My Dear Hooker
1 The Meeting
Notas iniciais
Então, como ele se perdeu daquele jeito? Ah, sim, ele não tinha um mapa. Ele não tinha nada além de meia dúzia de indicações ruins e mal feitas de seu diretor. Seu mais novo diretor. Ele sequer conhecia o homem pessoalmente, apenas tinha ouvido a voz dele por algumas ligações e recebido alguns e-mails.
Não fazia muita questão de conhecê-lo tão logo. Só iam começar a gravar o filme no próximo mês. Mas o diretor achou melhor conhecer quem ia interpretar o protagonista de seu filme antes que toda a pressão das gravações começasse. E, bem, Thomas era um ator muito bem pago. E se ele estava sendo pago, qual era o problema de ir se encontrar com alguém? Provavelmente eles beberiam algo, conversariam sobre o papel e o filme, ele daria algumas dicas para o roteiro e ele iria embora, deixando uma boa impressão para trás.
Tinham acertado tudo na segunda-feira. Seria apenas um encontro informal na casa do diretor, na quarta-feira, às nove. Em ponto. Thomas tinha perguntado o endereço e alguns pontos de referência, mas tudo que recebeu foram algumas indicações, um endereço pela metade e uma promessa de "quando eu souber certinho te aviso". O diretor não ligou de volta, então ele teve que se virar com o que tinha e encarar tudo que podia dar de errado para ir ao bendito encontro e não começar tudo com o pé esquerdo.
Não que aquele papel fosse muito importante. Ele já era um ator reconhecido, era só estalar os dedos e outros papéis surgiriam. Não era arrogância, era apenas verdade. Se ele quisesse, nem precisava trabalhar mais. Só o número de vezes que usavam seu nome em comerciais e outros produtos já dava dinheiro suficiente para ele se sustentar o resto da vida. Ele podia ter tudo facilmente, e era justamente aquilo que o fazia trabalhar.
Ele tinha apenas 21 anos. Seria muito chato passar o resto da vida colhendo os frutos de uma série de filmes. Apenas isso. O resto da vida inteira. Quando teve aquela ideia, ficou realmente assustado. Decidiu continuar fazendo as coisas do melhor jeito que conseguia, como se estivesse sempre começando do zero. Sempre dava um jeito de não enriquecer muito, seja doando seu dinheiro ou gastando, e continuava procurando papéis, tentando se aperfeiçoar.
E assim ele aceitou aquele trabalho novo, em um filme onde ele fazia o papel de um estudante que se apaixonava por alguma garota popular demais. Era clichê, mas ele queria o quê? Não é sempre que coisas novas são criadas. E parecia que no resto do filme algumas coisas inusitadas aconteciam e a coisa ficava um pouco mais interessante. Ainda precisava ler todo o roteiro para saber disso, mas ele já tinha assinado um contrato mesmo.
Virou em uma rua escura, tentando enxergar a placa onde o nome dela estava escrito. Ele já estava cerca de 10 minutos atrasado, mas isso não importava muito. Ele não tinha culpa de nem saber onde o homem morava. Estava rodando a esmo, tentando achar algum dos pontos de referência que tinha. Nada até o momento.
Thomas procurou suas anotações novamente no bolso. Ele havia escrito tudo na pressa, enquanto ligava para o diretor. Lá estavam todas as referências e um endereço pela metade. Havia apenas o nome do bairro. Nada de rua. Um bairro tem em média quantas ruas? Mais de 50 provavelmente! Ele ficaria rodando aquilo a noite inteira até achar a rua e depois ainda teria que achar a casa!
Parou o carro perto do meio-fio e suspirou derrotado. Não tinha como ele fazer aquilo. E todas às vezes que ele tentava ligar para o diretor caía na caixa postal. O jeito era voltar para casa e tentar inventar uma boa desculpa e tentar reverter a situação de algum outro modo.
Levantou os olhos para a rua e uma luz surgiu no fim do túnel. Havia um banco e no banco havia uma mulher sentada, encarando a rua vazia. Bem, podia ser qualquer tipo de mulher e ele já não era tão ingênuo, então ele sabia que era uma prostituta. Mas ele não se importou. Precisava daquela informação e quem sabe ela a tivesse.
Saiu do carro e atravessou a rua com pressa. Chegou perto do banco e tossiu.
- Anh... Com licença... Eu poderia te pedir um favor?
- Claro — a mulher voltou os olhos para ele.
- Sabe onde fica essa boate? — era um dos pontos de referência. Já seria de grande ajuda se ela soubesse.
- Sei... E por ali — apontou para o fim da rua — Depois que você virar para a direita, é só pegar a avenida e contar três ruas na sua esquerda... Então você entra e vai ver um letreiro. É lá.
- Obrigado. Obrigado mesmo.
Permitiu-se observar ela um pouco. Devia ser da mesma idade dele ou só um pouco mais velha. Era loira, um loiro escuro e arenoso. Ou era apenas a escuridão que dava aquela impressão. Mas uma coisa que ele nunca se esqueceria são os olhos verdes, tão vivos e ao mesmo tempo tão escuros e distantes. Ela também se vestia de maneira sensual, mas sem soar muito vulgar.
Ele mordeu o lábio uma última vez e acenou, indo embora. Voltou para seu carro, ligando-o e seguindo as direções indicadas por ela. Estava tudo certo felizmente e logo ele estava em frente a boate, e também na rua da casa do diretor. Sorriu quando achou a casa, depois de bater em uma ou duas casas erradas. Foi recebido com um bom aperto de mão, apesar de estar quase 20 minutos atrasado.
Thomas entrou e se preparou para pelo menos uma hora de pura falação sobre um roteiro que ele mal tinha lido direito. Seria uma longa noite...
Na rua onde ele estava minutos atrás, Katherine olhava fixamente para onde o carro havia ido. Ela deu um sorriso contido, lembrando de como ele soou perdido. Bem, ele estava perdido. Mas era um rapaz bonito. E ela ficou triste quando ele pediu apenas uma informação.
Ela se levantou e seguiu pela rua. Era a vida. Ela encontraria pessoas como ele mais vezes com certeza.
Notas finais
Bem, leram até aqui... Então, por que não reviews? Críticas, sugestões, dicas, pedradas... Qualquer coisa.
Até mais!
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