Notas iniciais
Gente, tá grandinho por causa dos diálogos. Espero que vocês gostem!

O loiro anda pela praia a procura daquela que lhe despertara algo tão incomum, ela andou por horas, mas não a encontrou. A lua já está alta no céu e sua busca continua, contudo ele não sabe onde vê-la, ele somente anda, esperando em seu íntimo que seu desejo secreto seja concedido. Ele olha para a lua, lembra da morena que o fez sonhar, algo que ele não conseguia fazer há muito tempo, sua profissão o fez se acostumar a ter pesadelos com vultos das pessoa mortas por suas mãos. Félix deita-se na areia, olha as estrelas e acaba por dormir ali mesmo.

Ela o vê na areia, não sabe o porquê da vontade que tem de deitar-se perto dele. Também não sabe o motivo de querer-lhe tão bem, mesmo sem entender-se, aproxima-se, verifica a temperatura dele, verifica seu pulso, vê que tudo está bem e que ele somente dorme, ainda assim senta-se ao lado dele. Olha o céu com seus olhos castanhos, observa uma nuvem negra e sente um pingo de chuva, acha melhor acordá-lo.

— Vamos, acorda, não tenho força para carregar seu corpo. — Disse a morena, sacolejando-o.

— Hã?! O que? Ah, oi! Como você está? — Disse ele ainda meio sonolento.

— Dá pra levantar-se e sair da chuva?

— Pra onde vamos? Estamos no meio do nada!

— Minha cabana fica um pouco perto daqui, dá para corrermos.

— Eu não vi nenhuma cabana, e andei essa praia toda hoje.

— Ela fica escondida dentro de uma caverna. — Eles começam a correr, contudo cai um temporal em cima deles. Anya para e fecha os olhos, sentindo a chuva banhar-lhe, ela começa a girar em torno de si mesma, levanta o rosto e deixa a água percorrer-lhe o corpo todo, pouco se importando com o olhar devorador do homem. Ele a olha como que a visse nua, mesmo sem querer ele sente-se atraído por ela, sente-se excitado ao lado dela. Ele desvia o olhar para não incomodá-la, ela para o giro e continua a correr para a cabana-caverna. Ele segue-lhe.

Após correrem embaixo de chuva por uns quinze metros, a morena entra numa caverna escura e úmida, uns cinco metros após a entrada da caverna tem uma cabana, esta é feita de ipê e parece muito aconchegante, tem um quarto, duas salas, uma cozinha e um banheiro, há uma lamparina acesa deixando a casa toda numa penumbra.

— Entre. — Falou quando o viu na porta hesitando.

— Obrigado pelo abrigo. — Disse dando-lhe um sorriso.

— Por nada. Tire a roupa.

— Hã? — Fala ele corando furiosamente. Ela revira os olhos na órbita e continua:

— Vou procurar algo pra você vestir, enquanto isso se cubra com o lençol.

— Ah, sim. — Ele despe-se e coloca o lençol para cobrir-lhe as partes íntimas.

Alguns minutos após, Anya volta com umas calças de pano grosso, e um casaco meio feminino.

— Foi tudo o que consegui achar, mas é melhor do que morrer resfriado. — Ele sorri amargamente pela palavra morrer, que lhe seria uma salvação e não uma coisa ruim.

— Obrigado. — Disse sinceramente.

— Não precisa agradecer. Na cozinha tem água quente, e tem chocolate no armário, se você quiser é só colocar algo para beber. Irei trocar de roupa. — Ela sai para o quarto e ele fica a segui-la com o olhar, sente o cheiro bom de mar na casa e nas roupas dela, ele senta-se no que parece ser o sofá, há vários livros espalhados por uma mesa de centro, e a cabana está um pouco desorganizada.

Ele vai até a cozinha e prepara um chocolate quente para dois.

— Quer chocolate quente Anya? — Pergunta timidamente ele.

— Sim. Obrigado. — Disse pegando a xícara com o líquido.

— De onde você veio?

— De lugar nenhum.

— Tem pais?

— Falecidos.

— Mora sozinha?

— Com a lua e o mar.

— Não gosta de animais?

— Gosto.

— Não tem nenhum?

— Não.

— Estou lhe incomodando, não é? Acho melhor eu ir para casa. — Disse ele sentindo-se horrível.

— Sinto muito. — Disse sincera. — É que não tenho o costume de falar com alguém faz tempo. Esqueci-me dos bons costumes, e de como tratar as pessoas.

— Não tem problema, só não quero lhe incomodar. — A chuva cai ainda mais torrencialmente, os relâmpagos conseguem clarear até a entrada da caverna, e os trovões são ensurdecedores, mas para os dois isso não passa de mais uma tempestade. Ainda que seja um novo dilúvio, é só isso, para eles nada mais importa. Após um minuto de silêncio bem-vindo pelos dois, Félix pergunta:

— Você gosta da lua e do mar?

— Amo-os. E você?

— Eles me dão paz. Mas são muito complexos.

— Isso que me acalma.

— Eu prefiro as coisas simples.

— Como o que?

— O que ninguém dá importância.

— Exemplo?

— A areia do mar, branca, que esquenta de dia e esfria a noite. A junção de grãos minúsculos de areia é que faz seu pé sentir aquela sensação de maciez. — Ela sorri timidamente ao vê-lo falar de algo tão simples tão empolgado. Ele sorri largamente e a fita nos olhos.

— Você fica linda quando faz cara de riso. — Escapa dos seus lábios sem querer. Anya fecha o sorriso. — Perdão!

— Sem problema. Acho que este toró não passará hoje. É melhor dormirmos.

— Você tem razão. Onde eu dormirei?

— Na sala. Você pode me ajudar a pegar um colchão em meu quarto?

— Claro. — Eles vão até o quarto, e quando Anya puxa o colchão o mesmo cai sobre ela deixando-a desacordada.

Notas finais
E aí? Gostaram? Dúvidas? Por favor, reviews!!! Eu necessito saber a opinião de vocês sobre esta história! :p
Bjinhos