhum. Ele gemeu arrastado, suspirando contra meus lábios que distribuíam selinhos em sua boca inchada. Acarinhei suas bochechas, seu pescoço, seus cabelos. Invadi sua boca em um beijo calmo, se comparado aos que já havíamos trocado.
E durante essa carícia quase pura, senti seus quadris irem de encontro aos meus. Gemi baixo com o movimento contra meu membro, me afastando e investindo lentamente contra seu corpo. Ele suspirou languidamente, suas mãos se agarrando em meus ombros. Fomos indo assim... Naqueles movimentos suaves e carinhosos, como se houvéssemos combinado que era pra começar assim... Como se fosse apenas um provar...
Nossos lábios se encontraram, e naquele beijo intenso e profundo Kouyou começou a rebolar contra mim, como se o seu controle estivesse se esvaindo aos poucos naquela carícia. Gememos em conjunto, nossos corpos agora parecendo incapazes de obedecer nossas mentes. E eu sei que, mesmo se obedecessem, elas estariam gritando por mais e mais e mais...
Seus braços envolveram meu pescoço, me puxando para mais perto de si e minha boca automaticamente caiu em sua pele. O movimento de nossos corpos estava cada vez mais incontrolável, estávamos mais uma vez nos fundindo, nos deixando tomar pelo desejo de pertencer um ao outro.
Kouyou gemeu alto contra meu ouvido, meus dedos automaticamente procurando por sua ereção entre nossos corpos suados e escorregadios. Ele aumentou a intensidade do rebolado e eu me entreguei completamente ao seu ritmo, me sentindo a ponto de explodir dentro do aperto gostoso e aconchegante que era seu corpo.
Ele se contorceu abaixo de mim, suas unhas encravadas na minha pele e seus lábios sendo mordidos com força. Senti sua rigidez e o tremer descontrolado de seu corpo. Tomei-lhe os lábios. Precisava deles, queria eles... Queria seu gosto quando atingíssemos o ápice que não estava muito longe. Ele se agarrou completamente em mim, trêmulo, soltando um grunhido deliciado, enquanto eu sentia que ele se desfazia em minha mão. Gemi, delirando com seu aperto intenso e me entregando ao prazer que me engolfou de uma forma desesperada como eu jamais havia sentido antes.
Por um instante me vi cego, surdo e mudo... Sentia todo meu corpo vibrando, leve como uma pluma das asas do meu anjo... Só conseguia ter certeza disso e da minha respiração desregulada contra a pele macia abaixo de mim.
-Meu deus... – foi a primeira coisa que realmente consegui ouvir, quando o torpor já estava se tornando mais suave. Ele riu e eu também. – Que... foi isso...?
-Não sei... – ri outra vez, me afastando apenas o suficiente para encontrar um brilho cálido em seus olhos – Mas foi incrível...
-Se foi! – rimos como dois bobos e eu tratei de acolher aqueles lábios em um beijo calmo e deliciado. – Eu tava com saudade... de sentir você...
-Eu estava enlouquecendo já! – ele riu, deslizando a mão contra minha bochecha em um carinho tão dele.
-Obrigado, Yuu... – enruguei o cenho, não entendendo porque ele estava me agradecendo. – Por tudo... Por isso... Por seu amor... Por entrar na minha vida...
-Hey... Eu que tenho que agradecer aqui! Minha vida não era nada antes de você... Absolutamente nada... – beijei-lhe os lábios com todo amor que podia demonstrar com aquilo e dei aquele assunto por encerrado. Ele sorriu, buscando por outro beijo gentil, enquanto eu cuidadosamente me retirei dele, acomodando-o no aconchego dos meus braços.
Queria me ver completamente aconchegado a ele para sempre... Aconchegado naquele nosso amor louco e improvável que me era tão recente e tão curto...
Pensar no quão pouco tempo estivemos juntos me machuca... Sei que vivi boa parte da minha vida já... Sei que passei metade dessa boa parte só vendo-a passar... Assistindo como um mero expectador no cinema... Um idiota sem qualquer coisa na cabeça... E eu que achava que sempre havia vivido plenamente... Pff... Besteira...
A verdade é que eu estava vivendo plenamente apenas a partir do momento em que me mudei... Vivi a infância marota, a juventude rebelde e parei no tempo... Cultivei meus livros, que na verdade eram uma das partes obscuras de mim... Eu tentando me fazer parecer heroi... Um ser pensante e superior aos outros...
Eu não era... Nunca fui... Superior, pensante... De que me serve? Tristeza e sofrimento constante... Privações... Apenas idiotice... A idiotice da qual havia me libertado... Escreveria diferente dali pra frente... Não seria sistemático, não tentaria ser o dono da verdade, da felicidade... Eu não era nada disso...
Dali pra frente, iria escrever o meu amor... Descrever as paisagens que me apeteciam, personagens com personalidades delicadas, frágeis, mas ao mesmo tempo guerreiras incansáveis e completamente incríveis. Pessoas reais do mundo como eu e você... Havia cansado de vender sonhos... De vender ilusões...
E naquele momento, a partir daquele instante fatídico, onde eu estava com o homem da minha vida em meus braços, eu havia tomado minha decisão: Escreveria o último livro da minha carreira. Seu nome? “Meu anjo caído”. Sobre quem? O único que eu amei...
E agora, nesse capítulo onde minha história de vida começou a se mostrar mais inconstante do que nunca, eu saúdo-lhes, caros leitores...
Sejam bem vindos ao início do fim...
Notas finais
Agradeço do fundo do coração pelos reviews, limds... Espero que tenha ficado do agrado de quem ainda acompanha ♥
Ah! Não debandem! As coisas ruins não começam bem agora... O Yuu só queria assustar vocês e Q AUSDIUASUDHHASUIHDA /TAPA
Bom... Até o próximo, nee... ♥
2O12, JUNHO 23 @___akita
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