My Dear Hooker

4 The Proposal


Notas iniciais
Então, sorry. Nyah! deu a louca, internet também e a escola decidiu matar de trabalhos. Vou tentar voltar ao ritmo linear, se é que existia algum e postar com mais frequências.

Thomas chegou em casa um pouco mais tarde do que esperava. O trânsito estava uma droga, mesmo já estando de madrugada. Mas o que ele esperava da "cidade que nunca dorme"?

Jogou as chaves sobre a mesa da sala e se jogou no sofá, tirando os sapatos de qualquer jeito. Desajeitadamente, ele tirou o próprio casaco e o jogou em um canto. Por que ele não ia para a própria cama? Simples preguiça de andar até lá, mesmo morando em um apartamento pequeno.

Cobriu o rosto com o braço, suspirando. Não conseguia esquecer o que havia ouvido de Katherine. Ele tinha mais poder que ela para mudar a realidade? Seria possível? Ele sempre se viu como parte de um todo, apenas mais uma peça no jogo. Sempre achou que nunca poderia fazer muitas coisas, mas de repente ela chegava com uma verdade: a vida dele era fácil.

As mudanças eram bem mais fáceis para ele.

Decidiu não pensar mais tanto no assunto. Como se ele pudesse mudar o mundo ao seu redor. Já tinha problemas demais, como 10 ligações perdidas de seu diretor. Por que diabos Antonio estava lhe ligando? E 10 vezes!

Se fosse algo importante, ia ficar para o próximo dia. Thomas apenas fechou os olhos e dormiu, cansado demais para qualquer outra coisa.

- Oh droga, atende — Antonio murmurou irritado, andando de um lado para o outro do quarto — Preciso da sua ajuda.

Ele ligava a quase meia hora, de cinco em cinco minutos, para Thomas, mas ou o ator havia desligado o celular ou havia esquecido-o em algum lugar. Por que fazer alguma dessas coisas naquele dia? Justo naquele dia?

Ele havia entendido uma coisa: Nina estava mais interessada no protagonista do que no diretor. Então, por que Antonio não podia ser como o protagonista? Por que não pedir para Thomas fingir ser um completo gorila e maltratar a garota? Nessa hora, Antonio surgiria como um ótimo homem, um perfeito cavalheiro.

Ele julgou um ótimo plano.

Só precisava avisar Thomas disso, mas ele simplesmente não atendia o celular!

Antonio desistiu depois da décima quinta tentativa. Jogou o próprio celular em cima da cama e deu um soco na parede. Mas por que raios, cargas d'água e tudo mais, ele não atendia? Precisava dele.

Sentou-se na cama e apoiou o rosto nas mãos. Será que não era melhor ser ele mesmo? Bem, não ia ser feliz daquele jeito. Pelo menos ele pensava daquele jeito. Se algum problema acontecesse no meio do caminho, ele resolveria... Era um cara esperto. Tão esperto que conseguiu pensar em tudo aquilo sozinho.

Sorriu consigo mesmo, se deitando e sonhando no dia em que finalmente teria aquela italiana para si.

Thomas acordou com terríveis dores nas costas no dia seguinte.Chiou uma praga contra o sofá antes de se levantar, ficando alguns minutos sentado para se acostumar com toda a luz que vinha da janela da sala.

Todo amassado e dolorido, se levantou em direção a cozinha. Colocou alguns pães na torradeira, antes de ir para o quarto trocar de roupa e pensar no que fazer no resto do dia.

Ele não estava muito ocupado pelo resto do mês. Tinha aquele tempo todo para ler o roteiro, ter uma ideia do que fazer e falar. Mas ele não estava interessado naquilo naquele dia. Estava um dia bonito lá fora, e esses dias bonitos não foram feitos para se ficar trancado em casa decorando um roteiro. Ele tinha outros dias para fazer aquilo.

Trocou de roupa, colocando uma camiseta simples e calças jeans velhas, ou pelo menos não tão novas. Foi até o banheiro e se arrumou um pouco melhor, se encarando no espelho para ver se estava um pouco mais apresentável.

Ele nunca se achou um deus grego, mas pelo menos bonito. Tinha profundos olhos azuis, que podiam estar claros dependendo do dia. O tom loiro de seu cabelo era escuro, quase um castanho. Geralmente não deixava a barba crescer, mas naquele dia percebeu que estava se desleixando aos poucos. Ele resolveria aquilo logo.

Voltou para a cozinha um pouco mais acordado, pegando seu celular largado sobre a mesa no caminho. Pegou suas torradas e as colocou em um prato, voltando para a mesa.

Antonio ainda tinha insistido em ligar. Bem que ele se lembrava, em alguma hora da noite, ter ouvido algo tocar. Eram apenas ligações, mas a última era uma mensagem.

"Preciso falar com você. Urgente. Pode vir aqui em casa de manhã?"

Ele viu a hora da mensagem: 2h45. Cara insistente...

Thomas sorriu, mordendo uma torrada. Já tinha achado um belo programa para passar o resto do dia.

Chegou na casa de Antonio perto das 10h00. Ele conseguiu enxergar o diretor no sofá, assistindo algum programa na TV. Parou o carro do outro lado da rua e andou até a porta dele, tocando a campainha. Foi atendido rapidamente, Antonio praticamente o puxando para dentro da casa.

- Pelo amor de Deus! Você morreu ontem?!

- Não... Só dormi. E estava tarde. E tínhamos conversado por mais de uma hora... — foi calado com um gesto do outro.

- Tudo bem, esqueça. Eu preciso da sua ajuda.

- Com o quê? — o loiro não tinha dado conta que tinham ficado tão próximos já para Antonio sair pedindo favores.

- Eu conheci Nina ontem.

- Quem?

- A atriz que vai trabalhar com você! A mais importante depois de você! — ele parecia impaciente.

- Ah, sim... O que tem ela?

- Ela pareceu... Se interessar por você.

- Eu? Mas ela nem me conhece... Pessoalmente — um sorriso brincou nos lábios dele — Mas o que ela gosta em mim?

Antonio o mandou um olhar fulminante. Thomas se encolheu na poltrona onde estava, tentando não rir. Estava quase escrito na testa do outro o tamanho dos ciúmes que ele estava sentido.

- Escuta Antonio, eu sei que você tá morrendo de ciúmes aí dentro — ele riu — Mas fica calmo, não gosto dessa... Anh, qual é o nome mesmo? Sei lá, pouco importa. Eu simplesmente não curti ela, mas nem nos conhecemos. E, eu sou seu amigo, não ficaria com ela se você gosta dela. Se acalme.

- Pff, não gosto dela — ele cruzou os braços infantilmente — Só queria te dizer que... Não seria bom se vocês dois se envolvessem... Pode atrapalhar a qualidade do filme.

Dessa vez Thomas não segurou sua risada. Antonio lhe encarou, perdido.

- Fala sério, você a ama!

- Não! Não mesmo! Cale a boca! — deu uma almofadada nele.

- Ah, para com isso... Não tenho culpa se você a ama.

Os dois discutiram mais algum tempo, antes de começarem a falar de um assunto completamente aleatório. Isso até o assunto retornar a uma certa atriz...

- Voltando para a Nina, eu queria que você fosse mau com ela.

- No filme?

- Por favor, você está brincando né? — Thomas negou — Claro que não! Na vida real paspalho! Assim, ela vai ficar magoada e eu vou consolá-la.

- Eu não acho que o jeito certo de começar um relacionamento é magoando a pessoa.

- Mas eu não vou magoá-la, você vai!

- E se ela falar mal de mim para alguém? Como fica minha imagem? Péssima ideia Antonio.

- Não é não! Não disse que é meu amigo?

- Disse — mordeu o lábio inferior — Merda, por que eu fui falar isso? Agora você vai meter seu maior amigo nessa fria?

- Você não é meu maior amigo.

- Putz Antonio...

- Mas pode ser! Me ajuda! Só por um tempo... Quando estivermos juntos, você explica tudo!

Thomas revirou os olhos, por fim assentindo. Quem era ele para discordar daquele plano doido? No fim, ia estar sendo apenas um ator. E se algo desse errado, ele tinha tentado convencer Antonio.

Já era quase meio-dia quando o ator foi embora. O sol estava bem mais forte e ele achou que pudesse almoçar fora. Aproveitar um pouco mais o dia... Que se danem paparazzis ou fãs enlouquecidas(os)... Ele ainda era humano.

Fechou a porta do carro e o ligou, fazendo o retorno no fim da rua. Pensou ver Antonio pulando de alegria pela sala quando passou perto da casa do mesmo, mas sacudiu a cabeça logo depois. Devia ter sido apenas alucinação.

Ele virou a esquina e arqueou as sobrancelhas, surpreso. Será que aquela mulher nunca saía daquela banco? Sim, lá estava Katherine, sentada como na noite anterior. A única coisa que mudava era um par de malas ao lado dela.

E foi esse par de malas e sua curiosidade enorme que fizeram ele parar o carro em frente à ela.

Notas finais
Então, animem uma escritora com reviews! Que tal?