My Dear Hooker
5 The Guest
Notas iniciais
Eu voltei a atualizar essa fic aí de cima, então quem sabe eu faça capítulos um pouco menores nessa ou com atualizações menos frequentes. Mas não se preocupem, eu nunca desisto.
Katherine não moveu os olhos quando ouviu o carro dele se aproximar. Ela nunca esperaria achar ele ali, mas pelo jeito alguém importante para ele morava para aqueles lados.
- Ei, o que está fazendo aí? — ouviu a pergunta dele e pela primeira vez se virou para encará-lo.
- Estou sentada aqui. Não estou fazendo nada...
- Mas... Está de dia.
Ela virou o rosto para o lado, com uma súbita vontade de jogar uma mala nele. Se ele soubesse seus motivos para estar ali não ficaria falando aquelas bobeiras.
- E essas malas hein? Você por acaso... — a frase ficou no ar, como se ele tivesse medo de terminá-la.
- Fugi de casa. É isso.
- Mas por quê?
- Isso já não te interessa.
Thomas fechou a cara e abriu a porta do passageiro. Ele geralmente não se arriscava muito, mas era quase crueldade deixar ela ali. Enquanto estivesse de dia, tudo bem, mas logo a noite cairia e, se ninguém se aproveitasse dela antes, ela não teria para onde ir. Teria que voltar para casa e perder sua causa de rebeldia.
- Entra aí — ele disse, depois dela encarar a porta aberta.
- Claro que não.
- Eu não quero nada com você, não quero seus serviços — ele revirou os olhos — Só não quero que fique sentada aí até o banco apodrecer.
Katherine o encarou, mordendo o lábio inferior. Ele não era confiável, mas já tinha dado uma carona pra ela e estava disposto a abrigá-la. Qual será o plano daquele cara?
Mesmo assim, ela pegou suas malas no chão e colocou no banco de trás, sentando ao lado dele depois de algum tempo. Fechou a porta e ele deu partida no carro.
- Então, por que saiu de casa? — Thomas perguntou.
- Eu não tinha nenhum motivo pra ficar lá.
- Pensei que você tivesse se conformado.
- Eu tinha — "Mas quando eu conheci você não me conformei mais" ela pensou, encarando Thomas.
- O que você ia fazer, já que não quer ser mais prostituta?
- Você fala como se eu tivesse escolhido essa vida...
- Desculpe, mas responda minha pergunta.
- Não sei, eu ia tentar outra coisa menos...
Ela não conseguiu achar um bom adjetivo e Thomas achou melhor nem ajudar. Ele nunca entenderia aquilo tudo mesmo porque nunca tinha passado pela vida dela. Nunca tinha sentido nada que ela tinha sentido.
E nem fazia questão de sentir.
Thomas não sabia onde estava com a cabeça quando pensou em trazer ela para morar consigo, mas depois que ofereceu a casa... Já era tarde para voltar atrás.
Chegaram no apartamento no mais absoluto silêncio, mas ela não pode conter sua surpresa quando ele abriu a porta e deixou ela entrar.
- Então, você pode ficar no meu quarto. Eu fico no sofá por enquanto, até... Pensarmos em algo melhor — ele deu de ombros, sem graça.
- Ah, tudo bem.
- Fica para aquele lado — ele apontou para uma porta — Por enquanto você deixa suas coisas na mala, mas depois damos um jeito de arrumar tudo.
Ela assentiu em silêncio e se dirigiu para o quarto. Thomas andou até o sofá e se sentou, jogando as chaves do carro em um canto. Esticou os pés na mesa de centro e ligou a TV, colocando em um canal qualquer.
Ficaram nesse silêncio até quase o começo da noite. Thomas tinha desistido de sair para almoçar e comeu alguma coisa em casa mesmo. Quando ofereceu para ela, Katherine apenas disse que estava sem fome ainda.
E ele se deu a liberdade de ficar sentado no sofá o resto do dia, apenas aproveitando a vida boa. Ele tinha ainda que ler o roteiro e aquilo ficava em sua cabeça, mas ele ainda tinha muito tempo.
Quando já estava anoitecendo, seu estômago começou a roncar, pedindo alguma comida. Ele estava praticamente dormindo no sofá, quando decidiu se levantar e comer alguma coisa.
Encontrou Katherine na cozinha, comendo alguma coisa. Ela se assustou com ele, mas não se moveu.
- Então, eu ia fazer alguma coisa... Mas você já está comendo.
- Só as torradas que você largou aí.
- Tudo bem... Mas pode comer qualquer outra coisa se quiser. A casa é sua.
Ela sorriu e Thomas achou, inconscientemente, o sorriso dela muito bonito. Queria que ela sorrisse mais, ao invés de ficar sempre tão misteriosa e silenciosa.
Ele esquentou alguma coisa em seu micro-ondas e sentou-se na mesa para comer, enquanto ela olhava a paisagem pela minúscula janela da cozinha.
- Olha, eu tava aqui pensando... Vamos ter que inventar uma mentira sobre você caso alguém pergunte — Thomas disse.
- Por quê?
- Porque eu não posso dizer que você é uma mulher na rua que eu achei e quis trazer para casa.
- Você é delicado como um gorila.
- Desculpe, mas é verdade — ele sorriu, dando de ombros — Então, que tal falarmos que você é minha prima?
- Prima... Pode ser. Tanto faz pra mim.
- Não digo que você é minha irmã porque os mais próximos sabem que eu só tenho um irmão e ele está no Canadá... Então prima é legal. Você vai ser a minha prima que se mudou para cá depois de chegar da Inglaterra.
- Você é criativo... Essa história está ficando boa.
- Temos que explicar porque você nunca esteve aqui. E está aqui enquanto não acha uma casa para você.
- Ok, pode parar de inventar firulas para a minha história ou eu vou me confundir toda.
- Ah, é como num filme. Só tem que inventar uma história para você e atuar.
- Deve ser fácil pra você.
Thomas sorriu.
- Se quiser eu te ensino. Tenho muito tempo livre.
Ela terminou de comer as torradas e deixou o prato sobre a pia, que já estava com algumas louças. Ele podia ser bom ator, mas era realmente um desleixado no resto das coisas.
- Vou ter que falar para todo mundo essa história mirabolante sua?
- Vai. Até que eu diga o contrário.
- E se alguém que me conhece desmentir?
- Você não vai ficar andando por aí contando isso pra meia cidade né? — ele se levantou e deixou o próprio prato na pia — E se acontecer algo, nós resolvemos depois. Pode ficar calma.
Ele estava voltando para o sofá quando a campainha tocou. Katherine encarou Thomas, que mudou seu rumo para a porta.
Quando abriu, Nina encarava ele, um belo sorriso no rosto. Parecia uma moça muito simpática, bem diferente daquela fria e distante que tinha encontrado Antonio no restaurante.
- Ahn... Boa noite — ele cumprimentou.
- Muito prazer — ela estendeu a mão para ele — Você já deve me conhecer.
- Claro, Antonio me falou de você.
Ela pareceu um pouco sem graça com a menção do outro, mas logo seu olhar se voltou para dentro do apartamento e logo depois para Katherine, que apenas assistia tudo do lado do sofá.
- Hum... E quem é ela hein? — olhou para a outra com desdém.
- Minha prima, Kate. Chegou da Inglaterra esses dias.
Katherine arqueou uma sobrancelha. Desde quando ela era chamada de "Kate" por aquele tonto? Mas era melhor não discutir com ele naquela hora.
- Ah sim... Claro. Então, está livre essa noite? — Nina sorriu.
Thomas pensou por alguns instantes. Estava pronto para negar quando lembrou-se do acordo com Antonio. Seria uma bela chance de colocar o plano em prática.
- Claro, estou livre sim.
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