My Clarity
1 Capítulo I
Notas iniciais

“O Destino é o que baralha as cartas, mas nós somos os que jogamos.” – William Shakespeare
Olho pela janela do meu lado esquerdo e observo as árvores a passar rapidamente, parecendo pequenos borrões verdes de vários tons vivos. — “Onde me fui meter... Porque é que tinha de me calhar a mim ser marcada...? ” – pensei mais uma vez enquanto brincava com a mão direita com uma pequena parte da capa preta longa que trazia vestida a tapar praticamente o meu corpo todo e mantinha o cotovelo esquerdo apoiado na janela e o queixo apoiado na mão a admirar a vista para a floresta.
– Menina? – olhei para a direita observando um senhor com cerca de 40 anos, cabelo ligeiramente grisalho, alto e de olhos castanhos, olheiras profundas dando-me a ideia que deveria de ter bastantes problemas em casa para aparentemente não dormir quase nada, ou talvez fosse apenas da minha imaginação — Estamos quase a chegar. – disse.
– Obrigada. – desencostei-me da janela e peguei na minha mala que estava no chão do meu lado direito onde a tinha deixado a cerca de umas nove horas quando a viagem se iniciou. Esperei o comboio parar para puder sair da cabine isolada em que me encontrava e dirigir-me a uma das saídas do comboio.
Quando sai, ajustei o capuz da minha capa na cabeça de maneira a que não seja possível ver os meus olhos. Sempre me disseram que se não queremos ser identificados pelas pessoas, devemos primeiramente camuflar os olhos e sempre segui essa regra à risca. Olho à minha volta e observo com alguma atenção o local, vejo várias pessoas de diferentes idades e classes sociais a correr para apanhar comboios, estando provavelmente atrasadas, reencontros amorosos e apaixonantes, reunião de famílias acompanhadas por imensas lágrimas nos rostos e sorrisos radiantes, despedidas que se poderiam considerar bastante emocionantes. Duas palavras para mim. Caos completo. Julgo que aquele era apenas mais um dia qualquer nas vidas daquelas pessoas, ou até mesmo um dia marcante para elas. Para mim, era sem dúvida nenhuma um dia bastante marcante. Um inicio numa cidade desconhecida.
Tinha acabado de dar praticamente o meu último passo no que diz respeito à caça de uma pessoa que nem sequer conhecia. Enquanto observava tudo à minha volta, reparei na placa com o nome da cidade onde tinha acabado de chegar e com algumas informações sobre esta. Aproximei-me e li o que tinha lá escrito:
MAGNOLIA
— Magnolia é uma das 15 cidades do reino de Fiore.
— Tem uma população de 60.000 habitantes e é uma cidade comerciante que tem sido próspero no mundo mágico desde a era antiga.
> É uma cidade localizada na parte sudeste de Fiore, com o mar e a cidade de Hargeon não muito longe para o sul e com uma série de pequenas áreas construídas (como Onibus, Kunugi, Oshibana e Clover Town ) ligadas a ela por uma linha ferroviária para ao norte, e da fronteira do estado com a nação de Bosco para o leste.
— Principais Locais de Magnolia: Dormitório Feminino de Fairy Tail, Catedral Caldia (Edifício mais antigo da cidade), Lago Sciliora, Loja Magica "Lendis", Parque Magnolia (Entrada por Este), Caminho Central (Eventos e paradas aqui), Guilda Fairy Tail, HaldCocor Hotel Bar, Estação Magnolia (Você está aqui), Loja de Brinquedos "Tom", Livraria "Book Land", Hospital Magnolia, Banhos Públicos e Loja de Bolos "Morangos Doces".
"Tantos habitantes.." – pensei. Deveria esperar por alguém que me viesse buscar à paragem, por isso, ajustei a minha mochila que estava no meu ombro direito de maneira a não me magoar e comecei a andar pela estação à procura de alguém que tivesse um papel qualquer com o meu nome escrito ou algo parecido.
– Heartfilia? – procuro o dono daquela voz mas não encontro ninguém. – Em baixo. – baixo a cabeça e vejo um velhote com pouco mais de um metro de altura, olhos pretos, careca com apenas algum cabelo branco dos lados da cabeça e com bigode farfalhudo branco, mas devidamente arranjado. Deveria ter cera dos seus 80 anos de idade, com a pele do rosto bastante demarcada e gasta com os anos de preocupações e problemas que, de certeza enfrentou. Olhei para as suas mãos e notei um pequeno papel branco escrito “Heartfilia” de uma maneira delicada. Obviamente que não tinha sido ele a escrever o meu último nome, mas sim uma mulher, apenas pela letra notava-se isso. – Suponho que seja a menina Heartfilia com quem falei por cartas, estou certo? – aceno com a cabeça em concordância, mesmo que tenha a cara quase toda tapada sabia que ele conseguia entender os meus gestos na perfeição. – Sou o Makarov Dreyar. – estendeu a mão para que o cumprimenta-se, era algo que não estava habituada por isso hesitei em mexer a minha mão direita para apertar a dele, mas correspondi não querendo parecer mal educada. – Venha, vou leva-la a sua nova casa.
Segui-o, sem nem argumentar algo em contrário, pelas ruas da bela cidade. Primeiras palavras que me viram à cabeça por apenas observar as pessoas à minha volta foram “felicidade” e “confusão”. As pessoas emanavam delas imensas energias positivas pela felicidade que sentiam, poderia até mesmo ser contagioso para quem passa-se por elas. Uma cidade cheia de flores, pequenas bancadas feitas de madeira e pedras, com toalhas por cima a cobri-las para em cima puderem por comida, livros, objectos mágicos de todos os tipos. Via-se crianças a correr de um lado para o outro a rir a plenos pulmões contentes com algo que se teria passado, mulheres a fazer compras juntas e a contar coisas que teriam visto pelas janelas de suas casas, homens a carregar caixas ou a beber, animais a correr uns atrás dos outros. Iria-me sentir bastante desconfortável nesta cidade, disso não tinha duvidas.
Julgo que é esta a melhor altura para me apresentar. Chamo-me Lucy Ashley Heartfilia, tenho 19 anos, loira com o cabelo pelos ombros, com olhos castanhos claros, magra mas com as curvas nos sítios certos, apesar do exagero que os meus seios são. Acabei de chegar a Magnolia a pedido de Makarov, um homem bastante conhecido por ser um dos 10 Magos Santos e Mestre de uma das Guildas mais conhecidas, Fairy Tail, fundada por Mavis Vermilion, Precht, Warrod Sequen e Yury Dreyar no ano X686, sendo Mavis a primeira Mestre de Fairy Tail.
Sempre vivi numa floresta com o meu treinador e o meu irmão adoptivo Aki. Não tive uma vida propriamente muito fácil. Com cerca de 2 anos surgiu na minha barriga uma marca que indicava que eu era aquilo que se chama uma âncora. As âncoras são pessoas que nasceram para controlar, para acalmar ou para amparar os Dragons Slayers, magos que foram treinados por dragões ou educados/criados por estes, para puderem ter as suas magias.
Segundo os livros dos nossos antepassados, há cerca de uns 400 anos houve uma grande guerra entre dragões. Estes estavam divididos em 2 lados: os que apoiavam a co-existência dos humanos com os dragões e obviamente aqueles que não apoiavam. Durante muito tempo a guerra esteve num impasse pois nenhum dos lados desistia e nenhum ganhava. Com isso, os dragões que eram a favor tiveram uma grande ideia, ensinar os humanos que lhes eram mais chegados ou que eles tinham mais afinidade, a sua magia, para pudessem matar os outros dragões. Isso mudou a guerra a favor deles, mas o que eles não contavam é que alguns humanos começassem a matar para além dos dragões inimigos, também os aliados. Esses humanos que foram ensinados pelos dragões a terem a sua magia foram chamados de Dragons Slayers.
Há falta de muita informação, mas o que se sabe é que mais tarde os poucos dragões que restaram e que ainda assim quiseram ensinar a sua magia aos humanos, mesmo depois da guerra acabar, decidiram arranjar uma maneira de controlar ou mesmo amparar esses seus humanos criando os parceiros, magos capazes conviver com esses Dragons Slayers, criando assim as âncoras.
Os DS costumam ser problemáticos por terem sempre excesso de energia, são explosivos, nervosos, rudes e bastante poderosos. Por vezes, em casos em que eles são ligeiramente possuídos pelo dragão dentro de sí, costumam ser agressivos e mesmo cruéis perdendo geralmente a humanidade que existe neles. Foi criada uma teoria pelos antepassados, de que os Dragons Slayers teriam dupla personalidade, o humano e o dragão que muitas vezes lutavam para assumirem o controlo do corpo, mas nada chegou a ser comprovado até hoje.
Quando recebi a marca, sendo escolhida por algum dragão, o meu pai a contra gosto da parte da minha mãe, enviou-me para junto de um homem que saberia lidar comigo, como se eu fosse uma aberração. Bem, realmente, na aldeia eu era olhada como uma aberração e por vezes tratada como tal. Riki Akira, nome com significado diferente, “O Poder Brilhante” ou “O Poder Inteligente”, educou-me e treinou-me desde que me lembro. Ensinou-me a falar, a ler, a usar os meus espíritos — visto que venho de uma linhagem antiga de magas celestiais da parte da minha mãe — para que um dia eu pudesse ajudar um DS a viver sem ser consumido pelo ódio ou pelo dragão. Perto dos meus 14 anos, Riki disse-me que era a altura de eu iniciar a procurar do DS a que eu pertencia — “Coisa ridícula, pertencer a alguém”, mas obedeci sem o questionar como normalmente o fazia.
As âncoras são muitas vezes consideradas escravas devido a pensamentos ridículos, no qual as pessoas julgam e dizem que nascemos e somos marcados para simplesmente servir como se fossemos escravos, onde não temos opinião, palavra ou escolha. Simplesmente odeio essas pessoas, não sirvo ninguém, apenas ajudo no que for necessário visto que sou obrigada a isso.
Comecei a minha procura por vários países, tentando sentir alguma energia estranha que me chama-se, visto que só o encontraria se ele me chama-se, e não estou a dizer que ele gritava por mim aos 4 ventos, isso seria estúpido. O DS chama a sua âncora assim que, pela primeira vez, fica completamente descontrolado. Não se sabe ao certo como é que eles nos chamam, apenas sei que sentirei uma dor estranha mas agradável na marca levando-me a agir de maneira inconsciente para o encontrar. Nas cidades por onde andei fui conhecendo pessoas que me ensinaram muito do que sei hoje até que, à cerca de uns meses atrás, quando estava a ler na biblioteca da cidade Clover, um livro sobre os grandes magos, quando o nome “Makarov” chamou-me à atenção pelo facto de que sempre que o mencionava ou pensava no nome do mago santo, a minha marca ardia de uma maneira incrível. Teria de ser um sinal. Acabei por supor que ele saberia de algo ou que conhecia a quem estou ligada. Depois de muita procura, consegui entrar em contacto com Makarov por cartas e o mesmo informou-me que tinha três DS na sua Guilda e que era difícil dizer qual deles poderia ser, mas que o mais provável era ser um tal de Dragneel, visto que à cerca de um ano que andava mais descontrolado que o normal. E agora, aqui estou eu, numa rua chamada Strawberry Street, perto do centro de Magnolia, prestes a entrar num edifício de apartamentos simples com 2 andares virado para um dos canais do grande rio da cidade, de paredes avermelhadas, com um telhado inclinado castanho e com duas chaminés e duas janelas do sótão, a seguir um velhote baixinho que não assustaria nem uma mosca mas que é um dos Magos mais conhecidos e mais fortes de Fiore.
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