My Dear Spirit
1 Capítulo 1
Sabe a vida? Às vezes ela é um pouco confusa e sem sentido algum como: respirar dói – os berros dos bebês são dados pela dor que sentem ao respirar – conseguir pronunciar as primeiras palavras – mesmo não sabendo que linguagem pronunciam – sorrir – quando a tristeza aperta sua alma – Apaixonar-se... E outras coisas antes da morte...
Respira fundo; eu posso falar de mim como terceira pessoa, já que não sou mais eu, mas um espírito vagante e sem rumo; não sei até hoje como morri, apenas me lembro de feixe branco depois do meu aniversário de vinte dois anos, algo estranho e vazio. Eu vivo na Terra Material e Espiritual – chamada de: Imundus – essa dimensão tem total visão da terra material: podemos interagir, trazer sensações ou até mesmo levar os vivos a fazerem o que queremos apenas com a nossa presença, algo um pouco irreal para alguns, mas real para os Alphas.Com dois anos de morta, não sou considerada Alpha, pois ainda não escolhi meu caminho – ainda possuo o bem e o mal dentro de mim – o que me limita a prosseguir o caminho celestial ou infernal, algo mais complicado e confuso.Atualmente ando vigiando – observando – um ser vivo, humano, que me chamou bastante à atenção, como de três Alphas; os três estão em uma briga acirrada pela alma do mesmo; como ainda não sou uma Alpha não me envolvo, mas não aguento que os mesmo discutam sempre ao meu lado.- Porque não brigam em outro lugar? Já tenho que aturar seres como vocês todos dias, não ter conhecimento de minha morte e ainda ser caçoada de ser morto. – Meus berros podiam ser ouvidos por toda dimensão, era uma desprovida de paciência e isso não mudara depois que faleci. – Então saiam daqui! – Pude sentir um leve arranhão em minha face.Estava jogada a alguns metros, caída em outro bairro – se estivesse no mundo material – meus olhos lacrimejavam sangue e podia sentir o arranhão cicatrizando, sorri, me coloque de pé encarando os Alphas.- Eu sou um espírito, não sinto dor como os vivos! – Exclamei algo óbvio. Os Alphas são seres completamente diferente dos humanos desde a aparência até as ambições.- “Morto” é melhor se calar ou então terá a segunda maldição sobre você! E como brinde mataremos aqueles que algum dia teve um laço de sangue e alma contigo. – Um dos Alphas me conduzia ao medo com a sua voz suave e horrenda.- Uma segunda maldição? Já não basta à primeira onde não posso ter meu descanso? — Minha voz aumentava junto com o desespero que sentia perante aqueles; como um piscar de olhos eles sumiam em vultos, sem ao menos discutir. – Eu queria viver pela segunda vez. Como queria. – Sussurrei em pensamentos, olhando para os humanos que atarefados os quais não podiam me enxergar ou sentir.Um mundo tão próximo e ao mesmo tão distante, corri para minha antiga casa humana, os quilômetros não existem neste mundo e o tempo é inexistente, entrei lentamente no quarto dos meus antigos pais e pude os vê-los dormindo: no mundo material eram três da manhã.- Esse horário estava estudando para faculdade ou apenas assistindo uma longa série de TV. – Pensei, dando um sorriso, ainda possuía minhas características humanas. – Onde está Mayane? Será que está dormindo? — Saí do quarto do casal seguindo para o quarto de minha irmã mais nova, porém ao passar pela porta senti meu espírito em total convulsão.Meu espírito adquiria um forma diferente e nova, como se algo material o cercasse e protegesse, ou até mesmo o sufocasse, ainda em convulsão passei as minhas mãos no rosto e pude sentir algo quente e vivo. Naquele momento adquirira um corpo humano e pelo formato juvenil. - Quem é você? — Mayane berrava comigo.– H-Hi... Beck! – Menti, não tentando assustá-la.Ela me olhara um pouco desconfiada, porém seu olhar meigo me fitava por completo, meu corpo era empurrado para fora do seu quarto e como um portal sentia a matéria evaporar, novamente me tornará fria e morta.- BECK! Não minta para mim! Alpha! – Mayane dizia aos berros, não acreditava que meus pais quer dizer o casal adormecido não acordara com os berros, olhei por curiosidade para a porta dos mesmos, até ser interrompida por Mayane. – Não se atreva a entrar naquele quarto, eles são bem piores que eu! Alpha! – Ela apontava uma espécie de colar na minha direção.- Eu não sou Alpha, Mayane! Eu sou sua irmã, fui amaldiçoada por algum espírito que dizer... Eu não sei ao certo. Mas não tenho intenção de machucá-la. – Tentei fazer um resumo simples e convincente, porém meu espírito era preso por algo tão frio e quente, misto horrendo e desesperador.- Não minta! Volte para sua dimensão! – Me olhou com ódio, aquilo me estremeceu por completo.Após aquelas palavras e olhar, pude sentir meu espírito tomado por correntes prateadas que aos poucos se envolviam todo meu ser, me espremendo por completo. Iria ser esquartejada.- O que é isso? — Foram minha ultimas palavras, antes do segundo feixe branco na minha mente.
Notas finais
Segundo capítulo: Meu novo corpo.
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