Notas iniciais
Obrigada por quem leu o capítulo anterior! Então, só estou postando hoje porque é domingo, mas quem sabe durante a semana o ritmo seja menor... Mas nos finais de semana provavelmente tem capítulo novo!
Boa leitura!

Quando Thomas entrou na casa de seu diretor, nunca imaginou que o homem fosse de certa forma simples e humilde. Pra quem não conhecia o próprio endereço, ele esperava outra coisa. Mas as pessoas adoravam surpreender os outros.

- Desculpe o atraso, eu me perdi — ele disse, quando entrou.

- Ah sim, tudo bem. Esse bairro é realmente complicado... Meu nome é Antonio — estendeu a mão para ele — Então, já leu o roteiro?

- Já — mentiu.

Antonio não era velho como Thomas achou que seria. Pelo telefone, sua voz parecia bem mais velha e ele achou que seria de um homem com pelo menos mais de 40 anos. Mas Antonio parecia ter, no máximo, 35 anos. E era bem mais simpático que parecia, logo puxando ele para um sofá e começando a tagarelar sobre o filme que iriam fazer.

E ele não prestou muita atenção no resto da noite. As conversas iam e vinham e ele ficava lá, apenas concordando. Não parecia muito interessante de todo modo. Ele só tinha que fingir alguma atenção.

Aquela era a parte mais chata de ser ator. Ter que decorar falas, aguentar diretores, outros atores e atrizes, os outros preços da fama... Se ele pudesse, só atuaria, sem nada daquilo.

Mas como tinha que passar, melhor que usasse sua imaginação e pensasse em qualquer outra coisa pra se distrair.

Pensou em seus gatos. Quando chegasse em casa devia alimentá-los. Pensou em seu irmão mais novo, que nem sabia direito onde estava. Então, quando todas suas ideias se esgotaram, ele começou a reparar na casa.

Ele estava em uma bela sala, sentado em um sofá de couro escuro. Havia um armário no canto, cheio de livros. A sala em si era bem escura, com cortinas e uma cor que beirava o marrom nas paredes. Felizmente a lâmpada não contribuía para um ambiente ainda mais sombrio, iluminado perfeitamente a sala. Ele também conseguiu enxergar um corredor ao fundo, que pelo jeito devia levar ao resto da casa. Se perguntava se seria tudo tão simples como na sala.

Os outros diretores que ele visitara em outros trabalhos, e não haviam sido muitos os que foram tão simpáticos a ponto de chamá-lo para uma visita, gostavam de se gabar de seus projetos anteriores. Então, visto que o diretor que tinha na sua frente era diferente, achou que devia prestar atenção.

- Então, eu esperava que você desse seus toques no seu papel — Antonio sorriu.

- Eu? Por quê? Acho que se o roteiro já está pronto...

- Não posso obrigar uma pessoa a fingir totalmente ser outra. Acho que ficaria muito desapontado, porque isso é meio impossível. Então quero que seja você ali, mas sem deixar de ser o personagem.

- Eu vou tentar — e ele ia mesmo. Era mais um desafio.

- E o que achou da história toda?

- Eu não li tudo... Só li o começo. Me pareceu bem clichê no começo, mas... Quem sou eu para falar de clichês? Só fiz filmes clichês — sorriu — Mesmo assim, tem muita gente que gosta desse tipo de história.

- Não vai ter um final feliz. Essa é a mudança. Eu acho que já existem muitos romances com finais felizes. Então, eu mudei só isso. E vai ser legal ver as pessoas se surpreendendo.

Thomas assentiu. Nem ele esperaria por aquilo, mas ele nem assistia muitos daqueles filmes...

Olhou no relógio na parede, por cima do ombro do diretor, e viu que já passava das onze. Pela primeira vez, duas horas passaram voando. Antonio também pareceu perceber isso, se levantando um pouco nervoso. Parecia ter se lembrado de alguma coisa muito importante.

- Melhor eu já ir — o outro também se levantou — Obrigado.

- Muito obrigado por ter vindo. Eu convidei outros atores, mas eles deram desculpas variadas. Nenhum veio e eu não sei porque.

- Quem sabe não estejam acostumados.

Andaram juntos até a porta, falando de mais algumas coisas. Provavelmente só se veriam no próximo mês, quando começassem as gravações. Mas pelo menos eles seriam bons amigos. Thomas soltou um sorriso, pensando que já tinha certa vantagem perto dos outros atores.

Atravessou a rua, que à essas horas já estavam um pouco mais vazias. Na verdade, já estavam bem vazias. Ele se perguntava porque um diretor morava ali. Será que era para não chamar a atenção?

Deu de ombros e entrou no carro. Estava tão gelado lá fora e dentro do carro em comparação a casa de Antonio. Ele se arrependeu por alguns instantes de ter saído apenas com uma blusa. Nova York costumava ser fria naquela época do ano. Mas não pensou muito naquilo e logo deu partida no carro, decidindo ir logo pra casa.

Tinha que atravessar metade da cidade para chegar em seu apartamento. E já estava tarde. Não que ele dormisse cedo, mas ele estava cansado.

Manobrou para fazer o retorno na rua e voltou pelo mesmo caminho que ele tinha vindo, vendo as mesmas casas e boates, ainda abertas.

Quando passou pela rua onde tinha encontrado aquela mulher e pedido informação, viu que ela ainda estava sentada no mesmo banco. Será que estava esperando alguém? Estava frio para caramba e pelo jeito ela não ia sair dali tão cedo.

Ele com certeza não teria feito o que fez se tivesse pensado mais cinco minutos, mas como não pensou muito, apenas parou o carro na calçada em frente a ela e abaixou o vidro.

- Está esperando alguém?

- Quer mais alguma informação?

- Eu pedi uma informação sobre você.

- Estou esperando meu irmão mais velho. Ele vai vir me buscar daqui a pouco — ela pareceu triste.

- Então... — ele mordeu o lábio inferior — Quer uma carona? Se você estiver indo para o outro lado da cidade...

- Tudo bem — ela se levantou, andando até a porta — Obrigada.

Ele pensou em como aquela cena parecia estranha e que quem visse pensaria qualquer coisa, mesmo que ele estava apenas sendo gentil e ajudando-a. Só isso.

Mas ele também não sabia se ela seria boa o caminho inteiro... Não se pode confiar em estranhos, sua mãe sempre lhe disse. Mas como já era crescido, achou que podia simplesmente fazer uma bondade para alguém.

E, será que ele se arrependeria daquele momento de bondade um dia?

Notas finais
Então, acho que aqui acaba uma espécie de introdução que eu fiz. Leitores fantasmas, se manifestem, não tenho medo. Reviews com críticas, sugestões e outras coisas também são aceitos.
E então, alguém aqui curte romances sessão da tarde que todo mundo sabe o final?