My Fallen Angel
18 Chapter Eighteen
Notas iniciais
..my fallen angel..
Chapter Eighteen
.Eu não fazia ideia de quanto tempo meu anjo e eu ficamos naquela sala de espera onde tudo era tão branco quanto o maldito hospital, que se tornara o único lugar onde poderíamos estar.
Há algumas horas passadas eu já havia desistido de consultar o relógio. Eu permanecia com meu olhar no copo frio de café e minha mente preocupada era toda da minha ex-mulher. E eu não sabia, até a chegada desse dia, que eu me importava tanto com aquela que foi a única merecedora da minha confiança mais cega.
Mas ela era... Revendo todo o passado e o meu presente, ela só não vai conseguir superar nunca a falta que faria o meu vizinho loiro. Ainda que o meu amor por ela fosse diferente do meu amor por Kouyou, os dois me eram especiais em proporções absurdas. Como eu não havia percebido que a amava tanto assim?
Talvez por eu ter amado tanto mais a escrita, que me esqueci que eu tinha uma pessoa de carne e osso para amar... Jurei, naquele mesmo momento, nunca cometer o mesmo erro com o meu novo amor. Eu poderia me matar só por causar um único instante de sofrimento ao meu anjo...
Mesmo que eu achasse que promessas nunca deviam ser feitas, eu sabia que essa eu iria cumprir... Só por ter sido feita pelo meu amado anjo caído... Por sua felicidade inconstante, que eu pretendia transformar em plena. Mas não hoje...
Hoje nós dois não tínhamos forças para mais nada além de permanecer em espera...
-Yuu... Seu café...
-Hum? – e meus olhos, perdidos no meu próprio interior, se focaram na figura abatida do meu vizinho loiro. Ele arriscou um sorrir forçado e eu só pude lhe devolver a metade.
-Eu busquei outro... Me dê esse, sim?
-Obrigado, Kouyou... – e o toque quente nos meus dedos não conseguiu me arrancar nada além de um suspiro exausto.
-Tome o café, Yuu... Você precisa colocar algo pra dentro...
-Você parece minha mãe agindo desse jeito... – brinquei, com o pouco que me restara do humor, dignando-lhe um olhar gentil. Ele negou com um sorrir nos lábios e sentou ao meu lado, deslizando a mão em minhas costas, naquele apoiar tão carinhoso. Tão... Kouyou...
-Vamos logo, filho! Eu não quero ter que chamar pelo seu pai! – e a sua brincadeira conseguiu alegrar meu coração por alguns segundos, onde um sorriso faceiro reinou. Mas faleceu... Faleceu ao ter um rosto irritantemente conhecido chegando naquele lugar já odiado o bastante por mim.
-O que ela faz aqui?
-Ela que...? – Kouyou interrompeu a própria frase, paralisado. Era provável que ele também não entendesse.
-Pai! – aquela era a única vantagem de ter aquela mulher ali... O pequeno Gabriel se soltou da mãe e correu, alegre, até os braços de Kouyou.
-Meu anjinho... O que faz aqui?
-A mamãe veio ver uma amiga que se machucou... Papai não ficou feliz?
-Com você aqui sim, meu amor... – e meu anjo loiro beijou a bochecha do filho, acomodando-o em seu colo – Eu estava com saudades... Você não ligou mais...
-A mãe não deixou... – ele fez uma carinha tristonha e agarrou-se ao pai – Mas agora ela não tira mais do papai! Ne, pai?
-Não tira não... – e tudo que Kouyou fez foi sorrir ao pequeno e acarinhar seus cabelos escuros. Ele perdeu-se em sua feição pensativa, suspirei.
-Tio Yuu... Veio ver a amiga da mamãe com o papai?
-Na verdade...
-A amiga da sua mãe era a minha esposa, Gabriel... – completei o raciocínio de Kouyou, sorrindo para o pequeno.
-Sua... esposa?
-O Yuu era casado também, meu anjinho...
-Mas... – o pequeno Gabriel mordeu os lábios parecendo confuso, alisei-lhe os cabelos sussurrando baixinho.
-Depois o papai explica, hum?
-Tá... – e ele abriu aquele sorriso tão parecido com o do pai, reconfortando meu coração. Eu tinha muito que agradecer por aquela criança... E pelo seu pai...
-Era bem visto que aconteceria uma tragédia dessas... Ocupando-se com outras coisas, Shiroyama, e esquecendo da própria mulher?
-Lucy... Por favor... Não é momento para esse tipo de atitude...
-Alguém tem que esfregar na cara desse monstro quem é o responsável!! Você fica aí com seu sentimentalismo barato, Kouyou, ao invés de dizer umas boas verdades pra esse escritorzinho de quinta!
-Lucy!
-Kouyou... Só ignora... – falei, segurando-lhe o pulso com força. Eu não queria que o meu anjo arrumasse mais confusão com aquela mulher.
-Claro! Muito bonito da sua parte ignorar a verdade só para tentar se eximir da culpa!
-Não é como se eu tivesse causado o assalto, senhora Takashima... Não é como se eu não tivesse me oferecido para levar a Asa até o hotel... Não é como se eu não me preocupasse com ela, como se eu não a amasse... Você não sabe nem da metade da nossa história, da nossa cumplicidade... Ela só acabou tomando a decisão errada e eu não tive pulso firme para impedi-la.
-Então eu também sou culpado... – desviei minha atenção para o rosto sério de Kouyou, um tanto surpreso com o seu tom inabalável – Eu estava junto e também insisti para levarmos a Asami, mas ela não quis... E mesmo que o Yuu tenha se oferecido ainda mais, ela negou... Então a culpa também é minha por não ter insistido o bastante... Obviamente que a culpa não é de quem a assaltou... Por que seria, afinal? – e a zombaria nítida em sua voz, no final das duas últimas frases, me fez perceber que ele estava passando muito tempo com os meus livros. E eu tive que conter uma risada.
-Defende mais o namoradinho, Kouyou... Quero ver você sorrindo dessa forma quando eu tomar o Gabriel só pra mim!
-O que você...?!
-Calma... – falei simplista, segurando com mais firmeza o braço do loiro e encarando aquela mulher com a mais pura tranquilidade – Você não pode saber com quem Gabriel vai ficar, mas você já sabe que eu e Kouyou não temos nada... Então, por favor, aja como uma mulher honrada faria por apenas um dia... Obrigado... – e eu pus-me em pé com a aproximação do médico. Ela? Mais irritada era impossível...
-Senhor Shiroyama... A senhorita Yamashita já acordou...
-E... ela está bem? – minha pergunta automática veio seguida por um suspiro do homem a minha frente. Minhas esperanças se esvaindo drasticamente.
-Sua ex-mulher foi muito ferida e... ela havia tomado um remédio que só prejudicou o tratamento... Infelizmente... Nós não temos mais o que fazer por ela... A senhorita Yamashita tem poucas horas ou minutos...
E os meus ombros pesaram. Caíram ao seu máximo enquanto eu sentia meu mundo girando e meu corpo esfriando. Mesmo com isso, não fui ao chão como pensei que iria... Sem olhar, eu soube se tratar do meu anjo loiro me apoiando do único jeito que podia...
Minha mente vagava em uma imensidão tão branca quanto o lugar onde estávamos e só consegui voltar a mim quando o médico começou a me examinar os olhos, com um Kouyou aflito ao seu lado.
Respirei fundo tentando me recuperar daquele choque. Havia sido uma pancada tão mais forte do que eu poderia ter vindo a imaginar algum dia. Por eu amá-la tanto... Por parecer tão boba a possibilidade de vê-la tão cedo em uma cama de hospital...
-Yuu... Yuu, tudo bem? – e o chacoalhar suave de Kouyou em meu braço apenas me fez deixar mais um suspiro escapar por meus lábios.
-Eu vou ficar... Prometo...
-Você precisa ser forte agora, Yuu... A Asami precisa de você...
-Eu sei, Kou... Eu só... preciso de alguns instantes... Tudo bem?
-Eu vou estar aqui... – ele sentou na poltrona ao meu lado, aninhando Gabriel em seus braços. Os dedinhos gorduchos e mornos acarinhavam minha mão e ele me sorria. Vejam só... Uma criança tentando acalmar um adulto...
-A gente pode ir vê-la? – ouvi o tom suave da voz de Kouyou, um pouco mais distante do que eu podia me lembrar. Mas a maciez dos dedinhos pequenos de Gabriel me garantia a sua presença ao meu lado.
-Apenas o senhor Shiroyama. Ela não estará nada bem.
-Mas é claro que não! Ela está morrendo! – exasperou-se Lucy. E essa foi a única vez que eu pude concordar com aquela mulher.
-Não acho que ela vá se importar com a nossa presença... Fora que o Yuu não parece bem o bastante para ir lá sozinho.
-Não estou... – falei sem nem perceber, ainda chocado com aquela minha situação atual. Era um caos que eu nunca pensei que viria a passar. Tanta coisa tão junto – Por favor, deixe que todos entrem... Asami ficará muito feliz... Tenho certeza...
-Tem mesmo certeza, senhor Shiroyama? Ela pode querer ter uma conversa mais... particular...
-Eu não me importo... São pessoas que ela quer muito bem... Por favor... Ela se sentirá especial... – e eu pude, com muito esforço, exibir um sorriso pequeno e sem confiança.
-Posso acompanhá-los? Para poder cuidar da paciente?
-Claro... Claro... Eu não me nego a mantê-la ao nosso lado o máximo que for.
-Não fale isso, Yuu! Ela pode...! – e Kouyou cortou-se. Infelizmente tarde demais... Eu pude entender suas palavras sem que ele concluísse o pensamento – Me desculpe, Yuu...
-Não, não... Você tem razão... Eu não quero que o sofrimento dela se estenda... – um suspiro involuntário me escapou e eu me pus em pé, finalmente. Testei minhas pernas, Kouyou ao meu lado outra vez, já com o anjo em seus braços – Vamos...
E sem que mais ninguém dissesse um nada, tomamos o caminho ao encontro do meu mais temido futuro. O médico, naquele jaleco também irritantemente branco, saiu em nossa frente. Ele nos guiava em uma calma que me fez bem. Ela me dava um tempo a mais para pensar, pra tentar colocar a minha mente em ordem, só para poder fingir que estava tudo bem enquanto eu colocava um sorriso nada convincente no rosto.
A porta abriu-se em minha frente. Fui o primeiro a ver o lindo rosto da minha Asami, como nunca havia visto antes. Era pálido, cansado, abatido... Onde antes havia tanta vida... Tanta gentileza... Ela me parecia... quase morta de verdade. Mesmo com seu peito subindo e descendo com uma calma gentil. Ah... Minha Asami!
-Yuu? – era o meu anjo loiro naquele chamar baixinho e preocupado que tanto me machucava. Eu não o queria assim, nunca! Então lhe forcei meu sorrir.
-Senhorita Asami... Como está se sentindo?
Ela nada falou... Somente nos olhou com aqueles belos olhos iguais a noite lá fora e nos presenteou com um dos seus mais belos sorrires. Ah, deus! Era tudo tão injusto!!
-Quanta gente... – a voz dela veio suave e rouca. E ela sorria! Sem saber! Sem sequer desconfiar!!
-Dormiu bem? – era meu Kouyou, adoravelmente quebrando o silêncio pesado que quase se formou.
-Ah, sim... Foi um soninho tão gostoso! – ela esticou a mão trêmula e acarinhou os cabelos sedosos do pequeno anjo – Esse é o seu filho?
-Sim, Asa... Esse é o meu Gabriel.
-Exatamente como o Yuu falou... Ele é a sua cara, Kou...
-O Yuu é seu amor? – a pergunta inocente da inocente criatura fez minha Asami sorrir e eu me aproximei de seu leito, cansado.
-Ele é, pequeno...
-Mas você divide, né? Ele é meu amor também. – Gabriel sorriu, brincando com os dedos da minha anja da guarda.
-Ele é o amor de muitos, pequenino... Já aprendi há muito tempo dividir o meu Yuu...
-Viu, tio Yuu! Você é meu! – Gabriel esticou os bracinhos pra mim e eu o aconcheguei em meu peito.
-Eu sou... – sorri naquele meu modo insignificante, recebendo o olhar nostálgico da minha ex-mulher. E ela... riu...
Então eu soube... Ela sabia tanto quanto eu qual era o seu destino... E seus olhos brilhavam, ainda assim. Era como se ela estivesse satisfeita. Não sabia se era por causa da minha reação ou por qual motivo que pudesse ser, mas aquilo não podia não me entristecer. Não com aquele conformismo tão adorável que ela exibia.
-E você é aquela com quem eu falei por telefone... Lucy...
-Sou eu sim... – e a ex-mulher de Kouyou aproximou-se. Para minha surpresa, seus olhos estavam tristes...
E eu podia compreender aquela tristeza. Não importa por quanto tempo você conhece Asami, depois do primeiro contato você nunca mais se esquece dela. Nunca mais se esquece do seu sorriso, de suas palavras, de sua personalidade tão distinta... Foi por tudo isso que eu me vira encantado um dia...
-Me permite um conselho?
-Eu... acho que não tem problema...
-Vem aqui... – Asami estendeu os dedos longos e enlaçou-os com a mão pequena da outra mulher. Ela ainda sorria, tão feliz...
E era tudo tão mais injusto...
-Você tem um amor tão grande no coração... Um amor tão forte... E o amor é um sentimento tão bonito, Lucy... Mas não confunda amor com posse... Com desejo... Com ciúme... Amor não é isso... Amor é liberdade... É cuidar... Desejar as mais belas coisas para a pessoa amada... Não... desperdice tais sentimentos, Lucy... Cuide daqueles que são importantes pra você...
-Eu... vou tentar... – e eu via as bochechas rosadas daquela mulher com espanto. Jamais pude pensar que veria algo como aquela timidez bonita em Lucy. Percebi que podia me surpreender muito pela frente.
-Por favor, tente com todo seu coração, Lucy... Você não pode deixar os outros sofrendo por... causa de algo que você não pode ter... – minha Asami respirou fundo e eu apertei o pequeno anjo em meus braços, sem nem perceber – Faça o certo...
-Asa... – me aproximei mais do seu leito, aquele aperto forte em meu peito agora borrava meus olhos e eu não sabia se podia me atrever a chorar por ela. Ela sorriu e tomou minha mão com carinho.
-Cuide de todos por mim... Especialmente... você sabe... – ela acarinhou meus dedos e eu soube naquele instante o que significava. Ela me amava e só estava pensando no meu bem... E no bem de Kouyou...
-Farei tudo o que for preciso... Eu juro... – e foi impossível não prometer aquilo para ela... Meu doce anjo da guarda que agora estava quebrado... – Não precisa mais se preocupar com nada...
-Eu não vou, meu Yuu... Agora eu... estou pronta... E... com sono...
-Vamos ficar aqui com você... Vou velar seu sono... – informei para ver seu sorriso gentil crescer um pouco mais.
-Obrigada por tudo, Yuu... Agora eu posso descansar... – seus dedos pararam a carícia doce que ela fazia e seus olhos, sonolentos, se fecharam delicadamente. Como uma rosa ao entardecer...
-Boa noite, Asa... Durma com os anjos... – beijei-lhe a testa, sabendo tragicamente que aqueles eram os nossos últimos instantes juntos.
Lá ia embora a única mulher que eu podia dizer que amei... E sem saber...
Certamente ela estava com os anjos... E eu... chorando...
Notas finais
Desculpem a demora, mas eu andava meio que perdida no meio de um monte de acontecimentos e, bom... O que importa é que a fic está aqui pra vocês... Então aproveitem!! *A*
MUITO obrigada pelos comentários, pessoal... Eles que me inspiram a continuar aqui no Nyah ♥ Então obrigada nee! *A*
Sem muitos comentários *momento de silêncio pela Asa* E NÃO ME MATEM ;; /CORRE Q
O próximo seguimos na melancolia, mas depois um pouco de rosas pra aquecer os corações desses gays e os seus e Q *okei*
Então...
Até o próximo, nee... ♥
2O12, JUNHO O7 @___akita
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