My Eternity Without You
4 Segundo encontro
Notas iniciais
O loiro anda pela praia a procura daquela que lhe despertara algo tão incomum, ela andou por horas, mas não a encontrou. A lua já está alta no céu e sua busca continua, contudo ele não sabe onde vê-la, ele somente anda, esperando em seu íntimo que seu desejo secreto seja concedido. Ele olha para a lua, lembra da morena que o fez sonhar, algo que ele não conseguia fazer há muito tempo, sua profissão o fez se acostumar a ter pesadelos com vultos das pessoa mortas por suas mãos. Félix deita-se na areia, olha as estrelas e acaba por dormir ali mesmo.
Ela o vê na areia, não sabe o porquê da vontade que tem de deitar-se perto dele. Também não sabe o motivo de querer-lhe tão bem, mesmo sem entender-se, aproxima-se, verifica a temperatura dele, verifica seu pulso, vê que tudo está bem e que ele somente dorme, ainda assim senta-se ao lado dele. Olha o céu com seus olhos castanhos, observa uma nuvem negra e sente um pingo de chuva, acha melhor acordá-lo.
— Vamos, acorda, não tenho força para carregar seu corpo. — Disse a morena, sacolejando-o.
— Hã?! O que? Ah, oi! Como você está? — Disse ele ainda meio sonolento.
— Dá pra levantar-se e sair da chuva?
— Pra onde vamos? Estamos no meio do nada!
— Minha cabana fica um pouco perto daqui, dá para corrermos.
— Eu não vi nenhuma cabana, e andei essa praia toda hoje.
— Ela fica escondida dentro de uma caverna. — Eles começam a correr, contudo cai um temporal em cima deles. Anya para e fecha os olhos, sentindo a chuva banhar-lhe, ela começa a girar em torno de si mesma, levanta o rosto e deixa a água percorrer-lhe o corpo todo, pouco se importando com o olhar devorador do homem. Ele a olha como que a visse nua, mesmo sem querer ele sente-se atraído por ela, sente-se excitado ao lado dela. Ele desvia o olhar para não incomodá-la, ela para o giro e continua a correr para a cabana-caverna. Ele segue-lhe.
Após correrem embaixo de chuva por uns quinze metros, a morena entra numa caverna escura e úmida, uns cinco metros após a entrada da caverna tem uma cabana, esta é feita de ipê e parece muito aconchegante, tem um quarto, duas salas, uma cozinha e um banheiro, há uma lamparina acesa deixando a casa toda numa penumbra.
— Entre. — Falou quando o viu na porta hesitando.
— Obrigado pelo abrigo. — Disse dando-lhe um sorriso.
— Por nada. Tire a roupa.
— Hã? — Fala ele corando furiosamente. Ela revira os olhos na órbita e continua:
— Vou procurar algo pra você vestir, enquanto isso se cubra com o lençol.
— Ah, sim. — Ele despe-se e coloca o lençol para cobrir-lhe as partes íntimas.
Alguns minutos após, Anya volta com umas calças de pano grosso, e um casaco meio feminino.
— Foi tudo o que consegui achar, mas é melhor do que morrer resfriado. — Ele sorri amargamente pela palavra morrer, que lhe seria uma salvação e não uma coisa ruim.
— Obrigado. — Disse sinceramente.
— Não precisa agradecer. Na cozinha tem água quente, e tem chocolate no armário, se você quiser é só colocar algo para beber. Irei trocar de roupa. — Ela sai para o quarto e ele fica a segui-la com o olhar, sente o cheiro bom de mar na casa e nas roupas dela, ele senta-se no que parece ser o sofá, há vários livros espalhados por uma mesa de centro, e a cabana está um pouco desorganizada.
Ele vai até a cozinha e prepara um chocolate quente para dois.
— Quer chocolate quente Anya? — Pergunta timidamente ele.
— Sim. Obrigado. — Disse pegando a xícara com o líquido.
— De onde você veio?
— De lugar nenhum.
— Tem pais?
— Falecidos.
— Mora sozinha?
— Com a lua e o mar.
— Não gosta de animais?
— Gosto.
— Não tem nenhum?
— Não.
— Estou lhe incomodando, não é? Acho melhor eu ir para casa. — Disse ele sentindo-se horrível.
— Sinto muito. — Disse sincera. — É que não tenho o costume de falar com alguém faz tempo. Esqueci-me dos bons costumes, e de como tratar as pessoas.
— Não tem problema, só não quero lhe incomodar. — A chuva cai ainda mais torrencialmente, os relâmpagos conseguem clarear até a entrada da caverna, e os trovões são ensurdecedores, mas para os dois isso não passa de mais uma tempestade. Ainda que seja um novo dilúvio, é só isso, para eles nada mais importa. Após um minuto de silêncio bem-vindo pelos dois, Félix pergunta:
— Você gosta da lua e do mar?
— Amo-os. E você?
— Eles me dão paz. Mas são muito complexos.
— Isso que me acalma.
— Eu prefiro as coisas simples.
— Como o que?
— O que ninguém dá importância.
— Exemplo?
— A areia do mar, branca, que esquenta de dia e esfria a noite. A junção de grãos minúsculos de areia é que faz seu pé sentir aquela sensação de maciez. — Ela sorri timidamente ao vê-lo falar de algo tão simples tão empolgado. Ele sorri largamente e a fita nos olhos.
— Você fica linda quando faz cara de riso. — Escapa dos seus lábios sem querer. Anya fecha o sorriso. — Perdão!
— Sem problema. Acho que este toró não passará hoje. É melhor dormirmos.
— Você tem razão. Onde eu dormirei?
— Na sala. Você pode me ajudar a pegar um colchão em meu quarto?
— Claro. — Eles vão até o quarto, e quando Anya puxa o colchão o mesmo cai sobre ela deixando-a desacordada.
Notas finais
Bjinhos
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