My Dear Hooker

6 The First Impression


Notas iniciais
Acho que eu não sou nem um pouco boa com prazos, espero que entendam. A questão é: eu tinha um período de trabalhos e um período de provas. Tem um intervalo mínimo entre os dois, e agora que os trabalhos passaram e as provas ainda não chegaram, vou ver se posto mais.
Então, bom capítulo e desculpem a demora!

Thomas não estava, nem de longe, interessado naquilo. Ele queria ficar em casa. Estava frio, ele estava com sono, não estava com fome e em menos de 20 minutos tinha enjoado da presença daquela mulher. Apenas uma pergunta pairava em sua mente: como Antonio podia ter um mal gosto tão grande e absurdo?

Era quase irritante a situação dele. Pelo menos estava dirigindo, tinha uma desculpa para pedir o silêncio (que naquela hora nunca pareceu tão agradável), mas temia a hora que chegassem no restaurante e ele tivesse que ouvi-la.

"Ouvi-la a noite inteira. Tá aí uma bela ideia de roteiro de filme de terror..." Ele riu com o próprio pensamento.

O lugar não estava muito cheio. Era um bom sinal por exemplo. Ele não se preocuparia em paparazzis, por exemplo, suspeitando de algo entre eles. Porque se ele visse alguma manchete sobre os dois como casal ele queimava a editora inteira...

Tentou lembrar do que Antonio tinha sugerido. "Não se cavalheiro, ser um bruto. Passar má impressão..." era um mantra que ele repetia mentalmente toda hora. Quase sempre que saía com alguma mulher, automaticamente ele era cavalheiro e gentil, mas naquele dia ele não podia nada disso.

Sentou-se sem nem olhar para a cara dela ou puxar a cadeira. Pediu qualquer coisa e estranhou o silêncio dela. Não que ele não estivesse gostando, mas ele precisava dizer alguma coisa.

- Já falou com o Antonio? — foi a primeira coisa que lhe ocorreu.

- Ah, sim — ela pareceu surpresa por Thomas ter citado o diretor — Falei ontem eu acho.

- O que achou dele?

- Normal.

"Indiferente, você quis dizer" ele analisou-a. De repente, seu trabalho de aproximar aqueles dois pareceu muito mais difícil.

- Achei ele um cara legal. Um belo amigo — sorriu, quase falsamente.

- Por que está falando tanto dele?

"Porque ele é o principal motivo d'eu não estar em casa e sim aqui com você!"

- Não sei, vamos trabalhar com ele, seria bom sermos todos amigos.

- Trabalhei em muitos filmes que não tinha nenhum amigo no estúdio.

- Suponho que foi mais difícil.

- Foi mais agradável.

Ele estalou os dedos embaixo da mesa. Por que quando o assunto era Antonio ou qualquer outra pessoa, tirando Thomas, ela era tão afastada? Tão fria? Qual era o problema daquela mulher?

Thomas resistiu bravamente a ideia de perguntar "Qual é o seu problema?!" e ficou esperando o pedido chegar. E a noite toda transcorreu assim: ele evasivo, ela falando sobre alguma coisa de seu interesse e fria sobre outras coisas e ambos mal se encarando.

Ele dirigia sentindo o vento frio da noite bater em seu rosto. Tinha deixado ela em seu apartamento, em um bairro rico no centro, e estava voltando para casa, mais cansado que na noite anterior.

A noite fora estranha. Não irritante como ele esperava, apenas estranha... Quem sabe Nina exercesse um fascínio apenas por ser tão fria. Tão difícil.

Mas ele não ia cair naquela história. Não fazia seu tipo alguém que era desinteressada em muita coisa. Indiferente para muitas pessoas. Ele simplesmente não aprovava o tipo dela, mas ainda admitia que poderia conquistar bobos apaixonados como Antonio.

Antonio... O que será que ele estaria fazendo? Será que imaginava que naquele instante Thomas pensava seriamente em desistir de tudo? Nina era uma muralha de gelo, e sua falta de interesse em rompê-la colocaria tudo a perder, e ele sabia disso.

Chegou em casa pouco depois da meia-noite. Ficou rodando o quarteirão por alguns minutos, inconscientemente, apenas pensando na vida.

Entrou e estacionou seu carro na vaga de sempre. Andou até seu prédio no complexo de prédios e subiu vagaroso as escadas. O elevador estava quebrado fazia quantos dias? Três? Não importou muito, já que ele podia ser sedentário, mas não era muito preguiçoso.

Chegou no apartamento depois de alguns minutos, encontrando uma Katherine dormindo no sofá, a TV ligada em algum canal onde passava um filme em preto e branco. Ela acordou quando ele fechou a porta.

- Desculpe, não queria ter te acordado — ele se desculpou, indo até o sofá e sentando do lado dela.

- Sem problemas, acabei de dormir — bela voz de sono, ele viu que era mentira — Então, como foi seu encontro?

- Não foi um encontro.

- Vocês saíram juntos, num jantar, e ela gosta de você. Foi um encontro.

- Mas eu não gosto dela — ele abraçou uma almofada, tirando seus sapatos e se esticando no sofá — Teria pavor de ter um encontro de verdade com ela.

- Por que saiu com ela então?

- Por causa de um amigo sabe... Um amigo apaixonado por ela.

Os dois ficaram em silêncio, olhando para algum ponto qualquer. Até os olhos verdes dela cruzarem com os azuis dele, que a encaravam com certa curiosidade.

- Que foi? — ela disse.

- Nada, só pensando que você... Ah, bem, esquece.

- Eu o quê?

- Nada — ele desviou o olhar — Bem, eu estava pensando que você seria uma boa atriz. Só.

A risada dela foi quase instantânea e preencheu a sala por vários segundos. Risadas menores vieram depois e por vários minutos. Thomas encarou perdido a cena.

- Por que tanta graça?

- Eu nunca seria atriz. Se me sinto mal mentindo sobre o que sou de você para todo mundo... Imagine num filme.

- Filme não é mentir. É atuar. É ter criatividade e se colocar no lugar de alguém, sentir por essa pessoa — ele pareceu ofendido ao explicar aquilo — É um trabalho muito belo.

- Ai ai, obrigada pela piada — ela secava lágrimas dos cantos de seus olhos — Acho que eu vou dormir agora...

Levantou-se e desligou a TV. Nem precisou perguntar se ele ia dormir. O rosto cansado de Thomas dizia tudo. Dirigiu-se para o quarto dele, ainda pensando no que havia escutado.

- Só mais uma pergunta — ela se virou — Por que disse que eu seria uma boa atriz?

- Porque você seria. Tem perfil de uma... As melhores que eu vi eram como você — ele se ajeitou melhor no sofá — Além de você ser muito bonita, sinceramente.

Katherine se apoiou no batente da porta do quarto, olhando ele por alguns instantes. Seus olhares não se cruzaram, Thomas já deitado no sofá, mas ela podia sentir que ele também estava olhando para ela.

Deu de ombros e entrou no quarto, fechando a porta atrás de si. Seu rosto esquentou um pouco quando lembrou do elogio, mas ela ignorou e foi dormir.

No sofá, ele encarava o teto, iluminado pela luz da lua.

"Sim, com certeza uma mulher muito bonita..." não reprimiu seu sorriso, que era discreto.

Notas finais
Então, é isso. Até a próxima (que eu espero que não demore tanto...)
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